sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Me demita!

APAGÃO DO EMPREGO 1
Em reunião na última quarta-feira, em São Paulo, empresários de diversos setores da indústria brasileira demonstraram preocupação com o repentino aumento do número de trabalhadores que pedem para serem demitidos. Segundo os empresários, o fato está ligado ao aumento do valor recebido pelo seguro-desemprego, para até R$ 954,21, que entrou em vigor no primeiro dia deste ano.

APAGÃO DO EMPREGO 2
O trabalhador menos especializado está preferindo ficar em casa, por até cinco meses, mesmo ganhando menos do que se estivesse no chão de fábrica. Enquanto isso, sobram vagas nas escolas de ensino profissional e técnico, de requalificação do trabalhador. No Senai e no Cefet de Santa Catarina, das 77 mil vagas disponíveis, 24 mil não foram preenchidas. "É o apagão da mão de obra", disse um industrial.
(Do Mercado Aberto - Folha)

Cadê a Dilma na foto?


A ministra Dilma Roussef, fiel escuderia e sombra do presidente lula, apareceu ontem em todas as imagens ao lado do PR, deixando o hospital no Recife. Confesso que, quando vi a cena, por um momento, achei que era um jogo dos sete erros. Silenciosamente, me perguntei: cadê da dona Mariza? Não era para ela estar nessa imagem? Bom ,enfim, não foi.
Agora, na foto acima, me pergunto: cadê a dilma? ela - que não desgrudou do presidente no Hospital - não entrou de sombra na foto das enfermeiras, por que? Perdeu a oportunidade.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Olha a cara dele.


Apple lança o iPad, que une vídeo, música, livro e game. O produto chegará ao mercado dos EUA em 60 dias, com preço inicial de US$ 499. O projeto, misto de celular sensível ao toque e laptop, existe há mais de dez anos, mas só agora convenceu executivos de seu potencial.

Investidor externo tira US$ 1,5 bi em 2 dias

Após alta de 145% em dólares em 2009, Bolsa brasileira já perdeu 11% em 2010, a maior desvalorização depois da Venezuela

Para analistas, reversão está ligada a fatores externos como restrição ao crédito na China, retirada de estímulos e regulação maior nos bancos

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL da Folha DE BRASÍLIA

Depois de terminar o ano como "queridinho" do mercado global, o Brasil desponta em janeiro como um dos países que mais perdem recursos dos investidores internacionais.
A piora nas condições do mercado no final da semana passada provocou uma saída de quase US$ 1,5 bilhão do país em apenas dois dias -quarta e quinta-feira da semana passada-, segundo o Banco Central. No ano passado, o país teve um saldo positivo de US$ 19 bilhões na sua conta financeira.
A Bolsa brasileira, que subiu em dólares 145% no ano passado, já teve uma baixa de 11% (5,13% em reais) em 2010, após cinco dias seguidos de perdas. Foi a maior baixa do mundo depois da Venezuela, que recuou 49,3%, já contando o impacto da desvalorização do bolívar.
A maior parte dessa perda da Bolsa está ligada a uma desvalorização do real, que segue um movimento internacional de alta do dólar e da busca por aplicações de menor risco.
Só neste ano, o real já perdeu 5,88% diante do dólar, indo de R$ 1,743 para R$ 1,859. No mundo, o real é também a moeda com a maior depreciação após a divisa venezuelana.
Segundo analistas, a reversão está mais ligada a fatores externos do que a brasileiros. Entre os motivos, estão a restrição ao crédito na China, a revisão da avaliação de risco na Europa e no Japão, regras mais apertadas para os bancos nos EUA fazerem apostas no mercado de capitais, a queda no preço de commodities e dúvidas sobre a recuperação da economia global com a retirada de estímulos e aumento nos juros.
Para Ajay Kapur, estrategista da Mirae Investments de Hong Kong, o Brasil está agora sendo punido porque os grandes fundos de investimento estão "superexpostos" ao real e a ativos brasileiros, após a procura de oportunidades de alto retorno no país até 2009. "O mercado brasileiro está agora caro, apesar de haver razões fortes para justificar essa alta. Uma reversão é bastante provável."
Segundo o economista Alkimar Moura, ex-diretor do BC, o momento atual ainda não representa uma reversão completa do otimismo, mas exige cautela dos investidores. "Pouco depende do Brasil; depende mais da economia mundial. Há também uma má vontade dos banqueiros com a tentativa de regulação no setor financeiro, que afeta o fluxo de dinheiro para o Brasil", disse.
Para Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO, há, sim, um "cheiro de reversão" do quadro otimista no ar, mas nada ainda que aponte para um caminho de histeria como o visto dias após a quebra do Lehman Brothers, em 2008.
Além da saída de estrangeiros, Nehme afirma que a taxa de câmbio está pressionada porque algumas empresas e investidores tiveram de comprar dólar para desmontar operações com derivativos que apostavam na continuidade da baixa da moeda americana, como ocorreu no final de 2008. "Mas isso deve ter acontecido em uma escala muito menor. Até porque está fresca a memória do estrago dos derivativos para os bancos."

Fluxo cambial
Durante toda a última semana, o fluxo de dólares ficou negativo em US$ 85 milhões. Ou seja, houve mais dinheiro saindo que entrando na economia brasileira. O resultado só não foi pior devido a um fluxo positivo no comércio exterior, já que os contratos de exportação superaram as operações de importação.
Com a piora da semana passada, no acumulado de janeiro, o fluxo cambial ficou positivo em apenas US$ 10 milhões. Na área financeira, entraram US$ 671 milhões. Nas operações comerciais, as importações ainda superam os contratos de exportação em US$ 660 milhões.
Se a queda da Bolsa e a alta do dólar, verificados nos últimos dias, provocarem nova saída de recursos nesta semana, janeiro pode fechar com o primeiro resultado negativo em dez meses.
Segundo relatório da NGO, os números da próxima semana devem mostrar um movimento mais forte de saída de dólares. Para a corretora, há um "afastamento de especuladores estrangeiros", já que a moeda nacional perdeu a atratividade para esse fim, o que acentua a "tendência gradual de depreciação do real".
Com a alta do dólar, o BC reduziu, pela segunda semana seguida, o volume das suas intervenções no mercado de câmbio. As compras somaram US$ 425 milhões. No ano, já foi adquirido US$ 1,7 bilhão, 50% a menos do que foi comprado em dezembro passado. As reservas internacionais do Brasil estão hoje no patamar recorde de US$ 241,5 bilhões.

Fita revela ação planejada do MST, diz polícia

Delegado afirma que líder regional do movimento foi filmado antes de invasão a fazenda falando em "dar prejuízo a eles"

Há 20 suspeitos com prisão decretada e 13 deles estão foragidos; policial pedirá prorrogação de detenções temporárias por mais 5 dias

MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Um vídeo apreendido anteontem na operação que resultou na prisão de nove sem-terra no interior de São Paulo prova que a depredação de uma fazenda da Cutrale, ocorrida no ano passado, foi um ato premeditado, segundo a Polícia Civil.
O delegado responsável pelas investigações, Jader Biazon, disse ontem que a gravação foi feita logo após a invasão da fazenda, em Iaras (SP). Um homem diz: "Essa é a quarta ocupação. Agora nós viemos aqui para, pelo menos, dar prejuízo para eles". Segundo o delegado, a fala é de Miguel da Luz Serpa, 50, um dos coordenadores estaduais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele foi preso na ação policial e se calou no depoimento.
Quando os sem-terra saíram da fazenda da Cutrale, em outubro de 2009, deixaram um total de 7.000 pés de laranja destruídos, de acordo com a empresa. Tratores, móveis e eletrodomésticos foram destruídos, e paredes, pichadas.

MST nega acusação
O MST sempre negou que integrantes do movimento tenham depredado e realizado furtos durante a invasão.
Segundo a polícia, os presos anteontem na Operação Laranja são suspeitos de envolvimento com a invasão e depredação da fazenda da Cutrale.
Além de Serpa, foram detidos a atual vereadora de Iaras e mulher dele, Rosimeire Pan D'Arco de Almeida Serpa (PT), 30, e o ex-prefeito da cidade e presidente municipal do PT, Edilson Granjeiro Xavier, 64. De acordo com a polícia, os três coordenaram a invasão.
Há 20 suspeitos com a prisão decretada, 13 deles foragidos. O delegado afirmou que vai pedir a prorrogação por mais cinco dias das prisões temporárias.
Os dois presos por porte ilegal de arma durante a operação pagaram fiança e foram libertados ontem. Já os sete presos por ordem judicial, em razão da invasão da fazenda, continuam detidos e foram transferidos para cadeias da região.
Biazon disse que testemunhas relataram no inquérito -ainda em andamento- ter sofrido ameaças de integrantes do MST, durante as apurações, para que não revelassem informações sobre o movimento.
"As prisões foram imprescindíveis para o prosseguimento das investigações por causa de ameaças sofridas por testemunhas", disse o delegado.
A polícia apreendeu agendas, computadores e celulares que serão periciados. Agrotóxicos e fertilizantes apreendidos com os sem-terra podem ter sido retirados da Cutrale.

