O Estado de S. Paulo
Arruda pede que Supremo adie julgamento e já avalia renúncia
Mariângela Gallucci e Leandro Colon, BRASÍLIA
Para construir um fato político com poder de tirá-lo da cadeia, o governador afastado do DF, pediu adiamento do julgamento de seu habeas corpus
Para deixar prisão, governador afastado pretende mostrar que, longe do cargo, não obstruiria as investigações
Para construir um fato político com poder de tirá-lo da cadeia, o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), pediu ontem o adiamento do julgamento do habeas corpus, que estava agendado para hoje. A solução passa pela renúncia de Arruda ou por licença até o fim das investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
O gesto, discutido pelo governador afastado com seus advogados na noite de terça-feira, na cela da Superintendência da Polícia Federal, pretende mostrar aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - propensos a manter Arruda na cadeia - que longe do cargo, seja na hipótese de uma renúncia ou licenciado, ele não poderia mais obstruir as investigações, fato que motivou a prisão.
Nos últimos dias, o advogado Eduardo Alckmin, que faz parte do corpo de defesa de Arruda, procurou políticos influentes do Congresso - alguns com experiência de investigados por CPIs e pela PF - para obter um diagnóstico sobre as chances de sobrevivência do governador.
Na avaliação desses "consultores" de crise, uma investigação como a Pandora produziria efeitos muito mais devastadores para Arruda, se somada às apurações de uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa, ameaça que paira sobre a cabeça do chamado chefe do "mensalão do DEM". Para não abrir essa segunda frente de investigação, só restaria a renúncia. E essa hipótese é a mais forte hoje.
IMPEACHMENT
Pelo cronograma da Câmara Legislativa, Arruda tem cerca de 20 dias, até meados de março, para renunciar sem sofrer os efeitos de um impeachment - a perda de direitos políticos.
A eventual renúncia de Arruda acrescenta incerteza ao quadro sucessório do DF, uma vez que há dúvidas sobre a legalidade de um governo a ser chefiado até o fim do mandato pelo deputado distrital Wilson Lima (PR). Com isso, as chances de intervenção federal no DF aumentariam.
Nélio Machado, que integra a defesa de Arruda, alegou, ao pedir o adiamento, que só ontem teve acesso às transcrições dos votos dos ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, no dia 11, mandaram prender o governador. Com mais tempo, ele poderá analisar as transcrições e preparar a defesa.
Machado também disse que os advogados não foram avisados com antecedência do julgamento do dia 11. O pedido de habeas corpus, que seria analisado hoje, foi protocolado quando estava em andamento a sessão do STJ que ordenou a prisão.
Para os advogados, o decreto de prisão tem três fatores que determinam a ilegalidade: falta de submissão da medida ao Legislativo, ausência de fundamentação pela autoridade judicial e falta de demonstração da sua necessidade efetiva.
Com o pedido da defesa, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, adiou para data ainda não prevista o julgamento do habeas corpus e Arruda deverá continuar preso pelo menos até a próxima semana.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Novo interino do DF é alvo de ação por improbidade
Wilson Lima é réu em razão de criação de cargos de confiança considerados ilegais pelo TJ
Governador interino afirma que denúncia do Ministério Público "beira as raias do absurdo" e nega todas as acusações de irregularidade
da Folha de São Paulo
FERNANDA ODILLA
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto luta para se manter no poder, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), responde a processo na Justiça por improbidade administrativa.
Ele e outros quatro deputados são réus em ação movida pelo Ministério Público do DF por terem assinado ato de criação de cargos de confiança em 2008, contrariando a lei. Lima era o responsável pela área de pessoal da Câmara do DF.
Movida em outubro, a ação questiona deliberação da Mesa que recriou cargos no fundo de saúde dos deputados. Quinze dias antes de os cinco distritais assinarem o documento, o Tribunal de Justiça do DF havia considerado os cargos ilegais.
O Ministério Público pediu a suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 1,2 milhão para Lima e cada um dos outros integrantes da Mesa.
"Os membros da Mesa agiram dolosamente, alinhados contra os princípios da administração pública, restando configurado o ato de improbidade", afirma a denúncia.
O processo está em fase de apresentação da argumentação dos distritais. A defesa de Lima sustenta que a denúncia "beira as raias do absurdo". Alega que houve apenas mudança de nomenclatura de dois cargos.
O novo governador também tem uma dívida com a Fazenda Pública do DF, que acionou a Justiça contra seu supermercado. Segundo o processo, o débito de R$ 20 mil foi parcelado e já está sendo quitado.
Pesa ainda sobre Lima a suspeita de ter alterado, em 2006, o Plano Diretor do Gama, cidade onde vive, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, teria mudado o texto para beneficiar amigos.
Ele ainda é suspeito de desviar servidores da Câmara Legislativa para trabalhar no Instituto Wilson Lima, que oferece cursos profissionalizantes.
Lima nega todas as acusações.
No inquérito da Caixa de Pandora, há só uma citação lateral sobre Lima. Em folha apreendida na casa de um secretário do governador afastado José Roberto Arruda, as iniciais WL aparecem junto ao nome de outros deputados distritais, sem valores, com números soltos e a inscrição "balanço".
