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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Mãe é tudo igual. Filho também!



por katia maia

Existe peça maior do que a nossa mãe? Existe! Nós mesmos quando nos vemos e nos reconhecemos no papel de progenitora. Como mãe de adolescentes e absolutamente atuante e experimentadora dessa aventura que é ser mãe de dois rapazes, não posso deixar de falar sobre uma peça teatral que assisti recentemente e que me retratou tão bem como (imagino) assim o faz com centenas de milhares de mães de adolescentes espalhadas por esse país.
Eu fui ver, em Maceió, Alagoas “Minha mãe é uma Peça”, um monólogo do ator Paulo Gustavo. Agora, por que tão longe? Na verdade, fui até o Nordeste para gravar especificamente esse espetáculo para um vídeo promocional da empresa aérea Avianca, que apoia e promove a cultura pelo Brasil. Ou seja, não estava nos meus planos assistir à peça, (não por agora)mas já que ela caiu no meu colo, claaaaro que eu gostei bastante da ideia.
Para me preparar para as filmagens, resolvi assistir ao filme homônimo da peça. Pela amostra que tive na telinha, já pude perceber que eu me divertiria com a peça. Embora estivesse meio cabreira de ver nos palcos uma espécie de reprise do filme. Bom, vamos deixar de conversa e vamos ao que interessa: fui, vi e gostei.
#Tietando com Paulo Gustavo
Claro que é preciso gostar também do estilo do ator Paulo Gustavo. Um tipo exagerado e que exacerba as falas e situações do dia a dia, mas que (na minha opinião) deixa engraçado e divertido o nosso cotidiano.
Bom ,ao começar o espetáculo, confesso que fiquei reticente e pensei: será uma cópia do longa-metragem.  Resolvi que não seria conquistada facilmente e que só iria rir se realmente houvesse razão para  tal.
Espetáculo começou e eu lá: analisando, avaliando, sem querer me envolver.  O tempo foi passando e não durou 15 minutos para que eu já estivesse rindo e me divertindo com o que via no palco.
A verdade é que Paulo Gustavo retrata de forma bem humorada e exagerada (claro) as situações do dia a dia que só quem é mãe de adolescentes sabe disso. Aquela coisa de toalha molhada deixada em cima da cama, do par de tênis imundos e podres no meio da sala,  da falta de cuidado com o que diz e faz. Tudo que é bem comum a esses seres ditos adolescentes.
Toda mãe e uma peça!
Cenas típicas do cotidiano do convívio com adolescentes como o copo usado para beber Nescau e que fica sujo em cima da pia com aquela crosta de açúcar dura no fundo. Tudo isso e muito mais, que vivido no dia a dia simplesmente desanima qualquer mãe, mas numa peça de teatro, retratada nos palcos, para a gente se ver, toma uma proporção maior e provoca o riso em toda mãe que enfrenta esses perrengues.
Ha momentos em que nos vemos na personagem praguejando e jurando que nunca mais vai ceder aos pedidos dos filhos. Nos vemos até quando dizemos que não vamos mais nos importar  com nada e largar de mão e desistir deles. Tudo balela. Mãe nunca desiste de filho e chega (até) a rir do próprio desespero quando pensa que não vai dar conta. O desespero passa, a angustia cede e o amor fica, para sempre. Porque mãe é isso.
Paulo Gustavo faz muito bem a (nossa) personagem e a gente chega a acreditar que a Hermínia realmente  existe.  Aliás, ela foi inspirada numa mãe de verdade: a do próprio ator. E, acredito em muitas outras que espalhadas pelo país repetem diariamente o que é dito na peça:
- Mãe é tudo igual, filho também.


Serviço
Minha Mãe é uma Peça
O espetáculo vem para Brasília em Outubro, nos dias 19 e 20, no Teatro Nacional
(61) 3325-6105

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Momento bigbang


por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_dolescente


Nunca tinha imaginado com seria, mas aconteceu: um encontro da minha fase TPM com a explosão de hormônios da adolescencia. Foi algo como (quase) o big bang, uma explosão do universo.

Pois bem, aconteceu comigo e não foi fácil. Asseguro que é bem complicado lidar com esse estado bipolar dos filhos adolescentes quando eles nos pegam na tal da TPM. E, claro, explodia ele de um lado, explodia eu do outro. Um verdadeiro vulcão de emoções.

A situação e o dia seria dos mais normais do dia a dia das minhas #memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes, não fosse a conjunção dos astros, o alinhamento dos planetas, o eclipse solar e o meu humor TPM em confluência com o espírito bipolar adolescente.

