quinta-feira, 8 de julho de 2010

conto um conto

por katia maia
Costumava contar tudo. Para onde ia tinha a eterna mania de contar, contar, contar... Se subia uma escada, pegava-se contando os degraus. Quando entrava no carro, olhava logo a quilometragem para calcular a distância entre sua casa e o trabalho, entre sua casa e a casa da sua mãe, entre um ponto e outro. E fazia isso inúmeras vezes, com os mesmos percursos, trajetos, roteiros.

Contava quantas vezes a mensagem de preparo do café aparecia no visor da máquina da bebida enquanto preparava o seu espresso longo, curto, cappuccino, com leite, com chocolate e por aí vai.

Quando saía para fazer exercícios físicos, nem se fala! Contava os passos, os metros, os quilômetros. Marcava os pontos onde coincidia exatamente o primeiro quilômetro, o segundo, o terceiro. E assim caminhava a humanidade.

A vida era um tabuleiro de números, cálculos, perspectivas matemáticas. Adorava ver placas de carro e descobrir quais eram divisíveis por onze. Isso porque quando estava no ginásio (na sua época o sistema de ensino brasileiro dividia-se entre jardim, ginásio e segundo grau) que dizia que somando os números alternadamente e subtraindo do resultado a soma dos outros inter
calados, se o resultado desse zero ou onze, ali estava um divisível por onze.

Adorava essa fórmula porque aprendera, aplicara (inutilmente, está claro) e descobrira em seu primeiro vestibular que a sua obsessão pela regrinha tinha justamente caído em uma das questões que ela respondeu corretamente com muito orgulho, diga-se de passagem.
Pois bem, assim era a vida dela: contar... Contar... Contar. Contou as semanas, os dias, as horas para ter cada um dos seus dois filhos. Contou cada um de seus aniversários. Mas, antes, contou cada semana, cada mês de vida que desfrutava da companhia dos seus melhores projetos. Fez isso até que os dois tiveram mais dois e aí começou a contar também a vida dos netos.

Contou tanto, tudo e sempre, e sem parar que perdeu a conta do tempo e acabou
descontando o conto dos seus dias numa conta que num fecha nunca.

perdeu a noção.

por katia maia

Agora, a questão é: quem é mais humano do que o outro a ponto de justificar os erros em cima daqueles cometidos por outros.

A presidenciável petista Dilma Roussef assinou o seu programa de governo, vejam bem, o Programa de Governo, sem ler. Assim, como quem não quer nada, embarcando, num saguão de aeroporto, ou seja lá onde for, ela declarou que simplesmente lhe pediram para rubricar e ela rubricou. Todas as páginas! Ah bom!

Assinar sem ler, candidata, é um dos erros crassos de quem não tem muito compromisso com o que ‘endossa’. Eu tenho muito cuidado com o que eu assino porque sei que ao que eu disser ‘concordo’ com minha assinatura poderei sofrer conseqüências desastrosas na minha vida.

Agora, assinar um programa de governo, a toa... Bom isso aí vai ter conseqüência sobre quem? Ah, o povo. Povo? Que povo? Ah, deixa para lá, qualquer coisa, a gente conserta.

É o eterno descaso com as conseqüências. É a eterna certeza da impunidade, que permite que se corra se retire o documento, o refaça e re-entregue.

Bom, eis a leitura (se é que se pode chamar de leitura, já que ela não leu) da presidenciável sobre o episódio: "é fazer muita confusão por pouca coisa e muito barulho por nada. O que ocorreu pode acontecer com qualquer pessoa", afirmou Dilma sobre o episódio 'assinou sem ler'.

Pode acontecer com qualquer pessoa? como assim, cara pálida?
Não imagino um presidente assinando e sancionando Leis que vão mudar a minha vida SEM LER! Então já aprenda desde já candidata: presidente não é qualquer pessoa!

