sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quem vai pagar por isso?


Governantes fizeram melhorias em favela erguida sobre lixão

O Globo

Acostumados a responsabilizar os pobres pelos desabamentos nas encostas, nos últimos 17 anos os sucessivos prefeitos de Niterói - além de governadores do estado - incentivaram, por meio de projetos urbanísticos, a ocupação irregular no Morro do Bumba, cujas casas construídas sobre um lixão ruíram provocando a maior tragédia do estado. O desastre começou com o temporal da noite de segunda-feira. Só lá há 17 mortos e 200 desaparecidos. Do atual prefeito, Jorge Roberto Silveira, ao ex-governador Leonel Brizola - que levou água e luz para o local -, cada governante fez um pouco, mas ninguém removeu de lá os moradores. Nem mesmo a Defesa Civil municipal, alertada depois que uma casa desabou terça-feira. Até ontem, Niterói registrava 107 dos 182 mortos no estado.



Governantes permitiram ocupação e até fizeram melhorias em comunidade erguida sobre lixão

Das fazendas e chácaras que lhe davam um ar bucólico, o Morro do Bumba, em Viçoso Jardim, no bairro do Cubango, em Niterói, com o passar dos anos, passou a ser vizinho de um lixão que, depois de desativado, deu lugar a barracos, que anteontem à noite foram ao chão. Uma faixa de 50 metros de extensão da encosta despencou. Terra e lama deslizaram por pelo menos seiscentos metros, provocando o pior soterramento do município. Até as 22h de ontem, 17 corpos tinham sido resgatados e ainda havia dezenas de desaparecidos. Já no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Rio, mais quatro corpos foram resgatados ontem, elevando para 18 o número de mortos no local. Segundo os bombeiros, 14 pessoas ainda estão desaparecidas. O Prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, decretou ontem estado de calamidade pública no município. As fortes chuvas dos últimos dias já provocaram a morte de 182 pessoas em todo estado, 107 são de Niterói, outras 55 pessoas morreram na capital, 16 em São Gonçalo, e Magé, Nilópolis, Paracambi e Petrópolis registraram um óbito em cada local. Os feridos no estado somam 161 pessoas.

Área foi condenada em 2004

O desfecho trágico do Morro do Bumba foi sendo escrito, ano a ano, graças à omissão das sucessivas administrações do município que fizeram vista grossa para o crescimento da favela. Antes mesmo da retirada do lixão, algumas casas já haviam sido erguidas ali. Mas, com a Ponte Rio-Niterói, o processo de favelização ganhou impulso avançando sobre um solo íngreme e instável de cor preta, resultado da decomposição do lixo.

Contratado para fazer um levantamento sobre o risco de desabamento de encostas em Niterói, o Instituto de Geo-Ciências da UFF condenou a área, em 2004, num trabalho entregue ao então prefeito, Godofredo Pinto (PT).

TCU vê pagamento ilegal da Petrobras de R$ 56,9

Auditoria diz que diferença entre preço oferecido e o efetivamente cobrado não foi explicada

Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS foram contratadas para construir gasoduto Urucu-Manaus, obra de R$ 5 bilhões do PAC
BRENO COSTA/da Folha de São Paulo

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) chegou à conclusão de que uma subsidiária da Petrobras pagou ilegalmente R$ 56,9 milhões a consórcios formados pelas construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS na construção do gasoduto Urucu-Manaus, uma das mais caras obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
A obra, iniciada em junho de 2006, foi inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro passado ao custo de R$ 5 bilhões -como a Folha revelou na ocasião, mais que o dobro dos R$ 2,4 bilhões assinados naquele ano com os três consórcios que dividiram a execução dos 670 km de dutos que cortam a selva amazônica.
O TCU determinou que o dinheiro pago indevidamente seja descontado de eventuais pagamentos a serem efetuados pela TAG (Transportadora Amazonense de Gás), subsidiária integral da petrolífera, aos consórcios.
Os R$ 56,9 milhões representam, segundo o tribunal, a diferença entre as ofertas apresentadas pelas empreiteiras no "demonstrativo de formação de preços" e os valores presentes nos boletins de medição da obra, planilhas que baseiam efetivamente os pagamentos da subsidiária da Petrobras. Na prática, as empresas ofereceram um preço e, após a execução, cobraram outro.
De acordo com os auditores, o fato seria legal se houvesse justificativa para a diferença, o que, afirmam, não aconteceu. Não há detalhamento de mão de obra, de equipamentos nem de materiais, por exemplo. Esses itens foram condensados na planilha como "verbas".(reportagem completa na FSP)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Internet neles.