Cena um:

Chego na academia e percebo que o meu IPhone está em pane. A maçãzinha congelada na tela e um circulo de tracinhos girando em volta dela. Falo para meu filho mais velho:

- ih, deu pau!

Nesse momento, me lembrei que o caçula tinha ficado em casa sozinho e pensei: se ele quiser falar comigo, estou com o rádio nextel, ele me liga. E fui além: se ele não souber o numero do nextel decorado, ele liga para o irmão, se ele não lembrar o do irmão, liga para o pai. Bom, tudo acertado na minha cabeça, relaxei: não há por que me preocupar.

Cena dois:

Faço minha aula de pilates alegre feliz e satisfeita. Sofro um bocado com aquelas posições e alongamentos de uma lado para o outro, agora com a bola, agora sobe a perna direita, agora vira para o lado, agora gira o quadril, agora segura por dez segundo. Como assim, dez segundos? Suando aos montes para manter os comandos do professor, enfrento com dignidade a aula inteira.

O filho mais velho que deveria estar na aula comigo, fez o início até a metade, depois, pediu para sair. Disse que estava com dor de cabeça. Ah, sei, desistiu. Ok. Sigo em frente.

Terminou a aula, eu toda feliz por mais essa etapa cumprida, chamo meu filhote e vamos para o carro. Pergunto:

- seu irmão ligou?

- não.

- ok.

Cena três:

Chego em casa e ao chegar à porta, vejo que ela está aberta, sem a tranca. Entro já perguntando por que estava tudo escancarado e, mais, todas as luzes acesas?

- Bonito, parece até que somos sócios da light! Digo.

-Mãe, a light não existe mais, resmunga o filhote que acabou de chegar comigo.

Foi nesse momento que vi o caçula sair bufando do quarto:

- você não atende celular? To ligando há horas para você,depois reclama quando eu não atendo!

*detalhe: ele nunca está com o celular e sempre quebra o aparelho que lhe damos. A coisa mais difícil é o celular dele e ele estarem no mesmo local. Sempre esqueceu, está desligado, perdi, quebrei!

Ainda de bom humor respondi:

- uai, como assim: você é o cara para reclamar de alguém que está sem celular.

Foi então que veio ele, todo cheio de razão e sem nenhuma razão bufando:

- eu tentei ligar, você vive cobrando e não cumpre. Precisei falar e não consegui bla bla bla.

-Ãh? Perdi alguma coisa? Você está me pagando moral? Meu celular deu pane, mas eu estava com o rádio, por que não ligou para o nextel? Falei já um tom bem acima

- Eu não sei o numero do nextel! Disse ele irritado.

- Então que culpa tenho eu? Respondi e emendei: por que não ligou para o seu pai e pegou o meu número.

- Eu ia fazer isso agora! Disse ele quase gritando.

- ah? (de novo) e a culpa é minha? Como assim cara pálida (já gritando): eu sou culpada por você não ter conseguido falar no IPhone que deu pau à revelia, por você não saber o n8umero do meu nextel e por você não ligar para o seu pai?

- ah, ta, eu agora, quando você não conseguir falar comifgo, vou dizer que o meu telefone está dando pau. Disse com ironia.

Cena quatro - Aí eu explodi:

- escuta aqui, não venha com ironia para cima de mim. Eu não admito. Você erra e quer colocar a culpa no outro. Não quero mais papo. Eu faço tudo certo, to sempre com a M... do celular à mão, nunca deixo de estar online e é isso que eu levo. Escuta aqui bla bla bla...

Eu sei que comecei a vociferar, babei, gritei, falei. Falei,. Falei até ficar com dó de mim.

Ele correu para o quarto, também vociferando e disse que ia dormir.

- vá, vá dormir, porque eu faço, aconteço, corro, vou, volto, tudo para dar conta de tudo e é isso que eu recebo. Inferno de vida, inferno de vida! Gritei.

Ele se deitou no quarto. O filhote que chegou comigo ia esquentar uma pizza no forno e desistiu. Foi dormir com fome. Eu entrei num banho para esfriar a cabeça e depois, com a casa toda calma, fiz uma sopa para acalmar o turbilhão de adrenalina que eu tinha jogado no sangue.

Depois, com a cara mais limpa, ele, o caçula, chega e me diz: posso dormir com você na sua cama. Meu irmão ligou o ar condicionado e o nosso quarto está muito gelado. Eu, mãe que sou, com o perdão incluído no pacote, e admitindo a minha dose de culpa no destempero quase nuclear, respondo:

- pode!


