Você está no comando?
Da Revista Veja
Conhecer o funcionamento do organismo é o primeiro passo para a longevidade saudável e feliz. E nunca é tarde para começar a se cuidar: a partir dos 50 anos, é possível controlar 80% do destino de sua saúde. Sim, até mesmo para quem foi relapso nas décadas anteriores
Se você chegou aos 50 anos varando as noites no escritório, trocando a ginástica por uma horinha a mais na cama, driblando a salada e os grelhados, é bem provável que tenha desistido de levar uma vida saudável, porque "é tarde demais". Pois bem, a ciência da longevidade traz boas-novas. Se você chegou aos 50 anos com uma rotina pouco saudável, mas livre de doenças mais graves, saiba que tem 80% de chance de chegar à velhice, e em boa forma (os outros 20% continuam a caber à genética). Ou seja, quanto e como viver daqui para a frente está em suas mãos. Basta não achar que é tarde demais para mudar. "Modificar os maus hábitos aos 50 é quase tão bom quanto nunca tê-los tido", diz o médico Wilson Jacob Filho, diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. E a chave para o envelhecimento proveitoso e feliz é não fumar, praticar exercícios físicos, dormir bem, alimentar-se de forma adequada, evitar o stress e blá-blá-blá... A ladainha dos hábitos saudáveis sempre foi muito maçante, convenhamos. Mas um livro lançado nos Estados Unidos pode tornar a coisa menos chata e até divertida. Com uma linguagem bastante simples, a versão atualizada e ampliada de Você: Manual do Proprietário, dos médicos americanos Michael Roizen e Mehmet Oz, é um dos mais ricos compêndios sobre o funcionamento do corpo humano, a importância de prevenir os efeitos do envelhecimento e, principalmente, como fazê-lo. Uma das lições do primeiro capítulo: "Conhecer seu corpo lhe dá o poder de mudá-lo, mantê-lo e fortalecê-lo".
O poder de cada um sobre o destino de sua própria saúde, paradoxalmente, aumenta com o passar do tempo. "Quanto mais velho você for, maior será esse controle", disse Roizen em entrevista a VEJA. Médico da Cleveland Clinic, Roizen foi o criador, na década de 90, do conceito da idade real. Ele sustenta que as pessoas não têm necessariamente a idade indicada em seus documentos. Do ponto de vista biológico, podem ser mais jovens ou mais velhas, dependendo do modo como cuidam de si mesmas ao longo da existência. Conforme os anos avançam, enquanto os genes vão perdendo a capacidade de causar maiores danos por si só, o estilo de vida ganha mais relevância. Em geral, as doenças genéticas se manifestam nos primeiros vinte anos de vida. Depois dessa fase, são os hábitos que ativam ou não os genes associados à maioria das doenças crônico-degenerativas. Para se ter uma ideia de tal equação, basta lembrar que a genética controla cerca de 75% do desenvolvimento de um feto. Se o embrião carrega mutações genéticas graves, ainda que a mãe siga todos os preceitos da boa gestante, ele não vinga. É um dos mecanismos biológicos mais importantes para a proteção e a perpetuação da espécie. Se o feto, no entanto, possui uma genética favorável, mesmo que ele seja exposto a comportamentos inadequados da mãe, como fumar ou beber, ainda são boas as chances de ele nascer com saúde.
Na corrida em busca da longevidade feliz, os "saudáveis de última hora" largam em desvantagem em relação aos "sempre saudáveis", mas, na maioria das vezes, conseguem alcançá-los. Para constatar os benefícios de tal reviravolta, tente identificar na academia os alunos recém-matriculados, os que se exercitam há seis meses e os que treinam há seis anos. Os novatos são facilmente reconhecíveis: além da roupa nova e dos tênis branquinhos, sobram gordurinhas e falta tônus muscular. Já quanto aos outros dois tipos, ganha um prato de salada quem conseguir notar a diferença. "Seja qual for a idade, quem pratica atividade física há seis meses se aproxima muito mais de quem se exercita há seis anos do que de quem ainda está abandonando o sedentarismo", diz Jacob Filho. Os benefícios proporcionados pelos hábitos saudáveis não demoram a ser sentidos – e notados. Com a palavra, Roizen: "Em geral, num prazo que não ultrapassa três semanas, você passa a se sentir melhor. E, em três meses, já percebe que tem mais energia". Essa é a sensação que, segundo ele, resulta do controle sobre o destino de nossa saúde.
O grau de domínio que temos sobre nosso organismo está estampado em nossa aparência – e não apenas em nossas células, fibras musculares, neurônios ou hormônios. "A aparência física é o espelho do autocuidado", define o médico Renato Maia Guimarães, presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria. Obviamente não se trata aqui de uma avaliação de beleza. Devem-se desconsiderar também as intervenções feitas com o intuito de disfarçar a passagem do tempo, como as cirurgias plásticas ou as injeções de Botox. Uma pele sem viço e manchada, por exemplo, pode ser indício de que a pessoa abusa do cigarro, economiza no filtro solar ou não toma água em quantidade suficiente. Mas talvez o maior marcador de saúde, no campo das aparências, sejam os dentes. "Quem não cuida da saúde bucal não cuida de vários outros aspectos", diz Guimarães. Além da higiene inadequada, dentes amarelados e manchados podem significar excesso de nicotina ou de açúcar. Dentes muito pequenos podem ter sido desgastados em crises constantes de ansiedade. Gengivas vermelhas e inchadas podem indicar inflamações decorrentes de um quadro de diabetes malcuidado. Parafraseando o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), só os maus médicos não julgam pela aparência.
Embora os conhecimentos da medicina avancem a passos largos e se disseminem num ritmo ainda mais intenso, por que as pessoas têm tanta dificuldade de mudar seus hábitos de vida? "Um dos maiores obstáculos é o desconhecimento sobre o funcionamento do próprio organismo", diz o geriatra Ângelo Bós, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul. No livro Você: Manual do Proprietário, pelo menos a metade do conteúdo é dedicada a desvendar alguns dos mitos levados pelos pacientes aos consultórios de Roizen e Oz. A seguir, os mais comuns deles:
Você saberá quando o infarto estiver se aproximando
Cerca de 30% dos infartos são assintomáticos. Ou seja, não causam dor no peito, suor excessivo ou falta de fôlego. "A ausência de sintomas é comum entre os pacientes vítimas de um infarto de pequena proporção ou entre os diabéticos", explica o cardiologista Marcus Malachias. Nesse último caso, o excesso de glicose no sangue danifica os nervos, alterando sua capacidade de conduzir o estímulo da dor.