Acesso à internet nas residências cresce em 2009
Cibelle Bouças, de São Paulo/Valor Econômico
Os brasileiros voltaram a acessar mais a internet de casa do que em lanhouses em 2009. Isso ocorreu graças ao aumento do número de lares com computadores e com acesso à conexão de banda larga. Esses foram alguns resultados da 5ª Pesquisa Sobre Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil (TIC Domicílios 2009), realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br).
De acordo com o levantamento, o percentual de domicílios com computador saltou de 28% para 36% na área urbana e de 25% para 32% no país. O uso da internet em casa também cresceu, de 20% para 27% nas áreas urbanas e de 18% para 24% em todo o país. "Foi um crescimento expressivo e a evolução ao longo dos anos leva a crer que a expansão em 2010 será ainda maior", afirmou o gerente do CETIC.br, Alexandre Barbosa.
Conforme a pesquisa, do total de usuários da internet, 48% acessaram a internet de casa, contra 42% no ano anterior. O percentual de brasileiros que fizeram uso das lanhouses, por sua vez, ficou em 45%, três pontos percentuais abaixo da medição de 2008. "Em 2007 e 2008 o país vivenciou um crescimento expressivo das lanhouses, mas com o aumento de lares com computador em casa, a tendência se inverteu", avaliou o gerente do CETIC.br, Alexandre Barbosa.

terça-feira, 6 de abril de 2010

vai virar mar...

*Foto tirada pela moradora da Tijuca, Jessica Cristina Tavares, e postada no portal G1. Na foto, peixes mortos que chegaram até sua casa trazidos pelas águas dos alagamentos. O Rio se desmancha com a chuva que já dura mais de 16h

Impressionante! É como diz a música: 'o sertão vai virar mar...'. Aqui, nesse caso, a casa do carioca 'vai virar mar....'. Resultado de um conjunto de descasos. Governo e moradores podem dar as mãos nesse desmando. De um lado, a infra-estrutura de uma cidade que não suporta a falta de cuidado de quem deve zelar por ela.
Provavelmente, as bocas-de-lobo estão entupidas. Agora, vale a pergunta: elas estão entupidas por que o governo não limpa ou elas não estão limpas por que o povo não tem o cuidado de evitar jogar lixo nas vias públicas. Cada dia com sua agonia e cada um com sua culpa.

sábado, 3 de abril de 2010

Cuidado com a Copa,

Leão na tela
(M, Bergamo/Folha)

Quem comprar uma televisão nova para assistir à Copa de 2010 vai arcar com uma carga tributária maior do que no Mundial passado. Hoje, 44,9% do valor do aparelho corresponde a impostos, contra 38,3% em 2006, aponta um levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). "Há quatro anos, houve incentivos para a compra de TVs na Copa, com uma alíquota menor de IPI", diz o presidente da entidade, João Eloi Olenike.

ATAQUE E DEFESA
Dos outros produtos "típicos de Copa" pesquisados pelo IBPT, o único que também registrou aumento na carga tributária foram os refrigerantes -segundo João Olenike, por "readequação das margens de lucro das empresas". Bola, uniformes, bandeira, apito, cerveja, pipoca e amendoim tiveram queda em relação a 2006, devido ao fim da CPMF.

Quanto mais tempo, melhor

Veja
Ver as fotos inéditas de Marilyn Monroe nos intervalos de uma filmagem
em 1958 é relembrar o poder da sua beleza e do seu apelo erótico
e confirmar, com um suspiro: que mulher!

NADA FORA DE LUGAR
1 - Marilyn de frente, embasbacando Tony Curtis
2 - De costas, com o coração aberto, ou envolta em peles
3 - protegendo-se do sol na cadeira do diretor: "Seios como balas para meninos pidões"
(Fotos divulgação)


Loura, a pele acetinada de leite derramado, reentrâncias e saliências – estas, principalmente – sem aditivo de espécie alguma, Marilyn Monroe incendeia cada cena em que aparece em Quanto Mais Quente Melhor, lançado em 1959, três anos antes de sua morte precoce, aos 36. E isso em preto e branco. Pois essa Marilyn incandescente agora surge em cores, num conjunto de onze slides fotografados para uma revista num intervalo das filmagens, em 1958, e nunca antes publicados, os quais irão a leilão em junho, em Las Vegas. As fotos foram feitas no exato dia em que ela filmou a cena em que tem de seduzir um Tony Curtis falsamente indiferente. Envolta num vestido semitransparente de chiffon rebordado em branco e prata, ela desliza sobre o colo dele para um longo e insuportavelmente inocente beijo. O vestido famoso é um escândalo. Na frente, os bordados rareiam e os seios impulsionam o tecido translúcido como se movidos por propulsão atômica. Atrás, escorrem pelas costas nuas e rodeiam uma pequena janela em forma de coração bem em cima daquele lugar que nem sequer podia ser mencionado na década de 50. "Transbordando num vestido que oferece seus seios como balas a meninos pidões, ela parece totalmente alheia a sexo, enquanto os homens se derretem em irrefreável desejo", descreveu o crítico americano Roger Ebert.

