sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

mau humor dá e passa

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Grandes dúvidas da humanidade; de onde vem a fonte inesgotável de mau humor dos adolescentes? Sim, porque eles tem uma facilidade para virar o humor que é algo impressionante e aí, quando isso acontece, só mesmo uma boa dose de paciência para que a gente possa agüentá-los.

Acho que o bad humor tem muito a ver com as expectativas que eles tem em relação aos programas e às coisas que desejam fazer no momento em que pensam que devem acontecer da forma como querem que aconteçam. Deu para entender? Não, nem eu!

Outro dia, ao sair do trabalho fui buscá-los, meus dois filhotes machos que estão semrpe a postos para pedir algo impossível ou quase de se fazer quando se sai do serviço depois de um dia inteiro de ralação. Mas, ok, está bem: eles estão de férias, e é nesse ponto que eu discordo totalmente daquela musica do Rei que dizia: ‘quando as crianças saírem de férias talvez a gente possa então se amar um pouco mais...’.

Não, quando as crianças saem de férias, começa o nosso, desesper, ‘perrengue’ e dilema: o que fazer e inventar para que eles fiquem ocupados enquanto a gente toca a vida normalmente com toda a rotina diária de trabalho, obrigações, deveres e lazer somente nos fins de semana? E se eles já estão adolescentes, então... vixi!

Bom, ‘resuming’... Saí do trabalho e já no caminho para pegá-los um deles liga:

- mãe, como é que vai ser hoje?

- Como assim, como é que vai ser hoje? Eu estou indo pegar vocês e aí a gente vai para casa...

- Mas...

- Mas, o quê?

- A gente não pode ir ao cinema e depois a mãe do fulano pega e a gente dorme na casa dele?

- Não, não dá! Vocês estão de férias, mas a vida continua. Para vocês dormirem na casa do fulano, eu preciso pegar vocês amanhã cedo, porque os pais do fulano também trabalham cedo e não dá. No fim de semana, quem sabe...

Pronto, instalou-se o mau humor! É tiro e queda. Basta contrariar as expectativas, atrapalhar os planos que lá vem a dose de TPM adolescente em dose tripla: Tudo Para Mencherosaco!

Quando cheguei para pegá-los, já estavam de ‘ovo virado’ com dizia minha avó. E aí, como lidar com isso? Entendo que eles queiram aproveitar ao máximo as férias, mas entendo também que eu estou trabalhando e não dá para abrir a guarda todo o dia. É complicado. É cansativo...

Então, qual a solução? Simples. Não é não e não tem discussão. Tem dias que dá, tem dias que não dá. E esse foi um deles. Claro que a trompa foi insuportável e o mau humor maior ainda. E, claro que nessas horas não vale nem a pena conversar. Eles ficam simplesmente insuportáveis.

O que fazer? Deixa quieto. Vai para casa, toma um bom banho, liga a TV ou pega um bom livro e vai relaxar porque mau humor de adolescente dá e passa. Graças a Deus!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E assim se passaram 30 anos!

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolestentes

Na época em que essa canção fazia sucesso eu estava na posição de “filha”. Confesso que não entendia muito bem essa de “Minha dor é perceber/ Que apesar de termos feito tudo o que fizemos/ Ainda somos os mesmos/ E vivemos como os nossos pais...”. eu adorava a canção, mas não introspectava o que a letra dizia.

Tá bom,corta, edita! Trinta anos depois, no 30º aniversários de morte de Elis Regina, me vejo do lado de cá da cena. Desempenhando o papel de mãe e enfrentando os dramas, a dor, a alegria, de ter em casa dois rapazes (lindos), 14 e 16 anos. E é no dia a dia que percebo que termino fazendo muito, muito mesmo, como os meus pais.

