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quarta-feira, 20 de março de 2013

Lembranças de quê? Pra quê?


(Texto que encontrei no fundo do baú)

da série #naftalina

Então, resolvi deixar as lembranças partirem. Percebi que elas estavam me atormentando e que eu precisava liberá-las e perdoá-las.  Durante muito tempo, me prendi a elas, todas elas. As boas e as más e percebi que mesmo as que me eram agradáveis me faziam sofrer.
Percebi que me apertavam o peito e me faziam chorar pela nostalgia de algo que não voltaria mais. Então, decidi: as expulsei sem dó nem piedade.
Agora será assim: uma vida de presente e futuro. Não quero me apegar às lembranças. Coloquei todas numa caixa e a caixa num baú e o baú despachei. Tranquei com um cadeado cuja senha fiz questão de esquecer. Foi isso que a vida me ensinou: a enterrar as lembranças. Elas só me fazem mal. Sofro imensamente com a saudade e a frustração do que não pode mais ser o que era antes. Então, fora! Fora daqui do meu peito lembranças. Não perturbem mais o meu sono, não torturem mais o meu presente e não tropecem mais nos meus sonhos. Vão e não voltem!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Por que e que Papai Noel não se esquece de ninguém?


O Natal foi mais feliz na infância minha e dos meus filhos. Lembro-me da ansiedade da chegada do bom velhinho, da dúvida sobre o meu merecimento e da impaciência na hora de dormir para esperar o presentinho debaixo da cama ao amanhecer. Sim, porque era assim que acontecia. Papai Noel entrava pela janela e deixava o presente debaixo da cama. 
Geralmente, no Natal, eu estava de ferias no Nordeste, na casa de meus avós maternos, em Caruaru (PE). Ainda hoje quando fecho os olhos posso me lembrar e sentir a sensação gostosa que era a expectativa pela Noite de Natal. Com toda aquela correria de parentes, amigos, vizinhos...
A casa ados meus avós era sempre uma festa. O dia 24 era tomado por pessoas levando engradados de refrigerante, tortas, salgadinhos... Minha avó semrpe a frente da ceia. Um frisson daqueles!
À noite, a ceia era repleta de filhos, noras, genros, netos, amigos... Casa cheia. Uma felicidade e a certeza de que o bom velhinho viria. E tinha tanta certeza de que Papai Noel existia que certa vez, na manhã do dia 25 de dezembro encontrei meu avô fazendo a barba e fui mostrar o presente que havia ganhado.  Ele olhou e me perguntou se eu tinha visto o papai Noel deixar o presente. Respondi:
-       - vi, vi, sim!
-       - E como ele é? Perguntou meu avô.
-       - Ah, vô, ele é grande, gordo e usava uma roupa vermelha. Tinha botas pretas e entrou bem devagarinho no quarto.
Meu avô sorriu...
Eu sempre acreditei em Papai Noel e, afirmo, continuo acreditando. Acredito apenas que ele muda sua forma de atuar e seus presentes vão se transformando em valores. 
Esse ano, reconheço, foi um ano difícil e sendo assim tenho como presente do bom velhinho a oportunidade de refletir e entender o por quê dos presentes que não recebi e a mensagem de que o presente nem sempre vem em uma embalagem bonita. O que importa é que ele virá. Sei que papai Noel tem algo muito bom guardado para todos nós e se não veio como esperávamos é porque o presente real está guardado nas entrelinhas.
A verdade é que Papai Noel não se esquece de ninguém!

 A todos, um FELI Z NATAL e muita paz, saúde e boas energias porque é isso que faz o mundo se mover e ser um pouco menos injusto. Acreditemos, sempre!

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....