Fade - fim





terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Nem tanto para mais"

por @katiamaia

memorias_de_uma_mae_de_adolescentes

Claro que eu sei que existem casas onde essa fase chamada adolescência passa super tranqüila, outras nem tanto e outras são realmente punk. Acho que posso enquadrar a minha experiência com meus filhotes naquela ‘nem tanto para mais’.


A vida ao lado desses seres viventes denominados adolescentes não é propriamente fácil. Os altos e baixos é que matam. São espécies bem “convivíveis”, eu diria, mas só se a gente souber administrar. Por que eu digo isso? Porque tem momentos em que a gente quer atirá-los pela janela de tão chatos que se tornam.

Mas, tem momentos doces e agradáveis quando a gente pensa que estava louca quando pensou em mandar tudo para o inferno. Nesse fim de semana, posso dizer, foi (mais) uma prova de fogo, para mim. Foi um daqueles sábados e domingos em que eles programam na cabeça (deles) todo um esquema de saídas, encontros e festas e que na realidade o fim de semana estava mesmo programado para ser ‘pianinho’.

Sabe um daqueles famosos castigos que eles nos obrigam a impor? Sim, digo obrigam, porque nenhum pai ou mãe fica feliz em dar castigos. Mas, eles simplesmente pedem por isso, insistem e ficam na fila quantas vezes for preciso para conseguir – involuntariamente, claro. Mas, como dizer e fazer com que entendam que o castigo “é para o bem deles”? Impossível, eu diria.

Lembro-me de todo o ódio que eu destilava de meus pais quando me impediam de sair, ir a uma festa ou fazer algo que eu gostava em nome do famigerado ‘castigo’. “Ô trem difícil de engolir!”. Mas, hoje sei que foi tudo realmente para o meu bem e é nisso que eu me fio: um dia eles me agradecerão.

A vida e a obra ‘adolescenística’ lá em casa não está sendo propriamente fácil e se enquadra na categoria ‘nem tanto para mais’ por causa de alguns detalhes básicos que eu esperava que seriam mais digeríveis e fáceis de enfrentar: os estudos, por exemplo. Esse é o foco maior de atrito. E aí, quando vem o castigo por causa das notas insatisfatórias, vem a revolta. E eu rebato: e a minha tristeza em ver um boletim ruim, não conta?

Eles acham que a tristeza e o sofrimento são privilégio deles. Aliás, adolescentes adora pensar que tudo em torno deles (sentimentos, frustrações, sonhos, decepções, vitórias, perdas etc) é único no mundo e só acontece com eles. É incrível, quando eu dou um castigo parece que só ele é o injustiçado.

Outro dia lembrei: vem cá, os seus amigos, quando chegam com notas baixas, os pais deles comemoram, dão uma festa, soltam fogos? Sim, porque parece que eu sou completamente desconectada da realidade.

Ele me olhou, (com ódio, claro) e ficou mudo.

- Eu, que pago um dobrado para que tudo saia a contento na vida, no trabalho, nas finanças etc também termino tendo minhas frustrações e me sentindo tão injustiçada quanto você quando chega o boletim insuficiente, sabia? Continuei.

Não, mas a dor deles de não poder sair é maior do que a minha de não poder comemorar notas altas! (aff!)

Bom, dizem que a coisa muda de figura e que, com o passar do tempo, eles melhoram, a ficha cai, a vida apruma e eles (enfim) nos agradecerão. ‘Tá’ bom, eu espero, mas fica a pergunta: quanto tempo tenho pra matar essa (falta de) saudade dessa fase, que eu sei que vai passar mas ta durando tanto?





quinta-feira, 12 de abril de 2012

As margens do Rio

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Pode parecer compicado,
mas com margem sempre se chega.
A gente sempre ouve falar das dificuldades que enfrentamos quando somos pais de adolescentes. E, sempre, invariavelmente, dizemos para si mesmos que saberemos administrar quando chegar o momento.


Afinal, pensamos, já fomos adolescentes e saberemos entender dramas, rompantes, destemperos e oscilações de hormônios. Certo? Errado!

Eles são incrivelmente criativos na arte de tirar a gente do sério e de surpreender. Não é raro a gente olhar para os filhos adolescentes e pensar:

- Onde foi parar aquele menininho doce, divertido e serelepe que tínhamos dentro de casa?

Eu respondo:

- Está escondido por trás de várias camadas de hormônios, dúvidas, certezas e de todo o furacão que habita a cabeça deles.

Ao ler esse post, você certamente dirá:

- Ah, então é só compreender isso que tudo se resolve?