Por avaliar como inconsistentes as acusações, a base aliada de Arruda se mobilizou ontem para tentar blindar o DF contra a possível intervenção.
Com a ameaça de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a entrada de um interventor, Wilson Lima, que é aliado de Arruda, passou o dia tentando dar provas de estabilidade. Reuniu secretários e pediu relatório das principais ações em andamento.
Lima marcou um encontro no Tribunal de Contas para anunciar a suspensão de pagamentos de contratos com empresas citadas no inquérito que investiga o mensalão do DEM e pediu urgência nas auditorias.
O novo governador não deu entrevista. Mandou apenas um recado por assessores: "A intervenção não é oportuna".
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Colaborou FILIPE COUTINHO, da Sucursal de Brasília
Governador interino afirma que denúncia do Ministério Público "beira as raias do absurdo" e nega todas as acusações de irregularidade
da Folha de São Paulo
FERNANDA ODILLA
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto luta para se manter no poder, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), responde a processo na Justiça por improbidade administrativa.
Ele e outros quatro deputados são réus em ação movida pelo Ministério Público do DF por terem assinado ato de criação de cargos de confiança em 2008, contrariando a lei. Lima era o responsável pela área de pessoal da Câmara do DF.
Movida em outubro, a ação questiona deliberação da Mesa que recriou cargos no fundo de saúde dos deputados. Quinze dias antes de os cinco distritais assinarem o documento, o Tribunal de Justiça do DF havia considerado os cargos ilegais.
O Ministério Público pediu a suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 1,2 milhão para Lima e cada um dos outros integrantes da Mesa.
"Os membros da Mesa agiram dolosamente, alinhados contra os princípios da administração pública, restando configurado o ato de improbidade", afirma a denúncia.
O processo está em fase de apresentação da argumentação dos distritais. A defesa de Lima sustenta que a denúncia "beira as raias do absurdo". Alega que houve apenas mudança de nomenclatura de dois cargos.
O novo governador também tem uma dívida com a Fazenda Pública do DF, que acionou a Justiça contra seu supermercado. Segundo o processo, o débito de R$ 20 mil foi parcelado e já está sendo quitado.
Pesa ainda sobre Lima a suspeita de ter alterado, em 2006, o Plano Diretor do Gama, cidade onde vive, liberando terrenos residenciais para construir postos de gasolina. Relator do projeto, teria mudado o texto para beneficiar amigos.
Ele ainda é suspeito de desviar servidores da Câmara Legislativa para trabalhar no Instituto Wilson Lima, que oferece cursos profissionalizantes.
Lima nega todas as acusações.
No inquérito da Caixa de Pandora, há só uma citação lateral sobre Lima. Em folha apreendida na casa de um secretário do governador afastado José Roberto Arruda, as iniciais WL aparecem junto ao nome de outros deputados distritais, sem valores, com números soltos e a inscrição "balanço".
Por avaliar como inconsistentes as acusações, a base aliada de Arruda se mobilizou ontem para tentar blindar o DF contra a possível intervenção.
Com a ameaça de o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar a entrada de um interventor, Wilson Lima, que é aliado de Arruda, passou o dia tentando dar provas de estabilidade. Reuniu secretários e pediu relatório das principais ações em andamento.
Lima marcou um encontro no Tribunal de Contas para anunciar a suspensão de pagamentos de contratos com empresas citadas no inquérito que investiga o mensalão do DEM e pediu urgência nas auditorias.
O novo governador não deu entrevista. Mandou apenas um recado por assessores: "A intervenção não é oportuna".
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Colaborou FILIPE COUTINHO, da Sucursal de Brasília
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Calor reduz produção de ostras em 60%

Moluscos morrem devido à alta da temperatura da água do mar em até 4C; os que sobrevivem têm volume menor de carne
"Mortandade de verão", comum nesta época, mais que dobrou em relação a outros verões, passando de cerca de 35% para 82%
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FLORIANÓPOLIS
O aumento da temperatura da água do mar em até 4C, consequência do clima aquecido, intensificou a perda da produção de ostras em Santa Catarina, principal produtor nacional. A avaliação dos produtores é que a mortandade do molusco deve atingir 60% das sementes cultivadas na safra.
Esse percentual é muito alto em relação às safras passadas e tem relação com o verão mais quente. A chamada "mortandade de verão", comum nesta época, mais que dobrou em relação a outros verões: saltou de cerca de 35% para 82%. Significa dizer que de cada 100 sementes cultivadas no verão, 82 morreram.
As ostras que sobrevivem às águas quentes do mar chegam às mesas com volume menor de carne. Por isso, restaurantes de Florianópolis estão comunicando o problema aos clientes, mas dizem que a qualidade e as características do molusco estão preservadas.
A perda de sementes só não é maior porque, devido à crise econômica mundial, muitos produtores cultivaram menos na safra atual, afirma a oceanógrafa Flávia Couto, uma das proprietárias da fazenda marinha Atlântico Sul, um dos três maiores produtores do Estado.
O resultado final da safra 2009 pode ser menor do que o da safra anterior, que já não foi boa. Esse resultado, porém, só será conhecido em maio.