Uma artéria com 90% de obstrução é mais perigosa do que uma artéria com 50% de obstrução
O infarto não ocorre somente pelo entupimento arterial. Ele também pode ser causado pelo rompimento das placas de gordura. As placas menores têm consistência mais gelatinosa e, por isso, são mais propensas a se romper. Como são mais enrijecidas, as placas maiores oferecem menos perigo. A obstrução provocada pelo rompimento de uma placa pode acontecer a qualquer momento. A obstrução desencadeada pelo crescimento de placa, por sua vez, é gradual.
Quanto mais caros são os tratamentos dermatológicos, maior é o benefício para a pele do rosto
"Com 70 reais por mês, é possível manter a pele do rosto dez anos mais jovem", diz o dermatologista Adilson Costa, da PUC de Campinas. É o suficiente para comprar um produto composto de três ingredientes antienvelhecimento básicos: ácido retinoico, fator de proteção solar e substâncias hidratantes.
A desinformação sobre o funcionamento do próprio corpo, por mais estranho que pareça, começa na escola. O corpo humano é apresentado aos alunos por meio de explicações excessivamente teóricas e, não raro, superficiais. Tome-se como exemplo o que um estudante de 10 anos aprende nos livros didáticos sobre o coração: "O coração é um órgão oco. Dentro dele existem quatro cavidades, duas em cima e duas embaixo. É nessas cavidades que o sangue entra e sai quando é bombeado. As cavidades superiores são chamadas de átrios e as inferiores, de ventrículos...". Está correto, mas também é... desprovido de coração, por assim dizer. "A informação se torna interessante sobretudo se for relacionada a um contexto", afirma a bióloga Regina Pekelmann Markus, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. No caso do ensino do corpo humano, isso significa associar seus mecanismos à saúde, às doenças, a hábitos de vida. É de criança que se aprende a ficar velho.
sábado, 14 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Peladões da UnB...
Pelados na UnB por Geisy
UnB Alunos protestam em favor de Geisy
Correio Braziliense - 12/11/2009
Quase 200 pessoas foram à Reitoria pedir nota de apoio a José Geraldo e melhorias para o câmpus
Rodrigo Couto
Carlos Silva/Esp.CB/D.A Press
Parte dos manifestantes tira a roupa para apoiar a estudante da Uniban
Em solidariedade à estudante de turismo da Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo (SP), Geisy Arruda, 20 anos, hostilizada pelos colegas de faculdade por usar um microvestido cor-de-rosa em pleno câmpus no último da 22, quase 200 estudantes da Universidade de Brasília (UnB) fizeram ontem um protesto e divulgaram uma carta aberta repudiando a violência sofrida pela universitária. Com parte dos manifestantes sem roupa, o grupo percorreu os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC), mais conhecido como Minhocão, entrou no restaurante da instituição e rumou à Reitoria, onde ocupou a sala de apoio por quase três horas. Os objetivos da ação eram cobrar do reitor da UnB, José Geraldo de Sousa, uma nota pública em apoio a Geisy e melhorias no câmpus.
Entoando o grito de guerra “Geisy, estamos aqui para copiar o seu jeito de vestir”, alunos de diversos cursos, liderados pelo Centro Acadêmico de Sociologia, rejeitaram o ato de violência sofrido pela universitária paulista. “A atitude de julgar a estudante a partir da roupa que trajava se sustenta nos valores discriminatórios que integram a sociedade capitalista que vivemos, onde as representações sociais da mulher se baseiam numa ótica de subserviência masculina”, diz a nota, que também foi entregue a José Geraldo.
Um dos estudantes que ficou completamente nu foi Meryver Menelyk, 24 anos, do sexto semestre de filosofia. “O objetivo é chamar a atenção para o machismo da nossa sociedade, que não permite às mulheres se despirem em público”, explicou. Outro universitário supôs que os mesmos colegas que agrediram Geisy devem sair durante a noite e gostar de mulheres com roupas curtas. “Eles são hipócritas”, gritou.
Além do pedido de uma manifestação pública do reitor sobre o assunto, por considerá-lo importante para a quebra de paradigmas, os manifestantes também denunciaram que, assim como Geisy, inúmeras universitárias da UnB sofrem agressões machistas, inclusive estupro dentro do câmpus. Os alunos exigiram investimento na iluminação, a permanência dos alunos com filhos pequenos na Casa do Estudante e a criação de um centro de referência da mulher, além do levantamento de dados sobre mulheres violentadas.
Durante encontro com os estudantes, José Geraldo se comprometeu a emitir uma nota em apoio a Geisy e a atender as reivindicações dos universitários. Uma das exigências para o encontro era que os alunos vestissem suas roupas. A reunião foi encerrada de forma repentina depois que a estudante Vânia Silva, 25 anos, do 10º semestre de pedagogia, tirou a camisa e deixou os seios à mostra. “O reitor não entendeu nosso movimento”, criticou. Na próxima quarta-feira os universitários realizam um grande beijaço no ICC. “Vai ser homem com homem, mulher com mulher e homem com mulher”, anunciou um aluno pelo megafone.
UnB Alunos protestam em favor de Geisy
Correio Braziliense - 12/11/2009
Quase 200 pessoas foram à Reitoria pedir nota de apoio a José Geraldo e melhorias para o câmpus
Rodrigo Couto
Carlos Silva/Esp.CB/D.A Press
Parte dos manifestantes tira a roupa para apoiar a estudante da Uniban
Em solidariedade à estudante de turismo da Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo (SP), Geisy Arruda, 20 anos, hostilizada pelos colegas de faculdade por usar um microvestido cor-de-rosa em pleno câmpus no último da 22, quase 200 estudantes da Universidade de Brasília (UnB) fizeram ontem um protesto e divulgaram uma carta aberta repudiando a violência sofrida pela universitária. Com parte dos manifestantes sem roupa, o grupo percorreu os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC), mais conhecido como Minhocão, entrou no restaurante da instituição e rumou à Reitoria, onde ocupou a sala de apoio por quase três horas. Os objetivos da ação eram cobrar do reitor da UnB, José Geraldo de Sousa, uma nota pública em apoio a Geisy e melhorias no câmpus.
