terça-feira, 31 de agosto de 2010

Programa eleitoral: socorro!

por katia maia

No início parecia pitoresco, engraçado, bufão! O horário eleitoral gratuito (confesso) chegou até a me divertir no seu início. Era engraçado ver o candidato tal dizendo que é o mais confiável, o outro garantindo que o salário mínimo será de R$ 2,5 mil e o outro prometendo algo inédito como educação, saúde e segurança.

Ah, ta! Então está combinado: o Brasil será outro a partir dessas eleições.

Bom. Encheu o saco e eu declaro que não tenho mais paciência alguma para esse monte de baboseira e blá... Blá... Blá que vemos na propaganda eleitoral gratuita. É um festival de figuras ‘nonsense’, sem qualificação alguma pedindo o meu voto!

Meu voto vale muito mais do que as promessas de todos juntos. E comunico e participo: não agüento mais. É muito tempo de rádio e TV para esse monte de nada.

E eu me refiro não apenas aos candidatos cacareco – aqueles que se aproveitam de sua situação pública (cantores de quinta, comediantes decadentes, jogadores de futebol ultrapassados) para se eleger – falo de todos: até dos presidenciáveis. Todos!

Hoje, em seu programa no rádio, Dilma finalmente revelou ao brasileiro: “a saúde pública ainda não atingiu o nível de qualidade que o povo brasileiro merece”. Jura?

- Ah, claro! Agora, sim, alguém teve a coragem de falar a verdade. Agora, temos consciência da situação precária do sistema publico de saúde. Obrigada, Dilma por me fazer enxergar a realidade.

Ora bolas, francamente. Não agüento mais isso tudo.

Ah, e o outro concorrente: o tucano!

Em seu programa, hoje cedo também, falou das estradas brasileiras. Disse que estão absolutamente precárias. Não diga?

Mas, o pior não foi isso. O mais interessante vem depois. Após falar das estradas brasileiras, o locutor do programa de rádio do Serra pergunta por que o tucano é o mais preparado para ser presidente e aí vem o texto:

- porque Serra foi ministro da saúde!

Claro, saúde... Estradas... Acidentes... Atendimentos na rede pública... Ah, bom, captei!

Na boa. Está cada vez mais difícil enfrentar o programa eleitoral gratuito. Mas, como eu sou brasileira, não desisto nunca. Vou insistir. Vou continuar ouvindo as propostas do Fulano sangue bom, lando lanches, Maggie não sei das quantas, Majos aviador, etc etc etc. Firme e forte até o fim porque meu ouvido não é penico mas eu sou teimosa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Consciência dentro da bolsa

por katia maia

Já há algum tempo adotei em minha vida algumas poucas atitudes que são pequenas, mas para mim têm um significado especial. Coisas do tipo:estou fazendo algo para ajudar a minimizar efeitos danosos ao nosso planeta.

Parece bobo,ingênuo... Idealista. Mas também é uma boa maneira de exercitar um pouco a nossa consciência com o que pode vir aacontecer à terra.

Okay, deixemos de 'rame-rame' e vamos ao que interessa. Hoje, ao fazer compras no supermercado (Pão de Açúcar) me deparei com uma atitude do estabelecimento que muito me agradou: ao passar as compras pelo caixa, a atendente me perguntou:

- vai querer usar sacolas plásticas ou caixas.

Me assustei com a proposta:

- como asssim? Tem caixas separadas para a gente usar ao invés das sacolinhas plásticas? perguntei.

- sim, é só a senhora escolher usar as caixas.

Juro que fiquei surpresa e feliz com a proposta. Pode parecer insignificante, mas essa é uma atitude que, aos poucos, começa a disseminar uma cultura do 'saco é um saco' - como diz a campanha do Ministério do Meio Ambiente.

É um saco mesmo, e, mesmo que essa ação do supermercado não venha acompanhada de uma explicção - a atendente não me disse o por que das opções- de certa forma ela faz com que as pessoas passem a abrir mão do plástico para utilizar as caixas de papelão.

Bolsa para compras da Natura


todos sabem que o plástico leva 100 anos para se decompor. Além disso, o uso excessivo de sacolas plásticas tem também o impacto no uso de recursos naturais e na liberação de gases de efeito estufa.

As sacolas plásticas convencionais são feitas a partir do petróleo e do gás natural – recursos não-renováveis – e seus processos de refino e fabricação consomem energia, água e liberam efluentes e emissões de gases poluentes. 100 milhões de sacolas plásticas precisam de 1,5 milhão de litros de petróleo e causam a emissão de 4,2 mil toneladas de CO2.

Ela é dobrável!


Passado o meu momento didático... Retomo o texto:

E não precisa muito para ser ambientalmente correto porque as caixas de papelão oferecidas pelo supermercado são aquelas que ele esvazia quando coloca os produtos nas prateleiras e terminam jogadas no depósito ou coisa parecida.

Eu só tinha visto a opção de usar essas caixas naqueles hipermercados que vendem atacado e que não disponibiliam as sacolas plásticas. Isso para baratear o preços - segundo eles.

