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quarta-feira, 20 de março de 2013

Lembranças de quê? Pra quê?


(Texto que encontrei no fundo do baú)

da série #naftalina

Então, resolvi deixar as lembranças partirem. Percebi que elas estavam me atormentando e que eu precisava liberá-las e perdoá-las.  Durante muito tempo, me prendi a elas, todas elas. As boas e as más e percebi que mesmo as que me eram agradáveis me faziam sofrer.
Percebi que me apertavam o peito e me faziam chorar pela nostalgia de algo que não voltaria mais. Então, decidi: as expulsei sem dó nem piedade.
Agora será assim: uma vida de presente e futuro. Não quero me apegar às lembranças. Coloquei todas numa caixa e a caixa num baú e o baú despachei. Tranquei com um cadeado cuja senha fiz questão de esquecer. Foi isso que a vida me ensinou: a enterrar as lembranças. Elas só me fazem mal. Sofro imensamente com a saudade e a frustração do que não pode mais ser o que era antes. Então, fora! Fora daqui do meu peito lembranças. Não perturbem mais o meu sono, não torturem mais o meu presente e não tropecem mais nos meus sonhos. Vão e não voltem!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O tempo não pára

Por katia maia
#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Responda rápido: quanto tempo tem? Se a resposta vier de um adolescente, será difícil chegar a um consenso. É incrível a percepção que possuem do tempo. Uma hora tem-se todo tempo do mundo, em outra, o mundo está para acabar ainda hoje.


Vira e mexe ouço meus filhos falando sobre o que pretendem da vida. Claro que são planos mirabolantes, coisas que a fértil e criativa mente adolescente consegue produzir. O futuro que existe para eles é fantástico, cheio de realizações, com muita coisa boa e muito dinheiro. Óbvio, eu concordo. Se for para sonhar, que seja alto e com coisas muito boas.

Mas, é incrível a falta de paciência diária que possuem e fico imaginando como esperam alcançar e percorrer todo o percurso que eles tem pela frente até conquistar tudo que está em seus sonhos. Aliás, impaciência, acredito, é uma característica inerente ao adolescente. E mais: totalmente inerente ao jovem dos tempos modernos, que está acostumado com o mundo online.

Aliás, o mundo em tempo real só veio para prejudicar, e muito (na minha opinião) a chance que os adolescentes tinham de aproveitar os momentos na hora em que estão acontecendo. Tudo tem que ser para agora e online, porém, ficam tão preocupador em relatar o agora nas redes sociais que esquecem de viver cada instante.

Eles estão num shopping e postam no Facebook, no Twitter, entram no menssenger etc. Eles encontram alguém na loja e pronto, a foto já foi publicada, eles pensam em falar com um amigo e já entram no msn e mandam mensagem. E incrível é que o amigo está lá, do outro lado, conectado e pronto para responder. Não é demais?

Os jovens são, por natureza, mestres em achar que o aqui e agora é o que importa. Ainda mais nesses tempos em que o tempo real dita o andar da carruagem e a velocidade dos fatos. As redes sociais transformaram nossos jovens em pobres prisioneiros do ‘now’.

É assim o tempo todo. E, com isso, claro, a tão curta e imperceptível paciência dos adolescentes vira poeira. Ah, mas isso somente quando eles querem estar em outro lugar (o que acontece muito frequentemente quando estão com pais ou avós do lado) porque quando estão no ambiente deles, se divertindo, o tempo pode parar.

Quando estão com os amigos, o jogo vira e a paciência tem que ser nossa. Perdi a conta de quantas vezes fui pegá-los em shopping centers depois de uma sessão de cinema e a festas, marquei um horário, e na hora de buscar veio aquela frase:

- Posso ficar mais um pouco?

- Como assim, cara pálida? Eu estou aqui, saí de casa, o horário combinado foi esse e você quer ficar um pouco mais? Não! Claro que não!

Pronto, Virei a insensível, mãe que não colabora, que não entende... Pode? Não, não pode.

- Entra no carro agora, que eu estou com sono e já está na hora. Pronto, encerrei a discussão.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa...


por katia maia

Esse fim de semana, me surpreendi com o bate papo que ouvi entre dois frentistas no posto de combustíveis perto de minha casa. Eles falavam, sem perceber, da importância da educação na vida de uma pessoa.

Sem querer, me vi prestando atenção na conversa alheia (que coisa feia), mas era por uma boa causa. Ali, eu constatei que nem tudo está perdido e num país onde 54% das crianças com 8 anos de idade mal sabem ver as horas em relógios de ponteiros, não conseguem interpretar um texto, entender a pontuação e sequer perceber a ironia de pequenas histórias... Nem tudo está perdido.

Não ouvi a conversa toda, foi apenas um fragmento, mas pude perceber que um deles contava a história de um amigo que fez um teste para entrar em uma empresa, com nível técnico, e tinha sido admitido:

- Ele entrou com o curso técnico médio e logo melhorou de situação dentro da empresa.

- Sério? Retrucou o outro, interessado na história.

- É. Ele entrou, ficou um tempo e decidiu fazer uma faculdade. Se inscreveu no ProUni.

- Sério? Novamente retrucou.

- Sério! E quando ele entrou para a faculdade já melhorou de situação e sabe mais? Ele estudou e logo já tinha passado para uma função melhor. Ele melhorou tanto que o cara que fez o teste dele, e ficou parado no ensino médio, hoje é subordinado dele!

- Como assim? O cara que aplicou o teste para ele entrar na empresa agora está abaixo dele? Espantou-se o outro.

- É! Já pensou? Para você ver a diferença que um curso superior faz na vida de uma pessoa! Disse o contador da história.

Pronto, ouvi a conversa até esse ponto porque já havia pagado o abastecimento e era hora de partir. E, asseguro, parti um pouco mais feliz nessa tarde de domingo seca do Planalto Central.

Claro que não me iludo com programas como o ProUni. Sei que é um arremedo para colocar gente na faculdade, e mais, nessas instituições de ensino superior que sabe Deus a qualidade que possuem.

Mas, olha, confesso que fiquei feliz por ver dois frentistas conversando e reconhecendo o valor que a educação tem na vida das pessoas. Ali, talvez, estejam duas pessoas que vão correr atrás de mudar suas vidas por meio da educação. Porque, isso sim, para mim é uma verdade: só com educação a gente muda um país e se livra dessa corja de políticos que se aproveitam da ignorância do povo e roubam. Desviam, desfazem e desmancham a perspectiva de futuro de cada brasileiro que depende do estado para ter acesso à saúde, segurança e, claro, educação.

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....