terça-feira, 13 de abril de 2010

Brasileiro vai às compras e se endivida mais.

Dívida de brasileiro cresce 18%
Vânia Cristino/Correio Braziliense


Em março, com a perspectiva do fim do IPI reduzido, consumidores intensificaram as compras a prazo de carros, móveis e eletrodomésticos


A ânsia do consumo por parte da população de baixa renda, que quis aproveitar a vantagem dada pelo governo para a compra, com imposto reduzido, de veículos, móveis e vários eletrodomésticos (fogão, geladeira e máquina de lavar), fez com que a procura por crédito desse um salto em março. Segundo a Serasa Experian, a demanda por financiamentos cresceu 18,3% em relação a fevereiro. Se forem consideradas apenas as famílias com renda mensal de até R$ 500, o crescimento foi muito maior: 32,9%. As duas taxas são recordes. (reportagem completa no CB)

Mensalão: Lula admite que sabia


Lula confirma aviso sobre o mensalão
Alana Rizzo e Tiago Pariz/ Correio Braziliense


Em documento enviado ao STF, presidente admite que soube, durante conversa com o ex-deputado Roberto Jefferson em 2005, do pagamento a deputados aliados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula admitiu pela primeira vez que teve conhecimento do mensalão durante reunião com o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), no primeiro semestre de 2005. No Ofício nº 57/2010 encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, incluído na Ação Penal nº 470, que investiga o repasse financeiro a partidos da base aliada, Lula também reconheceu a possibilidade de ter sido feito um acordo financeiro entre o PT e o antigo PL (hoje PR) na campanha eleitoral de 2002.

No documento, Lula gasta o maior número de linhas para explicar o encontro com Jefferson. Limita-se a fazer um relato da reunião, na presença dos ex-ministros Aldo Rebelo, Walfrido dos Mares Guia, e dos deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), José Múcio Monteiro (PTB-PE) e o próprio Jefferson. Lula disse que foi feita uma menção ao assunto “repasse de dinheiro para integrantes da base aliada do governo federal na Câmara dos Deputados”.

Posteriomente, o presidente disse que foi informado de uma reportagem publicada no Jornal do Brasil em 2004 que resultou na abertura de dois procedimentos na Câmara, um deles teria sido enviado ao Procurador-Geral da República. Detalhes específicos do encontro ou sua reação no momento foram poupados pela defesa. (reportagem completa no CB)

Enquanto isso, na Igreja Universal...

Enquanto a igreja se enrola ainda mais para tentar explicar o inexplicável, ou pelo menos disfarçar o imperdoável: a pedolfilia! A Igreja do Reino de Deus prefere outros caminhos: em vídeo, bispo da Universal ensina a arrecadar na crise. Cada um utiliza as ferramentas que possui.

Bispo Romualdo Panceiro diz que fiéis devem ser convencidos a "semear no altar'

"Por isso que a gente tem que perguntar: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus?", explica o 2º nome na hierarquia da instituição

