segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Minimos Contos

por katia maia

É com satisfação que informo que meu microconto foi escolhido dentre tantos que participara do concurso Minimos contos.

A proposta era escrever um conto em 140 caracteres, bem no estilo Twitter. Mais de 400 contos concorreram. Acabo de receber um comunicado, me infromando que meu conto foi selecionado e será publicado no e-book
MinimosContos até o final de 2010 com a Editora Aletria.


Abaixo, o conto selecionado:

Frio! Sentiu a mão percorrer seu corpo lentamente, levemente. Escuro! Tentou gritar. Não deu. Uma pancada no peito. Abriu os olhos. Acordou!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Corre katia, corre!

por katia maia

Sempre gostei de correr. Lembro-me ainda adolescente eu ia para a pista de atletismo do colégio e ficava lá... Correndo. Não tinha nenhuma intenção, não pretendia nada, mas gostava de correr.

No fim da tarde, em Brasília, também na adolescência, ‘eu descia e corria em volta da quadra’ - não a quadra do tipo poliesportiva, mas a quadra residencial. E quem é de Brasília sabe bem do que estou falando. Essa cidade dividida em setores, quadras, blocos, possui uma geografia que só quem é daqui ou vive neste Planalto há muito tempo sabe do que estou falando.

Então... Eu sempre gostei de correr. Talvez por isso, eu tenha simpatizado bastante com o filme Forest Gump. Aquele em que ele sai andando... andando... andando... Até que, em determinado ponto, para e diz que estava na hora de voltar para casa.

A meia Maratona para mim tem um pouco essa leitura de sair correndo... correndo...correndo... Até que chega uma hora de parar. Pois bem. Chegou a hora. Vou enfrentar esse desafio. Hoje a noite embarco para o Rio de Janeiro onde participarei da Meia Maratona Internacional do Rio.

Um sonho que sempre esteve latente em minha mente e em minha vida sem que nem eu mesma percebesse. Até porque, para mim, o desafio de correr 21 km era algo simplesmente IMPOSSIVEL!.

Eu sempre mantive minhas corridinhas: um ‘quilometrosinho’ aqui, outro ali... Nada demais. Costumava correr durante a semana entre 3km e 5km por dia, três vezes por semana e alternadamente e nos fins de semana, quando não ia pedalar (minha outra paixão esportiva) eu me aventurava e enfrentava 10km no parque da cidade.

Era um desafio! Dez quilômetros soava para mim como a fronteira do razoável. Era o meu teto. Portanto, quando o Boca, dono da academia onde malho, me lançou um novo desafio:

- Por que você não faz a meia maratona do rio?

Eu simplesmente ri! Não era a minha praia. Imagina: 21km! Pois é, mas ele insistiu e a idéia ficou martelando na minha cabeça. Tanto que sucumbi. Comecei a achar que era possível e aceitei o desafio.

Ele preparou um programa de treinamento de seis semana – que eu segui quase que religiosamente – e enfim fui ficando marrenta, pegando confiança até que há duas semanas completei 20km 500m! Percurso feito em 2h20min. Pronto. Estou me achando!

Agora, daqui a algumas horas embarco para o Rio de Janeiro e aí só Deus sabe o frio que sinto na barriga. Minha mente começa a querer me pregar peças e pensamentos do tipo ‘será que dou conta?’, ‘se eu acordar passando mal?’, ‘fiz a coisa certa?’, ‘estou preparada?’. Tudo isso passa pela minha mente e eu?

Bom eu trato de mandar todas essas dúvidas para a casa do chapéu porque eu vou e não tenho que provar nada para ninguém. Lá, vou sentir o drama e se não der, paro na beira da praia, sento em uma daquelas barraquinhas e tomo uma bela de uma água de côco.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

300 pela aventura!

por katia maia
O que faz 300 pessoas saírem de casa de madrugada para pegar um ônibus, se deslocar até uma cidade a
50 km da sua e montar numa bike para enfrentar pelo menos oito horas pedalando? É esse pergunta que muitas pessoas me fazem quando eu digo que fiz parte desse grupo e mais: não é a primeira vez!