Então... Eu já carrego em minha bolsa uma sacola de pano. Uma, aliás, bem simpática que ganhei de minha prima que vende Natura. A sacola - que eu não tinha visto (até então) no catálogo da empresa, até ter ganhado essa de presente, vem toda dobradinha dentro de uma coisa que mais se parece com uma bolsinha de guardar moedas. É um dos presente mais úteis que me deram nos últimos tempos.

Pois bem. A partir de então, toda vez que vou às compras, rejeito as sacolinhas plásticas e puxo da minha bolsa a hiper prática Natura Crer para Ver Bolsa para compras. E digo mais: faço isso de maneira exagerada para que todos vejam e copiem a atitude. Acredito que bons hábitos quando são vistos são seguidos. pelo menos, insisto no 'água mole em pedra dura tanto bate até que fura'.

Portanto, se você está sem idéias para presentes, aí vai a dica. Dê uma bolsinha ambientalmente correta para seuamigo ou amiga carregar as compras do supermercado. Se o estabelecimento ainda não adotou a opção de oferecer caixas de papelão aos seus clientes.

Claro que esse presentinho entra na categoria regalo. Não estou dizendo para comprar para a esposa, marido, namorado, filho ou alguém que o valha, uma bolsinha ecologica de aniversário de casamento, nascimento etc. Claro que aqui também vale o bom senso. Não sou ingênua ao ponto de cogitar a bolsinha no dia do aniversário da minha mãe por exemplo.

Vira uma bolsinha fácil de levar na bolsa

Mas, bem que eu darei como complemento. Ou comprarei para ela num dia sem significado nenhum, apenas para ser gentil. Porque gentileza é outra coisa que anda faltando nesse mundo. Mas, isso é asunto para outro post.

Por enquanto, me limito a dizer que garanto que a pessoa que ganhar esse tipo de sacola - que não precisa ser da Natura, eu já soube que existem várias opções no mercado - dê um pouco de consciência embalada numa bolsinha charmosa e cheia de boas intenções em relação ao planeta. Eu posso assegurar que o 'regalo' vai agradar e muito.

p.s. Este blog não recebeu nenhuma contribuição financeira para fazer propaganda da sacola da Natura. O comercial é gratuito e espontâneo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Agora, sou uma estatística.

por katia maia

Eu fui recenseada! Essa semana, tive o prazer de receber em minha casa a recenseadora do IBGE. Ela chegou por volta das 22h e me causou espanto alguém tocar a minha campainha àquela hora. Já me preparava para dormir.

Mas, quando a moça se identificou, confesso que fiquei até emocionada. Por diversas vezes já havia visto no elevador a foto da recenseadora. Num daqueles avisos que dizem:

"Esta é fulana e ela é a recenseadora do IBGE nesta área".

Bom, admito que não lembrei da fisionomia dela, quando tocou a campainha, mas logo identifiquei o colete azul do Instituto e percebi que finalmente eu iria entrar para a estatística do censo.

A moça começou perguntando se eu morava num imóvel próprio ou alugado, perguntou alguma coisa sobre a infraestrutura do local e se alguém mais morava comigo, ao que respondi:

- Bom agora você me pegou. Tenho uma situação que (acredito) o IBGE ainda não prevê na estrutura das famílias modernas.

E expliquei...

Eu e meu ex-marido temos uma situação de guarda compartilhada dos nossos filhos. Nesse caso, os meus filhos dormem comigo às 2ª, 4ª e 6ª, dependendo do fim-de-semana. Se os dois forem ficar com o pai no sábado e domingo, então, eles dormem na 6ª com ele. Portanto, se você fizer essa mesma pergunta ao pai deles, certamente ele dirá que os meninos moram com ele.

A moça me olhou intrigada e disse: e agora?

- Agora, eu é que pergunto.

Ela indagou se eles passam mais tempo comigo ou com o pai. Eu disse que normalmente, eles terminam dormindo mais comigo e aí ela sugeriu:

- então, podemos colocar que eles moram com você.

-ok. Mas, eu vou ter que falar para o pai deles que a resposta foi essa porque senão aparece dois brasileiros a mais morando em locais diferentes (rs).

Bom, a recenseadora que se chamava Creusiane (eu descobri) fez mais meia dúzia de perguntas do tipo, cor, data de nascimento minha e de meus filhos e pronto.

- Terminou? Perguntei.

- Terminou. Ela respondeu.

- Mas, já?


- Já!

- Você não vai me perguntar o estado civil, quantos eletromésticos eu tenho, se tenho carro etc?

- Não.

- Uai, mas é pouco assim? Digo, o questionário é pequeno desse jeito?

E aí, ela me explicou que existem dois tipos de questionários, um básico e outro mais longo e que a maquinhinha do censo é que escolhe qual será aplicado e em que momento – deve seguir algum critério estatístico para isso (pensei).

Fiquei um pouco frustrada, confesso. Queria falar mais. Foi aí que comecei a fazer perguntas para a Creusiane e descobri que ela estava passando àquela hora porque naquela área, a maioria das pessoas só está em casa no fim do dia e que a jornada de trabalho dela começava ás 19h e terminava por volta das 23h.

Ela explicou ainda que nem sempre é bem recebida e muita gente tem (até) má vontade na hora de responder às perguntas do questionário. O que é lamentável. Essa falta de espírito cívico, essa má vontade generalizada na população me entedia.