RUBENS VALENTE/ Folha de São Peulo
DA REPORTAGEM LOCAL

Vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal mostra bispos da cúpula da entidade combinando a pregação para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008.
As gravações obtidas pela Folha, que oferecem rara visão sobre práticas da igreja, são de duas reuniões feitas por videoconferência entre líderes na sede, em São Paulo, e outros nos Estados. Foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Ele é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, que coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina.
Um dos vídeos começa com Romualdo tirando uma espada da cintura e colocando-a sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado.
Romualdo orienta que "semear" é dar dinheiro à igreja. Ele diz que a igreja deveria perguntar aos fiéis se eles "acreditam mais" na crise ou em Deus.
"Por isso que a gente tem que perguntar [ao fiel]: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus? Porque se você crê na crise, então você vai guardar para ela, ela vai pegar o que você tem. Sem que você saiba, quando você acordar, já era. Mas se você crê em Deus, você vai pegar o que a crise pode pegar e você vai colocar onde? [...] Vai semear no altar!", diz.
Romualdo indaga se Clodomir compreendeu: "É ou não é, Clodomir? Entendeu? [...] Não é legal isso?". Clodomir concorda: "Arrebenta. Tá ligado".
Em seguida, o bispo diz que a ideia deve ser disseminada entre os pregadores: "Quer dizer, mais semente você vai ter, e quanto mais você tem semente, mais você vai colher. Pô, é muito forte, não é? Então, a gente tem que virar o jogo. Passar esse espírito para os pastores agora, como eu já passei".
Ele se dirige ao bispo Sidney Marques, de Belo Horizonte: "Vai arrebentar, é muito forte! Hein, ô, Sidney?" "É o melhor investimento. O melhor investimento é esse", responde Sidney. "Momento propício para o uso da fé", arremata Romualdo.
O bispo diz que "combinou" com os pastores regionais de abrir três Bíblias, durante a oração do domingo, para "desafiar" as pessoas a trazerem dinheiro. "Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro. No domingo [esfrega as mãos], falar assim: "Olha, pessoal, em nome de Jesus, você que vai agora semear em cima dessa palavra aqui, com [R$] 10 mil para cima, vem aqui na frente, coloca, muito bem. Com [R$] 1.000 para cima, vem aqui pra frente. Com [R$] 500 para cima, vem aqui na frente, com [R$] 100 para cima, com dez reais para cima, com uma moeda para cima, coloca aqui". Porque aí a gente não está, como se diz, estipulando. Porque foi na hora da oferta, um desafio." (reportagem completa na FSP)

Homossexualidade leva à pedofilia, diz igreja

Número dois do Vaticano afirma que orientação sexual, e não o celibato, é a causa de abusos contra menores cometidos por padres

Afirmações vêm no mesmo dia em que Santa Sé divulga normas que incentivam que bispos denunciem suspeitos de prática à Justiça comum

O secretário-geral do Vaticano,Tarcisio Bertone, durante entrevista em Santiago; para ele, comportamento de padres é escandaloso/Ivan Alvarado/Reuters

LUCIANA COELHO,DE GENEBRA - Folha de São Paulo

O Vaticano lançou uma dupla frente de defesa ontem no escândalo das suspeitas de abusos sexuais de menores por padres, com a divulgação de suas diretrizes internas sobre o tema, nas quais recomenda a denúncia à Justiça civil, e com a declaração de seu número dois, no Chile, de que a pedofilia não tem ligação com o celibato e sim com o homossexualismo.
"Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram que há entre homossexualidade e pedofilia", disse o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, em entrevista coletiva em Santiago reproduzida por agências de notícias.
"Essa patologia [pedofilia] aparece em todos os tipos de pessoas e, nos padres, em um grau menor em termos percentuais", disse o religioso italiano. "O comportamento dos padres, nesses casos, é negativo, é grave e é escandaloso."
Teólogos reputados como o suíço Hans Küng têm apontado o celibato como uma das razões para exacerbar o problema da pedofilia na igreja.
Desde que um relatório da Igreja Católica na Irlanda, publicado no ano passado, trouxe à tona que cerca de 15 mil crianças sofreram abusos nas mãos de padres e religiosos entre os anos 30 e 90, denúncias e investigações pipocaram pela Europa e voltaram a surgir nos EUA. Uma linha telefônica para denúncias anônimas por vítimas aberta no fim do mês passado na Alemanha -terra natal do papa- recebeu quase 15 mil ligações em uma semana.(reportagem completa na FSP)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mais um golpe...