- Nem! Pó parar! A gente não consegue! Não é tão simples assim. A verdade é que, mesmo tendo sido jovens também, nunca seremos compreensíveis ao ponto de entender SEMPRE o que se passa na cabeça de um adolescente.

Eles são pós-graduados em tirar a gente do sério e enxergar muitas vezes o mundo pelo lado avesso, do avesso, do avesso. ‘A pain in the ass”, como diriam os ingleses mais nobres e eu diria também com folga e sem medo de errar.

Claro que amo meus filhos e tento ser psicologicamente estável. Mas, não dá. Eles vivem a vida na tecla do “como se nada...”

Pode ser um rio caudaloso
Agem como se nada fosse acontecer. E, muitas vezes surpreendem: para o bem e para o mal! E digo mais: eles pedem limites.

Certa vez, fui fazer uma matéria em Alto Paraíso de Goiás. Uma cidade a 230km de Brasília. É uma região alternativa, cheia de energia e de pessoas que ali chegaram e ficaram na onda da era de Aquários. Foi um lugar que freqüentei durante muito tempo.

Já fui a Alto paraíso para pedalar – mountain bike -, para tomar banho de cachoeira, para tentar sentir um pouco o espírito ‘sociedade alternativa’ de rauzito, para falar de óvnis ou, simplesmente, para fazer matéria.

Numa dessas reportagens, encontrei um psicólogo que havia se mudado para lá ainda na década de 70, se não me falha a memória, e que ainda estava por aquelas bandas bem nessa onda ‘paz e amor’.

Na época em que o conheci, meu meninos ainda eram criancinhas. O psicólogo – do qual eu não me recordo o nome – tinha três filhos homens já adulto e bem criados. E, conversa vai, conversa vem, eu perguntei para ele, qual era o segredo para se atravessar a fase da adolescência sem traumas. Qual o conselho que ele me daria para essa etapa conturbada da vida de nossos filhos.

Ele, com um ar filosófico, me disse:

- Você já observou um rio?

- Já. Respondi encafifada.

- Então, (ele continuou) um rio tem o seu curso e corre para o mar, certo?

- Certo.

- Então, (repetiu) para correr para o mar o rio precisa de margem. Experimente retirar as margens dele para ver o que acontece: o rio se espalha e não vai para lugar nenhum. Se perde...

Pode ser um rio calmo...
- Ah... Resmunguei já visualizando a cena de um rio todo esparramado em uma poça sem suas margens para lhe dar rumo.

- Pois bem, nossos filhos são esse rio. Temos que dar margens para que andem para algum lugar e cheguem a algum ponto. E as margens são justamente os limites.

- É mesmo! Exclamei, como quem pronuncia “eureca!”

Ele continuou:

- Sabe Katia, às vezes tememos dizer não, ou apenas achamos mais fácil não enfrentar situações difíceis e limite. Mas, lhe garanto que nossos filhos gostam e até pedem por limites. Se você deixá-los soltos não vão chegar a canto nenhum. Serão como um rio sem margens que não alcançará jamais o mar.

Poético? Sim, poético, mas verdadeiro. E conto essa história aqui porque hoje mesmo enfrentei um desses momentos em que temos que impor o limite. Mas, isso, eu conto no próximo post.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Não quero prender. Quero saber!

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes


- Mãe, qual é a senha do meu cartão de débito mesmo?


A pergunta soaria como a mais natural possível, não fosse um detalhe:

- Como assim, qual é a senha do seu cartão? Onde você está para precisar usar o cartão?

- Não... é que eu estou aqui no Mc Donald’s com o fulano e fui passar o cartão para pagar o lanche e não estou lembrando qual é a senha...

- Como assim, eu estou no Mc Donald’s? Perguntei já quase aos berros.

- Não.. é que... sabe... Ele se enrolou na resposta e se eu etivesse no lugar dele já teria na minha mente a certeza do famoso “Ih, fiz M...!”

Fez mesmo! Respondo quase que automaticamente, mentalmente, aos pensamentos que, tenho certeza, estavam se passando pela cabeça dele.

A história é que ele estava na casa de um amigo, para onde fora com o irmão para dormir. Lá pelas tantas (pelas tantas mesmo) eles resolveram ir até o Mc Donald’s para comprar um lanche. Só que... Não me avisaram!

Quando ele me ligou para pedir a senha já era quase meia noite e justamente àquela hora ele estava comprando um lanche em um canto da cidade que eu desconhecia!

- Nem pensar! Gritei e rosnei:

- Volte agora! Você não tem autorização para estar aí. Você não me ligou avisando, você... Você... Você. Eu babava!