Pois eu digo e repito: fiquei muito feliz em receber o censo na minha casa e, olha, responder às perguntas, ser gentil e agradável não tira pedaço de ninguém.

O censo deveria medir (sugiro) o nível de humor da população e a falta de disposição para ser gentil e prestativo. Acho que é isso que está faltando (e muito) na percepção da população brasileira.


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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

FED UP

Por katia maia

Não me venha com essas palavras chulas, com desculpas esfarrapadas, com frases prontas. Pelo menos uma vez na vida, admita que acabou.

Aliás, há muito tempo já percebemos, sentimos que não havia mais nada. Mas, não, a gente tem essa estranha mania em insistir. Essa coisa do ser humano de achar que tudo vai se arranjar e que novamente tudo será como antes.

Pára! Não é por aí. Não me telefone como se a distância, o silêncio, a indiferença, não significassem nada.

Como você pode acreditar que a minha desfaçatez é real? Como você pode achar que ao me fazer de boba eu realmente o seja. Você realmente crê que eu esteja falando com você como se nada tivesse acontecido.

Ora bolas. Sou um pouco mais inteligente do que isso. Sou um pouco melhor do que essa leitura que você faz da minha pessoa.

Quando você some, quando não dá notícia, quando não liga, não aparece. Eu sei! Eu vejo! Eu Sinto!

Só não falo nada porque acho que não vale a pena. Por preguiça mesmo. Preguiça de encompridar o papo e ter que discutir uma relação que há muito já não existe mais.

Venhamos e convenhamos, eu sou melhor do que isso. Portanto, não me venha com o blá blá blá de sempre. E quando pensar em ligar, simplesmente não ligue, não apareça, não ouse!

Acabou. Isso é tudo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A meia por inteiro!

Tem coisas na vida que a gente sabe que é bom, mas tem a certeza depois que realiza. Ter participado da 14ª Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro foi uma experiência única.

No principio, acho, nem eu acreditava que seria possível. Eu que estava acostumada às minhas corridinhas de dez quilômetros apenas, de repente duplicar a distância – quer dizer: mais do que duplicar, porque há uma folga de um quilometro nessa conta -. Realmente era muita audácia!

É, mas eu sou turrona e marrenta e como eu mesma disse ao meu treinador: sou bem adestrada. É só me passar uma planilha de treinos, que eu faço dela a minha bíblia. E assim aconteceu.
Mas, estou aqui para falar da prova: mais de 19 mi corredores e um deles era eu. A prova é pura emoção. Desde o início quando chegamos lá e temos a devida noção do tamanho dela.

Acho que o que melhor exemplifica isso é a largada. Claro que não falo da largada da elite, mas dos mortais como eu. Quando ela é dada é simplesmente impossível a gente conseguir sair de cara correndo. Somos obrigados a caminhar por pelo menos 500 metros porque é tanta gente que a gente acompanha o fluxo.

Próximo ao primeiro quilômetro é que percebemos que estamos trotando e depois, aos poucos, cada um adquire o seu ritmo e a partir desse momento é por nossa conta.

O astral é algo digno de nota. Durante todo o percurso somos saudados por cariocas bem humorados e alegres que gritam palavras de incentivo e até gritam o nosso nome que está providencialmente escrito em nosso número de identificação.

A sensação que dá é que somos corredores conhecidos e o público está nos chamando pelo nome. Bom isso, não? É algo que dá um ânimo enorme e cada vez que alguém gritava meu nome (foram três vezes ao longo do percurso) o efeito era de terem turbinado meus tênis. (risos)

Além disso, tem ainda o visual. Correr pela orla do Rio não é castigo para ninguém, vamos combinar. É um deleite. Nos momentos em que eu me sentia cansada, procurava abstrair olhando para o mar, para aquela vista maravilhosa da cidade maravilhosa e sabe: dava certo!

A prova é muito bem organizada. Tem hidratação a cada três quilômetros praticamente e estamos o tempo todo acompanhados por uma imensidão de corredores. Ao longo de todo o percurso tem gente que corre mais rápido que a gente e tem aquele que a gente deixa para trás.

Claro, que nem tudo são flores. 21km e 97m é uma distância razoável e exige treinamento e disciplina. Durante o trajeto procurei administrar minha ansiedade e cansaço e só relaxei quando avistei a placa indicando o quilômetro vinte. Ali, eu tive certeza que conseguiria.

E assim aconteceu: com 2h26min eu consegui completar a prova e posso dizer que me senti uma vencedora porque ganhar para mim é isso: completar e atingir meus desafios.

Hoje é dia de festa!

Hoje é dia de festa em minha vida. Aliás, tem sido sempre, há quinze anos. Mas, devo confessar que – apesar de ser avessa à datas comemorativas – estou hoje especialmente envolvida por um sentimento de felicidade.

Eu explico: há exatos quinze anos, às 16h35 da tarde nascia no Hospital Snata Luzia em Brasília, o meu primeiro filho. Lindo, desejado, querido e amado. Bernardo foi o primeiro maior presente que a vida me deu. Depois veio o Guilherme, também outra alegria que chegou um ano e nove meses depois.