Apesar de tudo o que vivi, de toda a minha rebeldia adolescente, de toda a minha sede por liberdade na juventude, de todos os sonhos mirabolantes que eu tinha para “quando eu crescer, ficar adulto e ser dona do meu nariz”, terminei exatamente como diz a canção: “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

Agora, eu pergunto: tudo isso por que? Simples: porque é o modelo que funciona. Não dá para inventar em educação de filhos e não dá para abrir mão de conceitos básicos como respeito, solidariedade, amizade, autoridade.

Esse era o visual que eu mais gostava de Elis.
Claro que em muitas situações a forma como eu me relaciono com os meus jovens filhotes jovens é bem diferente os meus pais faziam comigo, mas há momentos em que não tem outra receita: é a autoridade que delimita o espaço e faz os jovens bons jovens.
Não dá para pensar que a gente morria de vontade de ir em todas as festas e, por isso, permitir que nossos filhos façam o mesmo. E é engraçado porque eu sempre fui a ‘dona festeira’. Adoraaaaava uma balada. (que meus filhos não me ouçam e não leiam esse post).

Mas, não é porque eu era ‘da rua’, que eu vou permitir que meus filhos (o meu melhor projeto) fiquem soltos na noite, livres e serelepes. Nesses momentos, sou realmente igual ‘aos nossos pais’. Não tem negociação: tem hora para chegar e tem a forma como chega.

Aliás, implantei em casa uma regra: a próxima festa depende sempre do estado em que chegarem da anterior. Não pode bebida, não pode armação, não pode mentir, não pode sumir. Se eu descubro, perde o ‘vale’ para a próxima balada. É chato? É! Mas agora, estou no lado de cá da cena e desempenho o papel de mãe e “apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nosso pais...”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Um detetive famoso e uma história real

por katia maia

#culturalmente_falando


Nesse fim de semana me dediquei a assistir dois filmes. Um deles, claro, foi o lançamento da nova aventura de Sherlock Holmes: o jogo de sombras. O outro, O Contador de Historias, uma produção nacional. Gostei dos dois e indico ambos para quem quer uma opcao recém lançada ou assistir a um DVD no conforto de casa.

Serlock Homes, confesso, sou suspeita para falar. Gosto das historias do detective inglês e gosto mais ainda do ator Robert Downey Jr que interpreta Sherlock. Isso sem contar que o filme tem um bom roteiro com cenas bem trabalhadas, cenário bem cuidado e cheio de detalhes.

Mas o que prende mesmo são as situações criadas pelos diálogos. Esses trazem sempre uma dose de ironia, comédia e sarcasmo. Imperdivel é a cena em que Downey Jr. se disfarça de mulher. Essa passagem está no trailer e, acredito, é uma das que nos fazem querer de ver o filme. E por ai vai...

Sherlock Holme e seu fiel companheiro Watson
Os diálogos entre Holmes e o parceiro Watson são um espetáculo a parte e os efeito especiais, com super câmeras completam o pacote para um filme divertido, ultra bem feito e que nao tem o compromisso de ser denso.

Bom, resultado: vale a pena o preço da entrada. Tempo e dinheiro bem empregados.




O segundo filme, 'O contador de Historias' é nacional e vi em DVD.  Esse filme, na verdade, já estava na minha prateleira há bastante tempo mas justamente a falta de tempo me impediu de assisti-lo antes.

Roberto e Marguerite
O filme conta a historia de Roberto, um menino pobre que foi levado pela mãe para a antiga FEBEM. Ela acreditava que aquele era o melhor lugar para deixar o filho pois ali teria a oportunidade de ser alguém.

Mas, o menino estava fadado a ter o mesmo fim de milhares de outras crianças que passaram pela FEBEM e que ainda hoje passam pelas instituições de recuperação do Estado, não fosse uma pedagoga, a francesa Marguerite.

O verdadeiro Roberto, hoje um dos melhores contadores de história do mundo
Ela se encantou pela historia de Roberto, na época com 13 anos. Margherite insiste em se aproximar do menor apesar do jeito arredio dele, aos poucos, ela vai conquistando o jovem e a historia dele passa a ter outro destino. Emocionante!