Sou reincidente! Incorro nesse erro maravilhoso de me permitir superar todos os meus limites e enfrentar muito sol, poeira, secura do ar, cascalho, subidas e descidas. Havia dois anos que eu não sabia o que era encarar uma cicloviagem.


O frio das 5h da matina: todo mundo agasalhado


A última vez que me permitir sair de Brasília com destino a Pirenópolis, em Goiás, foi em 2008. Depois disso as condições ideais de querer e poder não se alinharam e não pude enfrentar o Superando Limites – prova promovida pelo grupo de mountain bike Rebas do Cerrado - do ano passado.


Pois bem, 2010 veio com tudo o que o número ‘dez’ nos permite ousar. Botei na cabeça que iria retomar meus pedais, meus desafios e meus objetivos. No sábado passado, me juntei ao grupo Rebas do Cerrado – do qual faço parte há quase cinco anos – e não olhei para trás.


Em Santo Antonio à espera da partida


Só me interessava seguir em frete. Bem ao estilo trilha. Não há marcha ré. É sempre em frente. Confesso que tive um pouco de medo. Não sabia exatamente como estava a minha condição física, mas, logo no início da aventura, às 5h da manhã, quando entramos no ônibus para embarcar para Santo Antonio do Descoberto, cidade a 50km de Brasília, já pude perceber o astral, a energia e a coragem de todos.

Nessa prova, não importa ser o primeiro, o último... O que importa é encarar.

Ao chegar em Santo Antonio do Descoberto, hora de pegar a bike, se aquecer (o frio estava imensamente cortante), comer algo – levei castanha, passas e queijo polenguinho -. Hora de confraternizar, dividir a energia, ansiedade e vontade de que tudo dê certo.



Sol do início da manhã: maravilhoso!


Partimos de Santo Antonio às 7h da manhã. Pronto, foi dada a largada. A viagem foi cheia de emoções. Muita gente se ajudando – se o pneu furava tinha sempre outro participante para arrumar uma câmera de ar, um kit remendo ou algo que ajudasse a seguir em frente.


Foi dada a largada!



Se faltava água, havia sempre uma garrafinha a mais na bike do outro para dividir o precioso liquido, se faltava ânimo, tinha sempre um incentivo a mais de quem passava pela gente.

Muita subida, muita poeira!

A aventura durou, pelo menos para mim, oito horas. E aí eu pergunto: para quê pagar terapeuta? Para receitar prozac? Meu prazer vem de todos os trancos e barrancos que enfrentamos no superando Limites. Estou zerada. Cabeça limpa, alma lavada!


Depois da chegada a Piri: só alegria!


Daí eu pergunto: é preciso responder o que faz uma penca de 300 pessoas acordarem de madrugada, num sábado, pegar uma bicicleta e dedicar oito horas do seu dia em cima dela, pedalando no meio do barro, debaixo de um sol escaldante e com um ar tão seco que, em alguns momentos dava a impressão de estarmos respirando pó?

*todas as fotos estão disponpiveis no site katiamaia.multiply.com

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

400 contra o bonsenso

por katia maia

Um filme mal amarrado, mal explicado e mal conduzido. Foi com essa impressão que deixei a sala de projeção neste fim de semana após assistir a “400 contra um”.

Quando decidi ir ao cinema neste domingo, tinha duas opções no horário escolhido – por volta das 15 h, quando posso ver o filme e ainda me sobra tempo para ver o por do sol dos domingos de Brasília que estão simplesmente maravilhosos.

Pois bem, além do filme “400 contra um” eu tinha a opção de assistir ao norte-americano “A Origem”, com Leonardo de Caprio.

Optei pelo nosso produto nacional até porque tenho gostado, e muito, das produções domésticas. Ledo engano. “400 contra um” é uma seqüência de erros.

