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terça-feira, 24 de agosto de 2010

A meia por inteiro!

Tem coisas na vida que a gente sabe que é bom, mas tem a certeza depois que realiza. Ter participado da 14ª Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro foi uma experiência única.

No principio, acho, nem eu acreditava que seria possível. Eu que estava acostumada às minhas corridinhas de dez quilômetros apenas, de repente duplicar a distância – quer dizer: mais do que duplicar, porque há uma folga de um quilometro nessa conta -. Realmente era muita audácia!

É, mas eu sou turrona e marrenta e como eu mesma disse ao meu treinador: sou bem adestrada. É só me passar uma planilha de treinos, que eu faço dela a minha bíblia. E assim aconteceu.
Mas, estou aqui para falar da prova: mais de 19 mi corredores e um deles era eu. A prova é pura emoção. Desde o início quando chegamos lá e temos a devida noção do tamanho dela.

Acho que o que melhor exemplifica isso é a largada. Claro que não falo da largada da elite, mas dos mortais como eu. Quando ela é dada é simplesmente impossível a gente conseguir sair de cara correndo. Somos obrigados a caminhar por pelo menos 500 metros porque é tanta gente que a gente acompanha o fluxo.

Próximo ao primeiro quilômetro é que percebemos que estamos trotando e depois, aos poucos, cada um adquire o seu ritmo e a partir desse momento é por nossa conta.

O astral é algo digno de nota. Durante todo o percurso somos saudados por cariocas bem humorados e alegres que gritam palavras de incentivo e até gritam o nosso nome que está providencialmente escrito em nosso número de identificação.

A sensação que dá é que somos corredores conhecidos e o público está nos chamando pelo nome. Bom isso, não? É algo que dá um ânimo enorme e cada vez que alguém gritava meu nome (foram três vezes ao longo do percurso) o efeito era de terem turbinado meus tênis. (risos)

Além disso, tem ainda o visual. Correr pela orla do Rio não é castigo para ninguém, vamos combinar. É um deleite. Nos momentos em que eu me sentia cansada, procurava abstrair olhando para o mar, para aquela vista maravilhosa da cidade maravilhosa e sabe: dava certo!

A prova é muito bem organizada. Tem hidratação a cada três quilômetros praticamente e estamos o tempo todo acompanhados por uma imensidão de corredores. Ao longo de todo o percurso tem gente que corre mais rápido que a gente e tem aquele que a gente deixa para trás.

Claro, que nem tudo são flores. 21km e 97m é uma distância razoável e exige treinamento e disciplina. Durante o trajeto procurei administrar minha ansiedade e cansaço e só relaxei quando avistei a placa indicando o quilômetro vinte. Ali, eu tive certeza que conseguiria.

E assim aconteceu: com 2h26min eu consegui completar a prova e posso dizer que me senti uma vencedora porque ganhar para mim é isso: completar e atingir meus desafios.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Corre katia, corre!

por katia maia

Sempre gostei de correr. Lembro-me ainda adolescente eu ia para a pista de atletismo do colégio e ficava lá... Correndo. Não tinha nenhuma intenção, não pretendia nada, mas gostava de correr.

No fim da tarde, em Brasília, também na adolescência, ‘eu descia e corria em volta da quadra’ - não a quadra do tipo poliesportiva, mas a quadra residencial. E quem é de Brasília sabe bem do que estou falando. Essa cidade dividida em setores, quadras, blocos, possui uma geografia que só quem é daqui ou vive neste Planalto há muito tempo sabe do que estou falando.

Então... Eu sempre gostei de correr. Talvez por isso, eu tenha simpatizado bastante com o filme Forest Gump. Aquele em que ele sai andando... andando... andando... Até que, em determinado ponto, para e diz que estava na hora de voltar para casa.

A meia Maratona para mim tem um pouco essa leitura de sair correndo... correndo...correndo... Até que chega uma hora de parar. Pois bem. Chegou a hora. Vou enfrentar esse desafio. Hoje a noite embarco para o Rio de Janeiro onde participarei da Meia Maratona Internacional do Rio.

Um sonho que sempre esteve latente em minha mente e em minha vida sem que nem eu mesma percebesse. Até porque, para mim, o desafio de correr 21 km era algo simplesmente IMPOSSIVEL!.

Eu sempre mantive minhas corridinhas: um ‘quilometrosinho’ aqui, outro ali... Nada demais. Costumava correr durante a semana entre 3km e 5km por dia, três vezes por semana e alternadamente e nos fins de semana, quando não ia pedalar (minha outra paixão esportiva) eu me aventurava e enfrentava 10km no parque da cidade.

Era um desafio! Dez quilômetros soava para mim como a fronteira do razoável. Era o meu teto. Portanto, quando o Boca, dono da academia onde malho, me lançou um novo desafio:

- Por que você não faz a meia maratona do rio?

Eu simplesmente ri! Não era a minha praia. Imagina: 21km! Pois é, mas ele insistiu e a idéia ficou martelando na minha cabeça. Tanto que sucumbi. Comecei a achar que era possível e aceitei o desafio.

Ele preparou um programa de treinamento de seis semana – que eu segui quase que religiosamente – e enfim fui ficando marrenta, pegando confiança até que há duas semanas completei 20km 500m! Percurso feito em 2h20min. Pronto. Estou me achando!

Agora, daqui a algumas horas embarco para o Rio de Janeiro e aí só Deus sabe o frio que sinto na barriga. Minha mente começa a querer me pregar peças e pensamentos do tipo ‘será que dou conta?’, ‘se eu acordar passando mal?’, ‘fiz a coisa certa?’, ‘estou preparada?’. Tudo isso passa pela minha mente e eu?

Bom eu trato de mandar todas essas dúvidas para a casa do chapéu porque eu vou e não tenho que provar nada para ninguém. Lá, vou sentir o drama e se não der, paro na beira da praia, sento em uma daquelas barraquinhas e tomo uma bela de uma água de côco.

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....