Bom, mas hoje é o dia do Bernardo e logo cedo, pulei em cima dele, que ainda dormia na cama e (claro) percebi o quanto ele está crescido, bem maior do que eu, e abracei suas costas largas. Beijei muito meu ‘bebê’ e relembrei com ele, passo a passo, o dia 24 de agosto de 1995.

Lembrei-me que fui ao ginecologista pela manhã para a consulta rotineira de pré-natal e o médico, Dr. Carlos João, me informou que eu estava entrando na 41ª semana de gestação e que a partir daquele momento eu teria que monitorar diariamente o desenvolvimento do bebê dentro da barriga, pois corria o risco da placenta envelhecer de uma hora para a outra e isso significaria risco para a vida da criança.

Dito isso, não tive dúvida: perguntei ao médico se poderia ser feita a cesárea naquele dia mesmo ao que ele confirmou e marcamos para o início da tarde. Fomos para casa, eu e o Afonso, arrumamos a malinha do bebê – que até então eu não sabia o sexo – e partimos para o hospital.

Às 16h35, eu ouvi o médico anunciar:

- Getúlio! Nasceu Getúlio!

Claro que não era esse o nome escolhido para o meu filhote, mas essa foi a maneira que o médico encontrou para dizer que acabara de nascer um menino: forte, saudável, lindo! Quando vi a carinha do Bernardo pela primeira vez eu já sabia que seu nome seria Bernardo pois ele tinha cara de Bernardo. Eu também já sabia que era amor à primeira vista.

Filho é assim. É difícil de explicar e acredito que só quem tem filhos pode entender essa sensação de sentir um amor tão grande, tão grande, mas tão grande, que muitas vezes parece que a gente vai explodir. É amar mais a outra pessoa do que a nós mesmos. E isso não é conversa para descrever sentimentos não. Isso é a pura verdade.

Pois bem, hoje meu primeiro filhote completa 15 anos. Uma data referência na vida da pessoa. E eu posso dizer que ele tem a exata carinha que eu imaginava que teria nessa década e meia de vida, desde o primeiro momento em que pus os olhos nele.

Hoje, o dia é todo voltado para o Bernardo. Hoje, eu desejo ao meu filho (como sempre) toda felicidade do mundo. Que todos os sonhos dele se realizem, que a vida seja gênerosa com ele e que os caminhos que venha a trilhar sejam os mais promissores e frutíferos possíveis.

Bernardo, hoje e sempre, eu lhe amo e agradeço a Deus por tê-lo como filho.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Minimos Contos

por katia maia

É com satisfação que informo que meu microconto foi escolhido dentre tantos que participara do concurso Minimos contos.

A proposta era escrever um conto em 140 caracteres, bem no estilo Twitter. Mais de 400 contos concorreram. Acabo de receber um comunicado, me infromando que meu conto foi selecionado e será publicado no e-book
MinimosContos até o final de 2010 com a Editora Aletria.


Abaixo, o conto selecionado:

Frio! Sentiu a mão percorrer seu corpo lentamente, levemente. Escuro! Tentou gritar. Não deu. Uma pancada no peito. Abriu os olhos. Acordou!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Corre katia, corre!

por katia maia

Sempre gostei de correr. Lembro-me ainda adolescente eu ia para a pista de atletismo do colégio e ficava lá... Correndo. Não tinha nenhuma intenção, não pretendia nada, mas gostava de correr.

No fim da tarde, em Brasília, também na adolescência, ‘eu descia e corria em volta da quadra’ - não a quadra do tipo poliesportiva, mas a quadra residencial. E quem é de Brasília sabe bem do que estou falando. Essa cidade dividida em setores, quadras, blocos, possui uma geografia que só quem é daqui ou vive neste Planalto há muito tempo sabe do que estou falando.

Então... Eu sempre gostei de correr. Talvez por isso, eu tenha simpatizado bastante com o filme Forest Gump. Aquele em que ele sai andando... andando... andando... Até que, em determinado ponto, para e diz que estava na hora de voltar para casa.

A meia Maratona para mim tem um pouco essa leitura de sair correndo... correndo...correndo... Até que chega uma hora de parar. Pois bem. Chegou a hora. Vou enfrentar esse desafio. Hoje a noite embarco para o Rio de Janeiro onde participarei da Meia Maratona Internacional do Rio.

Um sonho que sempre esteve latente em minha mente e em minha vida sem que nem eu mesma percebesse. Até porque, para mim, o desafio de correr 21 km era algo simplesmente IMPOSSIVEL!.

Eu sempre mantive minhas corridinhas: um ‘quilometrosinho’ aqui, outro ali... Nada demais. Costumava correr durante a semana entre 3km e 5km por dia, três vezes por semana e alternadamente e nos fins de semana, quando não ia pedalar (minha outra paixão esportiva) eu me aventurava e enfrentava 10km no parque da cidade.

Era um desafio! Dez quilômetros soava para mim como a fronteira do razoável. Era o meu teto. Portanto, quando o Boca, dono da academia onde malho, me lançou um novo desafio:

- Por que você não faz a meia maratona do rio?