AUMENTO DE DESPESA FOI O MAIOR DA ERA LULA

OS MAIORES GASTOS DO GOVERNO LULA
Autor(es): Adriana Diniz
Valor Econômico - 28/01/2010

Os gastos do governo fe­deral no ano passado supera­ram em RS 74,5 bilhões a despesa de 2008, num crescimen­to de 15%, o maior já regis­trado no mandato de Luiz Iná­cio Lula da Silva. Com a di­minuição na arrecadação de impostos, contribuições fede­rais e receitas como os royalties, o resultado foi a queda de 45% do superávit primário do governo central (União, Pre­vidência e Banco Central), que somou R$ 39,21 bilhões, ou 1,25% do PIB. Analistas con­sideram que as desonerações tri­butárias de estímulo à economia contribuíram para os números negativos.

RIO - O aumento dos gastos do governo, que em 2009 registrou a maior alta desde 2005, e a diminuição na arrecadação federal – impostos, contribuições federais e demais receitas, como os royalties – provocaram uma queda do superávit primário do governo central (União, Previdência e Banco Central) de 45%, no ano passado, somando R$ 39,21 bilhões, ou 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo dados do Tesouro Nacional, os gastos do governo cresceram 15% ou R$ 74,5 bilhões em 2009, para R$ 572,4 bilhões. É o maior crescimento já registrado no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em termos percentuais, o aumento das despesas foi o mais forte desde 2005 (16,2%). A arrecadação federal registrou queda real de 2,96%, para R$ 698,289 bilhões, no ano passado.

O superávit primário – economia para pagar juros da dívida pública – ficou bem abaixo da meta inicial do governo, de 2,15% do PIB ou R$ 65,6 bilhões, e inferior à meta revisada em abril do ano passado: 1,4% do PIB, equivalente a R$ 42,7 bilhões.

– A queda já era esperada por conta dos reflexos da crise, que influenciou o crescimento do país, resultando num PIB em torno de zero. Mas o que surpreende é o número ter ficado abaixo de uma meta já revisada – destaca Silvio Sales, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o analista econômico Gabriel Goulart, as medidas de incentivo – como isenção e redução de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para diversos setores – e o excesso de gastos do governo influenciaram no resultado.

– É uma queda muito grande comparada a 2008. O governo teve gastos excessivos. Não só para alavancar a economia e tirar o país da crise, com medidas de incentivo fiscal e ampliação do crédito, mas porque precisa sustentar a máquina, que é muito onerosa – ressalta Goulart.

De acordo com dados do governo, somente as despesas com funcionalismo público subiram quase R$ 21 bilhões no ano passado. Os investimentos públicos também registraram um salto de 20,8%, até R$ 34,137 bilhões, em uma tentativa do governo de reativar a economia após a recessão do último trimestre de 2008. O governo ainda consumiu totalmente um fundo soberano de R$ 14 bilhões criado no início de 2008 com excedentes da arrecadação de impostos para servir de ajuda em tempos de crise.

Os dados fiscais do setor público consolidado serão divulgados quinta-feira. Números dos governos estaduais e municipais e de empresas estatais serão acrescentados nos cálculos, o que deve elevar o superávit para 1,3% do PIB, segundo analistas. Para chegar a esses dados, o governo teve de usar a prerrogativa de abater do cálculo cerca de R$ 400 milhões em despesas consideradas prioritárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A previsão para 2010 é de crescimento da arrecadação e leve aumento nos gastos públicos, mas bem menor que no ano passado. “A retomada da economia e a retirada das medidas de incentivo devem fazer com que a arrecadação seja recuperada. Já os gastos do governo devem crescer um pouco, por conta de ser ano de eleição. Porém menos, porque, a partir de abril, há alguns entraves aos gastos públicos, também devido às eleições”, afirmou Goulart.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Focus mantém previsão de juros

O mercado manteve a previsão de que a taxa básica de juros da economia brasileira permanecerá em 8,75%. Esta semana, o Comite de politica Monetária (Copom) se reune e se confirmada a previsão, será a quarta vez seguida que o Copom mantém os juros neste patamar - desde 22 de julho do ano passado. A previsão do mercado faz parte da pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco central e que se baseia na expectativa de aproximadamente cem instituições financeiras do país. O mercado manteve ainda pela segunda semana seguida sua previsão de crescimento da economia em 2010 de 5,3%, mas aumentou sua expectativa para a inflação, passando de 4,5% na semana passada para 4,6 agora. Amanhã e quarta-feira, o copom tem sua primeira reunião do ano.

Toma lá... Dá cá...

Da Folha de São Paulo

Empresa doadora recebe verba de deputados
Levantamento revela que, em ao menos dez casos, companhias que financiaram campanhas ganharam recursos de verba indenizatória

Congressistas negam que as contribuições recebidas tenham sido motivadas pelo uso dos recursos da Câmara nas empresas, ou vice-versa


RANIER BRAGON
ALAN GRIPP


Empresas que fizeram doações eleitorais receberam recursos públicos destinados pelos mesmos deputados que ajudaram a eleger, revela levantamento inédito feito pela Folha.
Entre os deputados que receberam as maiores doações, são pelo menos dez casos de toma lá dá cá, identificados a partir do cruzamento das contribuições de campanha com os gastos secretos da verba indenizatória, cujas regras, genéricas, definem apenas que elas podem custear despesas relacionadas à atividade parlamentar.
As cerca de 1.400 empresas que receberam recursos da verba da Câmara gastaram R$ 22,1 milhões em doações.
A Folha teve acesso em novembro, pela via judicial, a cerca de 70 mil notas fiscais apresentadas pelos deputados nos quatro últimos meses de 2008.
Até então secretas -a Câmara só passou a divulgar as informações detalhadas a partir de abril de 2009-, as notas já revelaram uso do dinheiro público em empresas com endereço fantasma, em gastos em turismo, confraternizações e empresas dos próprios deputados.
A nova revelação se dá pelo cruzamento de dados das notas com a relação de doadores das campanhas de 2006 e 2008.
O número de empresas que aparece nas duas listas -tanto é beneficiária da verba indenizatória como é doadora de campanha- representa cerca de 10% das que emitiram notas para os deputados no período.
A pesquisa nos casos que envolvem os valores mais expressivos mostram situações como a do deputado Luiz Bittencourt (PMDB-GO), que foi reembolsado pela Câmara em R$ 32,4 mil após apresentar notas de serviços prestados pela empresa Online Informática, de setembro a dezembro de 2008.
A mesma empresa aparece na Justiça Eleitoral como doadora de R$ 100 mil para a campanha do deputado em 2006.
O ex-corregedor da Câmara, que deixou o cargo após a revelação de que a família possuía um castelo no interior de Minas, Edmar Moreira (PR-MG) apresentou no período notas de R$ 52 mil da empresa Ronda, de sua propriedade. Na outra ponta, a Ronda doou R$ 60 mil para a sua campanha e para a de um filho dele, em 2006.
Já a empresa de serviços Dinâmica fez uma única doação em 2006, segundo a Justiça Eleitoral: R$ 30 mil para o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). As notas fiscais da verba indenizatória mostram que o deputado declarou gastos na empresa de R$ 23,8 mil de setembro a dezembro de 2008.
Colega de bancada e de partido, o deputado Deley (PSC-RJ) tem exemplo semelhante: recebeu doação de R$ 13 mil da Reprográfica Barrense, na qual ele declara ter gasto R$ 32,4 mil da verba indenizatória nos últimos meses de 2008.
Os deputados ouvidos pela Folha negaram que as doações foram motivadas pelo uso da verba indenizatória nas empresas, ou que o recebimento de doações tenha estimulado o uso da verba pública na contratação de serviços das empresas.
O deputado Fernando Coelho Filho (PSB-PE), por exemplo, diz que os R$ 160 mil que sua campanha recebeu da TGR Transportadora (14% do que arrecadou), que pertence a um tio, não tem relação com os R$ 5.000 que gastou, com recursos da verba indenizatória, no posto de combustível da empresa nos quatro últimos meses de 2008. Segundo ele, os R$ 5.000 são gastos pulverizados em quatro meses, e que os dois carros que usa em Petrolina (PE) também usaram outros postos.
Desde que a Folha começou a publicar reportagens sobre a prestação de contas dos deputados, em novembro, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que orientaria a Corregedoria da Casa a investigar todos os casos, mas nenhum ainda foi concluído. O Congresso está em recesso até o fim de janeiro.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

cursinho na base do voto

A empresa de comunicação do deputado estadual Maksuês Leite (PP-MT) exigia a apresentação de título de eleitor aos candidatos interessados em concorrer a 300 vagas em um cursinho pré-vestibular gratuito na cidade de Várzea Grande, vizinha à capital Cuiabá.
O Várzea Vest foi lançado pelo grupo "O Documento", de propriedade do deputado, que também é apresentador de TV. A exigência do título de eleitor constava das fichas de inscrição. (folha de São Paulo)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobe o número de brasileiros civis mortos no haiti

Mais um...
Segundo Itamaraty, três civis brasileiros morreram com o terremoto de 7 graus da Escala Richter que arrasou o Haiti na terça-feira da semana passada, informou o Ministério das Relações Exteriores. Duas das vítimas são a médica Zilda Arns Neumann, coordenadora internacional da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, chefe-adjunto civil da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país caribenho. O terceiro civil não foi identificado. Com mais 18 militares, chega a 21 o total de brasileiros que perderam a vida na tragédia. (Agencia Estado)
o exército confirmou hoje pela manhã a identificação do último militar brasileiro morto no terremto do Haiti, Major MÁRCIO GUIMARÃES MARTINS. ele é do rio de Janeiro e seu corpo não chegou a ser embarcado com os outros 17 que já estão a caminho do BRasil e devem chegar à Brasília no fim da manhã;início da tarde.

