terça-feira, 1 de outubro de 2013

Como assim, CARA FEIA?


por katia maia

Ao ver  na televisão, essa manhã, a história do policial civil que surtou em uma cidade próxima à Brasília, constrangendo o dono e os funcionários de uma padaria e abordando pessoas nas ruas e as obrigando a comer lixo e outros constrangimentos mais, eu nem imaginava que em menor grau, também protagonizaria uma ação de constrangimento à minha pessoa por parte de um agente do Detran.
Talvez você, que está lendo esse texto, avalie (ao final) que eu estou sendo rígida demais e fazendo tempestade em um copo d’água, mas a verdade é que me senti constrangida pela forma e pela falta de propósito da abordagem do agente do Departamento de Transito do DF.
Por volta da 8h15 da manhã dessa terça feira, (1/10) eu transitava pelo parque da cidade, à altura do Pavilhão de Exposições, parei em frente à faixa de pedestre para que uma pessoa atravessasse. Quando o pedestre terminou a travessia e eu dei a partida, um agente do Detran, na moto placa JHL 8348, saiu da lateral  direita da pista e fez uma conversão bem em frente ao meu carro sem nenhum aviso de sirene ou sinalização. 
Tive que parar e esperar o referido agente terminar sua manobra, e depois segui meu trajeto. Foi quando, para minha surpresa, o agente fez a volta, ligou a sirene (agora sim, ele ligou a sirene) e veio atrás do meu carro. Mandou que eu encostasse e começou um diálogo absurdo:
Ele me perguntou:
- A senhora fez cara feia para mim?
- Não senhor, não fiz cara feia para o senhor. Respondi e completei: por que, o senhor está interpretando a minha feição?
- A senhora não viu o pedestre atravessando? Ele continuou.
- Sim senhor, eu vi o pedestre atravessando. Tanto é que parei o meu carro para que ele pudesse passar. O que eu não vi foi o senhor saindo de repente na minha frente, sem aviso nenhum para, de moto, fazer a mesma travessia do pedestre. Falei
- A senhora por um acaso ficou insatisfeita porque estou trabalhando. Eu estou fazendo o meu trabalho! disse ele, já meio irritado.
- Não senhor, o que eu não vi, repito, foi o senhor sair de repente para atravessar com a moto na minha frente. Repeti.
- Eu estou fazendo o meu trabalho! Reclamou ele.
- Sim senhor, eu também sou cidadã e estou indo para o meu trabalho. Eu disse e emendei: só não entendi por que o senhor me abordou agora.
- Porque a senhora fez cara feira e ficou insatisfeita com o meu trabalho. Disse ele.
- Não senhor, não fiz cara feia, estou indo para o meu trabalho, aliás, bem tranqüila porque o dia está nublado e eu adoro dia com nuvens. Eu disse na maior calma, justamente para não dar motivos para que ele novamente interpretasse (talvez) a inflexão da minha voz.
Ele ligou a moto e saiu. Sem mais falar ou se despedir.
Claro que fiquei atônita e surpresa com o ocorrido. Bom, ao chegar no trabalho, nervosa e chateada com essa terça feira que começou com a cara de segunda, recorri à ouvidoria do órgão para registrar minha reclamação. Por um motivo apenas...
Como assim? Como assim, um agente do Detran pode me abordar, me constranger na frente do meu filho porque IMAGINOU QUE EU FIZ CARA FEIA???? Eu estava dentro do meu carro, com o meu filho, indo deixá-lo na escola, e seguindo para o meu trabalho. Eu, uma cidadã, profissional liberal, trabalhadora, em dia com minhas obrigações que não são poucas (principalmente as tributárias, que nos arrancam o couro para pagar os salários e as despesas do setor público) não entendo por que um agente do Detran pode me CONSTRANGER E ME ABORDAR PORQUE IMAGINOU QUE EU FIZ CARA FEIA!!!!
Reclamação feita, agora é esperar!
Escrevi no site da ouvidoria: gostaria de registrar a minha reclamação contra esse agente que pilotava a moto placa JHL 8348 NO PARQUE DA CIDADE, POR VOLTA DAS 8H15 DA MANHÃ E IMAGINOU QUE PODERIA ABORDAR UMA CIDADÃ SÓ PORQUE ELE FICOU INSATISFEITO COM A SUA CARA!!! Isso, no meu ver é abuso de poder !
E  para mim, houve um constrangimento à minha pessoa.
Espero, sinceramente que essa tenha algum efeito e que no mínimo, as AUTORIDADES do transito saibam até onde vai a sua liberdade de abordar um cidadão sem justificativa alguma OU SOMENTE PORQUE ELE IMAGINOU QUE NÃO GOSTOU DO QUE VIU.
Tanto não tinha nenhum motivo para eu ser abordada que o tal agente ligou a moto e saiu da abordagem à minha pessoa sem sequer pedir algum documento ou apresentar qualquer notificação. Ele me abordou por pura picuinha para se sentir poderoso, talvez.
Sugiro mais gentileza  e que a autoridade seja usada para quem realmente anda fora da lei, não para quem o agente IMAGINA que fez cara feia. Isos é, no mínimo, desperdício de tempo e de aparato policial.
Desde já agradeço a atenção e aguardo (sinceramente) um retorno dessa ouvidoria. Escrevi: att; katia maia