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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Se fosse uma cobra...

Da Série #aborrecências

Por katia maia

Fico realmente surpresa com a capacidade dos adolescentes em se desconectar do mundo real e viver num universo só deles. Já li a respeito, ouvi falar e me disseram que tudo tem a ver com o amadurecimento de uma tal massa cinzenta do cérebro. Algo que acontece (o amadurecimento) aos poucos e só se concretiza lá pelos 17, 18 anos.


Ok, tudo bem, aceito, mas...

Mas acontece que no dia a dia fica difícil imaginar tanta situação surreal que eles produzem. Falo isso, porque tenho dois adolescentes dentro de casa e diariamente sou surpreendida.

Um exemplo, par ficar mais claro.

Hoje, pela manhã, ao sair de casa, vejo o meu filhote mais novo (14 anos) anunciar da porta de casa:

- Eita, minha mochila! Esqueci lá dentro. E voltar para pegá-la.

Eu, já impaciente – porque eles nunca conseguem sair no horário com alguma folga para que eu possa dirigir tranqüilamente até a escola sem me preocupar com o tempo, transito etc – respondi: vou esperar no carro.

Imaginem a minha surpresa quando, alguns minutos depois (o tempo correndo e eu impaciente) ele volta e revela:

- Não achei a mochila.

- Você procurou na casa toda?

- Procurei.

- Tem certeza que você a trouxe da casa do seu pai, ontem a noite?

- Tenho! Quer dizer, eu achava que sim. Ela não está aqui no carro? Rebateu.

- Não, aqui no carro não estÁAAA! Falei já com a irritação na velocidade mil

E engatei...

- Vocês, vão me desculpar (e aí o sermão já virou coletivo), mas vocês pedem para a gente falar e reclamar. Esquecer a mochila, sabe Deus onde, é algo inconcebível. É de uma falta de responsabilidade tamanha!

Ele ouvia calado e só resmungava...

- Mas foi a primeira vez que esqueci a mochila toda.

Ah, bom, Agora tudo bem. A mochila toda foi a primeira vez. Normalmente é só um caderno, um livro, um uniforme etc.

A situação era tão absurda que eu nem tive forças para vociferar. Para mim, aquilo era algo do tipo “além da imaginação”, “universo paralelo” etc.

Mandei que ele ligasse para o pai e verificar se a mochila tinha ficado na casa dele. Ligou, o pai atendeu, procurou e nada! A mochila simplesmente foi abduzida, pode? Claro que não pode!

A verdade é que, não satisfeita, eu deixei os dois na escola e voltei em casa para procurar melhor. Bom, para procurar melhor é uma maneira de falar. E quando eu digo ‘maneira de falar’ é maneira meeeeesmo!

Assim que entrei em casa, olhei para o sofá (que fica de frente para a porta de entrada) e adivinhe o que estava lá, debaixo de uma almofada?

- Ela, a mochila!

Foi tão absurdo que me senti até fraca diante da falta de senso e de conexão do meu filhote. Sabe aquela história de “se fosse uma cobra, lhe morderia?”. Ainda bem que não era.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Filhos: surpreendam-me, sempre!

Então, mostrou para os filhos a foto de uma espécie de ensaio que tinha feito para uma campanha incentivando o uso de camisinha. Nada demais, calma! Era apenas uma foto em que ela aparecia, ao lado de um amigo, segurando uma camisinha e na peça publicitária lia-se:

- Para curtir a folia com tranqüilidade, você precisa estar preparado.

As simple as that!

A peça não seria veiculada. Era apenas para mostrar ao cliente como ficaria. Se aprovada, modelos profissionais seriam contratados, claro. Mesmo assim, ela achou legal. Gostou do layout, achou que ficou bem bonitinho, clean e clássico. Resolveu, então, mostrar a peça para os filhos...

- Mãe, o que é isso? Perguntou o mais novo, com ar de espanto supremo e completou:

- O que você está fazendo nessa foto?