Ah, e tem mais, cuidado com essa de ‘quem nunca fez isso’. Veja o goleiro Bruno do flamengo, certa vez ele declarou: “quem nunca saiu no braço com a mulher’. Está aí o resultado: perdeu a noção!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Escreveu não leu...

por katia maia

Realmente, a cada dia que passa me surpreendo mais com o que leio e vejo nesse maravilhoso mundo da política. O mais recente fato, que me surpreendeu (confesso) foi a trapalhada do Programa de Governo da candidata petista à presidência, Dilma Roussef.

O texto foi apresentado com itens, pontos e propostas simpáticas às alas mais radicais do Partido dos Trabalhadores. Temas, inclusive, que segundo informaram pessoas do staff de Dilma, poderiam se contrapor às próprias idéias da candidata. Pode?

Pode e pode mais: Dilma assinou tudo, página por página. Tudo lá, rubricadinho pela presidenciável.

No documento, propostas como a redução da jornada de trabalho, um tema que a própria Dilma desconversou quando deu entrevista à Rádio CBN, em maio. Na ocasião, ela disse que não achava que isso fosse assunto de governo e que não deveria opinar.

Só faltou agora a candidata ler o programa que ela assinou para ver que ela não só estava opinando sobre o assunto, como assinava embaixo!

Mas isso é só a ponta de uma constatação mais grave ainda: para consertar o erro, o PT retirou às pressas o programa entregue ao TSE e substituiu por outro mais (digamos) ‘light’ e, pior, na hora de explicar a trapalhada, disse que Dilma havia rubricado página por página do programa SEM LER!

Pode?

Agora, para refletir: pode um presidente de um país assinar papéis sem saber do seu conteúdo? Ainda há tempo...

Até eu que sou mais boba leio tudo o que assino e mesmo assim, confesso, já entrei numa fria porque li e não interpretei ou interpretei, mas aceitei as ponderações e depois: me ferrei!

Então, Dilma, na boa, assinou, não leu...

domingo, 4 de julho de 2010

Eu voltei, agora pra ficar!

Por katia maia

Voltar é semrpe uma sensação boa. Saber que a gente tem para onde voltar é melhor ainda. Eu tenho uma teoria: tudo na vida tem um porto seguro para o qual a gente pode retornar.

Algumas vezes pode parecer difícil ou até mesmo impossível retornarmos para o ponto de onde partimos. Mas, em várias ocasiões é bom, necessário e faz bem para o corpo, a alma e a saúde.

Pois bem, neste domingo, eu voltei!

Voltei para o que eu posso chamar de minha 'cachaça' dominical. Quem faz parte de um grupo, ligado principalmente a atividade física, lazer ou terapia, sabe do que estou falando.

Neste domingo, retomei meus pedais diários em trilhas (mountain bike) na região próxima a Brasília. Reencontri o meu grupo - o Rebas do Cerrado - e revi muita gente querida que fazia muito tempo eu já não encontrava ou ouvia falar.

Minha amiga Luciene debutando no Rebas


Foi uma experiência gostosa. Depois de quase dois anos longe de todos, sumida, abduzida e em silêncio, reapareci e revi pessoas queridas. Relembrei do quanto eu era feliz fazendo trilhas, tendo esse contato com a natureza, conversando besteira, malhando na bike e suando no meio do barro, entre os cascalhos e debaixo de um sol muito forte, mas maravilhosamente de bem com a vida.

Aproveitei para levar uma amiga, a Luciene Cruz, para conhecer o grupo e debutar no 'mountain' bike. Ela ficou meio apreensiva, meio atrapalhada com subidas, descidas e cascalhos. Mas, tenho certeza que irá provar mais desta 'cachaça' de domingo que alguns definem 9de uma forma menos mundana) como a nossa 'missa' de domingo, quando acordamos cedo e vamos er esse contato maravilhoso com a natureza.

Estradão de barro. Descidão próximo da chegada.