Entoando o grito de guerra “Geisy, estamos aqui para copiar o seu jeito de vestir”, alunos de diversos cursos, liderados pelo Centro Acadêmico de Sociologia, rejeitaram o ato de violência sofrido pela universitária paulista. “A atitude de julgar a estudante a partir da roupa que trajava se sustenta nos valores discriminatórios que integram a sociedade capitalista que vivemos, onde as representações sociais da mulher se baseiam numa ótica de subserviência masculina”, diz a nota, que também foi entregue a José Geraldo.
Um dos estudantes que ficou completamente nu foi Meryver Menelyk, 24 anos, do sexto semestre de filosofia. “O objetivo é chamar a atenção para o machismo da nossa sociedade, que não permite às mulheres se despirem em público”, explicou. Outro universitário supôs que os mesmos colegas que agrediram Geisy devem sair durante a noite e gostar de mulheres com roupas curtas. “Eles são hipócritas”, gritou.
Além do pedido de uma manifestação pública do reitor sobre o assunto, por considerá-lo importante para a quebra de paradigmas, os manifestantes também denunciaram que, assim como Geisy, inúmeras universitárias da UnB sofrem agressões machistas, inclusive estupro dentro do câmpus. Os alunos exigiram investimento na iluminação, a permanência dos alunos com filhos pequenos na Casa do Estudante e a criação de um centro de referência da mulher, além do levantamento de dados sobre mulheres violentadas.
Durante encontro com os estudantes, José Geraldo se comprometeu a emitir uma nota em apoio a Geisy e a atender as reivindicações dos universitários. Uma das exigências para o encontro era que os alunos vestissem suas roupas. A reunião foi encerrada de forma repentina depois que a estudante Vânia Silva, 25 anos, do 10º semestre de pedagogia, tirou a camisa e deixou os seios à mostra. “O reitor não entendeu nosso movimento”, criticou. Na próxima quarta-feira os universitários realizam um grande beijaço no ICC. “Vai ser homem com homem, mulher com mulher e homem com mulher”, anunciou um aluno pelo megafone.
Vale a reflexão...
Euforia com Brasil é "injustificável", diz ex-economista do Banco Mundial
Autor(es): Daniel Rittner
Valor Econômico - 12/11/2009
O clima de euforia com o Brasil é "totalmente injustificado" e o país tem poucas chances de tornar-se uma potência econômica. A avaliação foi feita ontem pelo professor da Universidade da Califórnia (UCLA) e ex-economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, Sebastian Edwards, durante um seminário em Buenos Aires. "O entusiasmo dos investidores reflete uma percepção de curto prazo, mas o Brasil não manterá esse desempenho sem uma revolução produtiva e de inovação. E, sinceramente, não vejo nem Dilma Rousseff nem José Serra com capacidade política de liderar esse processo", comentou Edwards.
O economista se diz preocupado com o reflexo do real forte para as contas externas brasileiras, mas sua principal ressalva é sobre o médio e longo prazos no Brasil. "A dinâmica do crescimento econômico não tem mistério, qualquer estudante pode entender. É o resultado de maior produtividade e de inovação. No Brasil, a qualidade da educação é deplorável e os obstáculos burocráticos aos investimentos ainda são enormes."
A desconfiança de Edwards contrastou com o otimismo, pelo menos no curto prazo, do economista-chefe do Citigroup para a América Latina, Alberto Ades. Ele projeta expansão de 5% para a economia brasileira em 2010, inflação de 4% e superávit comercial de US$ 14 bilhões. Ao contrário de muitos de seus colegas, Ades não vê problemas cambiais e sustenta que o "ponto de equilíbrio" do real é entre R$ 1,55 a R$ 1,60 por dólar.
"Mesmo com um crescimento forte, o déficit em conta corrente não deverá ultrapassar 2,2% do PIB, o que não é muito", disse o economista do Citi, que participou da conferência anual da Federação de Investigações Econômicas Latino-Americanas (Fiel).
Ades prevê um suave aumento da inflação nos países latino-americanos a partir do segundo trimestre de 2010, como reflexo do afrouxamento monetário e da expansão econômica, e acredita que os bancos centrais responderão com aumentos das taxas de juros na região. Países como Peru, México e Colômbia deverão subir os juros. No Chile, ele estima alta de três pontos percentuais. No Brasil, aposta em pelo menos dois pontos percentuais. "A inflação será o grande desafio para os bancos centrais da região porque aumentará ainda mais a diferença entre as suas taxas de juros e os juros dos países ricos", disse Ades.
Para ele, o problema não será o freio da atividade econômica com o aperto monetário, mas o aumento das operações de "carry trade", colocando ainda mais pressão nas moedas sul-americanas, principalmente no real e no peso chileno. Para o fim de 2010, ele vê o dólar a R$ 1,65.
Autor(es): Daniel Rittner
Valor Econômico - 12/11/2009
O clima de euforia com o Brasil é "totalmente injustificado" e o país tem poucas chances de tornar-se uma potência econômica. A avaliação foi feita ontem pelo professor da Universidade da Califórnia (UCLA) e ex-economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, Sebastian Edwards, durante um seminário em Buenos Aires. "O entusiasmo dos investidores reflete uma percepção de curto prazo, mas o Brasil não manterá esse desempenho sem uma revolução produtiva e de inovação. E, sinceramente, não vejo nem Dilma Rousseff nem José Serra com capacidade política de liderar esse processo", comentou Edwards.
O economista se diz preocupado com o reflexo do real forte para as contas externas brasileiras, mas sua principal ressalva é sobre o médio e longo prazos no Brasil. "A dinâmica do crescimento econômico não tem mistério, qualquer estudante pode entender. É o resultado de maior produtividade e de inovação. No Brasil, a qualidade da educação é deplorável e os obstáculos burocráticos aos investimentos ainda são enormes."
A desconfiança de Edwards contrastou com o otimismo, pelo menos no curto prazo, do economista-chefe do Citigroup para a América Latina, Alberto Ades. Ele projeta expansão de 5% para a economia brasileira em 2010, inflação de 4% e superávit comercial de US$ 14 bilhões. Ao contrário de muitos de seus colegas, Ades não vê problemas cambiais e sustenta que o "ponto de equilíbrio" do real é entre R$ 1,55 a R$ 1,60 por dólar.
"Mesmo com um crescimento forte, o déficit em conta corrente não deverá ultrapassar 2,2% do PIB, o que não é muito", disse o economista do Citi, que participou da conferência anual da Federação de Investigações Econômicas Latino-Americanas (Fiel).