- Uai, filho. É uma campanha. Não ficou legal? Super engajada?

- Mas é para valer? Isso vai ser distribuído por aí, em todo canto? Indagou.

- Claro. Se não fosse para isso, por que eu o faria?

- Que mico, mãe!

- Mico por quê?

- Não, não posso acreditar que minha mãe fez isso! E tem mais, essa camisinha nem é boa, é pequena! Soltou.

Agora, o espanto foi dela.

Percebera, naquele instante, que seu bebê, de apenas 13 anos de idade, havia crescido. O tempo não pára.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Você sabe o que é 's2'? Nem eu (sabia)

Sempre foi uma pessoa antenada. Não se sentia fora de contexto quando se unia aos mais novos e os ouvia falando das novas tecnologias. Claro que não entendia de tudo, mas sempre tinha uma referência sobre isso ou aquilo e nunca boiara completamente.

Gostava, aliás, de se atualizar e ler sobre o que ‘rolava’ de mais novo no ‘front’. Mas foi uma besteira que estava escrita no Orkut do filho que lhe chamou para a realidade e ela percebeu que essa ‘garotada’ está sempre inventando moda e por mais que os pais tentem, eles estão anos-luz à frente de qualquer um.

Ela sempre dera umas investidas nas contas de Orkut do filho: não é invasão, é proteção! Explicava aos filhos e a todos aqueles que vinham cheios de argumentos para tentar provar que aquilo podava a liberdade dos filhos.

- Não me importo, Podem me chamar do que for – ditadora, insensível, mãe dominadora etc – mas não abro mão de acompanhar de perto o que meus filhos fazem. Não estou desconfiando deles, mas sei bem como é a maldade humana e sei melhor ainda como é a ingenuidade da juventude. Repetia.

Na sua concepção, os jovens são uns idealistas. Por mais que se achem, se digam e até comprovem que são mais espertos, eles sofrem de um mal que só tem cura com o passar do tempo: a falta de maturidade. Por isso, adorava aprender com os filhos e ensinar coisas novas, mas sabia que – assim como acontecera com ela – nada vem antes do tempo necessário para se aprender. E a experiência é um bem valioso para o aprendizado que, infelizmente, só vem com o passar do tempo.

Pois bem. Entrou na conta do filho mais velho, de 15 anos. Começou a ver os ‘scraps’ e analisar as mensagens enviadas por suas amigas e amigos e as respostas dadas por ele. Foi aí que percebeu que, ao final de cada mensagem, vinha sempre um código: 'S2'.

Preocupou-se! O que seria esse tal de 'S2'? Em sua mente, de quem já viveu e sabe o que rola de mal pelo mundo, veio logo um monte de suposição. Inicialmente, pensou que o filho assinava suas mensagens com aquele código para diferenciá-lo da alguma forma: seria porque participava de uma gangue? Seria um tipo de droga? Seria uma forma de dizer algo errado que ninguém pode descobrir – leia-se os pais?

Claro que sua mente viu o que há de pior naquela letra e número juntos. Seria um tipo novo de posição sexual , do tipo 69? Ficou com aquela idéia fixa até o dia seguinte, já que vasculhara a conta do filho no fim do dia quando todos já dormiam.

No dia seguinte, não perdeu tempo. Na primeira oportunidade abordou o filho:

- Aliás, eu gostaria de saber do senhor o que significa aquele código que aparece no fim das suas mensagens do Orkut. Quer dizer: das suas e das mensagens que suas amiguinhas mandam para você? Falou em tom já ameaçador.

- Como assim, mãe, do que você está falando. Respondeu o filho surpreso.
- Não se faça de desentendido. Reagiu
- Qual? O quê? Insistiu o filho.
- Aquele 'S2'! Bradou.
- O que? Você está falando do 'S2'? Repetiu o filho
- Isso mesmo!