Eu simplesmente ri! Não era a minha praia. Imagina: 21km! Pois é, mas ele insistiu e a idéia ficou martelando na minha cabeça. Tanto que sucumbi. Comecei a achar que era possível e aceitei o desafio.

Ele preparou um programa de treinamento de seis semana – que eu segui quase que religiosamente – e enfim fui ficando marrenta, pegando confiança até que há duas semanas completei 20km 500m! Percurso feito em 2h20min. Pronto. Estou me achando!

Agora, daqui a algumas horas embarco para o Rio de Janeiro e aí só Deus sabe o frio que sinto na barriga. Minha mente começa a querer me pregar peças e pensamentos do tipo ‘será que dou conta?’, ‘se eu acordar passando mal?’, ‘fiz a coisa certa?’, ‘estou preparada?’. Tudo isso passa pela minha mente e eu?

Bom eu trato de mandar todas essas dúvidas para a casa do chapéu porque eu vou e não tenho que provar nada para ninguém. Lá, vou sentir o drama e se não der, paro na beira da praia, sento em uma daquelas barraquinhas e tomo uma bela de uma água de côco.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

300 pela aventura!

por katia maia
O que faz 300 pessoas saírem de casa de madrugada para pegar um ônibus, se deslocar até uma cidade a
50 km da sua e montar numa bike para enfrentar pelo menos oito horas pedalando? É esse pergunta que muitas pessoas me fazem quando eu digo que fiz parte desse grupo e mais: não é a primeira vez!

Sou reincidente! Incorro nesse erro maravilhoso de me permitir superar todos os meus limites e enfrentar muito sol, poeira, secura do ar, cascalho, subidas e descidas. Havia dois anos que eu não sabia o que era encarar uma cicloviagem.


O frio das 5h da matina: todo mundo agasalhado


A última vez que me permitir sair de Brasília com destino a Pirenópolis, em Goiás, foi em 2008. Depois disso as condições ideais de querer e poder não se alinharam e não pude enfrentar o Superando Limites – prova promovida pelo grupo de mountain bike Rebas do Cerrado - do ano passado.


Pois bem, 2010 veio com tudo o que o número ‘dez’ nos permite ousar. Botei na cabeça que iria retomar meus pedais, meus desafios e meus objetivos. No sábado passado, me juntei ao grupo Rebas do Cerrado – do qual faço parte há quase cinco anos – e não olhei para trás.


Em Santo Antonio à espera da partida


Só me interessava seguir em frete. Bem ao estilo trilha. Não há marcha ré. É sempre em frente. Confesso que tive um pouco de medo. Não sabia exatamente como estava a minha condição física, mas, logo no início da aventura, às 5h da manhã, quando entramos no ônibus para embarcar para Santo Antonio do Descoberto, cidade a 50km de Brasília, já pude perceber o astral, a energia e a coragem de todos.

Nessa prova, não importa ser o primeiro, o último... O que importa é encarar.

Ao chegar em Santo Antonio do Descoberto, hora de pegar a bike, se aquecer (o frio estava imensamente cortante), comer algo – levei castanha, passas e queijo polenguinho -. Hora de confraternizar, dividir a energia, ansiedade e vontade de que tudo dê certo.



Sol do início da manhã: maravilhoso!


Partimos de Santo Antonio às 7h da manhã. Pronto, foi dada a largada. A viagem foi cheia de emoções. Muita gente se ajudando – se o pneu furava tinha sempre outro participante para arrumar uma câmera de ar, um kit remendo ou algo que ajudasse a seguir em frente.


Foi dada a largada!



Se faltava água, havia sempre uma garrafinha a mais na bike do outro para dividir o precioso liquido, se faltava ânimo, tinha sempre um incentivo a mais de quem passava pela gente.

Muita subida, muita poeira!

A aventura durou, pelo menos para mim, oito horas. E aí eu pergunto: para quê pagar terapeuta? Para receitar prozac? Meu prazer vem de todos os trancos e barrancos que enfrentamos no superando Limites. Estou zerada. Cabeça limpa, alma lavada!


Depois da chegada a Piri: só alegria!


Daí eu pergunto: é preciso responder o que faz uma penca de 300 pessoas acordarem de madrugada, num sábado, pegar uma bicicleta e dedicar oito horas do seu dia em cima dela, pedalando no meio do barro, debaixo de um sol escaldante e com um ar tão seco que, em alguns momentos dava a impressão de estarmos respirando pó?

*todas as fotos estão disponpiveis no site katiamaia.multiply.com

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

400 contra o bonsenso

por katia maia

Um filme mal amarrado, mal explicado e mal conduzido. Foi com essa impressão que deixei a sala de projeção neste fim de semana após assistir a “400 contra um”.

Quando decidi ir ao cinema neste domingo, tinha duas opções no horário escolhido – por volta das 15 h, quando posso ver o filme e ainda me sobra tempo para ver o por do sol dos domingos de Brasília que estão simplesmente maravilhosos.

Pois bem, além do filme “400 contra um” eu tinha a opção de assistir ao norte-americano “A Origem”, com Leonardo de Caprio.

Optei pelo nosso produto nacional até porque tenho gostado, e muito, das produções domésticas. Ledo engano. “400 contra um” é uma seqüência de erros.

