quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sou quente, sou fria... Sofria.

por katia maia
Esse fim de ano tem tido para mim um sabor de tormenta e calmaria. Algo como nuvens escuras que pairam sobre minha cabeça e ameaçam soltar raios aleatoriamente e momentos de pura poesia como um arco-íris a traspassar minha alma e me fazer refletir e acreditar que tudo pode dar certo.

Dias de tormenta

Alterno momentos de pura conjunção com o universo que me rodeia e instantes de raiva e acidez com os que me rondam. Sou pouca simpatia e pura empatia. Vivo no alto e despenco para o fundo do poço. Sou harmonia e misantropia.

Dias de calmaria.

De repente dou as mãos ao desconhecido e viro as costas para os mais próximos. Sou absoluta compreensão e a mais completa ingratidão. Grito e ensurdeço a audição de quem é só ouvido para mim e peço humildemente atenção do estranho do outro lado da rua. Sou e não sou, penso e desprezo. Neste fim de ano sou um pouco, sou muito, sou quente, sou fria. Sofria...

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lobato na berlinda do mundo politicamente correto.

Por katia maia



Esse mundo politicamente correto a cada dia me surpreende mais. Eu já andava com um pé atrás em relação ao que se fala das cantigas infantis que, segundo a boa prática politicamente correta, não se deve mais cantar ‘atirei o pau no gato’, mas: ‘NÃO atirei o pau no gato’.

A cantiga do cravo, aquele que brigou com a rosa, também foi alvo de críticas pois incita a violência. Agora, pasmem: os livros de Monteiro Lobato correm o risco de serem banidos das escolas públicas porque estão sendo considerados racistas em alguns trechos!

Para que isso não aconteça, o CNE, em parecer publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, sugere que trechos racistas sejam reescritos ou que obra seja acompanhada de "estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura".

Na boa: mexer em obra de arte é um crime contra o patrimônio publico. Eu cresci lendo Monteiro Lobato e cantando as respectivas cantigas já citadas e posso dizer: não sou violenta ou racista – nem por isso nem pela falta disso. Simplesmente não o sou porque me foram passados valores que independiam de canções que eu cantarolava. As cantigas eram apenas um momento de lazer entre crianças sem a menor intenção de ser racista.

Para mim, o mundo politicamente correto está passando dos limites. Quando Monteiro Lobato escreveu em seu livro que a “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”, ele não estava querendo depreciá-la, mas apenas retratar a cena com uma linguagem que cabia na época. É o retrato de um momento. Se formos reescrever todos os clássicos que se referem aos afro descendentes como pretos teremos que descaracterizar nossas obras.

Eu li as Caçadas de Pedrinho e não me lembro de sair chamando coleguinhas á minha volta de macaco por causa das linhas escritas no livro. O problema é que o mundo politicamente correto termina enxergando o que não existe em lugares onde não há o que se reprimir.

O grave está, isso sim, em diálogos depreciativos que presenciamos diariamente em novelas, séries e programas de televisão. Lá, sim, eu vejo filhos desrespeitando pais, amigos depreciando colegas e humoristas de mau gosto fazendo caricaturas de homossexuais e até de negros. Isso, para mim é de extremo mau gosto. Isso sim desvirtua valores e forma uma geração de crianças e jovens sem respeito pelo próximo.

Ah, tem ainda os jogos de videogame, ou Playstation, como é chamado hoje. Esses mostram pessoas matando-se umas as outras e incita a violência. Há ainda a internet, que traz muita coisa ruim para a vida de nossas crianças e jovens.

Agora, dizer que uma obra de Monteiro Lobato é racista e deve ser reescrita ou banida! Isso para mim é um desaforo! Perdeu-se a noção do razoável. Pois que se leiam os livros do autor do Sítio do Picapau Amarelo e se contextualize para as crianças a época em que foram escritos (se é que isso é preciso. Afinal, não devemos tratar nossas crianças também como débeis).

O que não dá é ver maldade em tudo. É, realmente, Monteiro Lobato escreveu As Caçadas de Pedrinho com o intuito racista. Muito boa essa.

O parecer que pede que o livro ‘As Caçadas de Pedrinho’ seja banido das escolas públicas foi aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE e foi feito a partir de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.

Um dia, quem sabe...

por katia maia

Pronto! Agora, o país pode novamente respirar seu ritmo normal de vida. Acabaram-se as eleições e podemos levar nossas crianças à escola, ir para o trabalho, sair para o almoço etc, sem ter que enfrentar no dial do rádio a ‘desestimulante’ propaganda eleitoral.

Sim, porque no primeiro turno fomos obrigados a engolir as patéticas inserções de candidatos a deputado que muitas vezes não sabiam nem mesmo pronunciar seus nomes direitos. Não era raro ouvirmos um sonoro ‘pobrema’ aqui ou acolá.

Já no segundo turno, nossos ouvidos foram inundados por acusações, ofensas e baixarias polarizadas entre os dois que restaram para essa etapa final das eleições.

Bom, a verdade é que tudo se definiu e agora temos que trabalhar com o cenário que as urnas desenharam. Que não é bom nem é ruim, mas democrático, eu diria. Há quem se sinta perdedor, há quem saia vencedor. Mas, democracia é isso: é preciso perder para que se possa ganhar.

Mas, olha, independentemente de ideologias, o que eu espero daqui para frente é que o Brasil melhore. Não importa se torcemos pela Dilma ou pelo Serra. O que importa é que, agora, temos que torcer pelo Brasil e isso significa a esperança de que a presidente eleita faça o melhor pelo país.

Meu filho mais novo me perguntou, frente ao resultado das urnas:
-mãe, se a Dilma fizer um bom governo, você vota nela nas próximas eleições?
Ao que eu respondi:
- filho, eu voto sempre em quem fizer o melhor pelo Brasil. É isso que importa, é nisso que temos que acreditar.

Não sou do time que fica torcendo para que o eleito faça o pior só para provar que eu estava certa ou não. Sou do time que espera que o futuro seja melhor e que aquele eleito pelo povo faça valer todos os votos que recebeu.

A verdade é que é isso que todos nós esperamos: que os governantes façam o que for melhor para o povo e para o país. A verdade é que estamos cansados de tantos escândalos, acusações, baixarias. A verdade é que agora temos que torcer para que as coisas andem no caminho certo e que a fiscalização e a transparência estejam sempre a postos para mostrar o que está encoberto e camuflado.

Sei que não é fácil. Sei que há esquemas, sei que nada muda de uma hora para a outra. Acho até dificil que se mude porque está tudo tão arraigado na forma de se fazer política nesse país, mas, acredito também que o Brasil tem avançado e evoluído no que se refere à vigilância sobre os equipamentos públicos.

Claro que não sou ingênua ao ponto de pensar que os esquemas irão acabar (claro que não). Mas, sou brasileira e não desisto nunca de acreditar que um dia, quem sabe...