A produção média de ostras em Santa Catarina, entre 2004 e 2008, foi de 2.200 toneladas por ano.
Alex Santos, responsável pelo setor de aquicultura da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), não acredita que a perda da safra 2009 atinja 60%, mas 50%.
Para a safra 2010, ele diz que a perda é alta, mas que ainda há tempo para o produtor reagir, comprando mais sementes.
Ocorre que ainda resta um mês para o fim do verão e as perdas vão continuar. As fazendas marinhas em Florianópolis registram temperaturas de até 32C (o pico foi na semana do Carnaval). Nos últimos dez anos, a temperatura máxima registrada tinha sido de 28C.
Reduzir perdas
O biólogo Mauro Almeida afirma que era comum que, ao longo do verão, a temperatura das águas atingisse 28C no máximo em dez dias -o que é já é alto para o tipo de ostras cultivado no Estado (a temperatura ideal é entre 17C e 22C).
Na atual safra, porém, já são quase 50 dias com temperatura superior a 28C.
Esta é a época do ano em que mais se consome ostra no Brasil, apesar de ser o pior período para produção. Para atender à demanda, o verão é a estação em que mais ostras estão no mar. Por isso a perda é maior.
Os produtores catarinenses filiados à federação estadual dos aquicultores, presidida por Fábio Brognoli, discutem formas de reduzir essa perda com o aquecimento do clima.
Debatem novas técnicas de manejo e também a industrialização do produto, já que 90% do comércio de ostras no Brasil é feito com o molusco vivo.
Brognoli disse que as perdas no setor causam ainda redução -de 130 para 95- no número de produtores no Estado.
Entrevista do Ministro Fernando gonçalves (STJ) à Folha
Ministro do STJ diz que Arruda o procurou
Fernando Gonçalves afirma que, após receber processo da Caixa de Pandora, chefe da Casa Civil de Aécio também tentou contatá-lo
"Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, eu nunca fui de mandar prender", afirma ministro
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. "O processo era sigiloso, não sei como vazou", disse. "Devia ter mais coisa no ar do que avião", acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: "Fiz a contragosto, não foi por prazer".
FOLHA - No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era "imprescindível". Por quê?
FERNANDO GONÇALVES - Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.
FOLHA - O sr. foi implacável?
GONÇALVES - Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.
FOLHA - E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
GONÇALVES - Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.
FOLHA - Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
GONÇALVES - Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.
FOLHA - E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
GONÇALVES - A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.
FOLHA - O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
GONÇALVES - Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.
FOLHA - O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
GONÇALVES - O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.
FOLHA - O que o sr. lhe disse?
GONÇALVES - Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.
FOLHA - O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
GONÇALVES - A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.
FOLHA - A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
GONÇALVES - Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!
Fernando Gonçalves afirma que, após receber processo da Caixa de Pandora, chefe da Casa Civil de Aécio também tentou contatá-lo
"Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, eu nunca fui de mandar prender", afirma ministro
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. "O processo era sigiloso, não sei como vazou", disse. "Devia ter mais coisa no ar do que avião", acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: "Fiz a contragosto, não foi por prazer".
FOLHA - No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era "imprescindível". Por quê?
FERNANDO GONÇALVES - Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.
FOLHA - O sr. foi implacável?
GONÇALVES - Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.
FOLHA - E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
GONÇALVES - Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.
FOLHA - Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
GONÇALVES - Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.
FOLHA - E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
GONÇALVES - A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.
FOLHA - O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
GONÇALVES - Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.
FOLHA - O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
GONÇALVES - O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.
FOLHA - O que o sr. lhe disse?
GONÇALVES - Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.
FOLHA - O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
GONÇALVES - A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.
FOLHA - A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
GONÇALVES - Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Os cenários possíveis no STF
Correio Braziliense
Lilian Tahan
Supremo tende a manter a prisão preventiva do governador afastado. Perfil dos ministros e peso das acusações são fatores críticos
Os olhares de milhões de brasileiros, muitos deles de brasilienses interessados diretamente nos rumos da crise no Distrito Federal, estarão atentos ao plenário do Supremo Tribunal de Federal na próxima quinta-feira, quando está marcado o julgamento do pedido de habeas corpus (HC) do governador afastado José Roberto Arruda. Ele é acusado de comandar a tentativa de suborno para atrapalhar as investigações da Caixa de Pandora. Se for solto, Arruda voltará ao comando do GDF. Mas, segundo juristas e ex-ministros do STF ouvidos pelo Correio, a contundência das acusações contra o governador afastado e o perfil mais conservador da maioria dos ministros integrantes da Corte indicam a manutenção da prisão preventiva. O entendimento é que ele apenas deixe a cadeia quando renunciar.
Ex-colegas e juristas com trânsito entre os ministros do STF atribuem formação liberal ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Eros Grau, minoria entre os 11 integrantes do Supremo. A formação liberal é aquela em que o juiz observa em primeiro lugar o direito individual e segundo a qual a prisão é medida extrema, só ministrada em último caso. Mesmo entre os liberais, a decisão sobre o HC de Arruda pode provocar surpresas que contrariem eventuais tendências baseadas no perfil dos ministros.