O filme conta a história do surgimento da organização criminosa “Comando Vermelho”. Para quem viveu a década de 70 e 80 se lembra dessa facção que aterrorizou o Rio de Janeiro no fim dos anos 80. O filme conta a história de William da Silva Lima, o único sobrevivente do grupo.

William (Daniel de Oliveira), Baiano (jonatan Azevedo), Biro (Jeferson Brasil), Cavanha (Fabrício Boliveira) e Maranhão (Lui Mendes). Foto: Daniel Chiacos


O foco é o seguinte: o surgimento do Comando Vermelho que criou uma conduta de solidariedade inédita até então entre detentos em presídios brasileiros. Esse sentimento foi reflexo da convivência de presos comuns e políticos, que gerou a transferência e a troca de conhecimento entre eles. Os presos comuns passaram a ter e conhecer noções estratégicas e começam a planejar suas ações e a se organizar.

Até aí, tudo bem. A história, o argumento, a proposta é boa. Mas o diretor Caco Souza (inspirado no livro ‘400 contra um’)peca na realização. O filme torna-se mais um que retrata o dia a dia prisional.

Personagens estereotipados e situações absurdas como a que mostra detentos da Ilha Grande, em dia de visita. Eles simplesmente ficam na beira da praia com uma mesa de frutas tropicais com suas esposas. Eu diria #nonsense!

Núcleo do Comando Vermelho

A história intercala os fatos cronologicamente, alternando entre a década de 70 – quando nasceu a célula do Comando Vermelho no presídio da Ilha Grande, RJ – e a década de 80 quando a organização promove uma série de assaltos a bancos no Rio de Janeiro.

A história tem, como pano de fundo o romance de William com Teresa, mulher de um carcereiro. Os dois (William e Teresa) se envolvem e por inúmeras vezes, William aparece na casa dela, na Ilha Grande, livre, leve e solto e os dois se beijam, transam e nada acontece.

Até que um dia ela enche o saco do carcereiro e o mata com dois tiros e... E nada! Nada acontece com ela que aparece livre leve e solta no Rio de Janeiro ajudando nos assaltos do Comando Vermelho na década de 80.

Portanto, a intenção até foi boa. Mas o filme é realmente decepcionante.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

I LOVE JAZZ - Eu também!

por katia maia

O Festival Internacional I Love Jazz infelizmente já terminou. Ele aconteceu essa semana simultaneamente em Brasília e São Paulo e já havia passado por Belo Horizonte. No Rio de Janeiro está ocorrendo até o domingo e quem está na cidade maravilhosa corra para comprar seu ingresso porque vale a pena.

Eu conversei com o idealizador e organizador do Evento, Marcelo Costa e ele me contou que a idéia de realizar um evento desse porte, com atrações nacionais e internacionais surgiu da percepção que ele tinha de como as pessoas curtiam e se envolviam com o Jazz original, de raiz, vindo das ruas e bares de Nova Orleans.

“Quando a gente fala em jazz as pessoas pensam que é um bicho de sete cabeças, e o jazz original nasceu nos bares mais populares de Nova Orleans, mais pobres. Na época, a elite não gostava, achava aquela musica um absurdo, era ate o contrario do que ocorre hoje. No I love Jazz a gente resgata esse estilo de musica que teve origem no povo”, explica Marcelo.

Ele que também é músico e amante do estilo selecionou para esse anos artistas e bandas dos Estados Unidos, França, Argentina e, do Brasil, a representante foi Elza soares que canta Standards do Jazz.

A verdade é que o povo se encanta. O grupo francês Pink Turtle faz algo que é simplesmente fantástico: pega canções dos anos 60, 70 e 80 e dá uma nova roupagem à elas. “As pessoas estão ouvindo jazz e reconhecendo a melodia e pensam: uai, mas isso é Supertramp! Bem interessante”, revela Marcelo.

Não menos envolvente é o som do também francês Claude Thissendier, que segundo Marcelo faz “um jazz fácil de se ouvir que prioriza os arranjos com os metais, nada que o publico tenha que entender, mas o publico gosta daquilo”, traduz.

A verdade é que o festival dispensa introdução, explicação ou tradução. É algo para ser acima de tudo ouvido e o melhor: por pessoas que não tem conhecimento algum de música. Essas vão se pegar envolvidas pelas melodias e arranjos. Para quem já conhece, “tanto meglio”, porque esses vão aproveitar o fino do Jazz de raiz. Se é que podemos usar essa expressão para um estilo que ao longo do tempo se rebuscou tanto.
Quem perdeu ano que vem tem mais, promete Marcelo.

*No link abaixo você ouve a matéria sobre o FEstival I Love Jazz que fiz para o programa de rádio Revista 100,9 da Rádio Cultura de Brasília.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Amigos em Êxtase

por katia maia


Sabe aquelas noites que a gente vai para a casa de um amigo e lá reencontra outros e passa a noite bebendo, relembrando, rindo ou chorando de nossa própria sorte? Assim é a peça Êxtase, que entra em cartaz a partir de hoje no CCBB e que eu fui conferir ontem na pré-estréia.

