O que dizer de um filme que saiu de uma música? E, mais, se
essa música for uma espécie de marca registrada de uma época, numa capital de
um país? Faroeste Caboclo é um filme é isso: um filme bem feito sobre uma
história criada por um ídolo de uma geração e que falava a língua que a gente
se identificava plenamente.
Ontem, fui assistir à pré estreia do filme Faroeste Caboclo,
um filme que traduz de forma fiel a história de João do Santo Cristo, um garoto que queria ver o mar e as coisas
que ele via na televisão.
Ao assistir o filme, a gente vai aos poucos reconhecendo os
trechos da música e como se ouvisse a letra vai se envolvendo com a história. O
romance entre um jovem pobre, negro e sonhador representado por Fabrício
Boliveira (João do Santo Cristo) e a menina Maria Lúcia (Issis Valverde) rica e
filha de senador é traz a crítica social que a própria história carrega
independentemente de qualquer enredo.
Fabrício Boliveira e Issis Valverde
O filme retrata bem uma Brasília da década de 70/80. Para
mim, que cheguei em Brasília justamente nessa época, o filme foi mais do que o
romance, foi uma viagem no tempo. Bem
ambientado, a gente passeia por uma Brasília com ruas quase desertas e com
jovens na esplanada bebendo e tocando violão.
As bandas da época aparecem como pano de fundo e o drama entre
Maria Lúcia e João do Santo Cristo vai envolvendo a gente numa trama carregada
de drogas, disputas do tráfico e a ternura do amor entre os dois.
Felipe Abib como Jeremias
O fim, a gente já sabe – está escrito na música. O clima de
Faroeste Caboclo no final lembra um pouco os filmes a la Tarntino. Uma
realidade meio tosca e forte, com sacos de cocaína sendo estouradaos na cabeça
do traficante Jeremias. Aquele que ‘organizou a rockonha e fez todo mundo
dançar’.
Duelo final
No final, o duelo e o fim do casal que morre junto. Um filme
bem feito, baseado numa letra de música que já veio com o roteiro pronto de uma
história que retrata bem a vida de milhares de brasileiros que são empurrados
para o crime quando na verdade “só queria era falar pro presidente
Fui assistir ao filme “As Sessões” meio com o pé atrás.
Estava com medo que fosse mais um filme sobre um tetraplégico e sua amizade com
algém, sua superação e seu sofrimento. Lembrei-me logo de “Intocáveis” – que simplesmente
amei, diga-se de passagem.
Mas, “As Sessões” começa sem pretensão, é uma história sobre
a disposição de um homem tetraplégico (vítima de poliomielite aos seis anos de
idade) em descobrir o sexo. Apesar de estar preso a uma cama, ele tem
sensibilidade no corpo e (involuntariamente) se excita quando é tocado por suas
cuidadoras.
John Hawkes
Na busca pelo sexo, ele contrata uma terapeuta sexual (Helen
Hunt). Seu trabalho é quase o de uma prostituta, com a diferença de que ela (
terapeuta) está ali para que ele desenvolva sua consciência corporal.
A verdade é que ela começa a ensinar a ele como fazer sexo
mesmo estando preso a uma cama e a cada sessão (o combinado é que seriam seis sessões)
eles vão desenvolvendo uma cumplicidade que logo se transforma em amor.
William H Macy
Mais, não posso contar. O que posso dizer é que o filme é
bonito, bem feito e tem momentos descontraídos e tristes, claro. Ele traz todos
aqueles elementos desse tipo de história: superação pessoal, drama sentimental,
amizade e sonhos. Gostei. Ah, e em o detalhe da amizade dele com um padre. Os diálogos são bem legais.
Ficha Técnica
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Adam
Arkin, Annika Marks, Blake Lindsley, James Martinez, Jarrod Bailey, Jennifer
Kumiyama, Ming Lo, Moon Bloodgood, Robin Weigert,.
Direção: Ben Lewin
Gênero: Drama
Duração: 98 min.
Distribuidora: Fox Film
Orçamento: US$ 10 milhões
Sinopse: 'As Sessões', inspirado nos escritos
autobiográficos do jornalista e poeta Mark O'Brien, conta a história de um
homem que viveu a maior parte de sua vida em um pulmão de ferro e está
determinado - aos 38 anos - a perder sua virgindade. Com a ajuda de seu
terapeuta e a orientação de seu padre, ele se propõe a tornar seu sonho uma
realidade.
Inauguro aqui, nessa segunda, o espaço #culturalmente_falando. Todas as segundas-feiras, falarei sobre um filme, uma exposição, um show, uma manifestação cultural ou algo que tenha me chamado a atenção durante a semana no universo cultural.