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

#Culturalmente_falando

Inauguro aqui, nessa segunda, o espaço #culturalmente_falando. Todas as segundas-feiras, falarei sobre um filme, uma exposição, um show, uma manifestação cultural ou algo que tenha me chamado a atenção durante a semana no universo cultural.

Deixo isso para as segundonas porque no fim de semana tenho sempre um bom motivo para freqüentar locais e conhecer pessoas e espaços #culturalmente_interessantes. Vou falar o que achei, o que vi, o que significou a experiência vivida e se isso for bom ou ruim, vai depender do que me for apresentado, claro.

Claro, também, que tudo não passa de uma percepção minha e cabe a quem quiser descordar, rebater e criticar as minhas críticas. Pois bem, para inaugurar esse espaço, infelizmente, começo com um filme que fui assistir e, sinceramente, significou, para mim uma perda de tempo. 

Fui ver o filme “As Aventuras de Agamenon, o repórter” e sinceramente só fiquei até o final porque sou do tipo que insisto numa história cinematográfica e aposto que tudo pode melhorar. Mas, confesso que foi torturante ficar até os créditos finais.


Luana Piovanni e Hubert

O filme é muito ruim. Recheado de piadas chulas e batidas, creio eu, que é muito bom para quem não tem mais o que fazer. Algo como um Casseta e Planeta sem graça. Umas piadas absolutamente óbvias e uma completa falta de compromisso total com o bom gosto.

Ok, roteirizar a história do repórter de O Globo, que desde 1989 escreve em O Globo aos domingos não iria fugir ao tom de seus criadores Marcelo Madureira e Hubert. Mas, eu achei que seria mais engraçado. Só isso.


Marcelo Adnet faz Agamenon jovem

Aliás, acredito que o filme deve ter agradado a muitos espectadores em todo o Brasil. Mas, confesso que eu esperava algo mais inteligente do roteiro e saí com a sensação de que o melhor do filme você já conhece quando assiste ao trailer. Ponto com. Ponto BR. Bom, para quem gosta, é um prato cheio. Para mim, foi indigesto.

Sinopse
AS AVENTURAS DE AGAMENON – O REPÓRTER – Direção de Victor Lopes (Brasil, 2011). A comédia revela a louca e misteriosa vida do jornalista Agamenon Mendes Pedreira, personagem criado por Marcelo Madureira e Hubert que assinam há mais de 20 anos uma coluna de jornal. A história de amor com a provocante Isaura sobrevive às mais inesperadas viagens do repórter mundo afora, em busca da notícia e da fama. Com Hubert, Marcelo Madureira, Marcelo Adnet, Luana Piovani, Pedro Bial, Ruy Castro, Guilhermina Guinle, Luiz Carlos Miele, Alcione Mazzeo, Claudio Tovar, Leandro Firmino. Depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Coelho, Jô Soares, Caetano Veloso, Nelson Motta e Susana Vieira. 74 minutos. Cor/Plano/Dolby 5.1/

FICHA TÉCNICA



Direção Geral: Agamenon Mendes Pedreira


Diretor: Victor Lopes


Produtores: Flávio Ramos Tambellini, Marcelo Madureira e Hubert


Roteiristas: Marcelo Madureira e Hubert


Produtores Executivos: Flávio Ramos Tambellini e Manfredo G. Barretto


Produtor Associado: Alexandre Coutinho


Diretora de Produção: Paola Vieira


Diretor de Fotografia: Jaques Cheuiche


Diretor de Arte: Clovis Bueno


Figurinista: Bia Salgado


Caracterização: Neuma Caldas


Som Direto: Valeria Ferro e Renato Calaça


Produtor de Finalização: Juca Diaz


Edição de Som: Waldir Xavier


Efeitos Especiais: Tribbo


Edição de Imagem: Sergio Mekler


Trilha Sonora: Berna Ceppas


Produtora de Elenco: Cibele Santa Cruz


Produção: Tambellini Filmes


Coprodução: Globo Filmes e Madureira Redatores e Aranha Redatores


Distribuição: Downtown Filmes, RioFilme e Paris Filmes






ELENCO


Hubert - Agamenon


Marcelo Madureira - Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo, psicoproctologista