Fiquei extremamente feliz em saber que, apesar do meu sumiço, do meu silêncio, as pessoas não se esqueceram de mim e tive a nítda e boa sensação de voltar para casa. Pude conversar as besteiras de sempre, sem me preocupar se estou falando bobagem. Pude refazer os meus planos de novas trilhas, novos domingos no meio do mato e de novos desafios: em agosto tem o 'Superando Limites' e certamente estarei lá.

Ouso dizer que posso cantar a velha e boa canção: "eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar". Brega, não? É, é brega sim, mas é verdadeiro. Todos nós devemos manter laços de amizade, vínculos importantes e preservar o que nos é prazeiroso.

Brasília (ao longe) clicada no meio da trilha

Vejo muita gente lamentando por ter 'largado' uma atividade, deixado de falar com alguém, rompido uma amizade, esquecido (até) de quem era. Pois bem, nesse domingo de sol maravilhoso que fez em Brasília, eu voltei para os meus pedais dominicais e posso dizer que foi muito bom 'comer' barro novamente, suar bastante e enfrentar as subidas pensando comigo mesma: 'o quê que eu tô fazendo aqui?".

Hoje eu redescobri o que eu estou fazendo quando pego a minha bike às seis e meia da manhã e saio para pedalar: estou sendo feliz!

* Todas as fotos da trilha estão disponíveis no multiply.
** A trilha deste sábado foi Antenas, próximo ao Varjão.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Agora é uma questão de tempo, Guilherme.

Por katia maia

“Tá bom”. Vai passar, mas na hora é difícil. Nunca confiei, acreditei ou mesmo - como diria a gíria - ‘pus fé’ neste ser chamado Dunga. Disso eu posso me gabar. Ele nunca me convenceu. Pelo menos desse mal eu não morro e posso me dizer: coerente.

Desde que a Copa começou, fiquei sempre com o pé atrás em relação a essa seleção que, infinitas vezes meu filho mais novo, Guilherme, (ele sim, um ótimo jogador e que entende tudo de futebol. O meu mais confiante consultor para assuntos futebolísticos) me alertou sobre a fragilidade da composição escolhida por Dunga.

Bom, eu não entendo de futebol, não acompanho, não conheço os craques e não tenho idéia de qualidade técnica. Como brasileira, sei que gosto de Copa do Mundo e de torcer. Mas, confesso, nunca consegui me envolver e acreditar nessa seleção.

Mas, sabe como é... Os jogos começam, a gente vê um, outro e mais outro e, de repente, até pensa: - apesar de não acreditar, posso estar errada, a coisa pode até virar zebra e essa seleção deste ser chamado Dunga, ganhar!

Pois é... Não deu! Zebra, só no começo da Copa quando as grandes seleções começaram a ficar para trás.

Agora o que contava mesmo era qualidade do futebol e, repito que não entendo de futebol, mas tenho noção do que é bom ou ruim e o que vi no segundo tempo desse jogo do Brasil X Holanda foi um time brasileiro muuuuuuuuuuuuito ruim.

Uma coisa desconexa, desacertada, desnorteada, descontrolada. Meu Deus, não entendo, mas tive raiva!

Tive raiva de mim mesma que, na minha ignorância, comecei ‘a começar’ a acreditar que até poderia rolar. Burra! Estava na cara que essa seleção, com esse técnico não iria longe. Estava na cara que chegamos até onde chegamos por ajuda do destino que colocou na nossa rota times tão fracos.

Bom, pelo menos não comprei a camisa da seleção. Confesso que, tive medo de investir a grana que pediam por ela (R$ 180,00). Demais para mim!

Adiei jogo a jogo a decisão e ainda bem que não cedi à emoção e me contive. Agora, mais uma semana, essa camisa estará um quarto do preço e posso guardar para a próxima copa porque não foi nessa que saímos do Penta.