O filme conta a história do surgimento da organização criminosa “Comando Vermelho”. Para quem viveu a década de 70 e 80 se lembra dessa facção que aterrorizou o Rio de Janeiro no fim dos anos 80. O filme conta a história de William da Silva Lima, o único sobrevivente do grupo.

William (Daniel de Oliveira), Baiano (jonatan Azevedo), Biro (Jeferson Brasil), Cavanha (Fabrício Boliveira) e Maranhão (Lui Mendes). Foto: Daniel Chiacos


O foco é o seguinte: o surgimento do Comando Vermelho que criou uma conduta de solidariedade inédita até então entre detentos em presídios brasileiros. Esse sentimento foi reflexo da convivência de presos comuns e políticos, que gerou a transferência e a troca de conhecimento entre eles. Os presos comuns passaram a ter e conhecer noções estratégicas e começam a planejar suas ações e a se organizar.

Até aí, tudo bem. A história, o argumento, a proposta é boa. Mas o diretor Caco Souza (inspirado no livro ‘400 contra um’)peca na realização. O filme torna-se mais um que retrata o dia a dia prisional.

Personagens estereotipados e situações absurdas como a que mostra detentos da Ilha Grande, em dia de visita. Eles simplesmente ficam na beira da praia com uma mesa de frutas tropicais com suas esposas. Eu diria #nonsense!

Núcleo do Comando Vermelho

A história intercala os fatos cronologicamente, alternando entre a década de 70 – quando nasceu a célula do Comando Vermelho no presídio da Ilha Grande, RJ – e a década de 80 quando a organização promove uma série de assaltos a bancos no Rio de Janeiro.

A história tem, como pano de fundo o romance de William com Teresa, mulher de um carcereiro. Os dois (William e Teresa) se envolvem e por inúmeras vezes, William aparece na casa dela, na Ilha Grande, livre, leve e solto e os dois se beijam, transam e nada acontece.

Até que um dia ela enche o saco do carcereiro e o mata com dois tiros e... E nada! Nada acontece com ela que aparece livre leve e solta no Rio de Janeiro ajudando nos assaltos do Comando Vermelho na década de 80.

Portanto, a intenção até foi boa. Mas o filme é realmente decepcionante.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

I LOVE JAZZ - Eu também!

por katia maia

O Festival Internacional I Love Jazz infelizmente já terminou. Ele aconteceu essa semana simultaneamente em Brasília e São Paulo e já havia passado por Belo Horizonte. No Rio de Janeiro está ocorrendo até o domingo e quem está na cidade maravilhosa corra para comprar seu ingresso porque vale a pena.

Eu conversei com o idealizador e organizador do Evento, Marcelo Costa e ele me contou que a idéia de realizar um evento desse porte, com atrações nacionais e internacionais surgiu da percepção que ele tinha de como as pessoas curtiam e se envolviam com o Jazz original, de raiz, vindo das ruas e bares de Nova Orleans.

“Quando a gente fala em jazz as pessoas pensam que é um bicho de sete cabeças, e o jazz original nasceu nos bares mais populares de Nova Orleans, mais pobres. Na época, a elite não gostava, achava aquela musica um absurdo, era ate o contrario do que ocorre hoje. No I love Jazz a gente resgata esse estilo de musica que teve origem no povo”, explica Marcelo.

Ele que também é músico e amante do estilo selecionou para esse anos artistas e bandas dos Estados Unidos, França, Argentina e, do Brasil, a representante foi Elza soares que canta Standards do Jazz.

A verdade é que o povo se encanta. O grupo francês Pink Turtle faz algo que é simplesmente fantástico: pega canções dos anos 60, 70 e 80 e dá uma nova roupagem à elas. “As pessoas estão ouvindo jazz e reconhecendo a melodia e pensam: uai, mas isso é Supertramp! Bem interessante”, revela Marcelo.