Golpe usa nome do MEC para premiar escola

Instituto de Guarulhos cobra R$ 2.000 para emitir certificado de qualidade que afirma ser baseado em índices oficiais

Anualmente, 150 escolas, supletivos e faculdades compram o direito de ser premiadas; ministro da Educação se disse perplexo

RICARDO GALLO/ Folha de São Paulo

Um instituto da Grande São Paulo vende, por R$ 2.000, um prêmio educacional baseado em um ranking inexistente do Ministério da Educação. Anualmente, 150 escolas, supletivos e faculdades compram desse instituto o direito de ser premiadas como as "melhores instituições de ensino do Brasil", à revelia do ministério.
Entre as premiadas, estão ao menos seis instituições de ensino superior reprovadas pelo MEC, além de colégios sem expressão e/ou mal colocados no Enem -exame que avalia o ensino médio. Elas propagandeiam o prêmio como se fosse oficial e disseram não saber que não era do MEC.
Não há ranking nacional que junte escolas e universidades -elas são avaliadas por exames diferentes.
O ministério pedirá que a Polícia Federal investigue o caso e tomará as "providências judiciais cabíveis". Por meio da assessoria de imprensa, o ministro Fernando Haddad se disse perplexo. O MEC afirmou que fará campanha para divulgar em todo o Brasil índices oficiais, de modo a evitar o uso indevido de dados federais. (reportagem completa no jornal FSP)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Atenção ao cartão!


Cresce o pagamento de juros nos cartões
Crédito a juros dispara no cartão
Valor Econômico

A entrada de clientes de renda mais baixa no mercado de cartões de crédito é uma das razões da alta de 45,5% no uso do crédito rotativo e das compras parceladas com juros em fevereiro, na comparação com o mesmo mês em 2009, que alcançou R$ 15,1 bilhões. Segundo o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli, o parcelamento é oferecido para evitar a alta da inadimplência. "O rotativo pode deixar você feliz um ou dois meses, mas depois não vai conseguir pagar".

O rotativo e as compras parceladas com juros no cartão de crédito disparam em fevereiro, com alta de 45,5% em comparação a igual mês de 2009, a R$ 15,1 bilhões pelos últimos dados do Banco Central (BC). Além dos efeitos sazonais, decorrentes do acúmulo de obrigações típicas de primeiros trimestres, como IPVA, IPTU, material e matrículas escolares, o salto revela a participação crescente das classes C, D e E nesse mercado, público que vem tendo acesso aos plásticos com bandeira mesmo antes de ter conta corrente. São consumidores que têm sido alvo dos correspondentes bancários e também das redes de varejo para converter unidades "private label" em cartões com bandeira, mas que ainda não assimilaram o efeito perverso dos juros ao pagar o mínimo da fatura.

A iniciativa dos bancos de oferecer a opção de parcelamento nos extratos mensais pode ainda estar contribuindo para inflar as concessões a juros. Instituições como Itaú, Santander, Bradesco e Panamericano têm apresentado a alternativa - com alongamento do prazo, mas no mesmo custo do rotativo. Nos anos recentes, em nenhum fevereiro observou-se taxas de crescimento dessa ordem. Os R$ 15 bilhões equiparam-se aos desembolsos de dezembro, mês de pico nas vendas do varejo, em que muitos consumidores optam pelo parcelamento na hora da compra.(Reportagem completa em Valor Economico)

Crônica de uma morte anunciada...

O Globo de hoje traz um histórico da ação governamental em uma área que já estava condenada há muito tempo e que, aos pouvcos, foi ajudada pelo poder público a ser ocupada pelos moradores que hoje choram a perda de seus familiares. Muitos estão desaparecidos.

Área foi condenada em 2004

O desfecho trágico do Morro do Bumba foi sendo escrito, ano a ano, graças à omissão das sucessivas administrações do município que fizeram vista grossa para o crescimento da favela. Antes mesmo da retirada do lixão, algumas casas já haviam sido erguidas ali. Mas, com a Ponte Rio-Niterói, o processo de favelização ganhou impulso avançando sobre um solo íngreme e instável de cor preta, resultado da decomposição do lixo.

Contratado para fazer um levantamento sobre o risco de desabamento de encostas em Niterói, o Instituto de Geo-Ciências da UFF condenou a área, em 2004, num trabalho entregue ao então prefeito, Godofredo Pinto (PT).

- Isso é indesculpável. Foi omitido pela prefeitura que ali funcionara um lixão, o que é estranho. E, mesmo sem ter a informação, foi constatado que era uma área de risco. Se eu soubesse do lixão, teria dedicado um capítulo inteiro para mostrar que aquela situação era impossível - disse Adalberto da Silva, que participou do trabalho.