Veja Nota do Exército

É com pesar que o Comando do Exército informa a identificação do corpo do Major MÁRCIO GUIMARÃES MARTINS que se encontrava na situação de desaparecido na cidade de Porto Príncipe, desde o dia 12 de janeiro, em razão do trágico terremoto ocorrido.
O Major GUIMARÃES, que servia na Brigada de Infantaria Paraquedista, encontrava-se desempenhando a função de Oficial de Estado-Maior do Batalhão de Infantaria de Força de Paz do Haiti (BRABATT), no 12º Contingente Brasileiro da Missão.
Brasília, 20 de janeiro de 2010

o desafio da educação

Apenas metade dos jovens entre 15 e 17 anos está matriculada no ensino médio
Valor Econômico


Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007. Esses são alguns destaques da pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo aponta que houve avanços no acesso de jovens à educação. Em 2007, 82% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola. O problema está no atraso para concluir os estudos: apenas 48% estavam no ensino médio. Para o diretor de estudos e políticas sociais do instituto, Jorge Abrahão, a educação é vista pelos jovens como uma força positiva. "Os jovens entendem a educação como um caminho para melhorar a vida. Mas o jovem enfrenta no processo de escolarização problemas de desigualdades de oportunidades."

HAITIANOS FOGEM EM MASSA

ÊXODO A CAMINHO DA INCERTEZA
Autor(es): Agencia O Globo/Gilberto Scofield Jr.
O Globo



A lentidão na entrega de ajuda humanitária aos desabrigados de Porto Príncipe está acelerando o êxodo de milhares de haitianos em direção a pequenas cidades do interior do país — ou localidades onde operam resorts para estrangeiros — e à vizinha República Dominicana, em busca de um lugar para tocar a vida enquanto a reconstrução do país ou a recuperação parcial da capital não acontece. Muitos temem a ação de bandidos, após a fuga dos criminosos que estavam presos na Penitenciária Nacional, e a violência, por conta da escassez de alimentos e água que continua assombrando os sobreviventes.

Ontem, para agilizar a distribuição de doações, o Pentágono informou que voos trazendo ajuda humanitária terão dois pontos auxiliares de pouso além do congestionado aeroporto haitiano, atualmente administrado pelos EUA: um na cidade de Jacmel e outro na República Dominicana. E soldados americanos eram vistos atuando mais ostensivamente na capital, em pontos como o Palácio Nacional — para onde levaram suprimentos — e o vizinho Hospital Geral

Fila na embaixada americana

As imagens de gente rumando para fora da cidade com imensos sacos na cabeça ou arrastando malas de viagem a pé ou em caminhonetes superlotadas já fazem parte do conturbado cenário da capital desde o terremoto da semana passada. A fila para obtenção de vistos na embaixada dos Estados Unidos (próxima à base militar brasileira General Barcellos, no bairro de Camp Charlie) reúne centenas de haitianos que têm alguma ligação com o país e querem aproveitar a chance para emigrar. A maioria tem o visto recusado.

Temendo uma fuga em massa de haitianos em botes e barcos para Miami, na Flórida, no estilo dos refugiados cubanos, o embaixador americano no Haiti, Raymond Joseph, desencorajou os desesperados. Todos os dias, um avião de carga da Força Aérea americana especialmente equipado com radiotransmissores sobrevoa por cinco horas o país devastado, transmitindo notícias e uma mensagem gravada pelo diplomata.

— Não corram para os barcos para fugir do país — diz o embaixador. — Se vocês acham que ao chegarem aos EUA vão encontrar as portas abertas, não é esse o caso. Eles vão interceptálos ainda no mar e vão mandá-los de volta para casa.

Isso, porém, não desanimou Joseph Moise, um dos centenas de haitianos que ontem enfrentavam um calor infernal na porta da embaixada para obter o visto. Ele pretendia ir para o sul da Flórida, distante 1.126 km do Haiti.

— Tenho um primo que mora nos EUA e falo inglês. Ou seja, tenho onde ficar e sei me comunicar. Isso me ajuda a fazer qualquer coisa nos EUA, não? — afirmou ele, avisando que não desistiria de seu objetivo mesmo após descobrir que apenas falar inglês ou ter familiares nos EUA não o credenciam a obter um visto. — Então vou me juntar aos meus amigos e vamos de barco. Eu já perdi meus parentes e não consigo voltar para a casa. Então não tenho mais nada a perder.

Os arredores do aeroporto internacional também estão congestionados de haitianos dispostos a vender aquilo que lhes restou para embarcar num dos inúmeros aviões militares e cargueiros que entram e saem do país com doações. Mas a imensa maioria está indo para a periferia ou localidades no interior onde o terremoto não destruiu casas com tanta intensidade.

O problema, dizem os especialistas no país, é que a região não tem infraestrutura para abrigar tanta gente, o que deve ampliar a favelização e, possivelmente, a criminalidade.

O sonho de muitos dos esperançosos migrantes esbarra nos preços agora inflacionados das passagens de ônibus.

De Porto Príncipe para Les Cayes, cidade litorânea no sudoeste do país, a pouco mais de 180 km da capital, o valor desembolsado por pessoa subiu de cerca de US$ 5 para US$ 10 — e, ao lado dos pontos de partida dos veículos, famílias que não têm como pagar pela viagem sentam-se e esperam, com o que sobrou de seus pertences.

Os ônibus vão abarrotados, mas regressam quase vazios à capital.

Na fronteira com a República Dominicana, a segurança foi reforçada, mas não se vê ali o tumulto evidenciado nos três primeiros dias após o terremoto, quando centenas de haitianos imploravam que funcionários da imigração os deixassem passar. Sandra Severino, porta-voz do presidente do país vizinho, Leonel Fernández, afirmou que, por ora, não se registrou uma onda grande de imigração ilegal.

— Na verdade, temos relatos de que muitos haitianos que já moravam na República Dominicana estão voltando para o Haiti para ajudar parentes e amigos que foram afetados pelo terremoto — afirmou Sandra.

Ontem, a porta-voz de ajuda humanitária da ONU, Elizabeth Byrs, rebateu críticas sobre as falhas na logística de distribuição de ajuda (que estaria estimulando o êxodo por deixar milhares de pessoas sem água ou comida).

Ontem, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, afirmou que 72 mil corpos foram retirados até agora dos escombros.

— Nesse tipo de catástrofe, a ajuda não chega em poucas horas. Não esqueçam que esse terremoto sacudiu a capital do país. Muitos funcionários morreram e muitos serviços que normalmente usamos num caso como esse não estão disponíveis.

Distribuição de ajuda ainda lenta

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas contabiliza ter ajudado, até a noite de segunda, 270 mil pessoas com refeições prontas e biscoitos energéticos — ainda pouco diante dos cerca de três milhões de desabrigados pela catástrofe. A meta é fazer os mantimentos chegarem a um milhão de pessoas esta semana e a dois milhões nos próximos 15 dias.

Além disso, o programa doou 38 mil litros de combustível — cada vez mais caro e disputado — a organizações de ajuda e ao governo local. O objetivo é abastecer veículos de distribuição de alimentos e agilizar a chegada de 4,2 milhões de rações altamente nutritivas a crianças. Ontem, os EUA jogavam de helicópteros cargas de mantimentos atadas a paraquedas.

— Pretendemos distribuir ainda 10 milhões de rações a adultos — disse a porta-voz do PMA, Emilia Casella, esclarecendo que o montante é suficiente para alimentar meio milhão de haitianos três vezes por dia, durante sete dias.

CAOS I

(FSP)
Organização Não Governamental Médicos Sem Fronteiras criticou o controle do Aeroporto do Haiti na noite de ontem, ainda que não citem nominalmente os americanos, responsáveis pelo controle aéreo do país.
No relato da organização, contemplada com o Nobel da Paz em 1999, um avião carregado com 12 toneladas de suprimentos médicos (incluindo remédios) teve a licença de pouso negada três vezes no último domingo, apesar de ter recebido antes garantias de que poderia usar a pista. Desde o dia 14, a MSF diz ter tido cinco aviões desviados para Santo Domingo, na República Dominicana.
Por conta do incidente, segue a MSF, houve mortes. "Tivemos cinco pacientes mortos no centro de saúde de Martissant em decorrência da falta dos suprimentos médicos que aquele avião carregava", disse em comunicado Loris de Filippi, coordenadora de emergência de um hospital da entidade em Cité Soleil (maior favela de Porto Príncipe) que recebeu 500 transferências de Martissant. "Nunca vi nada assim."