Só lamento a tristeza dos meus filhotes, principalmente o mais novo, que chorou compulsivamente, copiosamente, soluçando em profusão. Tentei consolá-lo.

Para isso, eu disse que em 1982 eu tinha a idade dele (não vou dizer quantos anos ele tem para que não façam as contas) e também me acabei de tristeza, chorando aos montes, com a seleção canarinho. Naquela, eu acreditava. Agora não deu e...

Agora é uma questão de tempo, Guilherme.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Finalmente, habemos vice!

Por Katia Maia

Agora é o caso de perguntar what’s next? O vice do presidenciável tucano José Serra foi escolhido assim, digamos, de supetão. O nome de Índio da Costa não havia sido até então, lembrado, cogitado, mencionado. E, de repente... Assim: não mais que de repente, eis eu alguém olha para o lado, vê o deputado democrata – jovem boa pinta, com boa reputação (pelo menos no Congresso Nacional onde foi relator do projeto Ficha Limpa) e, melhor: desconhecido.

Índio da Costa está fora dos velhos conhecidos nomes do Democratas e o que pode ser ruim – quem não é conhecido não é automaticamente lembrado – pode também ser bom: quem é desconhecido torna-se um belo material para ter a imagem moldada ao gosto do eleitor.

Ontem, em entrevista á Folha de São Paulo (durante o Jornal Nacional, segundo informa a repórter), Índio da Costa não sabia ainda muito ao certo o que falar sobre seu novo posto nesse tabuleiro de disputa eleitoral. Disse à repórter Andreza Matais: "Não tenho a menor idéia de nada". Claro, nem ele sabia que seria.

Ele próprio, pela manhã, falava e olhava para seus colegas de partido com a visão de quem enxergava em qualquer um ‘dos outros’ a possibilidade de vice, menos ele. Índio da Costa chegou a anunciar divertidamente que José Carlos Aleluia seria o vice. E Aleluia acreditou.

Cria de Cezar Maia, Índio da Costa tem a favor dele o fato de ser jovem e levar um pouco de ‘novos ares’ para o PSDB que há anos não sai desse samba de uma nota só- FHC, Serra e vice-versa. Tem contra uma investigação de CPI da Câmara Municipal do Rio de Janeiro onde foi acusado de beneficiar a empresa Comercial Milano na compra de merenda escolar, mas não chegou a ser indiciado.

Vamos ver se um Índio da costa consegue dar um refreshment na velha guarda de caciques do PSDB/DEM. Sei não, é preciso saber se “Índio quer apito”. A ver... A ver...

Denúncia repercurte na grande imprensa.

Denúncia feita inicialmente neste blog repercurte na grande imprensa.


Reforma no Palácio expôs painel de Burle Marx a risco, diz Iphan
(Matéria divulgada nesta quinta-feira, na Folha de São Paulo).

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional avalia que houve problemas de conservação do painel do artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx instalado no primeiro andar do Palácio do Planalto durante o período de restauração do prédio.Avaliação feita em março de 2009 indicou que o painel -de 1972- não deveria ser retirado, para evitar danos, mas deveria ser coberto por uma caixa branca protetora.Segundo Alfredo Gastal, do Iphan-DF, responsável pela fiscalização da restauração, a caixa foi retirada antes do que deveria e o painel ficou sujeito a poeira e à luz solar.

Foto: Katia Maia

"O sol não vai estragar o painel agora, mas, se deixar muito tempo, vai estragar."Cláudio Rocha, diretor de documentação histórica da Presidência e curador da reforma, afirmou, no entanto, que o painel está protegido.Segundo ele, os vidros do palácio são especiais e já protegem o painel dos raios solares -segurança reforçada pelos papeis colados nas janelas. A recolocação das persianas, diz ele, porém, é uma das atuais prioridades.

Real versus Virtual, quem ganha?

O Festival Variluz de cinema Francês 2019 começou!  por katia maia O grande mal das relações pessoais da atualidade se chama ‘r...