segunda-feira, 23 de maio de 2016

Partiu, Porto seguro!!!

O sol nasce. Destino: Porto Seguro!
por katia maia

Como havia prometido no Facebook, este blog esteve em viagem pelas terras da Bahia, visitando Porto Seguro. A partir de hoje, publico uma série de matérias sobre a nossa passagem pela cidade e nossas impressões sobre comida, hospitalidade, atendimento, opções de lazer e, claro, sobre a baianidade.

Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa... Gostaria apenas de pontuar que fazia mais de 20 anos que eu não pisava em Porto Seguro e  devo confessar que a cidade litorânea não estava nos meus planos até outubro do ano passado quando um evento que aconteceria agora em maio me levou de volta à terrinha.

Chegamos em Porto Seguro num sábado pela manhã chuvoso. O tempo estava nublado e, venhamos e convenhamos, chegar em uma cidade de praia, vinda de outra que não tem praia e chegar num dia de chuva é quase um banho de água fria. Mas, tudo bem, vamos lá. Praia é praia e só o mormaço já é capaz de nos aquecer e dourar a pele.

Nublado! Oh, NO! 
Ficamos no Hotel Tropical praia. Localizado na avenida beirar mar. Quando fiz a reserva, pela Bancorbrás, fiz questão de procurar um hotel próximo á praia para que não precisasse pegar condução para ir até o mar e, mais, para que pudesse acordar com o cheiro, o som e a brisa do mar.

Fachada do Tropical Oceano Praia. Fonte: Internet
Nem o cheiro, nem a brisa, o som e muito menos a paisagem. Porto Seguro está com sua orla tomada de barracas enormes – uns verdadeiros centros de lazer construídos tampando em boa parte a beleza natural. Bem diferente do que eu vi há vinte anos. Esse foi o primeiro impacto negativo. Fiquei frustrada.

Barracas de Paria que mais parecem um centro de lazer. Fonte: Internet

Ao chegar ao hotel. Num sábado, 11h da manhã, apenas um atendente se virava para dar conta dos hospedes. Chegamos, pedimos para fazer o checkin e o atendente demorou uns 40 minutos para fazê-lo. Atendeu umas quatro pessoas na nossa frente e quando eu fui reclamar, desculpou-se:

- Estou sozinho, me desculpe. Se a senhora quiser sentar-se um pouco e esperar. O quarto também não está pronto ainda.

Reclamei que estávamos em um sábado e era de se esperar que houvesse mais gente atendendo. Ele desculpou-se novamente. Ok. Assenti.

Escadarias para o andar superior.

Ao sermos atendidos, chave do quarto na mão, percebi que estava num quarto no andar de cima. Pedi alguém para me ajudar com as malas – estávamos levando equipamento de mergulho o que significa bastante peso.

Novamente, desculpou-se:

- Me desculpe novamente, mas não temos ninguém para ajudá-la.

Ok. Assenti novamente.

Piscinas

 Ao chegar no quarto, bem espaçoso, mas com alguns detalhes que não condizem com a estrutura grandiosa que o Hotel nos passa ao chegarmos. Os colchões das camas não eram necessariamente novos e confortáveis e a televisão, uma peça de museu – ainda de tubo! Nem sabia que ainda existiam. Ah, e na recepção, o atendente me disse que teria que assinar um papel me comprometendo a pagar R$ 100,00 caso um dos controles (ou os dois) – do ar condicionado e da TV d Tubo – desaparecesse.

Ok. Assenti. 

Panorâmica do dia nublado

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O lixo que se deixa para trás

por Katia Maia

Quem passa pela via N2, que dá acesso ao Palácio do Planalto, pelos fundos, não vai perceber, mas basta uma olhadinha mais atenta para ver que atrás de um tapume verde, toneladas de sacos de lixo guardam toneladas de papel triturado pelos funcionários dos 3º e 4º andares da presidência da República.
Contêineres abarrotados de sacos de papel triturado. Que tipo de papel? Não dá mais para saber. Cada um tire as suas próprias conclusões. Aqui, relato, apenas, o fato.

“O trabalho nesta quarta-feira foi intenso aqui no Planalto, foi tanto papel triturado que dez máquinas trituradoras se quebraram. Não aguentaram o tranco”, disse um amigo que trabalha no local.