O espetáculo traz ao brasiliense a oportunidade de viver e se ver em situações do dia a dia que, apesar de se passar num outro país (Inglaterra), em outro momento (pós-revolução industrial) traduz os dramas de amigos que se aventuram nessa interminável jornada que é viver. E mais: viver e enfrentar as adversidades cotidianas.


Nos diálogos frase típicas ditas entre amigos que no dia a dia da vida vão deixando o compromisso da amizade em segundo plano e apensar do sentimento de vontade de encontrar o outro, o tempo acaba passando e todos vão se distanciando. Frases como:

- meu, a gente tem que se encontrar mais. A gente não vai mais passar tanto tempo sem se ver!

O destaque da peça é o casal Jean (Amanda Lyra) e Mick (Mário Bortolotto). Principalmente a Amanda, ela rouba a cena em momentos em que está em segundo plano, apenas dançando ao som de canções de Dolly Parton, a sua atuação prende a atenção do público.

O casal Jean (Amanda Lyra) e Mick (Mário Bortolotto) roubam a cena



Mario Bortolotto também contagia com seu personagem Mick, um trabalhador londrino com jeitão tosco e que apesar dos diálogos - muitas vezes grosseiros com sua esposa – ele revela a intimidade e o amor que existe entre os dois. Hilário!
“O que torna esse texto interessante é que através daquelas pessoas a gente consegue se enxergar tranqüilamente”, garante o ator Eduardo Estrela, que na peça faz o Leo, namorado de Jane no passado e que volta a reencontrar os amigos depois de longa data fora da cidade.

“O que me encanta no espetáculo é que você vê pessoas sem qualquer possibilidade financeira, com uma série de problemas pessoais - o que parece um caos - e que lutam pela felicidade”, explica.

A peça, segundo estrela, transforma um momento simples numa grande batalha com “gente como a gente tentando ser feliz”. No palco, o destaque fica por conta do casal

Na história, Leo e Jane tiveram um caso no passado e aí se reencontram. “O Léo está numa situação complicada, acabou de ser largado pela mulher e está numa situação terrível”, conta e complementa: “e fica aquela situação, todos bebendo, tentando ser feliz, vão lembrando o passado e a medida que o álcool vai subindo, a coisa vai ficando mais improvável e vão ocorrendo as revelações”.

A peça é um texto do inglês Mike Leigh e foi encenada pela primeira vez em 1979, no Hampstead Theater, de Londres, com grandes atores como Stephen Rea e Julie Walters.

No Brasil, ela é parte de um grande projeto de do diretor Mauro Batista que também traduziu e adaptou o texto. A obra dá continuidade ao projeto de Vedia de fazer um teatro popular e sofisticado ao mesmo tempo. Um espetáculo que revela pessoas da classe trabalhadora inglesa e a relação de amor, amizade e solidariedade entre elas.

Êxtase vem após o de A Festa de Abigail, peça dirigida pelo diretor e que ficou dois anos em cartaz, vista por mais de 40.000 pessoas, em São Paulo. A peça é toda pontuada por músicas popularescas que incluem canções kitsch.

“O Mauro gosta muito de brincar com a música e ai ele resgata coisas ótimas como Dolly Parton e vai pincelando com um monte de Elvis Presley. Ele usa muito habilmente isso”, explicou Estrela.

Com formação basicamente teatral, Estrela já fez alguns trabalhos na televisão, em séries como a diarista e retrato falado e na novela mulheres apaixonadas. Agora, chega a Brasília com o espetáculo êxtase que tem direção de Mauro Baptista Vedia e, no elenco, Mário Bortolotto, Erika Puga e, ele, Eduardo Estrela entre outros. No CCBB de 4 a 26 de agosto
.

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
SCES, Trecho 2 Conjunto 22
Teatro II
Informações pelo telefone: (61) 3310-7087

Data: 04 a 26 de agosto de 2010
Horário: 19h30

Preço: R$ 15 (inteira)/ R$ 7,50 (meia)


*A venda antecipada de ingressos inicia-se no domingo da semana anterior à do espetáculo, restrita a quatro ingressos por pessoa.

Classificação: 14 anos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A vida em Êxtase

por katia maia

Quatro amigos se encontram em uma quitinete minúscula na Londres da década de 70. Em meio ao caos de suas vidas, eles começam a reviver momentos do passado, a sofrer com as dores do presente e se divertir com seus problemas pessoais. Se você gostou do que leu até agora, então se anime. Essa história existe e será contada em Brasília a partir desta quarta-feira (4/8) no Centro Cultural Banco do Brasil, na peça Êxtase.

Este blog conversou com o ator Eduardo Estrela que, na peça, faz o papel de Leo, namorado de Jane, dona do minúsculo apartamento onde os quatro amigos se encontram. Ele revelou toda a essência do espetáculo e traduziu para o leitor deste blog, com exclusividade, detalhes da história que fala de amizade, amor, conflitos pessoais, solidariedade e amizade.

Ele, que já interpretou papeis na TV em séries como ‘A Diarista” e “Retrato Falado”, além de ter atuado na novela “Mulheres Apaixonadas”, da TV Globo, conta que sua formação é basicamente teatral. Aqui, ele declara sua paixão pelos palcos e fala de sua relação de amizade com o diretor de êxtase, Mauro Batista Vedia.

