Mostrando postagens com marcador twitter paciência instantâneo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador twitter paciência instantâneo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O pensamento em 140 caracteres

por katia maia
É com enorme alegria que venho divulgar que esta que vos fala foi uma das selecionada no concurso de 'minipoesias' da Fliporto - Feira Internacional de Literatura de Pernambuco. O concurso ocorreu em duas etapas e se propunha a selecionar as cem melhores poemas que serão publicados na coletânea "Os cem melhores poemas do TOC140".
Abaixo, conto toda a história que me levou a escrever em 140 caracteres o poema selecionado:

@katiamaia: Se quiser saber quem eu sou, não me pergunte. Sinta-me. Agora, vê? Estou falando. Não ouve? Acho que perdeu os sentidos TOC Katia Fabiana Chaves Maia – Brasília, DF

O pensamento em 140 caracteres

De repente começou a pensar em tudo editado, conciso e em poucas palavras. Sentira um pouco de medo de estar entrando numa onda sem volta.

- Será que minha mente ficará presa aos 140 caracteres? E quando eu tiver que falar mais, dizer mais coisas? Terei que recorrer a ferramentas como o twitlonger? Haverá instrumentos para as minhas palavras ou tudo será dito a partir de tweets limitados?

Os pensamentos começavam a atormentá-la. Não era nada que lhe tirasse o sono, mas era uma preocupação real, palpável, factível. De repente, para ela, tudo poderia ser reduzido e falar, exressar ou pensar mais do que 140 caracteres poderia parecer desperdício.

Estava tão impaciente para longos colóquios que, ao telefoe, quando lhe começavam com mais delongas, limitava-se a responder;

- Tá... Tá bom... Ok... Tudo bem... E do outro lado do aparelho rezava para que a discussão se encerrasse o mais breve possível para que não tivesse que falar mais.

Está certo e claro que ela nunca fora de discussões, muito menos aquelas compridas e intermináveis. Sempre tivera uma enoooooooorme preguiça para debates longos, troca de opiniões e principalmente brigas.
para ela, brigar dave trabalho, cansava, significava desperdício...

Numa discussão, até começava animada, entusiasmada, mas, quando percebia que o outro era feroz defensor de suas idéias e não lhe abriria brecha para pontuar o lado oposto, resignava-se, pensando:

- estou perdendo tempo. Essa discussão não vai levar a nada... E, mais do que imediatamente, dizia: ok, está bem.... E terminava a discussão.

O outro ainda insistia:

- mas... e isso? E aquilo?

- Não, não, está bem! Você tem razão... E encerrava o papo.

Claro que o outro percebia que ela não se convenceu. A preguiça e o enfado dela para continuar aquela conversa sem perspectiva era maior do que qualquer ânimo para alimentá-la e realmente ela editava a discussão colocando um ponto que podia não ser definitivo, mas era um ponto e àquela altura e isso lhe bastava.

Claro (também) que há discussões e discussões. Mas tinha, sempre, a tendência de ‘editar’ e reduzir a mensagem o máximo possível.
- A 140 caracteres talvez. Pensou rindo-se de si mesma.

Com os filhos, muitas vezes o embate chegava ao ponto:

- Acabou a discussão, ponto final, e é isso.

Tinha para ela que numa relação mãe e filho havia momentos em que a discussão não cabia, muito menos a negociação e a relação tinha mesmo que ser ditatorial cabendo à ela colocar o ponto final.

Mas, enfim... Tudo isso ela sabia. O que a incomodava no momento era a forte tendência em reduzir tudo o que queria dizer a 140 caracteres, de forma direta, reta e sem rodeios.

Estaria tiwttando sua vida, seu modo de ser, seus pensamentos e relações? Assustara-se com essa perspectiva e por um momento pensara e se auto definira:

Se quiser saber quem eu sou, não me pergunte. Sinta-me. Agora, vê? Estou falando. Não ouve? Acho que perdeu os sentidos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Minimos Contos

por katia maia

É com satisfação que informo que meu microconto foi escolhido dentre tantos que participara do concurso Minimos contos.