Não menos envolvente é o som do também francês Claude Thissendier, que segundo Marcelo faz “um jazz fácil de se ouvir que prioriza os arranjos com os metais, nada que o publico tenha que entender, mas o publico gosta daquilo”, traduz.

A verdade é que o festival dispensa introdução, explicação ou tradução. É algo para ser acima de tudo ouvido e o melhor: por pessoas que não tem conhecimento algum de música. Essas vão se pegar envolvidas pelas melodias e arranjos. Para quem já conhece, “tanto meglio”, porque esses vão aproveitar o fino do Jazz de raiz. Se é que podemos usar essa expressão para um estilo que ao longo do tempo se rebuscou tanto.
Quem perdeu ano que vem tem mais, promete Marcelo.

*No link abaixo você ouve a matéria sobre o FEstival I Love Jazz que fiz para o programa de rádio Revista 100,9 da Rádio Cultura de Brasília.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Amigos em Êxtase

por katia maia


Sabe aquelas noites que a gente vai para a casa de um amigo e lá reencontra outros e passa a noite bebendo, relembrando, rindo ou chorando de nossa própria sorte? Assim é a peça Êxtase, que entra em cartaz a partir de hoje no CCBB e que eu fui conferir ontem na pré-estréia.

O espetáculo traz ao brasiliense a oportunidade de viver e se ver em situações do dia a dia que, apesar de se passar num outro país (Inglaterra), em outro momento (pós-revolução industrial) traduz os dramas de amigos que se aventuram nessa interminável jornada que é viver. E mais: viver e enfrentar as adversidades cotidianas.


Nos diálogos frase típicas ditas entre amigos que no dia a dia da vida vão deixando o compromisso da amizade em segundo plano e apensar do sentimento de vontade de encontrar o outro, o tempo acaba passando e todos vão se distanciando. Frases como:

- meu, a gente tem que se encontrar mais. A gente não vai mais passar tanto tempo sem se ver!

O destaque da peça é o casal Jean (Amanda Lyra) e Mick (Mário Bortolotto). Principalmente a Amanda, ela rouba a cena em momentos em que está em segundo plano, apenas dançando ao som de canções de Dolly Parton, a sua atuação prende a atenção do público.

O casal Jean (Amanda Lyra) e Mick (Mário Bortolotto) roubam a cena



Mario Bortolotto também contagia com seu personagem Mick, um trabalhador londrino com jeitão tosco e que apesar dos diálogos - muitas vezes grosseiros com sua esposa – ele revela a intimidade e o amor que existe entre os dois. Hilário!
“O que torna esse texto interessante é que através daquelas pessoas a gente consegue se enxergar tranqüilamente”, garante o ator Eduardo Estrela, que na peça faz o Leo, namorado de Jane no passado e que volta a reencontrar os amigos depois de longa data fora da cidade.

“O que me encanta no espetáculo é que você vê pessoas sem qualquer possibilidade financeira, com uma série de problemas pessoais - o que parece um caos - e que lutam pela felicidade”, explica.

A peça, segundo estrela, transforma um momento simples numa grande batalha com “gente como a gente tentando ser feliz”. No palco, o destaque fica por conta do casal

Na história, Leo e Jane tiveram um caso no passado e aí se reencontram. “O Léo está numa situação complicada, acabou de ser largado pela mulher e está numa situação terrível”, conta e complementa: “e fica aquela situação, todos bebendo, tentando ser feliz, vão lembrando o passado e a medida que o álcool vai subindo, a coisa vai ficando mais improvável e vão ocorrendo as revelações”.

A peça é um texto do inglês Mike Leigh e foi encenada pela primeira vez em 1979, no Hampstead Theater, de Londres, com grandes atores como Stephen Rea e Julie Walters.