Tragédia já é a mais letal das Américas

Da folha de São Paulo

Caio Guatelli/Folha Imagem

Até ontem, governo haitiano havia sepultado 72 mil mortos, e crescia a preocupação mundial quanto aos órfãos haitianos

Precariedade das condições faz com que as agências temam uma crise sanitária e surtos de febre tifoide, hepatite A e hepatite E



A haitiana Anante Fleriscas, resgatada dos escombros com fratura na bacia, é atendida no hospital de campanha da Força Aérea Brasileira em Porto Príncipe

DA REDAÇÃO

O governo do Haiti havia sepultado até ontem 72 mil vítimas desde terça passada, segundo seu premiê, Jean-Max Bellerive. Isso faz do terremoto de 7 graus na escala Richter a mais letal tragédia das Américas em todos os tempos e um dos piores terremotos do mundo nos últimos cem anos.
Segundo o haitiano, "muitíssimos" outros cadáveres foram enterrados pelas próprias famílias e estão fora das estatísticas oficiais. A estimativa total de mortos no país permanecia entre 100 mil e 200 mil mortos e 250 mil feridos.
Até a divulgação do número de vítimas por Bellerive, a catástrofe com mais mortos no continente era o terremoto de intensidade 7,9, que vitimara 66 mil pessoas na localidade peruana de Chimbote em 1970.
Levando-se em conta o número de mortos em decorrência de terremotos em todo o planeta, o sismo do Haiti já é o sétimo na lista dos que mais mataram nos últimos cem anos, de acordo com dados compilados pelo Instituto de Pesquisa Geológica dos EUA.

"Esperança persiste"
A ONU disse ter resgatado das ruínas mais de 90 pessoas vivas desde terça passada -recorde em situações do tipo. "A esperança de encontrar sobreviventes persiste", declarou, em Genebra, Elisabeth Byrs, porta-voz da ONU para assuntos humanitários, assinalando que ontem foram encontradas mais duas mulheres vivas sob os escombros de uma universidade de Porto Príncipe. Também na capital, socorristas disseram ter detectado indícios de vida humana sob um banco que desabou.
No entanto, calculava-se que milhares de mortos ainda seguissem soterrados. As atenções mundiais também se voltaram às crianças haitianas, à medida em que mais delas apareciam desamparadas, sem que equipes de resgate tivessem notícia do paradeiro de seus pais e parentes.
Num hospital de campanha israelense, uma criança de cinco meses era identificada só por um número. Ninguém sabia quem havia deixado o bebê ali, semiconsciente e recém-saído dos escombros. "O que faremos com ele após tratá-lo?", questionava-se um médico.
A cifra de órfãos criados pelo terremoto pode chegar a dezenas de milhares -em um país que já tinha 380 mil menores abrigados em orfanatos antes da tragédia de terça.
Grupos internacionais tentam agilizar o processo de adoções das crianças -mas a adoção deve ser a "última opção", disse ontem a Unicef, só após se tentar, a todo custo, encontrar as famílias dos menores.
Ontem, voo com 53 órfãos haitianos chegou aos EUA para que eles sejam adotados lá. Hoje deve chegar a Porto Príncipe um avião do governo holandês, em missão para localizar 109 crianças cuja adoção por famílias holandesas estava em andamento antes da tragédia.

Crise sanitária
As agências humanitárias também se preocupam com o risco de uma crise sanitária no Haiti. Sem banheiros para os flagelados e com acampamentos precários lotados com até 40 mil pessoas, o alcance de doenças simples, mas potencialmente fatais, se multiplica. A Organização Mundial da Saúde vê risco de surtos pontuais ou mesmo epidemias (mais disseminadas) de febre tifoide, hepatite A e hepatite E.
Alerta também para a ameaça do cólera, doença que se espalha pelo consumo de água suja. O Haiti já não tinha coleta regular de esgoto. Com o terremoto, segundo os assistentes humanitários, nem privadas e fossas suficientes há na capital. Na descrição do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, "por toda Porto Príncipe o cheiro de urina é dominante".
Fezes se acumulam. "Faltam latrinas, e há tanta gente aglomerada... Eles acampam onde podem", disse à Folha Marçal Izard, porta-voz do CICV. Diante da falta de água limpa, alerta o CICV, as pessoas têm usado água suja para tomar banho e, às vezes, cozinhar ou beber. "Nosso foco é fornecer água potável", afirma Izard. Ainda assim, as agências não registraram por ora um aumento nos casos de cólera, diarreia e outras doenças ligadas à falta de saneamento. A OMS também chama a atenção para o risco de surtos de doenças causadas por aglomeração, como tuberculose, sarampo, difteria e meningite.

Colaborou LUCIANA COELHO, de Genebra

Com agências internacionais

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

o Haiti, é aqui....

SOLIDARIEDADE: BRASILEIROS QUEREM ADOTAR CRIANÇAS HAITIANAS ÓRFÃS
FOLHA DE SÃO PAULO

Mais de 200 pessoas já procuraram a Embaixada do Haiti em Brasília para tentar adotar órfãos do país. Mas a Secretaria Especial dos Direitos Humanos brasileira diz que adoções entre países não devem ocorrer em casos de calamidade, quando é difícil identificar o histórico familiar da criança. O Haiti não ratificou a Convenção de Haia sobre o tema.

*é preciso calma. temos por aqui, também, nossas crianças que precisam de atenção. No momento, a ajuda primeira é de mantimentos e água. A Defesa Civil, inclusive, esclarece quais tipos de mantimentos devem ser doados. Para mais informações sobre doações,a página da defesa civil nacional na web www.defesacivil.gov.br

A SOLIDARIEDADE humana é muito importante em qualquer desastre! ANTES, os doadores devem se informar sobre “o que mais se necessita para minimizar o sofrimento dos afetados”.

TERREMOTO NO HAITI
A DEFESA CIVIL BRASILEIRA orienta:

NECESSIDADE DE DOAÇÕES:

No caso do TERREMOTO no HAITI, priorizam-se alimentos de pronto consumo (não precisa de água e condimentos para preparação), com prazo de validade de no mínimo de 3 meses:
Biscoitos
Barras de cereais
Frutas desidratadas
Proteinas enlatadas (atum, sardinha, fiambre,etc)
Bebidas engarrafadas (água, suco, achocolatado, energético)

COMO DOAR:

(1) Cadastre-se: Entre em contato com a Defesa Civil do seu Estado, (veja no site: www.defesacivil.gov.br) informando sobre: tipo de bens, quantidade, peso, volume e a disponibilidade de entregá-los no RIO DE JANEIRO/RJ por conta do doador.

(2) Aguarde o retorno: Após esse cadastramento, aguarde o contato da Defesa Civil Estadual que instruirá sobre a data e o local para efetuar a doação.

ATENÇÃO: O emprego do voluntariado brasileiro no Haiti somente ocorrerá se a Missão coordenada pela ONU assim julgar necessário. Até o momento não é necessário.

Defesa Civil somos todos nós!

Discretamente...

Governo beneficia pequenas centrais
Autor(es): JULIANNA SOFIA e EDUARDO RODRIGUES
Folha de S. Paulo - 19/01/2010

Ministério do Trabalho revoga trecho de portaria que estabelecia critérios para entidades receberem imposto sindical


Pequenas centrais sindicais com representação nacional abaixo de 7% do total dos trabalhadores sindicalizados são favorecidas por medida

O Ministério do Trabalho revogou, discretamente, trecho de uma portaria editada em 2008 que estabelece critérios para definição das centrais sindicais que recebem dinheiro do imposto sindical. Com a decisão, entidades que corriam risco de ficar sem o repasse da contribuição neste ano deverão manter seus caixas cheios.
De janeiro a julho do ano passado, as centrais embolsaram R$ 74 milhões provenientes do imposto sindical, e a tendência é que o montante aumente neste ano com a expansão do mercado de trabalho formal. Os números fechados de 2009 ainda não foram divulgados.

Suspeita de propina ao PT no exterior

Procuradora vê evidência de propina no exterior ao PT
Documentos apreendidos com diretores da Camargo Corrêa envolvem também PMDB

Papéis descrevem depósito em "conta internacional" a petistas do Pará em torno da construção de 5 hospitais no Estado; envolvidos negam

LILIAN CHRISTOFOLETTI
FLÁVIO FERREIRA
DA FOLHA DE SÃO PAULO

O Ministério Público Federal em São Paulo afirma ter localizado, entre documentos confidenciais apreendidos pela Polícia Federal com diretores da construtora Camargo Corrêa, comprovantes de pagamentos de propina no exterior ao Partido dos Trabalhadores do Pará.
Segundo a procuradora da República Karen Kahn, para conseguir um contrato de construção de hospitais no Pará, governado por Ana Júlia Carepa (PT), a Camargo Corrêa repassou ao PT, em abril de 2008, R$ 261.285,52 por meio da conta nº 941-11-013368-2, no First Commercial Bank, na China.
O PMDB do Pará, diz Kahn, também teve a sua cota, cerca de R$ 130 mil, paga no Brasil.
Os envolvidos rebateram ontem as afirmações da Procuradoria (leia texto abaixo).
Os detalhes dos supostos pagamentos constam em arquivos digitalizados apreendidos com Pietro Bianchi, diretor da construtora. Quando a procuradora apresentou todo o material ao juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, em novembro, ele pediu o aprofundamento da investigação.
Desde a semana passada, porém, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Asfor Rocha, suspendeu toda a Castelo de Areia. O ministro atendeu a um pedido da defesa da empresa, que sustenta que a operação é nula porque, entre outros motivos, a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos foi baseada em denúncia anônima, o que não é permitido por lei.