É o caso do próprio relator do pedido de habeas corpus, Marco Aurélio, considerado do grupo mais voltado para os direitos individuais, mas que mesmo assim decidiu manter Arruda preso. Ele deve manter seu posicionamento a favor da prisão do chefe do Executivo do DF afastado. Em 2007, o ministro concedeu habeas corpus ao banqueiro Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, condenado a 13 anos de prisão por desvio de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos. Cacciola acabou fugindo. “A materialidade das acusações contra Arruda é tão farta que deve se sobrepor às tendências e ideologias próprias dos ministros”, considerou um ex-integrante do STF.
Mesmo diante da previsão pela manutenção da prisão preventiva de Arruda, há outros cenários possíveis para a quinta-feira (leia quadro). Um deles pode ser provocado pela defesa do governador afastado. Até o momento da sustentação oral no plenário do STF na próxima quinta-feira, os advogados podem desistir do pedido de HC. A providência seria uma das táticas dos assessores jurídicos de Arruda para evitar o prolongamento da prisão preventiva, já que após o julgamento do mérito do processo, os argumentos apresentados pela defesa nessa ação perdem a validade.
Outras intervenções, como um pedido de vista, também podem adiar o desfecho sobre a situação de Arruda. Em casos considerados muito polêmicos, de repercussão nacional ou grande comoção cresce o senso de responsabilidade dos ministros com poder de definir o rumo dos impasses. Assim, nessas situações, é comum que um dos ministros queira estudar mais a fundo o relatório. Foi dessa forma em julgamentos como o do pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, da homologação das terras de Raposa Serra do Sol e para autorização de pesquisas com células-tronco. A ressalva dessa prática, no entanto, pode ocorrer justamente nos casos de julgamento de habeas corpus, que envolve prisão, situação em que há um entendimento tácito de que o adiamento de uma decisão deve ser feito em última instância.
Assim como ocorreu no julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que levantou uma preliminar antes de julgar o mérito sobre a prisão de Arruda, na quinta-feira, os ministros também devem voltar à discussão sobre a necessidade ou não de se consultar a Câmara antes da votação que pode manter Arruda detido na Polícia Federal. Segundo confirmou o ministro-relator do caso, Marco Aurélio Mello ao Correio, essa questão inevitavelmente entrará em debate. Ela será um dos argumentos da defesa na tentativa de convencer a Corte a liberar Arruda. Os advogados do governador afastado sustentam que a prisão preventiva desobedece artigo da Lei Orgânica que prevê a consulta ao Poder Legislativo em caso de processo contra o chefe do Executivo. O entendimento do STF, no entanto, deve ser no sentido de que a tese não vale para casos excepcionais como a prisão preventiva, mesma interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça no dia em que decretou a prisão de Arruda.
O que vai pesar no julgamento de Arruda
Conheça os fatores que influenciam no julgamento do pedido de habeas corpus do governador afastado José Roberto Arruda no Supremo Tribunal Federal
Perfil conservador da Corte
Juristas e ex-ministros ouvidos pelo Correio fazem uma leitura de que na composição atual do STF prevalece o perfil conservador. Os ministros com formação mais liberal estão em minoria. E mesmo entre aqueles com essa característica pode haver surpresa. Caso de Marco Aurélio Mello, considerado de formação liberal, mas que decidiu por negar em caráter liminar o pedido de habeas corpus de Arruda. Assim, a tendência seria pela manutenção da prisão do governador afastado.
Arruda de volta ao Buriti
Na hipótese de Arruda ser solto, ele retornaria a governar o DF. Segundo o entendimento do ministro Fernando Gonçalves em sua decisão sobre a prisão preventiva de Arruda, o afastamento do cargo de chefia do Executivo ocorreu em função da detenção. Se o pedido de habeas corpus for aceito, automaticamente o governador afastado reassumiria o Buriti.
Licença à Câmara Legislativa
Assim como ocorreu no caso do julgamento da prisão preventiva de Arruda no STJ, é possível que os ministros do Supremo decidam em caráter preliminar se é necessário pedir licença à Câmara Legislativa antes de definir o mérito da prisão do governador afastado. A consulta à Câmara é um dos argumentos da defesa e, portanto, é praticamente inevitável que entre em discussão e votação antes da análise do HC propriamente dito. Por 10 votos a 4, o STJ considerou que o preceito existente na Lei Orgânica — de que para processar o governador é necessário autorização prévia do Poder Legislativo — não se aplicava ao pedido de prisão preventiva.
Suspensão do HC
4) Se a defesa de Arruda entender que o resultado será pela manutenção da prisão, os advogados podem retirar o pedido de habeas corpus até o momento da sustentação oral no plenário do STF. Isto porque, uma vez julgados e negados, os argumentos do HC não podem ser repetidos num novo recurso. Se os assessores jurídicos de Arruda interromperem o julgamento na última hora, ainda podem acrescentar argumentos ao processo e reapresentá-lo quando considerarem mais conveniente.
