quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O aumento que todo trabalhador merece, menos eles.

por katia maia
Quisera todo trabalhador brasileiro poder chegar ao seu chefe, sua empresa, seu empregador e declarar que a partir de agora seu salário será reajustado em 60%. Esse é um típico caso do ‘todo mundo merece’. Mas, infelizmente somente poucos têm o poder de, na hora em que bem entender, declarar que está dado um aumento aos seus próprios rendimentos.

A verdade é que nesse departamento os nossos parlamentares foram bem eficientes. No final da manhã, enquanto a reunião da Mesa sobre o assunto ainda estava em andamento, apresentaram o texto na Câmara, aprovaram sua tramitação em regime de urgência e, em dois minutos, aprovaram o mérito.Depois, em menos de cinco minutos, o mesmo aconteceu no Senado.

O recém alfabetizado, palhaço e deputado eleito, Tiririca (esq.), conversa com Temer, presidente da Câmara (Foto:Sergio Lima/Folhapress

Enquanto projetos aguardam anos, décadas para serem votados no congresso Nacional, em apenas um dia, em votação relâmpago os digníssimos determinam que o brasileiro terá que pagar a partir de fevereiro 62% a mais no salários de vossas excelências.

O último aumento nesses salários havia sido em 2007. Desde então, a inflação acumulada foi de 19,9%, bem abaixo do que foi concedido deles a eles mesmos.

O triste é ver que esse aumento, que para presidente e vice-presidente chega a 130% é uma unanimidade entre o seleto grupo de autoridades legislativas e do executivo. Triste foi ver ‘recém declarado’ alfabetizado, deputado Tiririca, dizer que ‘teve sorte’ por visitar a câmara no dia em que se votava um aumento em causa própria.

Pior foi ver o presidente da república fazer brincadeira sobre o assunto e dizer que “o lulinha aqui’ vai ficar fora dessa boquinha.

Menos feio seria se ele esquecesse um pouco as brincadeiras para a platéia e no fim do seu mandato, no momento em que fazia seu balanço de oito anos, tivesse se lembrado do trabalhador brasileiro e recriminado o Congresso por dar a si mesmo um aumento acima do razoável quando costuma chorar muito na hora de reajustar o salário mínimo.

Lula já não precisava afagar os parlamentares, está saindo, e poderia ter dado ao fato a leitura que todo brasileiro fez: isso é um acinte!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Não, nem eu...

por katia maia

Lembra da brincadeira do “não, nem eu”? Pois bem, vejo que ela saiu do âmbito lúdico e tomou corpo nos corredores políticos de nossa tão (injustamente) difamada Brasília. A coisa já acontecia, eu sei. Claro que não somos ingênuos ao ponto de imaginar que uma situação de honestidade e normalidade nos corredores do congresso.

Claro que a gente sabe muito bem que o velho discurso de falta de dinheiro para ações que realmente importam na vida do brasileiro (leia-se saúde, educação e segurança) são um mero discurso para encobrir a quantidade de falcatruas que rolam por debaixo dos panos.

Nesses últimos anos são emblemáticos os escândalos de desvios, desmandos e falta de compromisso com a coisa publica e Brasília, infelizmente – não fosse toda a sua fama de servir de abrigo para políticos que por si só dispensam comentários – agora carrega mais esse escândalo das emendas parlamentares que destinaram recursos SEM LICITAÇÃO para festinhas culturais e eventos patrocinados pelos institutos ‘x’ ou ‘z’.

Esse último, um tal de IPAM, teria recebido R$ 4,7 milhões de emendas de parlamentares petistas do DF. A sua diretora, Liane Muhlenberg, era assessora da senadora petista Serys Slhessarenko.

Era, porque foi exonerada no momento em que a senadora soube da história. Foi exonerada porque não cabia outra atitude à senadora que se disse “traída” por Liane e precisava livrar sua pele desse escândalo e preservar seu posto como relatora da Comissão de Orçamento.

Pois bem, essa tal de Liane se diz honesta e proba e refuta qualquer acusação contra ela. Ah, claro...

Mas, foi desonesta quando assinou uma declaração dizendo que não era funcionária do executivo ou do legislativo para conseguir verbas de parlamentares sem licitação. É vedada a destinação de verba pública a institutos presididos por servidores de um dos poderes.

Depois, de ser pega ‘no pulo’ como se diz na minha terra, essa Liane vem com aquela velha desculpa: “eu não sabia, foi um descuido, uma desatenção, um equívoco”. Ah, claro! Equivoco! Assinar um papel declarando que não é funcionária do legislativo para ter acesso a recursos milionários sabendo que é contratada há três anos pelo gabinete de uma senadora. Isso para mim não é equivoco, é má fé.

