segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tem que ralar!

por katia maia


Medalha de conclusão da prova
Não tem jeito, na vida não existe colheita sem o esforço de se plantar. Por mais que a gente queira, sonhe e peça para que as coisas aconteçam de forma fácil, não dá! Tem que haver um mínimo de esforço e a recompensa vem sempre proporcional ao empenho que dispensamos para tal.
Por que estou tão filosófica? Simplesmente porque nesse fim de semana enfrentei uma prova de resistência e superação pessoal que me mostrou o exato tamanho do toma lá da cá em nossas vidas.
Há pouco mais de três anos, me aventurei no mundo das corridas e sempre tive como meta realizar pelo menos uma maratona. Esse objetivo eu ainda não consegui alcançar, mas não desisti ainda. Enquanto isso, vou me aventurando em caminhos muitos, aumentando cada vez mais a ambição.
Em 2010, eu consegui concluir a minha primeira meia por inteiro. Foi uma alegria, uma felicidade, uma sensação de que a partir dali ninguém me segurava, era só focar e treinar mais e mais.
Acontece que, no meio do caminho, me apareceu uma lesão, um rompimento de sei lá o que no meu tornozelo e fui obrigada a passar o ano de 2012 quase completamente de molho. Resignei-me e segui as orientações médicas para não ter mais tarde que enfrentar as conseqüências de um problema mal curado.
No inicio do ano, voltei a treinar e, claro, tinha a certeza de que esse ano faria pelos menos umas duas ou três meias. Agora, quase no fim de 2013, percebo que nosso sucesso está diretamente ligado à nossa dedicação, empenho e foco. O ano todo, eu passei tentando retomar os treinos, mas vários obstáculos – trabalho, viagem, preguiça, sono – me tiravam dos treinos.
Quando chegamos ao segundo semestre, me inscrevi numa meia maratona e me forcei a focar nela. Mas, novamente, me distanciei dos treinos, não foquei, fui atropelada pelo trabalho, pela rotina, pelo dia a dia e quando chegou a véspera da corrida, eu sabia que não tinha me dedicado o suficiente àquela tarefa.
Mesmo assim, decidi que iria. Pensei: vou de mansinho, aos poucos, devagar e sempre e dessa forma consigo terminar e no pior das hipóteses faço a maior parte do percurso andando.
Qual o quê! Comecei bem, enfrentei os dez primeiros quilômetros bem, mas, isso foi tudo! A partir do décimo segundo, décimo quarto, décimo sexto quilometro, meu corpo foi quebrando, cedendo, minguando. Comecei a sentir o peso da falta de treino, condicionamento, empenho.
Eu, que achava que tudo era uma questão de chegar na hora do ´pega pra capa’ e dar o melhor de mim, percebi que isso conta, sim, mas não é nada perto do que chamamos de treino e dedicação.
Isso vale para tudo na vida. Um simples prêmio de loteria só vem se lembrarmos de jogar. Uma nota boa num concurso só acontece se estudarmos, uma viagem só se realiza se juntarmos dinheiro, a vida só é boa se a gente investe nisso.
Eu achei que tudo era uma questão de (repito) dar o melhor de mim. E eu fiz isso, mas o meu melhor naquele momento era diretamente proporcional ao que eu tinha investido e dedicado do meu tempo nos treinos.
Superei? Superei sim, mas me quebrei. Terminei a prova acabada, num tempo infinitamente maior do que o que eu fiz há três anos, com muita dor no pé direito. Passei o domingo inteiro na cama, com o pé para cima enrolado em compressa de gelo.
A vida é assim: a gente pode superar provas difíceis de uma forma quase intransponível, difícil, amena ou fácil. Depende da nossa disposição para nos dedicarmos àquilo que realmente queremos. É simples: sucesso é diretamente proporcional ao esforço e dedicação.Vou continuar nas minhas meias e quero pelo menos uma Maratona inteira em minha vida, mas, asseguro: vou treinar e me dedicar com afinco para não sofrer tanto. Porqu
e a gente até consegue, mas sofre!