Taiwan
Segundo a Procuradoria, a negociação PT-Camargo Corrêa foi em torno da construção de cinco hospitais no Pará, em abril de 2005, nos municípios de Belém, Santarém, Breves, Redenção e Altamira.
Num dos papéis apreendidos, está escrito que deveria ser pago ao PT, em "conta internacional", R$ 261.285,52. Esse pagamento, segundo Kahn, foi feito na conta em Taiwan (China) em nome de Tiger Information -o uso de nomes fictícios é comum em paraísos fiscais para camuflar o real titular.
Ainda segundo Kahn, foi localizado um comprovante de transação internacional no mesmo valor. "Tal fato conduz à invariável conclusão de que os pagamentos [...] foram, de fato, feitos a título de propina, direcionada aos próprios partidos ou a alguns de seus integrantes, não identificados, em troca de facilidades obtidas na construção de obra "hospital do Pará'", disse a procuradora.
Em outro registro, está escrito "PT 5%", "PMDB 3%", "JB, eleição e partido" e "Carlos Botelho" -mesmo nome do consultor do governo do Pará.

Outras obras
Kahn citou outras obras que envolveriam "robustos indícios" de pagamento ilegal. Em Caieiras (SP), a Camargo Corrêa teria pago R$ 2,1 milhões para mudar a lei de zoneamento. Há menções ao "Pres da câmara de Caieiras KF" e "Sec de segurança WP". Para Kahn, são referências a Cleber Furlan, ex-presidente da Câmara Municipal, e a Wladimir Panelli, ex-secretário da Segurança.
Num contrato com a Transpetro (da Petrobras), há a informação de um suposto pagamento de R$ 291 mil a Sérgio Machado, identificado como presidente da empresa. No papel, há o endereço de Fernando Botelho, conselheiro da construtora, onde, segundo Kahn, o pagamento teria ocorrido.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ranking de viagens pela FAB

Tarso fez 85 viagens em jatinhos da FAB em 2009
Tarso, campeão nas asas da FAB
Autor(es): Agencia O Globo/Luiza Damé e Chico de Gois
O Globo - 18/01/2010



O ministro da Justiça, Tarso Genro, é o campeão na utilização de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) pelo país afora.
Candidato declarado ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso se valeu dos jatinhos em 85 ocasiões em 2009, sendo que a maioria das viagens foi para Porto Alegre, onde mora — o que é garantido pela legislação em vigor — ou para cidades no interior do Rio Grande do Sul.

Na média, foi uma viagem a cada quatro dias. Em seguida vem o ministro do Turismo, Luiz Eduardo Barretto, que fez 81 viagens em aviões da FAB. Em 2009, os ministros usaram 813 vezes os aviões da Força Aérea, sem contar viagens na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dados são de um levantamento feito pelo GLOBO nos 37 ministérios — incluindo o Banco Central, cujo presidente, Henrique Meirelles, tem cargo de ministro. Do total, 30 informaram o número de viagens realizadas pelos titulares das pastas usando os jatinhos da FAB, com a respectiva agenda cumprida pelo ministro. O Banco Central e o Gabinete de Segurança Institucional não deram os dados, limitando-se a afirmar que o serviço foi usado “de acordo com a norma vigente”.

Casa Civil, da ministra Dilma Rousseff, Defesa, Direitos Humanos, Esporte e Meio Ambiente não responderam ao pedido de informações.

Em várias ocasiões, Tarso aproveitou a viagem para manter agendas políticas no Rio Grande do Sul. Segundo a agenda fornecida pelo Ministério da Justiça, nessas viagens Tarso deu entrevistas a veículos de comunicação gaúchos, fez palestras em associações comerciais e visitou universidades, mas também tratou dos programas ligados à pasta. Numa das viagens, em janeiro de 2009, o ministro foi para Porto Alegre num avião da FAB para participar de reunião com guardas municipais das cidades atendidas pelo Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), em Canoas. Quatro dias depois, Tarso usou novamente o transporte da FAB para evento do Pronasci, mas no Rio.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é outro que gosta de manter atividades em seu estado. Das 24 viagens que fez em 2009, usando jatinhos da FAB, em dez Bernardo participou de eventos em cidades do interior do Paraná, como a cerimônia que criou o feriado municipal da Consciência Negra, em Londrina.

Decreto autoriza viagens de volta para casa

Já a maior parte das viagens feitas pelo ministro do Turismo diz respeito a eventos relacionados à sua pasta. Em algumas ocasiões, ele dividiu o serviço da FAB com os colegas. Depois de cuidar de investimentos em Itacaré e Mamanu, na Bahia, o ministro voltou no jatinho com o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, que costuma usar o serviço da FAB entre Brasília e Salvador, onde mora, o que é permitido pela lei. Barretto também usou jatinhos da FAB entre Brasília e Porto Alegre, onde participou de evento da Copa do Mundo de 2014. No dia seguinte, foi ao Rio, para solenidade de entrega do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, e voltou para Brasília.

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, usou 73 vezes os aviões da FAB, sendo 52 vezes para cumprir agenda do governo e 21 para voltar a Belo Horizonte, onde mora. Segundo a assessoria de imprensa, o ministério “está presente em todos os municípios com estrutura centralizada em Brasília, o que exige deslocamentos constantes do ministro”. Diz ainda que, muitas vezes, o horário dos compromissos de Patrus nos estados é incompatível com voos comerciais, sendo necessário usar a FAB.

No ano passado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, usou aviões da FAB para o cumprir 60 agendas relacionadas a questões da pasta. Segundo a assessoria de imprensa, entre os programas do ministério que demandaram o uso dos jatinhos estão as caravanas da dengue e da mortalidade infantil “que percorreram vários estados brasileiros, e exigiram logística para possibilitar que o ministro percorresse, em curto espaço de tempo, rotas de 10 mil quilômetros e 9 mil quilômetros, respectivamente”.

Nessas viagens, a comitiva do ministro é integrada por técnicos, um representante do cerimonial e um assessor de imprensa.

O uso dos aviões da FAB é disciplinado pelo decreto 4.244, de 22 de maio de 2002, assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi obrigado a restringir esse transporte depois de polêmicas envolvendo seus ministros.

Segundo o decreto, podem usar o serviço da FAB o vice-presidente da República, os presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal, os ministros, ocupantes de cargo público com prerrogativa de ministro e os comandantes das Forças Armadas. Os voos são permitidos por motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e em deslocamentos para o local de residência permanente.

Não desiste...

Governo volta a discutir controle da mídia
Governo federal prepara novo ataque à mídia
Autor(es): Agencia O Globo/Martha Beck
O Globo - 18/01/2010

O governo Lula não desistiu de aprovar algum tipo de controle de conteúdo dos meios de comunicação no Brasil, como aconteceu recentemente na Argentina e na Venezuela.

Depois da discussão do tema na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e da criticada abordagem no Programa Nacional de Direitos Humanos, o governo agora prepara uma nova investida para estabelecer o “controle social” dos meios de comunicação.

A 2aConferência Nacional de Cultura promete trazer à tona, mais uma vez, o debate sobre liberdade dos meios de comunicação no país.

Como revelou ontem o jornal “O Estado de S. Paulo”, o texto-base da conferência, que será realizada pelo governo federal em março, defende o papel da mídia como difusora de cultura e educação, mas afirma que “o monopólio dos meios de comunicação representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos, principalmente no Brasil, onde a televisão e o rádio são os equipamentos de produção e distribuição de bens simbólicos mais disseminados”.

Na Confecom — da qual, como forma de protesto, as entidades representativas do setor decidiram não participar — discutiu-se até a adoção de auditorias do poder público em empresas de comunicação.

Depois, o Programa Nacional de Direitos Humanos propôs a cassação de concessões de empresas que, a critério do governo, violassem os direitos humanos.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) informou ontem o conteúdo do texto-base da 2aConferência Nacional de Cultura. Segundo ele, o mercado brasileiro é competitivo e diversificado: — O Brasil não é um monopólio.

Dizer isso é um exagero, um erro. No país há concorrência, diversidade de veículos e de opiniões.

Segundo Miro, tanto o Programa de Direitos Humanos como o texto-base da 2aConferência tratam de temas importantes de forma vaga, o que acaba prejudicando a discussão em torno de assuntos mais importantes: — Será que não estamos nos desviando de assuntos mais relevantes? A população pede ações nas áreas de previdência, saúde e até mesmo de cultura e esporte, mas há uma ausência de soluções — disse.

Segundo Miro, em pleno ano eleitoral o governo evita falar de temas verdadeiramente importantes, como a reforma da Previdência.

A oposição ainda tenta encontrar uma maneira de agir sem se contrapor à figura popular do presidente Lula, e também não fala desses assuntos.

— Isso dá no pior dos mundos — disse Miro Teixeira.

O texto-base da 2aConferência Nacional de Cultura, divulgado ontem pelo “Estado”, afirma que os fóruns de cultura devem se unir para regulamentar o artigo da Constituição que obriga emissoras de rádio e televisão a adaptar sua programação ao princípio da regionalização de produção cultural, artística e jornalística. Segundo Miro, essa parte do documento também causa espanto, pois esta é uma ação que o próprio governo federal já deveria estar pondo em prática.