Deixo isso para as segundonas porque no fim de semana tenho sempre um bom motivo para freqüentar locais e conhecer pessoas e espaços #culturalmente_interessantes. Vou falar o que achei, o que vi, o que significou a experiência vivida e se isso for bom ou ruim, vai depender do que me for apresentado, claro.
Claro, também, que tudo não passa de uma percepção minha e cabe a quem quiser descordar, rebater e criticar as minhas críticas. Pois bem, para inaugurar esse espaço, infelizmente, começo com um filme que fui assistir e, sinceramente, significou, para mim uma perda de tempo.
Fui ver o filme “As Aventuras de Agamenon, o repórter” e sinceramente só fiquei até o final porque sou do tipo que insisto numa história cinematográfica e aposto que tudo pode melhorar. Mas, confesso que foi torturante ficar até os créditos finais.
Luana Piovanni e Hubert
O filme é muito ruim. Recheado de piadas chulas e batidas, creio eu, que é muito bom para quem não tem mais o que fazer. Algo como um Casseta e Planeta sem graça. Umas piadas absolutamente óbvias e uma completa falta de compromisso total com o bom gosto.
Ok, roteirizar a história do repórter de O Globo, que desde 1989 escreve em O Globo aos domingos não iria fugir ao tom de seus criadores Marcelo Madureira e Hubert. Mas, eu achei que seria mais engraçado. Só isso.
Marcelo Adnet faz Agamenon jovem
Aliás, acredito que o filme deve ter agradado a muitos espectadores em todo o Brasil. Mas, confesso que eu esperava algo mais inteligente do roteiro e saí com a sensação de que o melhor do filme você já conhece quando assiste ao trailer. Ponto com. Ponto BR. Bom, para quem gosta, é um prato cheio. Para mim, foi indigesto.
Sinopse
AS AVENTURAS DE AGAMENON – O REPÓRTER – Direção de Victor Lopes (Brasil, 2011). A comédia revela a louca e misteriosa vida do jornalista Agamenon Mendes Pedreira, personagem criado por Marcelo Madureira e Hubert que assinam há mais de 20 anos uma coluna de jornal. A história de amor com a provocante Isaura sobrevive às mais inesperadas viagens do repórter mundo afora, em busca da notícia e da fama. Com Hubert, Marcelo Madureira, Marcelo Adnet, Luana Piovani, Pedro Bial, Ruy Castro, Guilhermina Guinle, Luiz Carlos Miele, Alcione Mazzeo, Claudio Tovar, Leandro Firmino. Depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Coelho, Jô Soares, Caetano Veloso, Nelson Motta e Susana Vieira. 74 minutos. Cor/Plano/Dolby 5.1/
FICHA TÉCNICA
Direção Geral: Agamenon Mendes Pedreira
Diretor: Victor Lopes
Produtores: Flávio Ramos Tambellini, Marcelo Madureira e Hubert
Roteiristas: Marcelo Madureira e Hubert
Produtores Executivos: Flávio Ramos Tambellini e Manfredo G. Barretto
Produtor Associado: Alexandre Coutinho
Diretora de Produção: Paola Vieira
Diretor de Fotografia: Jaques Cheuiche
Diretor de Arte: Clovis Bueno
Figurinista: Bia Salgado
Caracterização: Neuma Caldas
Som Direto: Valeria Ferro e Renato Calaça
Produtor de Finalização: Juca Diaz
Edição de Som: Waldir Xavier
Efeitos Especiais: Tribbo
Edição de Imagem: Sergio Mekler
Trilha Sonora: Berna Ceppas
Produtora de Elenco: Cibele Santa Cruz
Produção: Tambellini Filmes
Coprodução: Globo Filmes e Madureira Redatores e Aranha Redatores
Distribuição: Downtown Filmes, RioFilme e Paris Filmes
ELENCO
Hubert - Agamenon
Marcelo Madureira - Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo, psicoproctologista
Como esquecer um grande amor? E mais: a perda desse grande amor? O novo filme de Ana Paula Arósio, que leva justamente o nome “Como Esquecer" fala sobre o sofrimento de uma professora universitária de literatura inglesa em superar o fim de uma intensa relação amorosa.
Júlia, personagem de Ana Paula Arósio é homossexual e foi abandonada por sua companheira, Antônia, depois de dez anos de relacionamento. Este blog conversou com a diretora de “Como Esquecer”, Malu di Martino.
Malu explica que o filme conta uma história que mais do que a homossexualidade, trata de vidas e seus conflitos. “Falamos de perdas na vida adulta” e que são tão comuns entre as pessoas.