Ades prevê um suave aumento da inflação nos países latino-americanos a partir do segundo trimestre de 2010, como reflexo do afrouxamento monetário e da expansão econômica, e acredita que os bancos centrais responderão com aumentos das taxas de juros na região. Países como Peru, México e Colômbia deverão subir os juros. No Chile, ele estima alta de três pontos percentuais. No Brasil, aposta em pelo menos dois pontos percentuais. "A inflação será o grande desafio para os bancos centrais da região porque aumentará ainda mais a diferença entre as suas taxas de juros e os juros dos países ricos", disse Ades.
Para ele, o problema não será o freio da atividade econômica com o aperto monetário, mas o aumento das operações de "carry trade", colocando ainda mais pressão nas moedas sul-americanas, principalmente no real e no peso chileno. Para o fim de 2010, ele vê o dólar a R$ 1,65.
O custo da Hora extra
Olha o que dá ficar fazendo hora-extra depois do expediente. Em dia de apagão, corre o risco de ficar fora de casa, não conseguir voltar para o lar etc...
Castigo maior ficou com quem trabalhava após fim do expediente
Autor(es): João Villaverde e Claudia Fachini
Valor Econômico - 12/11/2009
O blecaute depois das 22h atrapalhou aqueles que trabalhavam depois do expediente para antecipar eventos do dia seguinte. "Estava preparando o estande de minha empresa para o salão do imóvel, que começou hoje [ontem]. Trabalhei com a luz de emergência até o início da madrugada para fechar tudo. Fui para casa e lá tive de subir as escadas, porque moro em apartamento. Quando cheguei na sala, por volta das 2h da manhã, a luz voltou. Foi um tanto cruel", afirma Lucas Izoton, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Todos os 78 municípios do Estado de Espírito Santo foram atingidos pelo apagão de cinco horas ocorrido na noite de terça-feira. Segundo dados da Findes, são pouco mais de 13 mil indústrias, que sustentam quase 700 mil empregos, sendo 180 mil diretos - a indústria representa, ao todo, cerca de 34% do PIB. Cerca de 70% da indústria capixaba, no entanto, está concentrada na Grande Vitória. "Não tivemos praticamente impacto econômico nenhum com o apagão. Depois das 22h apenas as empresas que trabalham com terceiro turno ainda estavam operando. Mas apenas 3% das companhias capixabas estão com esse ritmo de trabalho neste momento e, até por isso, contam com geradores próprios", diz Izoton. Para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), "se o blecaute ocorresse em horário de pico seria uma loucura, mas à noite, especialmente depois das 22h, o movimento é bem menor."
Em plena safra de divulgação dos balanços contábeis do terceiro trimestre, o apagão tornou mais difícil o trabalho das equipes dos departamentos financeiros e de relações com investidores, que tiveram de preparar às escuras os relatórios e apresentações para os analistas de investimentos. Foi o caso da Multiplan, maior rede de shopping centers do país em faturamento, que divulgou suas demonstrações financeiras e realizou ontem sua teleconferência com analistas do mercado de ações. "Muitas pessoas ainda estavam à noite no escritório, preparando as apresentações", afirma Armando D´Almeida Neto, diretor-financeiro do grupo. Mas os shoppings da companhia, como o BarraShopping, no Rio, não foram afetados - os estabelecimentos são abastecidos por geradores e funcionaram normalmente durante o apagão. O Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour informaram que as suas lojas também contam com geradores.
Castigo maior ficou com quem trabalhava após fim do expediente
Autor(es): João Villaverde e Claudia Fachini
Valor Econômico - 12/11/2009
O blecaute depois das 22h atrapalhou aqueles que trabalhavam depois do expediente para antecipar eventos do dia seguinte. "Estava preparando o estande de minha empresa para o salão do imóvel, que começou hoje [ontem]. Trabalhei com a luz de emergência até o início da madrugada para fechar tudo. Fui para casa e lá tive de subir as escadas, porque moro em apartamento. Quando cheguei na sala, por volta das 2h da manhã, a luz voltou. Foi um tanto cruel", afirma Lucas Izoton, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Todos os 78 municípios do Estado de Espírito Santo foram atingidos pelo apagão de cinco horas ocorrido na noite de terça-feira. Segundo dados da Findes, são pouco mais de 13 mil indústrias, que sustentam quase 700 mil empregos, sendo 180 mil diretos - a indústria representa, ao todo, cerca de 34% do PIB. Cerca de 70% da indústria capixaba, no entanto, está concentrada na Grande Vitória. "Não tivemos praticamente impacto econômico nenhum com o apagão. Depois das 22h apenas as empresas que trabalham com terceiro turno ainda estavam operando. Mas apenas 3% das companhias capixabas estão com esse ritmo de trabalho neste momento e, até por isso, contam com geradores próprios", diz Izoton. Para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), "se o blecaute ocorresse em horário de pico seria uma loucura, mas à noite, especialmente depois das 22h, o movimento é bem menor."
Em plena safra de divulgação dos balanços contábeis do terceiro trimestre, o apagão tornou mais difícil o trabalho das equipes dos departamentos financeiros e de relações com investidores, que tiveram de preparar às escuras os relatórios e apresentações para os analistas de investimentos. Foi o caso da Multiplan, maior rede de shopping centers do país em faturamento, que divulgou suas demonstrações financeiras e realizou ontem sua teleconferência com analistas do mercado de ações. "Muitas pessoas ainda estavam à noite no escritório, preparando as apresentações", afirma Armando D´Almeida Neto, diretor-financeiro do grupo. Mas os shoppings da companhia, como o BarraShopping, no Rio, não foram afetados - os estabelecimentos são abastecidos por geradores e funcionaram normalmente durante o apagão. O Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour informaram que as suas lojas também contam com geradores.
Dilma é prioridade...
Lula tenta blindar Dilma e marcar diferença com 2001
Autor(es): Gerson Camarotti, Chico de Gois e Cristiane Jungblut
O Globo - 12/11/2009
Apagão caiu como uma bomba no Planalto, que teme efeitos na pré-candidatura da ministra, que já chefiou setor
BRASÍLIA. O apagão de terçafeira à noite e madrugada de ontem caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. Irritado e, ao mesmo tempo, preocupado em blindar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, contra ataques da oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou providências imediatas para que esse tipo de problema não se repita. A integrantes do governo e líderes da base aliada no Congresso, Lula deu a seguinte orientação: é preciso explicitar bem as diferenças entre o blecaute de 2001, que desgastou a administração tucana de Fernando Henrique, e o de agora.