— O artigo 221 da Constituição (que trata da regionalização da produção cultural) não admite regulamentação. É o próprio governo quem tem que cumprir essa regra na hora de renovar concessões de veículos de comunicação — explicou o deputado.

A secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Silvana Meireles, nega que o texto-base proponha qualquer interferência nos meios de comunicação. Segundo ela, o trecho do documento que fala no monopólio não afirma que é uma prática no país.

— Estamos apenas dizendo que a televisão tem um papel importante no acesso à informação da população brasileira — disse ela.

A secretária também disse que, embora a implementação do conteúdo regional na mídia seja um papel do próprio governo federal, é positivo ressaltar sua importância: — Não vemos polêmica no texto. Ele foi composto de propostas aprovadas em conferências regionais realizadas em 2.992 municípios, e em nenhum desses lugares houve qualquer controvérsia.

mais um militar morto identificado

O Comando do Exército confirmou hoje pela manhã a morte do Tenente-Coronel MARCUS VINICIUS MACÊDO CYSNEIROS.// O militar era considerado até então desaparecido na cidade de Porto Príncipe, capital do haiti, desde o dia 12 de janeiro, em razão do terremoto ocorrido naquele país.// O Tenente-Coronel CYSNEIROS, servia no Gabinete do Comandante do Exército aqui em Brasília e estava no país desempenhando as funções de Observador Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti - MINUSTAH.// Com a morte do tenente-coronel CYSNEIROS sobe para 16 o número de militares mortos no haiti e para 18 o total de brasileiros.// dois miluitares do exercito ainda permanecem desaparecidos no haiti.// um daquie de BRasília e outro do rio de Janeiro.// Dos sobreviventes que retornaram ao Brasil, 16 militarespermanecem internados no Hospital Geral de São Paulo.// O quadro clínico de todos é bom e estável, alguns inclusive com condições de alta hospitalar.// Mas eles vão permanecer internados até o fim do período de quarentena, para a realização dos exames complementares.// essa quarentena é prevista para os militares que participam da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti.// ainda não há previsão de chegada dos corpos dos militares mortos no terremoto.//

tragédia dentro da tragédia...

LÍDERES DE GANGUES VOLTAM À FAVELA NO HAITI
Autor(es): Agencia O Globo/Gilberto Scofield Jr.
O Globo - 18/01/2010



A reorganização das gangues criminosas em Cité Soleil - a maior favela do Haiti, com cerca de 300 mil moradores vivendo em extrema pobreza, amontoados em ruelas de esgoto a céu aberto - virou o grande desafio aos esforços de estabilização do país e ao projeto de reconstrução após o terremoto. Os cerca de três mil criminosos que fugiram da Penitenciária Nacional após os tremores se armaram com os fuzis de guardas mortos pelos desabamentos, renderam os que sobreviveram e voltaram a se refugiar em Cité Soleil, onde começam a se reagrupar e já ameaçam os moradores.

A violência explodiu também nas ruas da capital. Com a demora da chegada de alimentos e remédios, os saques se tornam cada vez mais generalizados. Assassinatos e linchamentos foram registrados ontem. Um homem foi queimado e outros dois mortos a tiros.

Segundo o relato de moradores de Cité Soleil (muitos não se identificam temendo represálias), as gangues atuam principalmente à noite, quando invadem barracos e casas, batem em seus ocupantes e roubam seus poucos bens mais valiosos. De dia, andam anônimos pelas ruelas (onde dormem moradores que temem a queda de seus barracos), sem armas, para não chamarem a atenção das forças militares de segurança.

O repórter do GLOBO esteve ontem durante mais de uma hora dentro da favela, e Dorsaisvil Ferdnand, presidente da Organização Popular para a Mudança de Drouillas (um dos maiores sub-bairros de Cité Soleil), só concordou em conversar com o jornal dentro da sede da organização, com medo que uma das pessoas que frequentemente se aglomeram em volta de equipes de reportagem fosse um bandido anônimo.

- Estamos desesperados porque a pacificação está ameaçada pelos bandidos que estão refugiados aqui em casas de parentes e amigos. Eles estão tentando assustar a população arrombando casas à noite, batendo nas pessoas e roubando suas coisas. Voltamos a viver com medo e precisamos urgentemente que a Polícia da ONU ou do Haiti venha para cá antes que seja tarde demais - disse Ferdnand. - A favela sempre foi um reduto das gangues criminosas que historicamente assustaram Porto Príncipe. Isso não pode voltar a acontecer.

Um dos lugares mais violentos

O desespero de Ferdnand tem explicação. Cité Soleil era considerada um dos lugares mais violentos do mundo até que, em 2006, tropas da ONU e da polícia haitiana, lideradas pelo Exército brasileiro, invadiram a favela, prenderam ou mataram a maioria dos líderes das gangues e pacificaram a área, levando serviços públicos com o apoio do presidente René Préval, eleito naquele ano.

Apesar de algumas críticas de entidades de direitos humanos, que acusaram a ação militar de ter matado ou ferido tanto bandidos quanto inocentes simpatizantes do deposto ditador Jean-Bertrand Aristide (que tinha na região um seus maiores bastiões), a estratégia foi considerada uma das grandes vitórias da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), no geral, e das tropas brasileiras, em particular.

O temor dos moradores de Cité Soleil - um local que também foi afetado pelo terremoto, mas em menores proporções do que outros bairros - é que a comunidade, que hoje dorme nas ruas fétidas da favela em meio a muito lixo e esgoto, passe a sofrer também a violência das gangues que se reagrupam.

- Tenho medo que Cité Soleil volte a ser o que era antes da ocupação - afirmou Joseph Stenio, morador local.

O general Floriano Peixoto Vieira Neto, comandante das tropas de paz da ONU no Haiti, afirmou que situação de segurança em Porto Príncipe não fugiu ao controle, mas admitiu que as autoridades haitianas e as Nações Unidas não podem deixar que o reagrupamento de gangues ou mesmo a insatisfação da população haitiana com a ajuda oficial se transformem em novos focos de violência na capital. Ele disse que determinou a intensificação nas ações policiais e de segurança das forças militares dos 17 países sob seu comando na capital e pediu o reforço de 200 soldados das tropas argentinas e uruguaias que atuavam em outras cidades no interior do Haiti para garantir a segurança na capital.

- Não há descontrole sobre a segurança no Haiti, mas é natural que, diante de uma catástrofe destas proporções, o nível de tensão aumente. Todos os dias me reúno com os chefes militares de todos os países, meu Estado-Maior, fazemos diagnósticos da situação e traçamos estratégias para todas as áreas - disse o general.

Apesar de reconhecer que os criminosos que escaparam da cadeia representam um sério risco à segurança pública, o comandante da Polícia Nacional do Haiti, Mario Andresol, tem opinião similar à do brasileiro.

- Minha mensagem a todos esses bandidos que estão se aproveitando da situação é que vamos prendê-los da mesma forma que fizemos antes - disse. - Estamos tomando as medidas apropriadas para combater esses criminosos.

O presidente do Haiti, René Préval, disse que os 3,5 mil militares americanos que estão começando a chegar à cidade ajudarão as tropas de paz da ONU e a polícia local a garantir a segurança.

- Temos 2 mil policiais em Porto Príncipe seriamente afetados e 3 mil bandidos fugidos da cadeia - resumiu o presidente. - Isso dá uma ideia de quão mal está a situação.

Linchamentos e assassinatos de supostos ladrões foram registrados ontem nas ruas de Porto Príncipe. Dois foram mortos a tiros. Um outro foi queimado.

- Os haitianos estão fazendo justiça com as próprias mãos - afirmou o professor Eddy Toussaint, em meio à multidão que observava um dos corpos. - Não há cadeias, os criminosos estão livres, não há autoridades no controle.

Com as pessoas cada vez mais desesperadas e na ausência total de autoridade, saqueadores invadem lojas destruídas em busca de comida e qualquer outro bem que possam encontrar.