Mas, depois que desculpa entrou no mundo serviu de explicação para muita coisa e é uma ferramenta muito utilizada por quem faz errado e pensa: qualquer coisa eu digo que não sabia, não fui eu etc... Fácil, extremamente fácil.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A vida em 140 toques

por katia maia

Minha primeira obra literária não é bem uma obra MINHA, mas conta com a minha modesta participação de 140 toques. O livro TOC 140 escolheu os cem melhores poemas tweetados com 140 caracteres.

Livro editado a partir dos 100 melhores twwetpoemas enviados à Fliporto


Bom, neste fim de semana, recebi em minha casa a edição do livro e, confesso, fiquei bem feliz. Promovi uma leitura coletiva entre mim e meus filhos para que pudéssemos apreciar essa nova modalidade de literatura que surge a partir da criatividade condensada e instantânea das redes sociais.

O meu poeminha, modesto, está editado na página 137 e diz o seguinte:

Poeminha editado na página 137

"Se quiser saber quem eu sou, não me pergunte. Sinta-me. Vê? Estou falando.Não ouve? Acho que perdeu os sentidos. #TOC

Meus filhos ouviram e me disseram: mãe, sua cabeça é mesmo doida! Doida ou não, minha cabeça é um turbilhão de pensamentos, hipóteses, conjecturas. Não paro nunca de pensar e dessa forma sigo dessa forma: às vezes atormentada, às vezes anestesiada.

Só sei que tudo é uma questão do nada. Agora mesmo tento não pensar e esperar. Aguardo que a vida se resolva e dê solução para as minhas angustias que, muitas, me tiram o sono e me agitam o coração.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Assim seja.

por katia maia

Achava que nada era coincidência e que as coisas aconteciam de uma maneira ou de outra porque seguiam a lógica da conspiração do universo – às vezes a favor, ás vezes contra.

A verdade é que não conseguia parar de pensar no que acontecera e naquilo que poderia suceder se a ordem dos fatos fossem semelhantes à outras vividas em épocas diferentes.

Isso era ser fatalista? Não sabia. No seu entendimento tudo tem uma razão de ser. Só que em muitos momentos, não conseguia perceber o porquê de tudo ser da forma como era.

Estava triste porque desta vez, a bola da vez, era uma seqüência de fatos que já a fizera muito triste e tinha medo de que a força do destino a fizesse sofrer novamente.

E assim pensava: o que fazer para reverter essa sensação pessimista? Uma hora agarrava-se às preces e pedia a todos os anjos e santo que nada fosse do jeito que já fora um dia.

Em outro momento, valia-se da crença de que os fatos e a vida são determinados pela nossa capacidade de crer na reversão ou não do momento. Por isso, pensava, visualizava e agradecia o êxito em seu propósito. Era a hora de usar a força da mente.

Também tinha outra tática – essa já era utilizada por ela desde seus tempos de adolescente. Era simples, costumava identificar a data do dia”D” e pensava: no dia seguinte, esse problema já estará solucionado seja para o bem ou para o mal. E assim não sofria tanto com a tensão pré-decisão.

Essa última tática costumava dar certo e as estatísticas revelavam que o seu desfecho tinha sido até hoje mais favorável do que contra. E até o fato de pensar sobre isso a fazia pensar que desta vez também prevaleceria o final feliz. Assim seja.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tudo isto é complexo

PLÍNIO FRAGA, DO RIO
da Folha de São Paulo

Ao percorrer Alemão e Penha, Folha ouve relatos de violência policial e de alívio após o sumiço dos traficantes do morro

(Foto: artefatos explosivos com iniciais do Comando Vermelho apreendidos pela polícia do RJ. Rafael Andrade/Folhapress )





Tudo isto é Complexo:
1) policiais conhecidos como Xavier, Birrô, The Flash e Júnior do Ipase, do 16º BPM, andam por ruas da favela da Vila Cruzeiro com a intenção de instalar uma nova milícia;
2) porcos estão comendo corpos de traficantes mortos pela polícia na mata da serra da Misericórdia;
3) traficantes, que estavam cercados pela polícia, fugiram de madrugada por escadaria escondida em beco que desemboca no número 270 da estrada do Itararé;
4) traficantes cercados desde sexta-feira pagaram R$ 1 milhão por cabeça para saírem de favela dentro de blindados da polícia;
5) moradores agora dizem que, sem traficantes, podem mandar os filhos à escola;
6) a polícia de fato assumiu o território antes controlado pelo tráfico, apreendeu grande parte do estoque de drogas e armas e assim aniquilou o que antes era o quartel general do CV. Complexo é a palavra que abarca região de dezenas de favelas e define o emaranhado de acusações e problemas que ganharam voz livre desde domingo. Foi quando a policia e as Forças Armadas concluíram a expulsão de traficantes que dos Complexos do Alemão e da Penha. A Folha passou cinco horas ouvindo moradores e circulando nas favelas da Penha e do Alemão.
(Leia mais na FSP)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sou quente, sou fria... Sofria.