O presidente fez questão de exercer esse papel. Em entrevista após almoço com o presidente de Israel, Shimon Peres, no Itamaraty, Lula descartou que o apagão tivesse ocorrido devido a problemas na geração de energia ou por falta de investimentos.
Ele afirmou que, em sete anos de seu governo, foram feitos 30% de todas as instalações de linhas de transmissão de energia no país em relação a 123 anos de História.
— É importante que a gente não faça nenhuma tese, mas sim que constate o fato. E, com o fato, a gente possa melhor informar à sociedade brasileira. O que aconteceu em 2001 era que a gente não produzia energia suficiente e não tinha linha de transmissão para interligar todo o sistema elétrico brasileiro — disse Lula. — Portanto, fizemos não apenas um forte investimento no setor de transmissão de energia, como um forte investimento na modernização do sistema energético.
Lula disse que não arriscaria, naquele momento, um palpite sobre as causas do apagão: — Também não quero culpar ninguém antecipadamente. Não vou chutar nesse assunto.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do governo admitiram que a repercussão do episódio foi extremamente negativa, já que explicitou uma falha grave do sistema interligado. Um ministro chegou a comentar ontem que, se o apagão tivesse ocorrido no período eleitoral, seria um desastre para Dilma.
Houve um cuidado especial em blindar a ministra. O Planalto identificou que a oposição começaria a usar o apagão para atingi-la, principalmente porque ela foi ministra de Minas e Energia, é a arquiteta do novo marco regulatório do setor e, até hoje, tem grande influência na área.
Na estratégia de Lula, segundo interlocutores, a ideia é rechaçar até o uso da palavra apagão, afirmando sempre que foi um blecaute e que nada tem a ver com as condições do apagão ocorrido na era FH.
— Não houve problema de apagão, e sim um problema técnico menor, que foi resolvido imediatamente. Em quatro horas, a energia estava retomada.
Isso é bem diferente do racionamento de 2001. Se a oposição tentar comparar as duas situações, será um grande equívoco — disse o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), que estava em reunião com Lula para discutir o pré-sal na hora em que houve o apagão.
O ministro Lobão ainda teve que contornar um problema político, já que houve irritação de peemedebistas com declarações de assessores de Itaipu repassando a culpa a Furnas, controlada pelo partido.
Parlamentares aliados afirmaram que, se a causa do apagão for um problema estrutural, haverá custo político. Se foi um acidente, o governo conseguirá proteger Dilma.
Segundo um interlocutor do presidente, horas antes da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, Lula foi enfático: se houvesse culpados, que estes fossem apontados.
— O presidente pediu nome e sobrenome. Disse que não admitia o fato de ninguém saber exatamente em que local houve o bloqueio.
Presidente estava reunido com Cabral e Hartung Lula ficou sabendo do apagão durante uma reunião com os governadores do Rio e do Espírito Santo, Sérgio Cabral e Paulo Hartung. Ele cobrou explicações de Lobão, presente ao encontro. O ministro fez ligações e, após cinco minutos, disse que questões meteorológicas haviam interferido na linha de transmissão de Itaipu.
— Quero mais informações.
Quero saber os detalhes — cobrou Lula.
Antes de deixar o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência, ele voltou a deixar todos em alerta: — Telefonem para mim a qualquer hora
Autor(es): Gerson Camarotti, Chico de Gois e Cristiane Jungblut
O Globo - 12/11/2009
Apagão caiu como uma bomba no Planalto, que teme efeitos na pré-candidatura da ministra, que já chefiou setor
BRASÍLIA. O apagão de terçafeira à noite e madrugada de ontem caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. Irritado e, ao mesmo tempo, preocupado em blindar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, contra ataques da oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou providências imediatas para que esse tipo de problema não se repita. A integrantes do governo e líderes da base aliada no Congresso, Lula deu a seguinte orientação: é preciso explicitar bem as diferenças entre o blecaute de 2001, que desgastou a administração tucana de Fernando Henrique, e o de agora.
O presidente fez questão de exercer esse papel. Em entrevista após almoço com o presidente de Israel, Shimon Peres, no Itamaraty, Lula descartou que o apagão tivesse ocorrido devido a problemas na geração de energia ou por falta de investimentos.
Ele afirmou que, em sete anos de seu governo, foram feitos 30% de todas as instalações de linhas de transmissão de energia no país em relação a 123 anos de História.
— É importante que a gente não faça nenhuma tese, mas sim que constate o fato. E, com o fato, a gente possa melhor informar à sociedade brasileira. O que aconteceu em 2001 era que a gente não produzia energia suficiente e não tinha linha de transmissão para interligar todo o sistema elétrico brasileiro — disse Lula. — Portanto, fizemos não apenas um forte investimento no setor de transmissão de energia, como um forte investimento na modernização do sistema energético.
Lula disse que não arriscaria, naquele momento, um palpite sobre as causas do apagão: — Também não quero culpar ninguém antecipadamente. Não vou chutar nesse assunto.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do governo admitiram que a repercussão do episódio foi extremamente negativa, já que explicitou uma falha grave do sistema interligado. Um ministro chegou a comentar ontem que, se o apagão tivesse ocorrido no período eleitoral, seria um desastre para Dilma.
Houve um cuidado especial em blindar a ministra. O Planalto identificou que a oposição começaria a usar o apagão para atingi-la, principalmente porque ela foi ministra de Minas e Energia, é a arquiteta do novo marco regulatório do setor e, até hoje, tem grande influência na área.
Na estratégia de Lula, segundo interlocutores, a ideia é rechaçar até o uso da palavra apagão, afirmando sempre que foi um blecaute e que nada tem a ver com as condições do apagão ocorrido na era FH.
— Não houve problema de apagão, e sim um problema técnico menor, que foi resolvido imediatamente. Em quatro horas, a energia estava retomada.
Isso é bem diferente do racionamento de 2001. Se a oposição tentar comparar as duas situações, será um grande equívoco — disse o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), que estava em reunião com Lula para discutir o pré-sal na hora em que houve o apagão.
O ministro Lobão ainda teve que contornar um problema político, já que houve irritação de peemedebistas com declarações de assessores de Itaipu repassando a culpa a Furnas, controlada pelo partido.