A proposta era escrever um conto em 140 caracteres, bem no estilo Twitter. Mais de 400 contos concorreram. Acabo de receber um comunicado, me infromando que meu conto foi selecionado e será publicado no e-book
MinimosContos até o final de 2010 com a Editora Aletria.


Abaixo, o conto selecionado:

Frio! Sentiu a mão percorrer seu corpo lentamente, levemente. Escuro! Tentou gritar. Não deu. Uma pancada no peito. Abriu os olhos. Acordou!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Something is technically wrong!

katia maia

O mundo ficou instantâneo e a tolerância do ser humano para as coisas básicas do dia a dia está cada vez menor. A facilidade com que temos acesso á informação, a banalidade de tudo o que é dito o tempo todo, a necessidade de falar primeiro e a ansiedade de se obter a resposta o mais breve possível está nos tornando em insuportáveis neuróticos virtuais.

Fico imaginando como se processa na cabeça dessa nova geração essa relação com o tempo. Sim, porque eu, que já estou nesse planeta há algum tempo, tive que exercitar minha paciência e aprender no dia a dia o que sabiamente diz a canção: “não se avexe não, que nada é para já”.

Certíssimo, as coisas não podem ser imediatas o tempo todo. Na minha infância, me correspondia com amigos de outras cidades, estados e até países, por carta! É meus caros amigos, a velha e boa carta. Nada substitui a deliciosa espera da chegada de uma carta pelos correios.

Era um exercício diário: abrir a caixa de correio do prédio onde morava, e dar início ao ritual – pegar a chave, descer até o térreo, colocar a chavezinha na fechadura, abrir a carta e ter (ou não) a surpresa da carta respondida. Impagável. Eu adorava escrever cartas. Verdadeiros documentos vivos. Reflexos dos vários momentos de minha vida, dos meus pensamentos, dos amigos que eu tinha, das angustias e sentimentos.

Hoje, não. Tudo é para agora! Meu Deus! Acho que até a vida de quem só conhece ávida em modo instantâneo sofre com isso. Vejo meus filhos. A escola publica diariamente – e é todo dia mesmo – o desempenho deles em sala de aula e aí leia-se tudo o que eles deixaram de fazer.

Se não levou a tarefa de casa, a anotação vai para o site do colégio no mesmo dia. Se conversou demais durante a aula, idem, se brigou com o coleguinha, da mesma forma. É um inferno! Para ele e para mim, que sou mãe. Isso me obriga a, diariamente, vistoriar o comportamento dos meus filhos na escola e mais: me posicionar.

Se um dos meus filhotes não vai bem, pronto! Lá vou eu para mais uma daquelas discussões comportamentais. No meu tempo não era assim. Muitas vezes deixei de entregar a tarefa e meus pais nem sonharam. Cheguei até a faltar a aula, conversar, fazer bagunça e aquilo caía no esquecimento caso não fosse constante nem recorrente, claro.

E assim o mundo instantâneo vai criando também pessoas neuróticas. Uma criança manda um e-mail para seu amigo e já quer a resposta em instantes. Cadê a espera pela correspondência? O adolescente, então, nem se fala. Esse já é impaciente por natureza.

Escrevo isso porque faço, aqui, um ‘mea culpa’. Eu estou me tornando uma pessoa contaminada pela instantaneidade. Mando um e-mail e se a resposta não chega em um prazo regulamentar de, digamos, uma hora, duas no máximo. Pronto! Já imagino que fui desprezada, que meu pedido não será atendido ou que falei tanta besteira que não vale a pena nem responder.

E essa nova mania chamada Twitter! Hoje está congestionado, não consigo mandar meus tweets. Over capacity! Try again in a moment! Something is technically wrong! O que cara

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....