por katia maia
Esse fim de ano tem tido para mim um sabor de tormenta e calmaria. Algo como nuvens escuras que pairam sobre minha cabeça e ameaçam soltar raios aleatoriamente e momentos de pura poesia como um arco-íris a traspassar minha alma e me fazer refletir e acreditar que tudo pode dar certo.

Dias de tormenta

Alterno momentos de pura conjunção com o universo que me rodeia e instantes de raiva e acidez com os que me rondam. Sou pouca simpatia e pura empatia. Vivo no alto e despenco para o fundo do poço. Sou harmonia e misantropia.

Dias de calmaria.

De repente dou as mãos ao desconhecido e viro as costas para os mais próximos. Sou absoluta compreensão e a mais completa ingratidão. Grito e ensurdeço a audição de quem é só ouvido para mim e peço humildemente atenção do estranho do outro lado da rua. Sou e não sou, penso e desprezo. Neste fim de ano sou um pouco, sou muito, sou quente, sou fria. Sofria...

///~..~\\\

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lobato na berlinda do mundo politicamente correto.

Por katia maia



Esse mundo politicamente correto a cada dia me surpreende mais. Eu já andava com um pé atrás em relação ao que se fala das cantigas infantis que, segundo a boa prática politicamente correta, não se deve mais cantar ‘atirei o pau no gato’, mas: ‘NÃO atirei o pau no gato’.

A cantiga do cravo, aquele que brigou com a rosa, também foi alvo de críticas pois incita a violência. Agora, pasmem: os livros de Monteiro Lobato correm o risco de serem banidos das escolas públicas porque estão sendo considerados racistas em alguns trechos!

Para que isso não aconteça, o CNE, em parecer publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, sugere que trechos racistas sejam reescritos ou que obra seja acompanhada de "estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura".

Na boa: mexer em obra de arte é um crime contra o patrimônio publico. Eu cresci lendo Monteiro Lobato e cantando as respectivas cantigas já citadas e posso dizer: não sou violenta ou racista – nem por isso nem pela falta disso. Simplesmente não o sou porque me foram passados valores que independiam de canções que eu cantarolava. As cantigas eram apenas um momento de lazer entre crianças sem a menor intenção de ser racista.

Para mim, o mundo politicamente correto está passando dos limites. Quando Monteiro Lobato escreveu em seu livro que a “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”, ele não estava querendo depreciá-la, mas apenas retratar a cena com uma linguagem que cabia na época. É o retrato de um momento. Se formos reescrever todos os clássicos que se referem aos afro descendentes como pretos teremos que descaracterizar nossas obras.

Eu li as Caçadas de Pedrinho e não me lembro de sair chamando coleguinhas á minha volta de macaco por causa das linhas escritas no livro. O problema é que o mundo politicamente correto termina enxergando o que não existe em lugares onde não há o que se reprimir.

O grave está, isso sim, em diálogos depreciativos que presenciamos diariamente em novelas, séries e programas de televisão. Lá, sim, eu vejo filhos desrespeitando pais, amigos depreciando colegas e humoristas de mau gosto fazendo caricaturas de homossexuais e até de negros. Isso, para mim é de extremo mau gosto. Isso sim desvirtua valores e forma uma geração de crianças e jovens sem respeito pelo próximo.

Ah, tem ainda os jogos de videogame, ou Playstation, como é chamado hoje. Esses mostram pessoas matando-se umas as outras e incita a violência. Há ainda a internet, que traz muita coisa ruim para a vida de nossas crianças e jovens.

Agora, dizer que uma obra de Monteiro Lobato é racista e deve ser reescrita ou banida! Isso para mim é um desaforo! Perdeu-se a noção do razoável. Pois que se leiam os livros do autor do Sítio do Picapau Amarelo e se contextualize para as crianças a época em que foram escritos (se é que isso é preciso. Afinal, não devemos tratar nossas crianças também como débeis).

O que não dá é ver maldade em tudo. É, realmente, Monteiro Lobato escreveu As Caçadas de Pedrinho com o intuito racista. Muito boa essa.

O parecer que pede que o livro ‘As Caçadas de Pedrinho’ seja banido das escolas públicas foi aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE e foi feito a partir de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....