O fato é que dezenas de sacos de lixo atochados de papel triturado estão nos fundos do Palácio do Planalto à espera do caminhão de lixo para levar para uma cooperativa de reciclagem. Resta saber se há algo a reciclar. “Já passei por outras transições de governos e nunca vi isso. Não é normal”, lamentou meu amigo.






terça-feira, 26 de abril de 2016

Macia e saborosa e sustentável!

Gado pantaneiro. Foto Adriano Gambarini- WWF
por katia maia

Fui experimentar a carne Bovina Orgânica (da Korin) e posso dizer que me surpreendi. Sempre fico meio com o pé atrás para esse patrulha do mundo moderno que nos força a ser politicamente correto, orgânico, sustentável, verde. Também sempre gostei de vida saudável. Então, dentro do meu dilema spuank funk trash e vida light up clean soft, me rendi á carne orgânica.

Maminha top. 
Proveniente de novilhos (machos) criados no coração do Pantanal sul-mato-grossense, o rebanho é criado sem o uso de antibióticos, hormônios, quimioterápicos e sem acréscimo de ureia. Os novilhos da linha Orgânica possuem alimentação certificada orgânica de pastagens nativas e ração composta por grãos orgânicos nos últimos quatro meses. A convivência em harmonia com animais nativos da região é um tempero a mais e remete a saborosas carnes de caça.

A carne foi lançada em Brasília, no restaurante Le jardin Du Golf e o cardápio aproveitou muito bem todo o potencial do produto. De entrada, Mix de folhas verdes com carpaccio de filé mignon orgânico e molho de mostarda. O prato principal Filé mignon e noix orgânicos com risoto de cogumelos ao trifolati e legumes salteados com ervas. E, para fechar, um delicioso profiteroles com calda de chocolate.

Entrada.
A carne orgânica chegará mais cara ao mercado, mas vale a pena. O fato do gado ser sustentável e criado no Pantanal, “um lugar onde a pecuária teve um casamento perfeito do ponto de vista do conceito de sustentabilidade”, segundo definiu Leonardo Barros -  presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO-MS). Os bovinos orgânicos comem mais de 500 espécies de capins nativos do Pantanal, o que significa maior nível de Ômega 3 à carne. Então: saudável, faz bem e é saborosa. “E nada disso seria realidade se a gente não tivesse feito essa união de elos e quero destacar a parceria com o WWF”, disse.


Prato principal: delicieux!

A Korin é pioneira no Brasil na produção de frangos e ovos livres do uso de antibióticos. A empresa produz e comercializa linhas orgânicas e sustentáveis de origem animal e vegetal como frangos, ovos, carne bovina, arroz, café, mel entre outros. Agora, em parceria com o WWF (World Wide Found for Nature) e a ABPO.

Produtos Korin orgânicos
Toda a produção é realizada por cooperativas e pequenos e médios produtores, incentivando a agricultura familiar e integrando valores ecológicos e sociais para garantir, não apenas a qualidade dos produtos, mas também sua qualidade de origem. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Desconfortante e afetuosamente bela

por katia maia

Você já foi ver a exposição ComCiência, da artista Patricia Piccina? Se ainda não foi, vá! Corra! Porque acaba em menos de uma semana. Vasomente até o dia 4/4, próxima segunda-feira.

Não diria que é uma exposição confortável. Ela nos provoca. Cada peça nos faz pensar, nos dá uma chacoalhada e nos faz sentir que há algo de inquietante entre nós e os outros. E quando eu falo “ os outros” me refiro ao universo que existe ‘outside us’ e ‘outside the earth’.

A mostra nos faz sentir extraterrestres em contato com seres. Dá a impressão que nós somos os alienígenas e quem nos conforta são eles, que chegam e carinhosamente se aninham e nos acolhem.


Isso, falando do lado conceitual da exposição. Da mensagem que captei por meio das peças e do que me chamou a atenção. Agora, se a gente for falar do trabalho artístico em si, aí também é outro ponto de destaque. As peças, os detalhes de cada uma, são de uma realidade desconcertante. 

A peça 'Grande Mãe' deixa a pergunta no ar: é passado ou futuro? Quem esse ser meio macaco, meio pós hecatombe, meio pré civilização, que carrega o bebe no colo e o amamenta? Desconcertante e afetuosa, a peça nos provoca uma sensação de carinho e dúvida.