O filme entre em circuito nacional no dia 15 de outubro, depois de estrear, em 30 de setembro, no Festival de Cinema do Rio. Mas, este blog adianta para você, telespectador, o que encontrará nas telas e as emoções que virão a partir dessa história de amor intenso.
Confira abaixo o nosso bate-papo com Malu di Martino
Blog:o que o telespectador encontrará nas telas quando for assistir ao Como Esquecer?
Malu: o “como esquecer” é um filme baseado em um livro chamado Como Esquecer, Anotações quase inglesas, de Miriam Campelo. Basicamente, o assunto principal dele são as perdas que sofremos na nossa vida adulta. A gente fala sobre a perda de um amor... De uma criança – tem um dos personagens que faz um aborto, que é a Lisa, interpretada por Natalia Lage...
O diferencial sobre o “Como Esquecer” é que dois dos personagens principais: o Hugo e a Júlia – vividos pelo Murilo Rosa e Ana Paul Arósio – são homossexuais e isso faz uma diferença no cinema atual porque você tem poucos filmes que passam por essa temática.
Blog: temática que a gente pouco vê nos cinemas e mais, o homossexualismo feminino. Como você vê a repercussão do filme?
Malu: espero que na verdade as pessoas gostem do filme, primeiro e principalmente como filme. Uma boa história a ser contada. Com relação a sexualidade, ela no filme não traz nenhum conflito. Não há conflito desses personagens por serem homossexuais. O que eu acho importante é que justamente isso possa parecer para o telespectador uma coisa comum. Não há diferença entre o sentimento de homossexuais e heterossexuais em minha opinião.
Ana Paula Arósio (Júlia), Murilo Rosa (Hugo) e Natália Lage (Lisa)
O que não há no cinema é que na maior parte dos filmes, os personagens homossexuais tem conflitos ou são estereótipos do que na verdade as pessoas pensam ou imaginam o que seja o homossexual.
O “Como Esquecer” não trabalha com isso. Ele na verdade tem personagens comuns, pessoas comuns que você vê todo o dia passando de um lado a outro e por acaso são homossexuais.
Eu espero é que tanto os heterossexuais como os homossexuais gostem do filme como um filme em si. Agora, de qualquer forma, o que eu imagino é que a comunidade GLBT é muito carente em se ver no cinema.
Blog: ainda mais de uma forma tão tranqüila...
Malu: exatamente. Eu acho que isso é muito bom para o filme e também para essa comunidade. Eu imagino que essas pessoas vão gostar de se ver retratada no cinema dessa forma: tranqüila, natural, sem conflitos e vivendo suas vidas como qualquer outro cidadão.
Blog: como você definiria a Júlia?
Malu: a Júlia é uma mulher comum, uma professora universitária de literatura inglesa que esta vivendo um momento muito triste da sua vida que é o da separação. O filme começa a partir da separação dela da companheira com quem vivia há mais de dez anos que é a Antonia.
Na verdade, Antonia não é uma personagem no filme. Ela é uma ausência e isso é importante. O que está acontecendo com a Júlia é a vivência dessa ausência. Então, a Julia é uma mulher ‘conflituada’ nesse momento em função dessa perda que tem sido para ela um motivo de grande sofrimento.
Cena do filme Como Esquecer (foto: Celso Pereira)
Blog: o filme é denso ou segue de uma forma leve?
Malu: ele não é denso nem leve. Quando você trata de um assunto como esse - que é a perda de um grande amor. Coisa que quase todo adulto ou se não viveu vai viver em algum momento de suas vidas - ele passa a ser um filme mais denso no interior das pessoas, no pensamento, do sentimento: está se passando dentro de uma dor, de algo que está acontecendo interiormente.
Porém, ele é um filme leve a partir do momento em que não tem nenhum conflito grande em relação à sexualidade e questões ligadas a ela. Eu diria que é um filme forte, mas não é triste. Ele mostra que a gente tem que superar as tristeza de alguma forma e que essa superação está dentro da gente e não vem de fora. Vem de dentro para fora e não o contrário.
Blog: como foi trabalhar com Ana Paula Arosio?
Malu: foi maravilhoso. Ela é a atriz dos sonhos. Eu costumo dizer que nem nos meus melhores dos sonhos eu teria escolhido uma atriz melhor ara fazer a Julia.
Ana Paula é uma pessoa super dedicada, super aplicada no sentido mais trabalhador da palavra. Ela realmente entra no personagem, compra de forma veemente. Nós trabalhamos muito, ensaiamos muito, para compor esse personagem e ela foi incansável para fazer o que eu tinha planejado.
Blog: O filme estréia em outubro?
Malu: o Filme estréia 15 de outubro nos cinemas, mas passa no dia 30 de setembro no festival do rio e em seguida entra em cartaz em circuito nacional.