Parlamentares aliados afirmaram que, se a causa do apagão for um problema estrutural, haverá custo político. Se foi um acidente, o governo conseguirá proteger Dilma.
Segundo um interlocutor do presidente, horas antes da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, Lula foi enfático: se houvesse culpados, que estes fossem apontados.
— O presidente pediu nome e sobrenome. Disse que não admitia o fato de ninguém saber exatamente em que local houve o bloqueio.
Presidente estava reunido com Cabral e Hartung Lula ficou sabendo do apagão durante uma reunião com os governadores do Rio e do Espírito Santo, Sérgio Cabral e Paulo Hartung. Ele cobrou explicações de Lobão, presente ao encontro. O ministro fez ligações e, após cinco minutos, disse que questões meteorológicas haviam interferido na linha de transmissão de Itaipu.
— Quero mais informações.
Quero saber os detalhes — cobrou Lula.
Antes de deixar o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência, ele voltou a deixar todos em alerta: — Telefonem para mim a qualquer hora
O tempo nem tava tão ruim assim...
Inpe desmente a versão de Lobão
Tempo ruim na transmissão
Autor(es): Gustavo Paul, Mônica Tavares e Adauri Antunes Barbosa
O Globo - 12/11/2009
Ministro Lobão diz que conjunção de fatores climáticos anormais causou apagão
Chuvas, raios e ventos foram as causas do apagão que deixou às escuras — em alguns casos por mais de quatro horas, entre a noite de terça-feira e a madrugada de ontem — 18 estados brasileiros, afetou 45% do consumo de energia do país e colocou em ponto morto, pela primeira vez em 25 anos, todas as turbinas da maior hidrelétrica do mundo, Itaipu. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, alegou uma conjunção desses fatores, em escala acima do normal, como responsável pelo curto circuito em três linhas de transmissão que ligam Itaipu, no Paraná, à subestação de Itaberá, em São Paulo.
Esse evento desencadeou uma reação em cadeia no sistema elétrico, que desligou 15 outras linhas de transmissão.
Lobão participou de uma reunião com a cúpula do setor elétrico ontem para buscar as explicações para o maior blecaute brasileiro nos últimos dez anos. Para os presentes na reunião, o incidente poderia ter sido pior, atingindo maiores proporções e apagando todo o país. É o que diz o diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, que admitiu não haver garantias de que o problema não possa ocorrer de novo. Segundo especialistas, o sistema não é invulnerável.
— É pouco provável, já que esse tipo de evento não ocorre comumente, mas não há como dizer que isso não irá se repetir — disse Barata.
Segundo Lobão, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que houve uma concentração muito grande de efeitos meteorológicos na região naquele momento: — O Brasil é o país onde há maior concentração destes fenômenos.
Ele insistiu que o sistema brasileiro é robusto e que não haverá novos problemas.
Armado com uma tabela de outros apagões ocorridos no mundo, o ministro disse que o caso brasileiro não é fato um isolado, e que o sistema nacional se destacou pela agilidade. Ele citou apagões ocorridos em 2003 na Costa Leste dos EUA e no Canadá, quando a energia só foi recomposta em quatro dias, e na Itália, quando as luzes se apagaram por 24 horas: — O sistema brasileiro é muito bom, não é frágil e conseguiu se recompor rapidamente.
O governo descartou outras possibilidades para o apagão, particularmente um ataque de hackers.
— Estamos dizendo exatamente o que aconteceu — afirmou Lobão.
O desligamento de três linhas de transmissão de Itaipu desencadearam problemas em cascata. Para evitar que o problema se espraiasse e equipamentos fossem danificados em todo o país, o sistema elétrico desligou automaticamente as outras duas linhas de transmissão de Itaipu. Depois, foram caindo as linhas que ligam a subestação de Tijuco Preto (SP) à capital paulista e, de lá, as linhas para o Rio e o Espírito Santo. No mesmo instante, as usinas hidrelétricas paulistas foram apagadas. As últimas a sofrerem consequências foram as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.
Esse efeito dominó foi a razão para que o Rio de Janeiro fosse o estado mais afetado pelo apagão.
— O Rio está na ponta do sistema — disse Barata, do ONS.
Ontem à noite, a operação das duas usinas estava voltando ao normal. Segundo o ONS também estão ligadas as termelétricas Termorio, Norte Fluminense e Leonel Brizola. As três foram desligadas ontem após a hora de pico.
Essas térmicas não foram acionadas no momento da crise, pois o governo achou que o problema teria solução rápida. Uma térmica leva cerca de quatro horas para ser ligada. O blecaute no Sistema Interligado Nacional teve início às 22h13m e causou o apagão total em quatro estados e parcial em outros 14. Ao todo, deixaram de ser gerados 28,8 mil MW de energia, ou 45% da energia demandada na hora.
Inpe: possibilidade de raio é remota
As panes ocorreram no sistema que liga a cidade de Ivaiporã, no centro do Paraná, a Itaberá, no sul de São Paulo, e em uma subestação que liga a Subestação de Itaberá a Subestação de Tijuco Preto, em São Paulo. Sem o funcionamento das cinco linhas de transmissão de Itaipu, as 18 turbinas da usina deixaram de gerar 12 mil MW.
A energia foi totalmente restabelecida uma hora após o início do blecaute, exceto nos estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio e São Paulo, o que ocorreu só ao longo da madrugada. Sem estatísticas e dados detalhados sobre o apagão, Lobão não perdeu a oportunidade de criticar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, salientando que o apagão de ontem é menor do que o ocorrido no governo passado: — Em 1999, desligou-se 70% da energia. Em 2002, foi 60% e agora apenas 40%. Nenhum governo fez tanto em investimento como o atual.
Apontada pelo Ministério das MInas e Energia como o epicentro do apagão elétrico, a pequena cidade de Itaberá (a 320 quilômetros ao Sul de São Paulo), permaneceu iluminada na terça-feira à noite, no momento do blecaute, segundo seu prefeito, Walter Sergio de Souza Almeida (DEM): — Eu nem sabia que o ocorrido tinha a ver com Itaberá. Aqui choveu à noite, mas não faltou luz e só aconteceu uma pequena falha.
Análise de técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sugere que são mínimas as possibilidades de um raio ter sido a causa do apagão.
“Embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itaberá, com atividade de descargas no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 quilômetros da subestação de Itaberá e a cerca de 10 quilômetros de uma das linhas de Furnas de 750 kV e cerca de 2 quilômetros de uma das linhas de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo”, informa nota do Inpe.
Segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, o apagão foi o segundo maior do país.
— Tudo indica que houve uma pane elétrica do sistema — disse. — Não significa que ele seja obsoleto ou que precise urgentemente de manutenção
Tempo ruim na transmissão
Autor(es): Gustavo Paul, Mônica Tavares e Adauri Antunes Barbosa
O Globo - 12/11/2009
Ministro Lobão diz que conjunção de fatores climáticos anormais causou apagão
Chuvas, raios e ventos foram as causas do apagão que deixou às escuras — em alguns casos por mais de quatro horas, entre a noite de terça-feira e a madrugada de ontem — 18 estados brasileiros, afetou 45% do consumo de energia do país e colocou em ponto morto, pela primeira vez em 25 anos, todas as turbinas da maior hidrelétrica do mundo, Itaipu. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, alegou uma conjunção desses fatores, em escala acima do normal, como responsável pelo curto circuito em três linhas de transmissão que ligam Itaipu, no Paraná, à subestação de Itaberá, em São Paulo.
Esse evento desencadeou uma reação em cadeia no sistema elétrico, que desligou 15 outras linhas de transmissão.
Lobão participou de uma reunião com a cúpula do setor elétrico ontem para buscar as explicações para o maior blecaute brasileiro nos últimos dez anos. Para os presentes na reunião, o incidente poderia ter sido pior, atingindo maiores proporções e apagando todo o país. É o que diz o diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, que admitiu não haver garantias de que o problema não possa ocorrer de novo. Segundo especialistas, o sistema não é invulnerável.
— É pouco provável, já que esse tipo de evento não ocorre comumente, mas não há como dizer que isso não irá se repetir — disse Barata.
Segundo Lobão, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que houve uma concentração muito grande de efeitos meteorológicos na região naquele momento: — O Brasil é o país onde há maior concentração destes fenômenos.
Ele insistiu que o sistema brasileiro é robusto e que não haverá novos problemas.
Armado com uma tabela de outros apagões ocorridos no mundo, o ministro disse que o caso brasileiro não é fato um isolado, e que o sistema nacional se destacou pela agilidade. Ele citou apagões ocorridos em 2003 na Costa Leste dos EUA e no Canadá, quando a energia só foi recomposta em quatro dias, e na Itália, quando as luzes se apagaram por 24 horas: — O sistema brasileiro é muito bom, não é frágil e conseguiu se recompor rapidamente.
O governo descartou outras possibilidades para o apagão, particularmente um ataque de hackers.
— Estamos dizendo exatamente o que aconteceu — afirmou Lobão.
O desligamento de três linhas de transmissão de Itaipu desencadearam problemas em cascata. Para evitar que o problema se espraiasse e equipamentos fossem danificados em todo o país, o sistema elétrico desligou automaticamente as outras duas linhas de transmissão de Itaipu. Depois, foram caindo as linhas que ligam a subestação de Tijuco Preto (SP) à capital paulista e, de lá, as linhas para o Rio e o Espírito Santo. No mesmo instante, as usinas hidrelétricas paulistas foram apagadas. As últimas a sofrerem consequências foram as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.
Esse efeito dominó foi a razão para que o Rio de Janeiro fosse o estado mais afetado pelo apagão.
— O Rio está na ponta do sistema — disse Barata, do ONS.
Ontem à noite, a operação das duas usinas estava voltando ao normal. Segundo o ONS também estão ligadas as termelétricas Termorio, Norte Fluminense e Leonel Brizola. As três foram desligadas ontem após a hora de pico.
Essas térmicas não foram acionadas no momento da crise, pois o governo achou que o problema teria solução rápida. Uma térmica leva cerca de quatro horas para ser ligada. O blecaute no Sistema Interligado Nacional teve início às 22h13m e causou o apagão total em quatro estados e parcial em outros 14. Ao todo, deixaram de ser gerados 28,8 mil MW de energia, ou 45% da energia demandada na hora.
Inpe: possibilidade de raio é remota
As panes ocorreram no sistema que liga a cidade de Ivaiporã, no centro do Paraná, a Itaberá, no sul de São Paulo, e em uma subestação que liga a Subestação de Itaberá a Subestação de Tijuco Preto, em São Paulo. Sem o funcionamento das cinco linhas de transmissão de Itaipu, as 18 turbinas da usina deixaram de gerar 12 mil MW.
A energia foi totalmente restabelecida uma hora após o início do blecaute, exceto nos estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio e São Paulo, o que ocorreu só ao longo da madrugada. Sem estatísticas e dados detalhados sobre o apagão, Lobão não perdeu a oportunidade de criticar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, salientando que o apagão de ontem é menor do que o ocorrido no governo passado: — Em 1999, desligou-se 70% da energia. Em 2002, foi 60% e agora apenas 40%. Nenhum governo fez tanto em investimento como o atual.
Apontada pelo Ministério das MInas e Energia como o epicentro do apagão elétrico, a pequena cidade de Itaberá (a 320 quilômetros ao Sul de São Paulo), permaneceu iluminada na terça-feira à noite, no momento do blecaute, segundo seu prefeito, Walter Sergio de Souza Almeida (DEM): — Eu nem sabia que o ocorrido tinha a ver com Itaberá. Aqui choveu à noite, mas não faltou luz e só aconteceu uma pequena falha.
Análise de técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sugere que são mínimas as possibilidades de um raio ter sido a causa do apagão.
“Embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itaberá, com atividade de descargas no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 quilômetros da subestação de Itaberá e a cerca de 10 quilômetros de uma das linhas de Furnas de 750 kV e cerca de 2 quilômetros de uma das linhas de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo”, informa nota do Inpe.
Segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, o apagão foi o segundo maior do país.
— Tudo indica que houve uma pane elétrica do sistema — disse. — Não significa que ele seja obsoleto ou que precise urgentemente de manutenção
Disse-me-disse também irritou lula...
Desencontro de versões irrita Lula e abre disputa
Busca por causas põe ministros em contradição e irrita Lula
Autor(es): Leonardo Goy e Vera Rosa
O Estado de S. Paulo - 12/11/2009
Pela manhã, não havia consenso sequer sobre número de linhas que sofreram pane
Irritado com versões desencontradas sobre o apagão que deixou mais da metade do País às escuras, na noite de terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou da equipe informações consistentes e unificadas sobre o episódio. "Parem de falar besteira sobre coisas que vocês não sabem", esbravejou ele logo pela manhã, de acordo com relato de ministros, ao ouvir diferentes opiniões sobre as causas do blecaute. "Não quero meias explicações nem dados parciais."