Briga pelo comando

HAITI EM RUÍNAS
Da Folha de São Paulo

Países lutam para definir papel em socorro
Comunicado divulgado ontem e reunião do Conselho de Segurança da ONU, hoje, tentam esclarecer quem faz o quê Brasília e Washington reivindicam protagonismo que corre o risco de ser prejudicial ao objetivo final, que é ajudar os haitianos

SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON

Visando pôr fim a uma disputa por liderança que pode atrapalhar os esforços de ajuda humanitária, EUA, Brasil e outros países tentam definir o papel dos envolvidos na condução dos esforços de resgate, segurança e reconstrução do Haiti. Brasília e Washington reivindicam um protagonismo que, segundo assessores de ambos os lados, pode prejudicar o objetivo final da ação, que é ajudar os haitianos atingidos pelo terremoto. Por pressão do Brasil e a pedido do México, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas se reúne hoje para tratar do assunto.
A reunião da instância principal da ONU, na qual o Brasil tem assento temporário desde 1º de janeiro, segue outra tentativa de esclarecer as funções de cada um, um memorando conjunto que seria divulgado na noite de ontem mas não foi tornado público até a conclusão desta edição. O Brasil chefia a Minustah, a força de paz da ONU, hoje com 7.000 homens no Haiti, mas na semana que começa os EUA terão enviado 10 mil soldados ao país.
"Está sendo negociado memorando para que fiquem claras quais são as responsabilidades", disse Antônio Patriota, secretário-geral do Itamaraty, em entrevista ontem, na base militar brasileira na capital haitiana. "O meu entendimento é que essas tropas americanas estão exclusivamente para dar apoio à ajuda humanitária, não terão função de segurança pública, que é a função da Minustah. E, aqui em Porto Príncipe, muito especificamente das tropas brasileiras."
Em visita a Porto Príncipe no sábado, Hillary Clinton sugeriu que o governo de Barack Obama buscava mais poder de ação no país para poder atuar sem amarras inclusive em questões de segurança. A secretária de Estado americana disse que esperava que o Legislativo local aprovasse decreto de emergência aumentando os poderes do presidente haitiano, René Préval, a exemplo do que ocorreu após os furacões de 2008.
Segundo Hillary, o decreto dá ao governo haitiano "uma quantidade enorme de autoridade, que eles podem exercer eles mesmos ou, mais provável nessa situação, delegar". De acordo com a chanceler, as forças americanas não correm o risco de entrar em em choque com as brasileiras. "Estamos trabalhando para auxiliá-los, mas não para suplantá-los", disse, sobre as forças da ONU, ressaltando que "eles estão aqui há anos, têm um comando e um controle estabelecidos".
Como parte das manobras diplomáticas para esfriar a tensão em campo, o comandante da força-tarefa dos EUA para o Haiti, general Ken Keen, elogiou seu colega brasileiro, o general Floriano Peixoto, à frente da Minustah, em dois programas de TV ontem. Indagado sobre quem estava no comando no país, ele primeiro disse que era um esforço conjunto entre Haiti, ONU, EUA e comunidade internacional.
"Eu quero parabenizar a nação do Brasil, em particular o comandante das forças multinacionais aqui, o general brasileiro Floriano Peixoto", disse Keen. "Eu o conheço há 30 anos, nós trabalhamos juntos antes e estamos coordenando os esforços para fazer tudo o que pudermos para levar os suprimentos ao povo haitiano."
Em outro programa, respondendo a pergunta semelhante, o americano foi mais direto. Depois de dizer que definir o comando numa situação dessas era o maior desafio, ele confirmou que os EUA já estavam trabalhando em questões táticas e operacionais com Peixoto. "Mas nós vamos elevar isso, e vai ser aí que teremos de coordenar e sincronizar esses esforços para assegurar que estamos colocando o que precisamos em solo, tão rápido quanto possível e usando todas as habilidades à disposição."

A situação sempre pode piorar

HAITI EM RUÍNAS

Tremor pode reerguer gangues, diz coronel
Após terremoto, muitos bandidos escaparam de presídio e ainda roubaram armas da polícia haitiana, que sofreu baixas

"Situação está pior do que em 2004, virou terra arrasada", afirma Ajax Pinheiro, que vai assumir o comando de batalhão brasileiro no país

LUIS KAWAGUTI
DO "AGORA"

O terremoto no Haiti criou o ambiente ideal para o ressurgimento de grupos rebeldes e gangues criminosas, segundo o coronel Ajax Porto Pinheiro, que deve chegar ao país na quarta-feira para assumir o comando do Brabatt (Batalhão de Infantaria da Força de Paz), no qual está lotada a maioria dos 1.266 militares brasileiros que hoje servem no país caribenho.
As tropas da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) chegaram ao país em 2004 e em três anos conseguiram desarticular todos os grupos armados e pacificar o país. Contudo, segundo o coronel Ajax, há muitos indícios de que, embora desmobilizados, os grupos rebeldes ainda mantêm estoques de armamentos escondidos.
O maior desses indícios é o de que o número de armas apreendidas em cinco anos e meio de missão é muito inferior ao armamento usado em combates contra as tropas entre 2004 e 2007.
"O ambiente está ideal para eles [grupos armados]. O presídio ruiu, muitos líderes de gangues escaparam e, na fuga, ainda roubaram as armas da Polícia Nacional do Haiti", disse o coronel.
Além disso, na hora do terremoto, policiais haitianos abriram as celas de diversas delegacias de polícia por razões humanitárias, libertando ainda mais criminosos.
Os militares brasileiros temem agora que, mesmo que prendam criminosos, tenham dificuldades para entregá-los à polícia, cuja organização foi prejudicada.
Também agrava o cenário o fato de o Brabatt ter perdido a base Tebo e o ponto forte 22, duas fortificações que asseguravam o domínio da favela de Cité Soleil -historicamente o principal foco de insurgência no país. A região ainda é guardada por uma fortificação chamada ponto forte 16, que não foi abalada pelo terremoto.
Fora isso, outra base, o Forte Nacional, também teve a estrutura abalada. Era a partir dele que os brasileiros vigiavam Bel Air, outro antigo reduto rebelde. O palácio presidencial, que também servia de base aos brasileiros, ruiu complemente.

Pontos positivos
Os aspectos favoráveis à Minustah, segundo Ajax, são o melhor treinamento e a superioridade bélica dos capacetes azuis e o fato de o Campo Charlie, principal base da ONU no Haiti não ter sido abalado pelo terremoto. "Além disso, a tropa que chega do Brasil está mais descansada", disse.
Segundo Ajax, as duas prioridades de seu comando serão retirar corpos das ruas -para evitar a proliferação de doenças- e evitar a reorganização das gangues. Ele acredita que o comando militar da missão deve transferir tropas de outras nacionalidades que atuam no interior do país para ajudar no patrulhamento da capital. O reforço maior deve vir de militares que hoje estão na fronteira com a República Dominicana.
"Hoje a situação está pior que em 2004. Naquela época, as ruas eram precárias e tinham barricadas de lixo. Hoje praticamente não tem rua, virou terra arrasada", disse.
O coronel deve assumir o comando do Brabatt pelos próximos seis meses com uma tropa composta por membros da Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, de uma brigada de infantaria motorizada e de outra especializada em combate em montanhas. Somados a fuzileiros navais e engenheiros, o efetivo total será de 1.360 homens.
Ajax também disse que esses homens foram treinados para garantir a segurança das eleições legislativas marcadas para fevereiro. Após o terremoto, porém, o pleito não deve acontecer mais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Fernando meirelles para Época


Cineasta confirma “consultoria” ao Partido Verde
Diretor Fernando Meirelles fala à Época sobre a sua relação com a campanha presidencial que Marina Silva disputará pelo Partido Verde

Juliana Arini

Época -
Como começou a sua relação com o Partido Verde (PV)? Partiu de um convite ou foi espontânea?
Fernando Meirelles - Eu disse que votaria na Marina ao ser abordado por um programa de TV. E o Fábio Feldman (possível candidato ao Governo de São Paulo pelo Partido Verde), pai de um amigo do meu filho, ficou sabendo e me ligou para conversarmos a respeito e pedir uns palpites sobre a comunicação da candidata. Depois deste encontro me dispus a fazer os filmetes para o Instituto Sócio Ambiental e por causa disso acabei dando palpites. Faço isso como eleitor, não pretendo me envolver na campanha profissionalmente.

Época - Qual foi a sua participação no programa que vai ser exibido no horário partidário do Partido Verde, em fevereiro?
Meirelles - O programa do PV está sendo produzido por uma produtora do Rio de Janeiro, não estou envolvido. Fiz alguns programetes com a Marina para o site do Instituto Sócioambiental, em novembro, e nos demos bem. Então eles pediram uns palpites apenas. Só isso.

Época - A imprensa nacional divulgou que o filme vai fazer uma comparação da trajetória da senadora Marina Silva com a do presidente Lula? Está certa essa afirmação?
Meirelles - Sem querer ser evasivo, não sei exatamente qual será o tom do programa do PV, mas não há dúvida que a trajetória da Marina e a do Lula têm muita relação. Os dois vieram de lugares aparentemente improváveis para se forjar líderes do país, a diferença é que o Lula cresceu por saber fazer bons discursos, pela sua sensibilidade política, enquanto a Marina optou pela via da educação. Estudou, virou uma educadora, através do estudo e de leituras passou a atuar e encontrou seu espaço. Em 40 anos se tornou uma mulher extremamente esclarecida, que sabe onde está pisando, conhece as correntes de pensamento ao seu redor e tem uma visão de mundo consistente e extremamente moderna. Se o Lula gosta de ser visto como o pai dos brasileiros, o pai que dá a mesada, a Marina talvez tenha o papel da mãe, aquela que vai dizer: "Vai estudar para poder ser alguém na vida. " Particularmente gosto mais deste papel.

Época - Qual seria o traço mais relevante da trajetória de Marina Silva que vai ser abordado no filme?
Meirelles - Não posso responder pelo PV, ou por ela, mas a educação parece ser o universo natural da Marina. Talvez até mais do que sua bandeira mais conhecida, o desenvolvimento sustentável. Ela fez o Mobral com 16 anos, uma idade em que já tinha um senso crítico e podia pensar no próprio aprendizado até passar a ensinar. Por ter vivido esta experiência de ponta a ponta conhece muito bem os problemas da falta de qualidade do ensino no Brasil. Acredito que esta atenção que ela dá a educação seja colocada no programa. Seria algo natural.