A Grande Mãe
Outras duas  peças, 'Indiviso' e 'Tão Esperado', transmitem a tranquilidade e a paz que somente uma criança possui. Na primeira, o ‘monstrinho’ dorme abraçado a um menino, numa cama, no quarto – possivelmente da criança. Na outra, também  um menino acolhe  no colo um ser que dorme junto com ele sentados em um banco que poderia ser da praça perto de nossa casa.


Indiviso

Tão Esperado


Em 'A Confortadora', uma menina nina um ser. A própria figura da criança é desconcertante. Ela tem as pernas cobertas de pelos e está harmoniosamente encostada a uma parede, admirando o ser que embala.
A Confortadora


Assim, a exposição segue. Intrigando, confortando, provocando momentos de carinho, empatia e reflexão. Uma mostra que não dá para deixar de ver. Um convite á pergunta: quem somos, o que fazemos e, mais, aceitamos o diferente – seja ele desse ou de outro planeta?


A Força de um braço



De Bruços

O Substituto


O Golpe

O Observador
O Observador

O Observador

Serviço:
Até 04/04 (#corra!)
CCBB Brasília
de 9h às 21h
às terças-feiras o CCBB fecha

sexta-feira, 18 de março de 2016

Fogo de Volta


Expansão de 120 lugares 
Por katia maia 


De volta e de portas abertas para a boa tradição gaúcha de fazer churrasco, a Fogo de Chão reabriu na capital federal. Desde ontem, no mesmo local – próxima ao posto da Torre, no setor hoteleiro sul, a churrascaria  está funcionando com mais espaço, novidades e a qualidade de sempre.

O local ampliou sua capacidade em 120 lugares e trouxe inovações como um bar, o Bar Fogo, integrado ao ambiente, onde o cliente pode aproveitar o ambiente e desfrutar de um menu “com gostinho de churrasco” para se degustar com opções como a polenta, a picanha, o pão de queijo etc enquanto toma uma caipirinha, por exemplo.

O cardápio do Bar Fogo, aliás, é composto por pratos e petiscos diferenciados e harmonizam com mais de 300 rótulos de vinhos e cervejas das mais renomadas regiões da Europa, América do Norte, América do Sul.
Piano e violoncelo 
Na inauguração pude conferir a qualidade do churrasco feito por gaúchos e que está presente em outras dez casas pelo Brasil (cinco em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Belo Horizonte, outra em Salvador e a de Brasília que, com a reforma está muito mais agradável.


Típico churrasco gaúcho

Crise? Que crise? “Este ano vamos abrir mais seis casas nos Estados Unidos”, disse  o CEO da rede, Larry Johson. Segundo ele, “ não existe crise no Brasil” e ele explica que é filosofia da empresa investir quando todos enxergam crise. “ Isso é típico para nós. Quando tivemos a recessão nos EUA, continuamos abrindo e reformando casas. Temos uma visão de longo prazo e sabemos que cada país tem crise  e recessão. Mas pensamos em termos de 30 a 50 anos. Então  o que é crise para o resto do mundo é oportunidade para nós”, garantiu

Esta blogueira e Selma Oliveira
E o investimento deixou a casa de Brasília ainda mais agradável. Logo na chegada, na parte exterior, dois ombrelones adequados para happy hour e fumantes. Perfeitos para quem curte um ambiente ao ar livre.

Na entrada, a casa recebeu também um piano e um violoncelo, nova fachada de vidro, marquise para melhor conforto e comodidade da clientela em períodos de sol ou chuva.

Um dos lounges na entrada


A rede, que tem 37 anos, continua oferecendo os 18 melhores cortes de carnes do mundo, entre eles a suculenta fraldinha, bife ancho, o shoulder steak, a costela premium e a saborosa picanha.  No lançamento, pude conferir todas e me chamou a atenção o sabor e ponto ideal das carnes.

Vinho Terrazas, malbec, 2013
Todas as opções são servidas diretamente do espeto à mesa e acompanhadas de buffet livre de saladas que inclui queijos importados, pães, temperos e acompanhamentos especiais.

Buffet de saladas

A rede  já se consolidou internacionalmente por manter as suas tradições desde a abertura do primeiro restaurante em 1979.  “A Fogo de Chão desde o inicio se posicionou num patamar de upper class e nos EUA, não. A nossa intenção era mostrar o conceito doo que era o churrasco.  Levamos um time de dez a quinze gaúchos e sabíamos que a execução era perfeita”, explicou  Selma Oliveira, CEO da rede.