Empate no plenário
O plenário do STF é formado por 11 ministros, quorum que não permite empate. Mas na ausência de pelo menos um dos integrantes, abre-se a hipótese. Num caso com esse, Arruda seria beneficiado com a liberdade, pelo princípio jurídico do in dubio pro reo. Até a semana passada, três ministros — Celso de Mello, Eros Grau e Ricardo Lewandowsky — estavam fora. O retorno dos dois últimos é aguardado. A dúvida, no entanto, é sobre Celso de Mello, que está de licença médica.
Pedido de vista
Um dos instrumentos jurídicos usados com mais frequência em casos polêmicos é o pedido de vista. A qualquer momento da votação, um dos 11 ministros pode querer estudá-lo com mais minúcia. Nesse caso, é de praxe que se interrompa o julgamento. Por uma questão de cortesia, os ministros — mesmo aqueles com convicção formada — não revelam o voto antes que o colega avalie com mais detalhes o processo. Apesar de o pedido de vista ser um instrumento comum, a votação de habeas corpus, por envolver prisão, é considerada urgente.
Sessão histórica
Saiba como será o rito de julgamento do pedido de habeas corpus no STF
Será protocolado hoje o voto do ministro relator Marco Aurélio Mello do habeas corpus no Supremo.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, colocará o pedido de HC em pauta na
quinta-feira.
O julgamento do pedido de HC é iniciado com a leitura do relatório feito por Marco Aurélio.
Depois da leitura do relatório, abre-se um espaço para a fala do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que no caso de julgamento de habeas corpus, atua como um fiscal no cumprimento da lei.
Em seguida, é a vez da sustentação oral da defesa, que terá 15 minutos.
Chega o momento da leitura do voto do relator Marco Aurélio.
Na sequência, começam a votar os demais ministros seguindo ordem alternada do mais novo para o mais antigo: Dias Toffoli, Cármem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Celso de Mello e Gilmar Mendes.
A qualquer tempo do julgamento, pode-se pedir vista, o que interrompe a votação e abre prazo de 15 dias corridos e renováveis.
Se houver alguma preliminar, ela poderá ser levantada e apreciada a qualquer momento do julgamento, mas em geral essas análises ocorrem no início do processo.
O advogado Thiago Bouza, que visitou o governador afastado José Roberto Arruda na Polícia Federal no fim da tarde de ontem, preferiu não comentar quais passos serão dados para livrá-lo da prisão. Também não falou se existe alguma chance de a defesa retirar o pedido de habeas corpus da pauta. “Não posso falar sobre estratégias”, afirmou Bouza antes de deixar a Superintendência da PF, onde ficou por cerca de 15 minutos.
O advogado também não comentou a denúncia feita na última sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de falsificação de notas da compra de panetone. Bouza repetiu que a defesa ainda não foi notificada sobre a nova acusação de falsidade ideológica contra seu cliente e disse que soube do assunto apenas pelos jornais. O advogado deu a entender que novas providências não deverão ser tomadas até o julgamento do pedido de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Não conversei com os outros advogados sobre isso, mas é possível que a gente aguarde até quinta-feira”, disse.
A data para o julgamento sobre a permanência ou não de Arruda na prisão foi marcada na noite de sábado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. A decisão foi tomada após o ministro Marco Aurélio Mello , que é o relator do caso,comunicar a conclusão de seu voto. O mais provável é que do ministro-relator acompanhe o parecer da Procuradoria-Geral contrário à libertação de Arruda.
Manifestações
A primeira-dama Flávia Arruda não visitou o marido no sábado. Ontem, ela apareceu para entregar o almoço do governador afastado, mas evitou ser vista e fotografada pela imprensa. Flávia passou pela portaria da Superintendência da PF por volta de 12h30, no banco de trás de um Honda Civic preto, dirigido pelo seu irmão. Cerca de 40 minutos depois Flávia deixou o local.
Desde quinta-feira última, o governador afastado José Roberto Arruda ocupa uma sala de 10m², no Complexo do Comando de Operações Táticas (COT). Até então, ele estava preso na sala da Diretoria Técnico-científica, com 40m2, no Instituto Nacional de Criminalística, a 600 metro da atual acomodação. Na antiga sala, Arruda podia ver a movimentação do lado de fora. Mesmo sem poder ser vistas ou ouvidas pelo governador afastado, muitas pessoas insistem em ficar diante das dependências da Polícia Federal, onde fazem manifestações de carinho, de protesto e espalham cartazes contra e a favor da permanência de Arruda na prisão.
Na manhã de ontem, o pastor José Francisco de Lima Neto, da Igreja Batista de Santa Maria tentou entregar um DVD com o título Chamado para uma missão. Ele chegou por volta de 11h e queria entrar para levar uma palavra de apoio a Arruda, mas disse que ainda não formou uma opinião a respeito das denúncias de corrupção no governo, que deram origem à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Dois líderes comunitários — uma mulher do Paranoá e um homem de Santa Maria — também estiveram no local e defenderam o governador afastado. Ambos tinham estado no local semana passada para pregar faixas com a mensagem “deixa o homem trabalhar” e entregar livros de autoajuda.