O lixão funcionou entre 1970 e 86. No final do governo de Wellington Moreira Franco, a prefeitura tentou usar o aterro sanitário do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, onde o município investiu, na época, R$600 mil. Mas a comunidade local reagiu e, por dois anos, o lixo foi depositado em Gramacho, Duque de Caxias.

Ex-prefeito de Niterói entre 1983 e 1988, que assumiu o governo um ano após a desativação do lixão do Morro do Bumba, o médico Waldernir Bragança, conta que proibiu totalmente a ocupação. Segundo ele, depois a fiscalização afrouxou e alguns barracos começaram a ser erguidos.

- Era uma terra fofa. Eles ocupavam e a prefeitura tentava tirar, mas eles voltavam - justificou Bragança. - É um lugar onde não se pode erguer casas, pois o terreno tinha restos de papel e material orgânico. O gás metano acaba explodindo e a água da chuva acelera este processo.

Em vez de reprimir a ocupação irregular do antigo lixão, o poder público acabou por incentivar a invasão. O resultado do descaso de pouco mais de dez anos estava estampado ontem no desespero dos moradores.

- Houve um programa de urbanização naquela área. Tem escola profissionalizante, creche oficial e tudo o mais. Daí, dizer que o povo ocupou sem ninguém saber é um pouco demais. Temos uma catástrofe anunciada com a conivência das autoridades - protestava a funcionária pública Renata Botelho, que mora perto do Morro do Bumba.

Foi no Morro do Bumba que a Cedae, no governo Leonel Brizola, fez sua primeira grande obra de saneamento em Niterói, levando para o local, de helicóptero, uma grande caixa d"água para atender aos moradores. Logo depois, Brizola (que virou nome de rua no local) levou para o Bumba o programa Uma Luz na Escuridão. Mais tarde, a prefeitura construiu uma escola municipal e levou para a comunidade o programa Médico de Família. O local ganhou uma grande quadra poliesportiva, uma creche e outros equipamentos públicos.

Ex-administrador regional em Ititioca, área que compreende o Morro do Bumba, na gestão de Godofredo Pinto (PT) - de 2002 a 2005 e depois de 2005 a 2008 -, Salomão Vianna disse ontem que, muito chocado, não conseguiu ficar muito tempo junto aos escombros do desabamento.

- Eu me afastei porque é muito triste. Infelizmente, era um empreendimento urbano desordenado. Ninguém incentivou, não houve uso político. Depois da retirada do lixão, famílias de nordestinos começaram a ocupar o morro - disse Salomão, que, em sua gestão, conduziu ações de manutenção, acreditando que deveria promover melhorias para a comunidade, como operações tapa-buraco e limpeza de ruas.

Na gestão seguinte, de João Sampaio (PDT) -1993 a 1997 -, houve obras de urbanização, em 1996. As grandes favelas de Niterói surgiram e cresceram em áreas públicas. É o caso dos Morros do Estado, do Cavalão, do Preventório e da Favela do Sabão.

Com a tragédia, o Bumba, que já tinha virado palco de campanhas eleitorais, virou motivo de briga política. O ex-vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), ainda ligado à oposição, culpa o atual prefeito, Jorge Roberto Silveira (PDT) - 1989 a 1993; 1997 a 2001; e 2001 a 2002, quando saiu para disputar o governo estadual). Segundo ele, até 1988, as construções no morro estavam expressamente proibidas. A partir de 89, quando Jorge Roberto assumiu a administração do município, as ocupações ganharam fôlego:

- É uma hipocrisia agora dizer que a culpa é dos mortos. Essas casas tinham água encanada e energia elétrica regularizada.

O presidente Lula voltou a criticar os governantes que deixam as pessoas construírem casas em áreas de risco:

- Eu penso que isso vai aumentando a consciência dos dirigentes deste país, para não permitir que as pessoas mais pobres comecem a construir suas casas na área de encostas.

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....