Marcelo Adnet – Agamenon jovem


Luana Piovani - Isaura


Pedro Bial - Pedro Bial


Ruy Castro - Ruy Castro


Guilhermina Guinle - Eva Braun


Luiz Carlos Miele - pai da Isaura


Alcione Mazzeo - mãe da Isaura


Dayse Lucide - Isaura coroa


Claudio Tovar ¬- Tom Gilberto


Paulo Coelho - Paulo Coelho


Susana Vieira - Susana Vieira


Fernando Henrique Cardoso - FHC


Caetano Veloso - Caetano Veloso


Nelson Motta - Nelson Motta


Jô Soares – Jô Soares


Narração - Fernanda Montenegro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O tempo não pára

Por katia maia
#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Responda rápido: quanto tempo tem? Se a resposta vier de um adolescente, será difícil chegar a um consenso. É incrível a percepção que possuem do tempo. Uma hora tem-se todo tempo do mundo, em outra, o mundo está para acabar ainda hoje.


Vira e mexe ouço meus filhos falando sobre o que pretendem da vida. Claro que são planos mirabolantes, coisas que a fértil e criativa mente adolescente consegue produzir. O futuro que existe para eles é fantástico, cheio de realizações, com muita coisa boa e muito dinheiro. Óbvio, eu concordo. Se for para sonhar, que seja alto e com coisas muito boas.

Mas, é incrível a falta de paciência diária que possuem e fico imaginando como esperam alcançar e percorrer todo o percurso que eles tem pela frente até conquistar tudo que está em seus sonhos. Aliás, impaciência, acredito, é uma característica inerente ao adolescente. E mais: totalmente inerente ao jovem dos tempos modernos, que está acostumado com o mundo online.

Aliás, o mundo em tempo real só veio para prejudicar, e muito (na minha opinião) a chance que os adolescentes tinham de aproveitar os momentos na hora em que estão acontecendo. Tudo tem que ser para agora e online, porém, ficam tão preocupador em relatar o agora nas redes sociais que esquecem de viver cada instante.

Eles estão num shopping e postam no Facebook, no Twitter, entram no menssenger etc. Eles encontram alguém na loja e pronto, a foto já foi publicada, eles pensam em falar com um amigo e já entram no msn e mandam mensagem. E incrível é que o amigo está lá, do outro lado, conectado e pronto para responder. Não é demais?

Os jovens são, por natureza, mestres em achar que o aqui e agora é o que importa. Ainda mais nesses tempos em que o tempo real dita o andar da carruagem e a velocidade dos fatos. As redes sociais transformaram nossos jovens em pobres prisioneiros do ‘now’.

É assim o tempo todo. E, com isso, claro, a tão curta e imperceptível paciência dos adolescentes vira poeira. Ah, mas isso somente quando eles querem estar em outro lugar (o que acontece muito frequentemente quando estão com pais ou avós do lado) porque quando estão no ambiente deles, se divertindo, o tempo pode parar.

Quando estão com os amigos, o jogo vira e a paciência tem que ser nossa. Perdi a conta de quantas vezes fui pegá-los em shopping centers depois de uma sessão de cinema e a festas, marquei um horário, e na hora de buscar veio aquela frase:

- Posso ficar mais um pouco?

- Como assim, cara pálida? Eu estou aqui, saí de casa, o horário combinado foi esse e você quer ficar um pouco mais? Não! Claro que não!

Pronto, Virei a insensível, mãe que não colabora, que não entende... Pode? Não, não pode.

- Entra no carro agora, que eu estou com sono e já está na hora. Pronto, encerrei a discussão.