O presidente disse a auxiliares que o conflito de versões acabava ajudando a oposição a elaborar "teses" contra o governo. "Não falem nada antes de ter certeza", insistiu. A ordem foi transmitida ao comando nacional do PT, que estava reunido em Brasília, com o objetivo de traçar diretrizes para a campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência, em 2010.
Lula ficou particularmente irritado com a explicação do presidente da Itaipu, Jorge Samek, de que "um tufãozinho" poderia ter derrubado torres de transmissão. Embora muitas autoridades adotassem o argumento dos "incidentes meteorológicos" para justificar a queda de mais de 50% da demanda de energia, não havia consenso sobre o número de linhas de transmissão que teriam sofrido pane, causando efeito dominó no sistema elétrico.
Foram muitas as informações contraditórias. Por voltas das 14 horas, ao fim de uma solenidade no Itamaraty, Lula admitiu que não sabia o que havia provocado o apagão. "Duas coisas estão certas: não faltou geração de energia e o problema não foi de falta de linha para interligar", afirmou ele, evitando qualquer relação do apagão de ontem com o do governo Fernando Henrique Cardoso (veja as comparações na página ao lado).
Na época, Lula chegou a dizer que a gestão de FHC havia sofrido um "apagão do planejamento". "O que aconteceu em 2001 foi que a gente não produzia energia suficiente, não tinha linha de transmissão para interligar o sistema. Nós fizemos não apenas forte investimento no setor de energia como forte investimento na modernização do sistema energético brasileiro", afirmou ontem o presidente.
Logo cedo, enquanto o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, garantia que o blecaute teria sido causado pelo desligamento de três linhas de transmissão que transportam energia da hidrelétrica de Itaipu para o sistema nacional, o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, ia em outra direção. Muniz dizia que a pane havia derrubado as cinco linhas que levam para São Paulo a energia gerada na hidrelétrica. A explicação foi compartilhada por Samek, presidente de Itaipu. "Já tivemos problemas em uma ou duas linhas, mas nunca nas cinco ao mesmo tempo", disse o executivo-chefe da usina.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também integra o Conselho de Itaipu, foi um dos primeiros a expor a contradição da versão da queda de linhas de transmissão. "Se a linha tivesse sido danificada por um temporal, a energia não teria voltado às 5 horas", observou Bernardo. Detalhe: as linhas com problemas causados por temporais ligam Ivaiporã (PR), Itaberá (SP) e Tijuco Preto (SP), mas a cidade de Itaberá, centro dos "incidentes meteorológicos", não teve apagão. COLABORARAM RENATO ANDRADE, TÂNIA MONTEIRO, LEONENCIO NOSSA, VANNILDO MENDES, RENATA VERÍSSIMO E GERUSA MARQUES
Busca por causas põe ministros em contradição e irrita Lula
Autor(es): Leonardo Goy e Vera Rosa
O Estado de S. Paulo - 12/11/2009
Pela manhã, não havia consenso sequer sobre número de linhas que sofreram pane
Irritado com versões desencontradas sobre o apagão que deixou mais da metade do País às escuras, na noite de terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou da equipe informações consistentes e unificadas sobre o episódio. "Parem de falar besteira sobre coisas que vocês não sabem", esbravejou ele logo pela manhã, de acordo com relato de ministros, ao ouvir diferentes opiniões sobre as causas do blecaute. "Não quero meias explicações nem dados parciais."
O presidente disse a auxiliares que o conflito de versões acabava ajudando a oposição a elaborar "teses" contra o governo. "Não falem nada antes de ter certeza", insistiu. A ordem foi transmitida ao comando nacional do PT, que estava reunido em Brasília, com o objetivo de traçar diretrizes para a campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência, em 2010.
Lula ficou particularmente irritado com a explicação do presidente da Itaipu, Jorge Samek, de que "um tufãozinho" poderia ter derrubado torres de transmissão. Embora muitas autoridades adotassem o argumento dos "incidentes meteorológicos" para justificar a queda de mais de 50% da demanda de energia, não havia consenso sobre o número de linhas de transmissão que teriam sofrido pane, causando efeito dominó no sistema elétrico.
Foram muitas as informações contraditórias. Por voltas das 14 horas, ao fim de uma solenidade no Itamaraty, Lula admitiu que não sabia o que havia provocado o apagão. "Duas coisas estão certas: não faltou geração de energia e o problema não foi de falta de linha para interligar", afirmou ele, evitando qualquer relação do apagão de ontem com o do governo Fernando Henrique Cardoso (veja as comparações na página ao lado).
Na época, Lula chegou a dizer que a gestão de FHC havia sofrido um "apagão do planejamento". "O que aconteceu em 2001 foi que a gente não produzia energia suficiente, não tinha linha de transmissão para interligar o sistema. Nós fizemos não apenas forte investimento no setor de energia como forte investimento na modernização do sistema energético brasileiro", afirmou ontem o presidente.
Logo cedo, enquanto o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, garantia que o blecaute teria sido causado pelo desligamento de três linhas de transmissão que transportam energia da hidrelétrica de Itaipu para o sistema nacional, o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, ia em outra direção. Muniz dizia que a pane havia derrubado as cinco linhas que levam para São Paulo a energia gerada na hidrelétrica. A explicação foi compartilhada por Samek, presidente de Itaipu. "Já tivemos problemas em uma ou duas linhas, mas nunca nas cinco ao mesmo tempo", disse o executivo-chefe da usina.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também integra o Conselho de Itaipu, foi um dos primeiros a expor a contradição da versão da queda de linhas de transmissão. "Se a linha tivesse sido danificada por um temporal, a energia não teria voltado às 5 horas", observou Bernardo. Detalhe: as linhas com problemas causados por temporais ligam Ivaiporã (PR), Itaberá (SP) e Tijuco Preto (SP), mas a cidade de Itaberá, centro dos "incidentes meteorológicos", não teve apagão. COLABORARAM RENATO ANDRADE, TÂNIA MONTEIRO, LEONENCIO NOSSA, VANNILDO MENDES, RENATA VERÍSSIMO E GERUSA MARQUES
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