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terça-feira, 29 de março de 2016

Desconfortante e afetuosamente bela

por katia maia

Você já foi ver a exposição ComCiência, da artista Patricia Piccina? Se ainda não foi, vá! Corra! Porque acaba em menos de uma semana. Vasomente até o dia 4/4, próxima segunda-feira.

Não diria que é uma exposição confortável. Ela nos provoca. Cada peça nos faz pensar, nos dá uma chacoalhada e nos faz sentir que há algo de inquietante entre nós e os outros. E quando eu falo “ os outros” me refiro ao universo que existe ‘outside us’ e ‘outside the earth’.

A mostra nos faz sentir extraterrestres em contato com seres. Dá a impressão que nós somos os alienígenas e quem nos conforta são eles, que chegam e carinhosamente se aninham e nos acolhem.


Isso, falando do lado conceitual da exposição. Da mensagem que captei por meio das peças e do que me chamou a atenção. Agora, se a gente for falar do trabalho artístico em si, aí também é outro ponto de destaque. As peças, os detalhes de cada uma, são de uma realidade desconcertante. 

A peça 'Grande Mãe' deixa a pergunta no ar: é passado ou futuro? Quem esse ser meio macaco, meio pós hecatombe, meio pré civilização, que carrega o bebe no colo e o amamenta? Desconcertante e afetuosa, a peça nos provoca uma sensação de carinho e dúvida.


A Grande Mãe
Outras duas  peças, 'Indiviso' e 'Tão Esperado', transmitem a tranquilidade e a paz que somente uma criança possui. Na primeira, o ‘monstrinho’ dorme abraçado a um menino, numa cama, no quarto – possivelmente da criança. Na outra, também  um menino acolhe  no colo um ser que dorme junto com ele sentados em um banco que poderia ser da praça perto de nossa casa.


Indiviso

Tão Esperado


Em 'A Confortadora', uma menina nina um ser. A própria figura da criança é desconcertante. Ela tem as pernas cobertas de pelos e está harmoniosamente encostada a uma parede, admirando o ser que embala.
A Confortadora


Assim, a exposição segue. Intrigando, confortando, provocando momentos de carinho, empatia e reflexão. Uma mostra que não dá para deixar de ver. Um convite á pergunta: quem somos, o que fazemos e, mais, aceitamos o diferente – seja ele desse ou de outro planeta?


A Força de um braço



De Bruços

O Substituto


O Golpe

O Observador
O Observador

O Observador

Serviço:
Até 04/04 (#corra!)
CCBB Brasília
de 9h às 21h
às terças-feiras o CCBB fecha

sexta-feira, 31 de julho de 2015

No meio do caminho tinha um artista - Parte 2

Tietando o artista
por katia maia

Começar uma sexta-feira de trabalho com uma conversa com um artista plástico do porte de Carlos Bracher é realmente um presente. Eu já conhecia a obra do artista e recentemente tive maior contato com sua arte ao visitar a exposição Bracher – Pintura e Permanência, no CCBB de Brasília.

No dia, quando fui à exposição, o artista estava lá fazendo uma intervenção e eu, já fã de seu traço, acompanhei o processo de criação do artista, que pintou uma belíssima tela a partir dos elementos que tinha ali no momento, como
o público presente, os monumentos (Ponte JK ao fundo)  e o CCBB. Fiquei maravilhada com o passo a passo de surgimento de uma tela daquele porte.
Atenção às palavras do artista

Pois bem, corta, edita, chegamos ao dia 31 de julho de 2015 e, para minha surpresa, o artista estava lá  no meu  trabalho. Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, conversar, compreender um pouco mais do artista. Uma pessoa que se mostrou apaixonada por JK e sua obra e que demonstrou isso ao citar várias vezes o criador de Brasília: alguém cheio de sonhos, que adorava ler, que se cercava dos melhores e que se mostrou grandioso com sua obra: Brasília.
Selfie!

Bracher me encantou e me senti privilegiada em poder conversar e conhecer um pouco mais desse artista mineiro que, em 2014, teve a sua exposição considerada a melhor pela Associação de Críticos de Arte. No ano, realizaram-se no Brasil mais de nove mil exposições. É ou não um privilégio começar uma sexta-feira assim?  


Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....