Três ciclistas do Movimento Fica Arruda na Prisão também fizeram uma manifestação em favor da permanência de Arruda na prisão. O agrônomo Rogério Puerta, 40 anos, a publicitária Maíra Carvalho, 27, e o biólogo Uirá Felipe Lourenço, 31, chegaram por volta de 11h e estenderam a faixa com a palavra paz.
Lilian Tahan
Supremo tende a manter a prisão preventiva do governador afastado. Perfil dos ministros e peso das acusações são fatores críticos
Os olhares de milhões de brasileiros, muitos deles de brasilienses interessados diretamente nos rumos da crise no Distrito Federal, estarão atentos ao plenário do Supremo Tribunal de Federal na próxima quinta-feira, quando está marcado o julgamento do pedido de habeas corpus (HC) do governador afastado José Roberto Arruda. Ele é acusado de comandar a tentativa de suborno para atrapalhar as investigações da Caixa de Pandora. Se for solto, Arruda voltará ao comando do GDF. Mas, segundo juristas e ex-ministros do STF ouvidos pelo Correio, a contundência das acusações contra o governador afastado e o perfil mais conservador da maioria dos ministros integrantes da Corte indicam a manutenção da prisão preventiva. O entendimento é que ele apenas deixe a cadeia quando renunciar.
Ex-colegas e juristas com trânsito entre os ministros do STF atribuem formação liberal ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Eros Grau, minoria entre os 11 integrantes do Supremo. A formação liberal é aquela em que o juiz observa em primeiro lugar o direito individual e segundo a qual a prisão é medida extrema, só ministrada em último caso. Mesmo entre os liberais, a decisão sobre o HC de Arruda pode provocar surpresas que contrariem eventuais tendências baseadas no perfil dos ministros.
É o caso do próprio relator do pedido de habeas corpus, Marco Aurélio, considerado do grupo mais voltado para os direitos individuais, mas que mesmo assim decidiu manter Arruda preso. Ele deve manter seu posicionamento a favor da prisão do chefe do Executivo do DF afastado. Em 2007, o ministro concedeu habeas corpus ao banqueiro Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, condenado a 13 anos de prisão por desvio de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos. Cacciola acabou fugindo. “A materialidade das acusações contra Arruda é tão farta que deve se sobrepor às tendências e ideologias próprias dos ministros”, considerou um ex-integrante do STF.
Mesmo diante da previsão pela manutenção da prisão preventiva de Arruda, há outros cenários possíveis para a quinta-feira (leia quadro). Um deles pode ser provocado pela defesa do governador afastado. Até o momento da sustentação oral no plenário do STF na próxima quinta-feira, os advogados podem desistir do pedido de HC. A providência seria uma das táticas dos assessores jurídicos de Arruda para evitar o prolongamento da prisão preventiva, já que após o julgamento do mérito do processo, os argumentos apresentados pela defesa nessa ação perdem a validade.
Outras intervenções, como um pedido de vista, também podem adiar o desfecho sobre a situação de Arruda. Em casos considerados muito polêmicos, de repercussão nacional ou grande comoção cresce o senso de responsabilidade dos ministros com poder de definir o rumo dos impasses. Assim, nessas situações, é comum que um dos ministros queira estudar mais a fundo o relatório. Foi dessa forma em julgamentos como o do pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, da homologação das terras de Raposa Serra do Sol e para autorização de pesquisas com células-tronco. A ressalva dessa prática, no entanto, pode ocorrer justamente nos casos de julgamento de habeas corpus, que envolve prisão, situação em que há um entendimento tácito de que o adiamento de uma decisão deve ser feito em última instância.
Assim como ocorreu no julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que levantou uma preliminar antes de julgar o mérito sobre a prisão de Arruda, na quinta-feira, os ministros também devem voltar à discussão sobre a necessidade ou não de se consultar a Câmara antes da votação que pode manter Arruda detido na Polícia Federal. Segundo confirmou o ministro-relator do caso, Marco Aurélio Mello ao Correio, essa questão inevitavelmente entrará em debate. Ela será um dos argumentos da defesa na tentativa de convencer a Corte a liberar Arruda. Os advogados do governador afastado sustentam que a prisão preventiva desobedece artigo da Lei Orgânica que prevê a consulta ao Poder Legislativo em caso de processo contra o chefe do Executivo. O entendimento do STF, no entanto, deve ser no sentido de que a tese não vale para casos excepcionais como a prisão preventiva, mesma interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça no dia em que decretou a prisão de Arruda.
O que vai pesar no julgamento de Arruda
Conheça os fatores que influenciam no julgamento do pedido de habeas corpus do governador afastado José Roberto Arruda no Supremo Tribunal Federal
Perfil conservador da Corte
Juristas e ex-ministros ouvidos pelo Correio fazem uma leitura de que na composição atual do STF prevalece o perfil conservador. Os ministros com formação mais liberal estão em minoria. E mesmo entre aqueles com essa característica pode haver surpresa. Caso de Marco Aurélio Mello, considerado de formação liberal, mas que decidiu por negar em caráter liminar o pedido de habeas corpus de Arruda. Assim, a tendência seria pela manutenção da prisão do governador afastado.