Ele percebeu a m... que tinha feito e me pediu desculpas.

Tudo bem, desculpas aceitas, mas: senta que lávem história. Ele ouviu, ouviu e ouviu pelo menos por uns três dias seguidos.

A verdade é que eu posso até parecer neurótica. Afinal, ele já tem 16 anos. Mas não sou e explico porquê.

Não dá para eu não saber a localização, o endereço, o lugar onde eles estejam.

Sou paranóica sim, mas não sou totalmente intransigível. Tudo o que peço é: me digam onde estão e eu explico (novamente):

Desde pequenos, conto para eles a história da estudante que decidiu acampar com o namorado e disse para a mãe que ia para um canto e terminou indo para outro - um sítio abandonado no interior de São Paulo. Os namorados foram surpreendidos por um psicopata que torturou e matou o casal.

Os dois adolescentes (ela de 16 e ele, 19) foram dados como desaparecidos e tiveram os corpos encontrados alguns dias depois. Isso aconteceu em 2003 e desde então conto para os meus filhos e falo da importância de me avisarem onde estão.

Esse caso foi emblemático, mas muitos outros ocorreram depois disso e muitos acontecem diariamente em nossas cidades. Por isso, é importante a gente saber sempre onde estão.

Eles retrucam, mas no fundo entendem.

O mundo tecnológico até trouxe para o dia a dia de todos nós a facilidade de acompanhar online, em tempo real o que acontece nos quatro cantos do planeta. A sensação que temos é de que há câmeras espalhadas por cada centímetro de nossas cidades. Tudo isso, levou as pessoas a terem uma sensação de que estão sendo vigiadas o tempo todo, todo o tempo.

- Isso é bom? Pergunto a mim mesma.

- É bom e é ruim. Respondo a mim mesma.

Nessa louca vida que levamos com nossos filhos adolescentes nesse mundo que não está nada amigável, o fato de termos um sistema de vigilância ininterrupto em cada centímetro de nossas vidas é algo que poderia (digo, poderia) dar uma certa tranqüilidade para nós – pais de adolescentes.

Mas não dá! E é por isso que em casa temos essa regrinha básica:

Não importa onde você esteja, para onde vá, o que vá fazer. TEM QUE AVISAR!

- Mas, mãe, você e meu pai prendem a gente demais! Retruca o meu caçula.

Não importa. Não quero prender, quero saber!






quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O tempo não pára

Por katia maia
#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Responda rápido: quanto tempo tem? Se a resposta vier de um adolescente, será difícil chegar a um consenso. É incrível a percepção que possuem do tempo. Uma hora tem-se todo tempo do mundo, em outra, o mundo está para acabar ainda hoje.


Vira e mexe ouço meus filhos falando sobre o que pretendem da vida. Claro que são planos mirabolantes, coisas que a fértil e criativa mente adolescente consegue produzir. O futuro que existe para eles é fantástico, cheio de realizações, com muita coisa boa e muito dinheiro. Óbvio, eu concordo. Se for para sonhar, que seja alto e com coisas muito boas.

Mas, é incrível a falta de paciência diária que possuem e fico imaginando como esperam alcançar e percorrer todo o percurso que eles tem pela frente até conquistar tudo que está em seus sonhos. Aliás, impaciência, acredito, é uma característica inerente ao adolescente. E mais: totalmente inerente ao jovem dos tempos modernos, que está acostumado com o mundo online.

Aliás, o mundo em tempo real só veio para prejudicar, e muito (na minha opinião) a chance que os adolescentes tinham de aproveitar os momentos na hora em que estão acontecendo. Tudo tem que ser para agora e online, porém, ficam tão preocupador em relatar o agora nas redes sociais que esquecem de viver cada instante.

Eles estão num shopping e postam no Facebook, no Twitter, entram no menssenger etc. Eles encontram alguém na loja e pronto, a foto já foi publicada, eles pensam em falar com um amigo e já entram no msn e mandam mensagem. E incrível é que o amigo está lá, do outro lado, conectado e pronto para responder. Não é demais?

Os jovens são, por natureza, mestres em achar que o aqui e agora é o que importa. Ainda mais nesses tempos em que o tempo real dita o andar da carruagem e a velocidade dos fatos. As redes sociais transformaram nossos jovens em pobres prisioneiros do ‘now’.

É assim o tempo todo. E, com isso, claro, a tão curta e imperceptível paciência dos adolescentes vira poeira. Ah, mas isso somente quando eles querem estar em outro lugar (o que acontece muito frequentemente quando estão com pais ou avós do lado) porque quando estão no ambiente deles, se divertindo, o tempo pode parar.