Entre o céu e o inferno

Carolina Romanini, Alexandre Salvador e Ronaldo Soares/Veja


O número de brasileiros que viajam de avião dobrou nos últimos
cinco anos. A notícia só não é melhor porque os viajantes são
submetidos a momentos infernais nos superlotados aeroportos do Brasil

Entre os fenômenos socioeconômicos produzidos pela estabilização econômica dos últimos quinze anos, o acesso de um número maior de brasileiros às viagens aéreas é o de maior impacto. Viajar frequentemente de avião comercial era coisa de rico nos anos 80. Hoje os aviões se tornaram os ônibus do ar e os aeroportos ficaram barulhentos, lotados e desconfortáveis como as velhas estações rodoviárias. Os números são impressionantes. Em fevereiro deste ano, 10 milhões de passageiros foram transportados em voos domésticos, um aumento de 43% em relação ao mesmo mês no ano passado. A previsão é que, no fim de 2010, o número de passageiros transportados no país supere em 36% o total de 2009.

Os brasileiros só teriam o que comemorar com essa nova realidade, não fosse um grande e incômodo fator: os aeroportos ficaram acanhados demais para tanta gente com bilhete aéreo no bolso. Vislumbra-se um divórcio quando se compara o ímpeto de voar com a capacidade do governo federal de aumentar o potencial dos aeroportos ou construir novos. A quantidade de pessoas que viajam de avião no Brasil praticamente dobrou nos últimos cinco anos. Para atender a essa explosão de demanda por passagens, a partir de 2006 as duas maiores companhias aéreas brasileiras, Tam e Gol, ampliaram sua frota em, respectivamente, 72% e 60%. As duas companhias que dominam o mercado aéreo nacional e as que chegaram para concorrer com elas trabalham agora com agressivos planos de expansão. Será preciso combinar com o governo federal, cuja empresa Infraero tem o monopólio da construção e exploração comercial de todos os aeroportos de uso comercial no país. A Infraero não tem recursos nem condições técnicas para dar conta da atual demanda – quanto mais dos imensos desafios que se avizinham.

Há três explicações convergentes para o aumento do número de passageiros no ar. A primeira delas é a situação econômica favorável. De modo geral, o setor aéreo de um país cresce o dobro da economia como um todo. Entre 2004 e 2009, o PIB acumulado do Brasil somou 24%. O volume de passageiros dobrou no mesmo período. O segundo fator foi a desconcentração do setor com a chegada de novas companhias e a consequente redução no preço das passagens, resultado do aumento da concorrência e da liberdade tarifária. Para atraírem consumidores, as empresas aéreas brasileiras, em média, diminuíram o preço da milha voada de 53 para 41 centavos de real. O valor médio da passagem aérea doméstica caiu de 448 reais para 323 reais. A terceira, que é a mais importante e a mais duradoura explicação para o fenômeno, é a ascensão econômica da classe C. Um em cada dez dos passageiros da Gol nos últimos anos voou pela primeira vez na vida.

O gargalo dos aeroportos, infelizmente, pode atrapalhar essa festa nos céus do Brasil. Nas últimas décadas, enquanto a demanda por passagens crescia, a infraestrutura aeroportuária do país foi se deteriorando, sem receber por parte dos sucessivos governos os investimentos necessários para modernizá-la. Hoje, os grandes aeroportos recebem mais passageiros do que sua capacidade comporta, tornando um suplício o embarque e o desembarque nos horários de maior movimento. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) recomenda que as obras de ampliação e remodelação dos aeroportos sejam feitas tendo em vista que eles operem 40% abaixo de sua capacidade máxima – justamente para absorver sem traumas as demandas nos períodos de pico e o aumento natural do tráfego aéreo. Na contramão dessa norma, os principais aeroportos brasileiros operam 30% acima de sua capacidade.
Corbis/Latinstock
México, rebelde
Mais estatizante ainda que o Brasil, o México encontrou na iniciativa privada a saída para modernizar seus aeroportos, e começou com o Terminal 1 do Benito Juárez

A situação, que é ruim, deve se tornar caótica na Copa do Mundo de 2014, quando o tráfego aéreo no país, segundo as estimativas, será 49% maior do que hoje. Na semana passada, o governo anunciou um reforço de 3 bilhões de reais ao investimento já prometido de 5,5 bilhões nos dezesseis aeroportos das cidades que vão sediar a Copa. Um estudo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), feito em conjunto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que o problema vai continuar quase do mesmo tamanho ainda que essas obras milagrosamente saiam do papel como planejado. Segundo o estudo, com o aumento do número de passageiros nesses quatro anos, os dezesseis aeroportos de cidades-sede da Copa chegarão a 2014 com um déficit de 30% em sua capacidade operacional.Reportagem completa em Veja desta semana)

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....