Arruda de volta ao Buriti
Na hipótese de Arruda ser solto, ele retornaria a governar o DF. Segundo o entendimento do ministro Fernando Gonçalves em sua decisão sobre a prisão preventiva de Arruda, o afastamento do cargo de chefia do Executivo ocorreu em função da detenção. Se o pedido de habeas corpus for aceito, automaticamente o governador afastado reassumiria o Buriti.
Licença à Câmara Legislativa
Assim como ocorreu no caso do julgamento da prisão preventiva de Arruda no STJ, é possível que os ministros do Supremo decidam em caráter preliminar se é necessário pedir licença à Câmara Legislativa antes de definir o mérito da prisão do governador afastado. A consulta à Câmara é um dos argumentos da defesa e, portanto, é praticamente inevitável que entre em discussão e votação antes da análise do HC propriamente dito. Por 10 votos a 4, o STJ considerou que o preceito existente na Lei Orgânica — de que para processar o governador é necessário autorização prévia do Poder Legislativo — não se aplicava ao pedido de prisão preventiva.
Suspensão do HC
4) Se a defesa de Arruda entender que o resultado será pela manutenção da prisão, os advogados podem retirar o pedido de habeas corpus até o momento da sustentação oral no plenário do STF. Isto porque, uma vez julgados e negados, os argumentos do HC não podem ser repetidos num novo recurso. Se os assessores jurídicos de Arruda interromperem o julgamento na última hora, ainda podem acrescentar argumentos ao processo e reapresentá-lo quando considerarem mais conveniente.
Empate no plenário
O plenário do STF é formado por 11 ministros, quorum que não permite empate. Mas na ausência de pelo menos um dos integrantes, abre-se a hipótese. Num caso com esse, Arruda seria beneficiado com a liberdade, pelo princípio jurídico do in dubio pro reo. Até a semana passada, três ministros — Celso de Mello, Eros Grau e Ricardo Lewandowsky — estavam fora. O retorno dos dois últimos é aguardado. A dúvida, no entanto, é sobre Celso de Mello, que está de licença médica.
Pedido de vista
Um dos instrumentos jurídicos usados com mais frequência em casos polêmicos é o pedido de vista. A qualquer momento da votação, um dos 11 ministros pode querer estudá-lo com mais minúcia. Nesse caso, é de praxe que se interrompa o julgamento. Por uma questão de cortesia, os ministros — mesmo aqueles com convicção formada — não revelam o voto antes que o colega avalie com mais detalhes o processo. Apesar de o pedido de vista ser um instrumento comum, a votação de habeas corpus, por envolver prisão, é considerada urgente.
Sessão histórica
Saiba como será o rito de julgamento do pedido de habeas corpus no STF
Será protocolado hoje o voto do ministro relator Marco Aurélio Mello do habeas corpus no Supremo.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, colocará o pedido de HC em pauta na
quinta-feira.
O julgamento do pedido de HC é iniciado com a leitura do relatório feito por Marco Aurélio.
Depois da leitura do relatório, abre-se um espaço para a fala do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que no caso de julgamento de habeas corpus, atua como um fiscal no cumprimento da lei.
Em seguida, é a vez da sustentação oral da defesa, que terá 15 minutos.
Chega o momento da leitura do voto do relator Marco Aurélio.
Na sequência, começam a votar os demais ministros seguindo ordem alternada do mais novo para o mais antigo: Dias Toffoli, Cármem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Celso de Mello e Gilmar Mendes.
A qualquer tempo do julgamento, pode-se pedir vista, o que interrompe a votação e abre prazo de 15 dias corridos e renováveis.
Se houver alguma preliminar, ela poderá ser levantada e apreciada a qualquer momento do julgamento, mas em geral essas análises ocorrem no início do processo.
O advogado Thiago Bouza, que visitou o governador afastado José Roberto Arruda na Polícia Federal no fim da tarde de ontem, preferiu não comentar quais passos serão dados para livrá-lo da prisão. Também não falou se existe alguma chance de a defesa retirar o pedido de habeas corpus da pauta. “Não posso falar sobre estratégias”, afirmou Bouza antes de deixar a Superintendência da PF, onde ficou por cerca de 15 minutos.
O advogado também não comentou a denúncia feita na última sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de falsificação de notas da compra de panetone. Bouza repetiu que a defesa ainda não foi notificada sobre a nova acusação de falsidade ideológica contra seu cliente e disse que soube do assunto apenas pelos jornais. O advogado deu a entender que novas providências não deverão ser tomadas até o julgamento do pedido de habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Não conversei com os outros advogados sobre isso, mas é possível que a gente aguarde até quinta-feira”, disse.
A data para o julgamento sobre a permanência ou não de Arruda na prisão foi marcada na noite de sábado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. A decisão foi tomada após o ministro Marco Aurélio Mello , que é o relator do caso,comunicar a conclusão de seu voto. O mais provável é que do ministro-relator acompanhe o parecer da Procuradoria-Geral contrário à libertação de Arruda.
Manifestações
A primeira-dama Flávia Arruda não visitou o marido no sábado. Ontem, ela apareceu para entregar o almoço do governador afastado, mas evitou ser vista e fotografada pela imprensa. Flávia passou pela portaria da Superintendência da PF por volta de 12h30, no banco de trás de um Honda Civic preto, dirigido pelo seu irmão. Cerca de 40 minutos depois Flávia deixou o local.