Quando estão com os amigos, o jogo vira e a paciência tem que ser nossa. Perdi a conta de quantas vezes fui pegá-los em shopping centers depois de uma sessão de cinema e a festas, marquei um horário, e na hora de buscar veio aquela frase:

- Posso ficar mais um pouco?

- Como assim, cara pálida? Eu estou aqui, saí de casa, o horário combinado foi esse e você quer ficar um pouco mais? Não! Claro que não!

Pronto, Virei a insensível, mãe que não colabora, que não entende... Pode? Não, não pode.

- Entra no carro agora, que eu estou com sono e já está na hora. Pronto, encerrei a discussão.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Que travesseiro?

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Imagine só a cena: dois rapazes entram em casa e começam o ritual de ‘desprendimento’ das vestimentas que utilizam. É quase um balé bufão. Primeiro, os sapatos, que ficam logo no hall de entrada da casa.


Depois, as meias, em seguida, a camisa – que fica em cima do sofá - e muitas vezes a bermuda que consegue avançar pela casa e chegar até o chão do quarto. Isso mesmo: o chão! Porque é complicado pegar uma camisa e colocar pelo menos em cima da cadeira.

Quantas vezes eles entrarem em casa, a cena se repete. Coisas de adolescentes? Sim, coisas de adolescentes. A percepção que eles tem de arrumação é um aspecto a parte dessa fase da vida. Talvez estejam com o olhar e o pensamento em questões essenciais para a existência de cada um nesse planeta.

Não conseguimos saber exatamente em quê estão pensando, mas percebemos que tudo é altamente fundamental para o aqui e agora. Tudo é para ontem e para o sempre. O imediatismo das coisas é impressionante quando estão avaliando a eternidade, e, a tranqüilidade é básica quando refletem e concluem que tudo vai durar para sempre e terão todo o futuro do mundo para se preocupar quando chegar a hora.

Entenderam? Nem eu! Difícil imaginar por onde andam os pensamentos desses seres espetaculares chamados adolescentes. Muitas vezes me surpreendo com um comentário absolutamente pertinente e maduro, do tipo “Mãe, a vida não é só trabalho. Você precisa aproveitar mais e se preocupar menos”, ou, com outro absolutamente infantil (dito e repetido inúmeras vezes, quando tive que viajar a trabalho ou dar plantão) como: “mãe, você prefere seu trabalho a ficar com os filhos”. Pode?

Não pode, mas é assim! É isso que faz o turbilhão de pensamentos que habita a mente adolescente. Acho que é por isso que a bagunça que promovem passa ao largo de tantas questões fundamentais para a existência deles na terra.

Outro dia (voltando à arrumação da casa) vi o meu caçula sair da sala, chegar até a cama (no quarto) e no trajeto naturalmente passar por cima do travesseiro que estava no chão junto a cama. Não agüentei:

- Por que você não pegou o travesseiro? Perguntei.

- Que travesseiro? Ele rebateu.

- Olhe para o chão, eu disse.

- Ah, não tinha visto. Disse ele, com a mesma naturalidade que usou para passar por cima do dito sem perceber. É incrível! Mas é assim.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Momento Mastercard

por Katia Maia


#Memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Adolescentes são egoístas, certo? Não, nem tanto, nem sempre. Acho que tudo depende, tudo é relativo, como diria um professor de... Física... (talvez) que eu tive? Não sei.

Bom, a verdade é que conviver diariamente com adolescentes é uma viagem sempre surpreendente. Claro que temos os famigerados hormônios que sempre atrapalham qualquer possibilidade de mantermos uma conversa razoável quando esses se manifestam no corpo em ebulição dos nossos queridos filhos genuinamente aborrecentes.

Mas, olha, não me canso de me surpreender com o lado bom da vida. Outro dia, estava eu triste, "me sentindo Tristinha! Mais sem graça. Que a top-model magrela. Na passarela. Eu tava só. Sozinha!" como driria Zeca Baleiro em sua canção Telegrama. Me sentia a última das últimas...

Sabe aqueles dias em que você pensa: #caráiVéi, nada vai dar certo? Tipo de momento de nossa existência em que achamos que o mundo conspira contra a gente e que dificilmente acreditamos no velho e bom incentivo de que tudo vai dar certo!

Pois foi num dia como esses, num momento desses, que eu encontrei nos meus filhos adolescentes palavras de incentivo e de apoio. Quando eles me viram bem deprimidinha, triste e chorona, começaram a me animar.