Blog: A peça está vindo para Brasília. Fale um pouco da peça. Ela fala da classe trabalhadora na Inglaterra.

E.E: O que torna o texto interessante é que através daquelas pessoas a gente consegue se enxergar tranqüilamente. Eu costumo dizer que o que me encanta no espetáculo é que você vê pessoas sem qualquer possibilidade financeira, com uma série de problemas pessoais e aquilo que parece um caos revela pessoas que lutam pela felicidade e transformam um momento simples nessa grande batalha.

Acho que nada mais bonito do que você ver o ser humano lutando pela felicidade sempre, não importam suas adversidades. A peça deixa você com vontade de pegar as pessoas no colo. É de uma ternura que no meio da brutalidade, você vê pessoas revelando o melhor delas.

Blog: Brutalidade?

E.E: Não brutalidade no sentido que haja sangue e violência, mas a situação de vida delas é tão dura, que chega a ser brutal. É gente com muito trabalho, pouco dinheiro, problema de bebida, mas tudo isso com um bom humor absurdo. Eles estão lá para serem felizes.

Blog: Isso cria identificação com o público?

E.E: Deve ter certa identificação porque todo mundo tem a sensação na vida de estar enfrentando momentos brutais, pesados demais, mas há também a identificação com o humor.

A grande questão é... O que você vê na peça é gente tentando ser feliz. A peça é um grupo de amigos num momento de vida super difícil cada um, tentando fazer uma festa. Só que é como equilibrar prato chinês.

Eles estão lá tentando ser feliz, tentando fazer piada e de vez em quando vem a tristeza e o cara tenta se levantar de novo. Então, é aquela luta para manter a felicidade. E aí nisso, nem sempre vai bem e na hora em que ele desmonta.

Então o que vai mostrando nesses momentos em que desmorona essa felicidade, essa luta pela felicidade, é você ver as pessoas, que bonita, que sensível mesmo no meio da dureza.

Blog: Elas vão se revelando.

E.E: Sim. De uma maneira linda e aí você diz: Meu Deus! Que pessoa linda, que pessoa fantástica! E aí vem a máscara de novo porque ela tem um universo. Como se a mascara fosse caindo de vez em quando e você vai colocando na cara das pessoas com uma cola vagabunda que não segura muito.

Blog: Qual é o cenário e a situação em que a peça se passa? É uma noite?

E.E: Na verdade, a história toda se passa no quartinho dela, uma quitinete minúscula, se é que dá para chamar aquilo de quitinete.

São dois flashes na vida da Jana no primeiro ato – encontrando uma amiga e depois vem o grosso da peça que são os amigos que vão se reencontrar depois de uma longa data. Todos no quarto dela. Na verdade, quem faz a ligação é a Di e que é amiga dela que faz traz o marido dela que já foram amigos há muito tempo e o Leo que saiu da cidade e retornou.

Blog: Que é o seu personagem?

E.E: o Leo e a Jane tiveram um caso muito tempo atrás e o casal tenta fazer a reaproximação. E aí é muito bacana porque o Léo está numa situação complicada, acabou de ser largado pela mulher e está numa situação terrível...

Então, fica aquela situação: todos bebendo, tentando ser feliz. Eles vão relembrando o passado e a medida que o álcool vai subindo, a coisa vai ficando mais improvável e as vão ocorrendo as revelações.

Blog: É bem nostalgia?

E.E: É uma comédia porque você ri o tempo todo, mas sempre com o riso, o coração, meio apertadinho. Você dá risada e tem sempre uma mão dando uma apertadinha e dizendo: olha só...

Blog: A peça é pontuada pela música?

E.E: A música é um show a parte. O Mauro, que é o diretor gosta muito de brincar muito com a música e ai ele vai resgatar coisas ótimas como Dolly Parton, coisas absolutamente kirtsh, mas deliciosas e vai pincelando com um monte de Elvis Presley. Ele usa muito habilmente isso. Usa músicas que são mais kirtsh mais popularescos que se revelam de maneira fantástica naquele contexto.

Blog: quem é Eduardo Estrela?

E.E: Comecei com 16 anos. O trabalho mais marcante foi Domesticas que fiz espetáculo e depois filme. Fiz participação em ‘Mulheres Apaixonadas’ e passei um tempo fora do Brasil, em Londres e em Moscou, para estudar interpretação.

Foi aí que encontrei o Mauro (diretor) com quem fiz a Festa de Abigail. Depois que voltei de Londres, só trabalhei praticamente com texto britânico. Nesse meio tempo, eu retomei um espetáculo que era um projeto do passado, que é ‘A prudência’, de um argentino fantástico.


Confira o áudio da entrevista:




Serviço:

Centro Cultural Banco do Brasil

SCES, Trecho 2 Conjunto 22

Teatro II

Informações pelo telefone: (61) 3310-7087


Data:

04 a 26 de agosto de 2010
Horário: 19h30

Preço:

R$ 15 (inteira)/ R$ 7,50 (meia)


*A venda antecipada de ingressos inicia-se no domingo da semana anterior à do espetáculo, restrita a quatro ingressos por pessoa.


Classificação:

14 anos


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