No Brasil, ela é parte de um grande projeto de do diretor Mauro Batista que também traduziu e adaptou o texto. A obra dá continuidade ao projeto de Vedia de fazer um teatro popular e sofisticado ao mesmo tempo. Um espetáculo que revela pessoas da classe trabalhadora inglesa e a relação de amor, amizade e solidariedade entre elas.

Êxtase vem após o de A Festa de Abigail, peça dirigida pelo diretor e que ficou dois anos em cartaz, vista por mais de 40.000 pessoas, em São Paulo. A peça é toda pontuada por músicas popularescas que incluem canções kitsch.

“O Mauro gosta muito de brincar com a música e ai ele resgata coisas ótimas como Dolly Parton e vai pincelando com um monte de Elvis Presley. Ele usa muito habilmente isso”, explicou Estrela.

Com formação basicamente teatral, Estrela já fez alguns trabalhos na televisão, em séries como a diarista e retrato falado e na novela mulheres apaixonadas. Agora, chega a Brasília com o espetáculo êxtase que tem direção de Mauro Baptista Vedia e, no elenco, Mário Bortolotto, Erika Puga e, ele, Eduardo Estrela entre outros. No CCBB de 4 a 26 de agosto
.

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
SCES, Trecho 2 Conjunto 22
Teatro II
Informações pelo telefone: (61) 3310-7087

Data: 04 a 26 de agosto de 2010
Horário: 19h30

Preço: R$ 15 (inteira)/ R$ 7,50 (meia)


*A venda antecipada de ingressos inicia-se no domingo da semana anterior à do espetáculo, restrita a quatro ingressos por pessoa.

Classificação: 14 anos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A vida em Êxtase

por katia maia

Quatro amigos se encontram em uma quitinete minúscula na Londres da década de 70. Em meio ao caos de suas vidas, eles começam a reviver momentos do passado, a sofrer com as dores do presente e se divertir com seus problemas pessoais. Se você gostou do que leu até agora, então se anime. Essa história existe e será contada em Brasília a partir desta quarta-feira (4/8) no Centro Cultural Banco do Brasil, na peça Êxtase.

Este blog conversou com o ator Eduardo Estrela que, na peça, faz o papel de Leo, namorado de Jane, dona do minúsculo apartamento onde os quatro amigos se encontram. Ele revelou toda a essência do espetáculo e traduziu para o leitor deste blog, com exclusividade, detalhes da história que fala de amizade, amor, conflitos pessoais, solidariedade e amizade.

Ele, que já interpretou papeis na TV em séries como ‘A Diarista” e “Retrato Falado”, além de ter atuado na novela “Mulheres Apaixonadas”, da TV Globo, conta que sua formação é basicamente teatral. Aqui, ele declara sua paixão pelos palcos e fala de sua relação de amizade com o diretor de êxtase, Mauro Batista Vedia.

Blog: A peça está vindo para Brasília. Fale um pouco da peça. Ela fala da classe trabalhadora na Inglaterra.

E.E: O que torna o texto interessante é que através daquelas pessoas a gente consegue se enxergar tranqüilamente. Eu costumo dizer que o que me encanta no espetáculo é que você vê pessoas sem qualquer possibilidade financeira, com uma série de problemas pessoais e aquilo que parece um caos revela pessoas que lutam pela felicidade e transformam um momento simples nessa grande batalha.

Acho que nada mais bonito do que você ver o ser humano lutando pela felicidade sempre, não importam suas adversidades. A peça deixa você com vontade de pegar as pessoas no colo. É de uma ternura que no meio da brutalidade, você vê pessoas revelando o melhor delas.

Blog: Brutalidade?

E.E: Não brutalidade no sentido que haja sangue e violência, mas a situação de vida delas é tão dura, que chega a ser brutal. É gente com muito trabalho, pouco dinheiro, problema de bebida, mas tudo isso com um bom humor absurdo. Eles estão lá para serem felizes.

Blog: Isso cria identificação com o público?

E.E: Deve ter certa identificação porque todo mundo tem a sensação na vida de estar enfrentando momentos brutais, pesados demais, mas há também a identificação com o humor.