- Liga não, mãe. O que você prefere? Ser essa pessoa que trabalha e dá conta da vida, que paga as suas contas sozinha, trabalha num emprego legal, não depende da ajuda de ninguém para fazer a sua reforma no nosso apê e se organiza para que tudo dê certo; ou prefere ser alguém que não consegue se bancar, depende do dinheiro dos pais para pagar as contas e não dá um passo sozinho? Perguntou-me o mais velho.

O caçula emendou:

- É mãe, o que você prefere? Você já viajou para caramba, já foi para a Europa, a gente foi junto, depois viajamos para os Estados Unidos, você já foi para a Argentina, Chile e um monte de lugares legais. Você pedala, corre, já fez um monte de meia maratona, e tudo o mais. O que você prefere? Ficar se lamentando porque queria uma ajudinha daqui e outra dali não vai te levar a lugar nenhum. Você pode fazer acontecer! Arrematou.

Nesse momento, eu parei para pensar e comecei a senti um pouco mais feliz. Feliz por perceber tudo aquilo que eles estavam me dizendo (certo), mas mais feliz por ver que o que a gente passa para os filhos é o exemplo. E eles estavam me admirando pelo que eu sou e pelo o que eu construo no meu dia a dia, procurando dar conta de tudo da melhor forma possível.

Tá certo que um 'colinho' não faz mal a ninguém e que tem momentos em que a gente quer que alguém segure na nossa mão e diga, vai lá, descansa. Deixa que eu cuido de tudo.

Mas, olha, ter visto que meus filhos naquele momento estavam sendo maduros o suficiente para me dizer e mostrar o que vale a pena na vida, não tem preço. É puro momento mastercard.

Claro que há horas em que eu me desentendo (feio) com meus filhotes aborrecentes. A gente briga e grita (e isso acontece muito na difícil tarefa de criar adolescentes, creiam-me), mas o valor e os conceitos é que formam o caráter de nossos filhos. E eles não são bobos: sabem disso.

Quanto a rebeldia... Ah, a rebeldia faz parte do pacote.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Se fosse uma cobra...

Da Série #aborrecências

Por katia maia

Fico realmente surpresa com a capacidade dos adolescentes em se desconectar do mundo real e viver num universo só deles. Já li a respeito, ouvi falar e me disseram que tudo tem a ver com o amadurecimento de uma tal massa cinzenta do cérebro. Algo que acontece (o amadurecimento) aos poucos e só se concretiza lá pelos 17, 18 anos.


Ok, tudo bem, aceito, mas...

Mas acontece que no dia a dia fica difícil imaginar tanta situação surreal que eles produzem. Falo isso, porque tenho dois adolescentes dentro de casa e diariamente sou surpreendida.

Um exemplo, par ficar mais claro.

Hoje, pela manhã, ao sair de casa, vejo o meu filhote mais novo (14 anos) anunciar da porta de casa:

- Eita, minha mochila! Esqueci lá dentro. E voltar para pegá-la.

Eu, já impaciente – porque eles nunca conseguem sair no horário com alguma folga para que eu possa dirigir tranqüilamente até a escola sem me preocupar com o tempo, transito etc – respondi: vou esperar no carro.

Imaginem a minha surpresa quando, alguns minutos depois (o tempo correndo e eu impaciente) ele volta e revela:

- Não achei a mochila.

- Você procurou na casa toda?

- Procurei.

- Tem certeza que você a trouxe da casa do seu pai, ontem a noite?

- Tenho! Quer dizer, eu achava que sim. Ela não está aqui no carro? Rebateu.

- Não, aqui no carro não estÁAAA! Falei já com a irritação na velocidade mil

E engatei...

- Vocês, vão me desculpar (e aí o sermão já virou coletivo), mas vocês pedem para a gente falar e reclamar. Esquecer a mochila, sabe Deus onde, é algo inconcebível. É de uma falta de responsabilidade tamanha!

Ele ouvia calado e só resmungava...

- Mas foi a primeira vez que esqueci a mochila toda.

Ah, bom, Agora tudo bem. A mochila toda foi a primeira vez. Normalmente é só um caderno, um livro, um uniforme etc.

A situação era tão absurda que eu nem tive forças para vociferar. Para mim, aquilo era algo do tipo “além da imaginação”, “universo paralelo” etc.

Mandei que ele ligasse para o pai e verificar se a mochila tinha ficado na casa dele. Ligou, o pai atendeu, procurou e nada! A mochila simplesmente foi abduzida, pode? Claro que não pode!

A verdade é que, não satisfeita, eu deixei os dois na escola e voltei em casa para procurar melhor. Bom, para procurar melhor é uma maneira de falar. E quando eu digo ‘maneira de falar’ é maneira meeeeesmo!