Foi nesse momento que o filho caiu na risada. O que de certa forma a irritou.
- Tá rindo de que? Perguntou.
- Mãe, o ‘S’ e o ‘2’ querem dizer um coração! Olha só, nesse momento, ele pegou um papel e começou a desenha o ‘s’ e o ‘2’ juntos. Veja, olha aqui, forma um coração. É apenas uma forma carinhosa de terminar as frases, disse rindo.

Sentindo-se uma espécie de ignorante , ela desarmou o espirito e nao viu outra opção a não ser também rir de sua situação. Riu de sua mente imunda que já começara a desenvolver teses, histórias, tratados. Sentiu-se um pouco envergonhada de sua desconfiança. E declarou-se uma ignorante digital que não conseguiu ver num simples ‘S2’ o coração da juventude que se corresponde e se 'mima' por meio da rede mundial. Recolheu-se a sua insignificância e saiu rindo da sua maturidade pervertida.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que venha 2011!

*reflexões de uma no que termina

por katia maia

Tenho que admitir: 2010 foi um ano bom!

Foi um ano com muito acontecimento, muitas decisões, coisas boas e coisas ruins. Mas, no saldo final, no balanço de perdas e danos, vejo que foi bom.

Minha vida tomou um rumo diferente. De repente me vi com tempo para curtir meus filhos e poder estar mais próximos deles. Isto é um presente que 2010 me deu e que eu jamais esquecerei.

De repente senti falta de uma ou outra coisa que acontecia em minha vida. Perdi um ou outro contato com esse ou aquele amigo, estive um pouco mais distante dessa ou daquela pessoa. A esses, peço desculpas e compreensão. Pois sei que sou assim mesmo, meio ‘relaxada’ com amizades, afetos e carinhos. Mas, isso não significa que eu não os sinta e não deseje estar próximo dos que amo. Me afastei, mas não me esqueci de ninguém.

Em 2010, talvez eu tenha começado a aprender a dar mais valor a mim mesma e a perceber que muita coisa pode ser do jeito que eu quero sem ter que ficar pedindo desculpas, implorando ou me sentindo culpada por não ter sido assim ou assado com os outros. Valorizei-me mais e vi que é possível.

Em 2010, vivi os trancos e barrancos da fantástica aventura de ser mãe de adolescentes. Vi meu filho mais velho criar barba, namorar, curtir shows, falar de um universo que tive que acompanhar de perto e que há muito tempo não fazia parte de minha vida. Mas, me esforcei e vou continuar investindo nessa maravilhosa relação, na dor e na delícia, de ter filhos adolescentes.

Em 2010, vivi a entrada do meu filhote caçula na adolescência e convivi com as mudanças de humor tão comuns nessa fase. Vi os hormônios dele explodirem em furia e incompreensão. Cheguei a declarar num rasgo de fúria, para os dois, que eles estavam ‘muito chatos’. Depois nos sentamos e conversamos, rimos e choramos juntos. Vivemos.

Em 2010, aprendi a viver com um pouco mais de folga financeira. Tive como me programar melhor e transferi para 2011 planos de viagens, estudos, projetos.

Em 2010, caí na rua! Descobri as corridas e me entreguei a elas. Superei meus limites. Dei conta da Meia Maratona Internacional do Rio, fiz várias corridas de 10km, completei a Volta da Pampulha e com ela encerrei meu calendário que, em 2011, com certeza virá aditivado.

Em 2010, por minha culpa, minha máxima culpa, esqueci um pouco dos meus amigos do pedal. Afastei-me de minha bike, que ali na varanda, me pede socorro. A ela, digo que em 2011 retomarei as trilhas, os pedais, as ciclo viagens.

Um pouco a pé, um pouco de bike, espero no próximo ano ter a sabedoria de dosar uma coisa e outra e novamente viver minha vida assim: sem glamour, sem nada de excepcional, mas feliz e com saúde porque vejo que esse é o ingrediente fundamental para que todos os sonhos se realizem. O resto, a gente arranja.

FELIZ 2011!

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....