A grande questão é... O que você vê na peça é gente tentando ser feliz. A peça é um grupo de amigos num momento de vida super difícil cada um, tentando fazer uma festa. Só que é como equilibrar prato chinês.

Eles estão lá tentando ser feliz, tentando fazer piada e de vez em quando vem a tristeza e o cara tenta se levantar de novo. Então, é aquela luta para manter a felicidade. E aí nisso, nem sempre vai bem e na hora em que ele desmonta.

Então o que vai mostrando nesses momentos em que desmorona essa felicidade, essa luta pela felicidade, é você ver as pessoas, que bonita, que sensível mesmo no meio da dureza.

Blog: Elas vão se revelando.

E.E: Sim. De uma maneira linda e aí você diz: Meu Deus! Que pessoa linda, que pessoa fantástica! E aí vem a máscara de novo porque ela tem um universo. Como se a mascara fosse caindo de vez em quando e você vai colocando na cara das pessoas com uma cola vagabunda que não segura muito.

Blog: Qual é o cenário e a situação em que a peça se passa? É uma noite?

E.E: Na verdade, a história toda se passa no quartinho dela, uma quitinete minúscula, se é que dá para chamar aquilo de quitinete.

São dois flashes na vida da Jana no primeiro ato – encontrando uma amiga e depois vem o grosso da peça que são os amigos que vão se reencontrar depois de uma longa data. Todos no quarto dela. Na verdade, quem faz a ligação é a Di e que é amiga dela que faz traz o marido dela que já foram amigos há muito tempo e o Leo que saiu da cidade e retornou.

Blog: Que é o seu personagem?

E.E: o Leo e a Jane tiveram um caso muito tempo atrás e o casal tenta fazer a reaproximação. E aí é muito bacana porque o Léo está numa situação complicada, acabou de ser largado pela mulher e está numa situação terrível...

Então, fica aquela situação: todos bebendo, tentando ser feliz. Eles vão relembrando o passado e a medida que o álcool vai subindo, a coisa vai ficando mais improvável e as vão ocorrendo as revelações.

Blog: É bem nostalgia?

E.E: É uma comédia porque você ri o tempo todo, mas sempre com o riso, o coração, meio apertadinho. Você dá risada e tem sempre uma mão dando uma apertadinha e dizendo: olha só...

Blog: A peça é pontuada pela música?

E.E: A música é um show a parte. O Mauro, que é o diretor gosta muito de brincar muito com a música e ai ele vai resgatar coisas ótimas como Dolly Parton, coisas absolutamente kirtsh, mas deliciosas e vai pincelando com um monte de Elvis Presley. Ele usa muito habilmente isso. Usa músicas que são mais kirtsh mais popularescos que se revelam de maneira fantástica naquele contexto.

Blog: quem é Eduardo Estrela?

E.E: Comecei com 16 anos. O trabalho mais marcante foi Domesticas que fiz espetáculo e depois filme. Fiz participação em ‘Mulheres Apaixonadas’ e passei um tempo fora do Brasil, em Londres e em Moscou, para estudar interpretação.

Foi aí que encontrei o Mauro (diretor) com quem fiz a Festa de Abigail. Depois que voltei de Londres, só trabalhei praticamente com texto britânico. Nesse meio tempo, eu retomei um espetáculo que era um projeto do passado, que é ‘A prudência’, de um argentino fantástico.


Confira o áudio da entrevista:




Serviço:

Centro Cultural Banco do Brasil

SCES, Trecho 2 Conjunto 22

Teatro II

Informações pelo telefone: (61) 3310-7087


Data:

04 a 26 de agosto de 2010
Horário: 19h30

Preço:

R$ 15 (inteira)/ R$ 7,50 (meia)


*A venda antecipada de ingressos inicia-se no domingo da semana anterior à do espetáculo, restrita a quatro ingressos por pessoa.


Classificação:

14 anos


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