Assim que entrei em casa, olhei para o sofá (que fica de frente para a porta de entrada) e adivinhe o que estava lá, debaixo de uma almofada?

- Ela, a mochila!

Foi tão absurdo que me senti até fraca diante da falta de senso e de conexão do meu filhote. Sabe aquela história de “se fosse uma cobra, lhe morderia?”. Ainda bem que não era.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Twilight zone - O aparelho sumiu

Da série - adolescentes!

 por katia maia

Essa não dá para deixar passar batido. Pensou a mãe diante daquela situação absurda. Não tinha raiva, estava realmente abismada com o que acabara de acontecer. Pensou e falou:

- Você tem a cabeça onde? No pé?

Estava realmente impressionada com a capacidade de seu filho adolescente, ou pré-adolescente, em não ter compromisso ou, mais, em ser completamente desligado para as coisas.

A história:

No dia anterior tinham ido almoçar no restaurante de costume. Comiam fora todos os dias para agilizar o processo e também porque ela não sabia cozinhar, sequer fritar um ovo.

Naquele dia, combinaram de encontrar outro lugar legal para comer. Foi quando seu filho mais novo, de 13 anos, se adiantou:

- Não, vamos ao mesmo de ontem.

- Ok! Vvamos ao mesmo de ontem.

Queriam variar, mas àquela altura não estava muito a fim de polemizar. Foram ao restaurante de sempre. Quando saiam do carro, já estacionado, o menino falou:

- É bom a gente vir nesse restaurante porque aí eu aproveito e pergunto se eles acharam o meu aparelho dentário móvel.

O tal aprelho perdido

- Como assim? Você perdeu o aparelho e não me disse nada! Reclamou a mãe e completou: por isso que você quis vir de novo nesse restaurante, né? Agora tudo faz sentido.

Ele riu um sorriso amarelo e concordou. Chegaram ao restaurante e ele disse:

- Mãe, pergunta a moça se encontraram o aparelho.

- Vou perguntar na hora de pesar a comida. Respondeu.

Na pesagem, veio a confirmação. A dona do restaurante tinha encontrado o tal aparelho:

- É um azulzinho:? Perguntou.

-É sim. Disse ele todo feliz. Sabia que ouviria um sermão interminável dos pais e do dentista se perdesse o tal aparelho.

Sendo assim, ficou todo mundo feliz. A mãe porque não gastaria com a compra de um novo aparelho e ele porque não ouviria sermão. Sentaram-se à mesa e almoçaram tranquilamente.

Na hora de pagar a conta, no caixa, o dono do restaurante perguntou:

- Qual dos dois perdeu o aparelho?

- Foi esse. Apontou para o filho mais novo.

Nesse momento, ele se afastou do caixa e correu até a mesa. Ela não entendeu nada e enquanto terminava de pagar ouviu do filho:

- Mãe, perdi meu aparelho!

- Ah?!?!?!? Reagiu.

Seriado criado em 1959
e relançado na década de 80
Ela, nesse momento, pensou que estava em um dos episódios do seriado “Além da Imaginação” ou ‘twilight Zone’, em inglês. Uma série de programas muito legais da década de 80 que retravava casos surreais da vida misturados com ficção científica e um pouco de suspense e thriller.

É, mas não estava no ‘Além da Imaginação’. Era realidade. Respirou fundo.

- Como assim: cadê o meu aparelho? Você acabou de encontrá-lo! Colocou no bolso! Repetia uma série de perguntas para comprovar o absurdo da situação.

- Não mãe, eu deixei em cima da mesa. Respondeu com a cara mais limpa.

- Como assim, ‘deixei em cima da mesa’? Como assim? Como isso pode acontecer? Você acabou de recuperar seu aparelho? Como não passou pela sua cabeça algo do tipo ‘agora vou ter todo o cuidado do mundo’? Despejava a mãe estupefata.

Enquanto a mãe falava, ele correu até a mesa em que almoçaram e viu que os pratos já haviam sido retirados. A dona do restaurante percebeu a movimentação e perguntou:

- Perdeu?

- Perdeu. Respondeu a mãe com a cara mais atônita possível.

- Onde estava? Questionou a dona do restaurante.

- Em cima da mesa, enrolado num guardanapo. Respondeu o filho.

Imediatamente a moça correu para os fundo onde foi fuçar nos guardanapos já despejados no lixo. Olhou daqui e dali e gritou:

- Achei!

Totalmente ‘twilight zone’. Nome do episódio: com a cabeça nos pés!




Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....