Época - Em uma entrevista recente ao Jornal da Tarde o senhor declarou que vai apoiar a candidatura de Marina Silva. Porque tomou essa decisão?
Meirelles - Sinto que estes últimos 16 anos que muitos consideram ser o início de uma nova etapa para o país sejam na verdade o final de um ciclo que começou com Getúlio Vargas. Em 2010, não é mais possível defender o desenvolvimento a qualquer custo, o crescimento a taxas altíssimas. Será que não está suficientemente claro que não há mais espaço no planeta para crescermos de qualquer maneira. Que nossos recursos naturais estão se esgotando, que em pouco tempo não haverá mais peixes no mar ou gelo na calota polar? Por mais óbvias que sejam estas constatações a outra candidata ainda fala em aceleração do crescimento e extração de petróleo como eixos do seu programa. Acha razoável fazer uma estrada ligando Manaus a Rio Branco. Qual a diferença desta visão de país da visão que era defendido por Getúlio e todos os governos que o seguiram? Essa visão de desenvolvimento do século passado precisa ser enterrada e a Marina Silva parece ser a cabeça que consegue ver e pensar um mundo onde os paradigmas são outros. Por isso sinto que ela seja o que há de mais novo e moderno, fora seu comprometimento com o que diz. Esse é um dos pontos principais por eu apoiar a candidata, não que meu voto vá fazer grande diferença.

Época – Não houve inovações nos governos anteriores?
Meirelles - O governo FHC universalizou o acesso ao ensino no Brasil e o governo Lula deveria ter dado o passo seguinte, que seria o investimento na qualidade de ensino, mas infelizmente isto não foi feito. Foram oito anos praticamente perdidos para a educação o que significa uma geração sem capacitação adequada, o Brasil melhorou seus índices econômicos mas caiu nos rankings de educação no mundo. A busca de educação de qualidade é a outra prioridade para a Marina Silva, natural para quem venceu por causa da educação que teve. Isso também explica meu voto.

Época - O senhor também vai colaborar na direção (ou consultoria) dos vídeos feitos para o programa eleitoral gratuito do PV?
Meirelles - Mesmo que me dispusesse a dar mais palpites não poderia, pois no meio do primeiro semestre devo ir para os EUA para preparar e rodar um novo longa.

Diário do desastre

Diário do desastre
Este é o dramático relato de Diego Escosteguy, o repórter de VEJA
que narra a destruição e o desespero enfrentados pelos haitianos
Fotos Gilberto Tadday


"Escrevo este relato no chão de Porto Príncipe, a cidade que acabou e agora recende a morte e sofrimento. À minha frente, está o outrora agradável Hotel Villa Creóle – na verdade, metade dele.

A parte que resta está servindo como ambulatório para tratar feridos do terremoto. O cheiro pútrido dos corpos que se estendem pelas ruas e jazem nos escombros obriga-me a usar uma máscara cirúrgica. Não adianta muito: a náusea é inevitável. A cada cinco ou dez minutos, ouço o barulho dos helicópteros que chegam e se vão – espera-se, aqui embaixo, que carreguem comida e água, tudo de que os haitianos mais precisam neste momento. Esse é um doce som. Há um bem pior, que ressoa desde que cheguei aqui, no começo da manhã: são os gritos agudos de dor que partem do ambulatório e da calçada, onde feridos padecem, sem anestésicos nem esperança, ao lado de voluntários abatidos pela impossibilidade de fazer mais e pela certeza de que nada além da morte aguarda esses infelizes abandonados à própria sorte.

‘Aaaaahhh’, grita uma voz de criança, silenciando todos que estão perto do ambulatório.

Eu e o fotógrafo Gilberto Tadday pousamos de helicóptero num aeroporto inteiramente ocupado pela solidariedade do mundo: havia aviões americanos, franceses, espanhóis, mexicanos. Do lado de fora, o caos. Haitianos gritavam por ajuda, por notícias dos familiares. Em alguns, já se notava raiva – e não mais desespero. As ruelas cinza de poeira e terra são bordejadas por filas indianas de homens, mulheres e crianças em busca de comida, água, remédio. Pela janela do carro, alguns nos pediam ajuda.

Dos prédios desabados, fragmentos de concreto caíam constantamente nas calçadas, tal qual flocos acinzentados de neve, pousando sobre o monturo de tijolos, dejetos e restos humanos nas calçadas. Não é difícil compreender por que já começam a se perceber tumultos nas ruas. No que costumava ser um posto, vimos uma briga por galões de gasolina. A frustração está dando lugar à fúria. Chega-se rápido à violência. ‘Ninguém vem nos ajudar. Precisamos de tudo para sobreviver’, diz, revoltado, Adolph Fanfan, de 25 anos. Ele perdeu um irmão, um tio e uma prima.

Chegamos com dificuldade à perigosa região onde a missionária Zilda Arns morreu. Lá, na tradicional Igreja Sacré Coeur, que desabou quando ela conversava com fiéis, sobraram tijolos, corpos – e uma solitária imagem de Jesus Cristo em frente ao altar. Um esqueleto de telhas vermelhas e algumas colunas de tijolos mantêm em pé a igreja. Dentro, cadeiras brancas de plástico, perfeitamente alinhadas, esperando uma missa que nunca virá. Uma construção menor, atrás da igreja, também desabou. Encontrei quatro voluntários tentando levantar os grossos pedaços de concreto, sem nenhuma ferramenta – e sem sucesso. Perguntei o que procuravam. ‘Cerca de vinte pessoas’, respondeu um deles. A força terrível do cheiro de corpos decompostos paira sobre tudo.

Estava lá o seminarista Bourgouin Meltone, um articulado jovem de 28 anos. Ele conhecia Zilda Arns. ‘Eu conversava com ela aqui’, diz Meltone, olhando para a torre de tijolos. ‘Ela era uma pessoa iluminada.’ O seminarista estava em outra paróquia quando o terremoto começou. O arcebispo Joseph Serge Miot morreu ao lado dele. Conta o haitiano: ‘Corri para cá e ajudei a retirar alguns sobreviventes. Era tarde para ela’.

O que era possível fazer com as mãos, os haitianos já fizeram. ‘Sem equipamentos, não temos como fazer mais nada, mais nada’, diz Tol Polyte Wolking, um estudante de 23 anos. Ele teve sorte. Seu casebre resistiu à força dos tremores. Mas ele ainda procura vítimas na rua onde Zilda Arns morreu. Além da igreja, havia uma moradia para seminaristas e uma escola infantil. Ao nos aproximarmos da escola, Polyte retirou sua camiseta vermelha, molhada de suor, cobriu o nariz com ela e apontou para a pilha cinza de tijolos. ‘Lá’, murmurou o haitiano, falando para si mesmo, ‘eles ainda estão lá dentro’.

Pouco antes de terminar este relato, a terra tremeu mais uma vez. Um haitiano me disse: ‘O senhor tem que sair daqui. O resto do hotel pode desabar’. Levantei-me e fui embora, tentando não olhar para trás."

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A fé remove montanhas... e o voto?



Como estou de férias. Quer dizer, num período assim... Meio de folga... Sabe como é! Estou meio 'out' e longe das notícias do dia a dia. Claro que não estou 100% longe dos fatos. Claro que não dá para ficar indiferente ao que tem acontecido pelo Brasil em termos de tragédias. Claro que vi, sei e acompanhei o drama de Angra dos Reis. Claro que - como todo brasileiro - me pergunto: por que ninguém faz nada se é sempre a mesma coisa? Todo ano, vamos lá... desabamentos, deslizamentos de encostas, tragédias... 30.. 40... 53 mortos! Desce arquivo e roda as imagens.
Não, não é apenas arquivo. É repetição e descaso. Porque as tragédias são semelhantes, parecidas quase id~enticas, mas... Os atores são outros. Novas vítimas, novas mortes.
Lembro-me da tragédia em Santa Catarina. Comoção, doações, mobilização nacional. Tudo porque o povo brasileiro é solidário. É. É sim. O povo é. Mas, a solidariedade vai até a página dois quando o livro conta a história de governantes. Ninguém investe em precaução, prevenção... Por um motivo muito simples: dá trablaho e não aparece.
Quantos eleitores vão se lembrar que o governador tal ou o prefeito sicrano fez o escoramento da encosta? O eleitor vai se lembrar do político que trouxe asfalto para a porta da casa dele que fica bem no pé da encosta. Isso sim é que é obra!
Então, 'vamu lá'. A culpa é também do eleitor. Do morador que infelizmente perdeu sua casa, sua família e seus amigos. Ele votou, ele elegeu, ele comemorou o asfalto e não viu o escoramnto da encosta. Mais, ele reclamou quando a defesa civil o mandou sair da casa dele porque havia risco.
Estou culpando o morador que perdeu a família? Não, ele é uma vítima. Vítima dessa mentalidade fragil e fraca que temos na nossa cultura. E me irrito com tudo isso. Vejo que mudar hábitos, cultura e mentalidade é muito mais difícil do que mover montanhas. Então, tenhamos fé, porque a fé remove montanhas.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Olha que linda!


Acabei de chegar em casa e olha quem eu encontrei na janela de minha varanda: a LUA! Não resisti. corri, peguei minha máquina fotográfica e peguei um pouco da beleza dela para mim.

Blade Runner para bebês?

por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...