Desde quinta-feira última, o governador afastado José Roberto Arruda ocupa uma sala de 10m², no Complexo do Comando de Operações Táticas (COT). Até então, ele estava preso na sala da Diretoria Técnico-científica, com 40m2, no Instituto Nacional de Criminalística, a 600 metro da atual acomodação. Na antiga sala, Arruda podia ver a movimentação do lado de fora. Mesmo sem poder ser vistas ou ouvidas pelo governador afastado, muitas pessoas insistem em ficar diante das dependências da Polícia Federal, onde fazem manifestações de carinho, de protesto e espalham cartazes contra e a favor da permanência de Arruda na prisão.
Na manhã de ontem, o pastor José Francisco de Lima Neto, da Igreja Batista de Santa Maria tentou entregar um DVD com o título Chamado para uma missão. Ele chegou por volta de 11h e queria entrar para levar uma palavra de apoio a Arruda, mas disse que ainda não formou uma opinião a respeito das denúncias de corrupção no governo, que deram origem à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Dois líderes comunitários — uma mulher do Paranoá e um homem de Santa Maria — também estiveram no local e defenderam o governador afastado. Ambos tinham estado no local semana passada para pregar faixas com a mensagem “deixa o homem trabalhar” e entregar livros de autoajuda.
Três ciclistas do Movimento Fica Arruda na Prisão também fizeram uma manifestação em favor da permanência de Arruda na prisão. O agrônomo Rogério Puerta, 40 anos, a publicitária Maíra Carvalho, 27, e o biólogo Uirá Felipe Lourenço, 31, chegaram por volta de 11h e estenderam a faixa com a palavra paz.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Absolutamente patético!
Patético!

O governador em exercício conseguiu fazer a pior escolha. em meio a uma indecisão sem precedentes - primeiro diz que renuncia, depois aguarda, fala com o presidente Lula, sai misteriosamente do encontro e depois anuncia que não sai - ele ficou muito mal da foto.
Paulo otávio conseguiu ficar mal com o seu partido - após dizer que ouviu conselho de Lula e não do DEM. conseguiu ficar mal com o presidente, que pouco depois desmentiu a afirmação de P.O. de que ele (lula) teria o aconselhado a ficar. coseguiu ficar mal com a camara legislativa do DF que, boa ou ruim, bem ou mal, votou ontem também os pedidos de impeachment de P.O. e conseguiu ficar mal com a população que viu um pretenso governante sem decisão nehuma. ESCOLHA PIOR NÃO HAVIA.
Ah, e tem mais, ele ainda disse que fica, mas só por alguns dias. Não teve nem a coragem de dizer que seu sonho sempre foi ser governador e que não quer largar o osso e o poder. Feio, muito feio PO. Pô PO larga o osso!

O governador em exercício conseguiu fazer a pior escolha. em meio a uma indecisão sem precedentes - primeiro diz que renuncia, depois aguarda, fala com o presidente Lula, sai misteriosamente do encontro e depois anuncia que não sai - ele ficou muito mal da foto.
Paulo otávio conseguiu ficar mal com o seu partido - após dizer que ouviu conselho de Lula e não do DEM. conseguiu ficar mal com o presidente, que pouco depois desmentiu a afirmação de P.O. de que ele (lula) teria o aconselhado a ficar. coseguiu ficar mal com a camara legislativa do DF que, boa ou ruim, bem ou mal, votou ontem também os pedidos de impeachment de P.O. e conseguiu ficar mal com a população que viu um pretenso governante sem decisão nehuma. ESCOLHA PIOR NÃO HAVIA.
Ah, e tem mais, ele ainda disse que fica, mas só por alguns dias. Não teve nem a coragem de dizer que seu sonho sempre foi ser governador e que não quer largar o osso e o poder. Feio, muito feio PO. Pô PO larga o osso!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Isso é só o começo!
Duas imagens. Uma mesma intenção: política
A campanha nem começou e o vale-tudo para ter mídia está levando os pré-candidatos á presid~encia da república e cenas no mínimo constrangedoras. O que é o Serra entrando no mar com uma cadeira de roda adaptável á agua. 'A coisa' parece mais um instrumento de tortura e 'o coisa' parecee mais um político sem noção que não sabe aonde começa ou termina o ridículo.

A outra, é a minista Dilma dançando carnaval com um gari. O que é isso? dilma, tão humana e tão preocupada com os menos favorecidos. Nada como uma campanha pela presidência.
A campanha nem começou e o vale-tudo para ter mídia está levando os pré-candidatos á presid~encia da república e cenas no mínimo constrangedoras. O que é o Serra entrando no mar com uma cadeira de roda adaptável á agua. 'A coisa' parece mais um instrumento de tortura e 'o coisa' parecee mais um político sem noção que não sabe aonde começa ou termina o ridículo.

A outra, é a minista Dilma dançando carnaval com um gari. O que é isso? dilma, tão humana e tão preocupada com os menos favorecidos. Nada como uma campanha pela presidência.
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