Torta de maçã de sobremesa


Segundo ela, há hoje nos Estados Unidos aproximadamente 200 brasileiros do total de 1,5mil funcionários trabalhando naquele país na rede. “Os americanos adoram”, disse ela. Os brasileiros também, com certeza!

Esta blogueira e o meu chef de cuisine preferido, Roney Jr.

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres Furacões

Por katia maia

No dia internacional da Mulher, mulheres, sejam mulheres! Pronto, isso já é mais do que suficiente para mostrar quem somos, de onde viemos, o que fazemos. nem mais nem mesmo. Sem precisar provar nada pra ninguém.

A melhor coisa que a gente é, é ser mulher! E é assim que a gente faz acontecer. Tem obstáculo? A gente pula. Tem que dar conta? A gente enfrenta. Tem que ser frágil? A gente é. Tem que ser o quê? Tem que ser mulher. Ponto!

De Google à blogs independentes, hoje, a página principal, o doondle às páginas de vendas e memes, só deu nós... Foram ofertas, mensagens, matérias, histórias... Tudo dedicado ás mulheres. mas, sabe de uma coisa? No Dia internacional da Mulher, eu acho que a maior homenagem seria: mãe, mulher, filha, empregada, funcionária, chefe, profissional, estudante etc, hoje o dia é seu. tire o dia de folga!

E o mundo com um dia inteiro sem as mulheres tendo que dar conta, fazer, acontecer, decidir, realizar, levar, trazer, comprar, vender, atender, falar, ouvir, aconselhar e, acima de tudo, cuidar... Como seria? #Sópensei...

Agora,, as dicas do que vi por aí, por hoje:

#nãoqueroflores




No G1...

Casas tombadas preservam memória de mulheres que marcaram época

Casa de Tarsila do Amaral

No El País Brasil...

Empresas com mais mulheres no comando são mais rentáveis

A CEO da Pepsi, Indra K. Nooyi

Na ESPN...


Novo portal ESPN W.

E os memes!










FELIZ DIA PARA ESSES FURACÕES QUE 
NÃO PASSAM INCÓLUMES! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

#Semanademulher

por katia maia
Na semana em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres e considerando que - na condição de mulher - acho mais do que justo a data. Pois, discursos feministas, militância ou defesa da causa a parte, acredito piamente que ser mulher traz em sua essência um "quê" a mais do que o universo masculino oferece. 

E não estou aqui falando em queimar sutiãs, exigir direitos iguais ou gritar 'abaixo aos homens'. Estou apenas constatando que, ao longo da existência da humanidade, desde a época em que a mulher tinha direito a não ter direito, até os tempos de hoje em que temos direito a tudo inclusive a trabalhar mais, dar tripla jornada de trabalho e ainda escutar dos machistas de plantão frases do tipo "não era o que vocês queriam?", acredito que o que se pretende é um estado de direito em que as coisas simplesmente sejam absolutamente equalizadas. 

Coisas do tipo, vamos ganhar salários equivalentes, vamos ocupar postos em número equivalente? Isso sem ter que haver cotas para mulheres, porque tenho certeza que há muita mulher competente mundo afora, com mais capacidade e que não consegue ascender aos postos de comando. 

Vamos dividir tudo? A alegria e a tristeza de arrumar a cama, lavar a louça, limpar a casa, manter tudo em ordem? Cuidar das crianças, acordar cedo para dar o café da manhã antes da escola, pegar a toalha molhada que ficou em cima da cama, guardar a roupa que ficou jogada no encosto da cadeira da sala, recolher os sapatos que ficaram largados no meio da casa e por aí vai...

Direitos iguais significa cuidados iguais, oportunidades iguais, tempos iguais, salários iguais, amores iguais, lazer  igual, ociosidade igual. Também para as mulheres, aliás, vale trocar o pneu do carro, por exemplo. E por aí vai...

Bom, em semana da mulher decidi postar aqui dicas interessantes, textos, fotos, notas etc. Tudo que eu achar que tem o viés #semanademulher.


Começo com essa entrevista publicada hoje no Estadão com a cineasta Vera Egito que faz a estreia
mundial de seu primeiro longa, Amores Urbanos, que, para mim é do tipo #gostei.
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Cineasta luta por mais ‘manas’ no mercado audiovisual

FOTO DENISE ANDRADE/ ESTADAO

A cineasta Vera Egito faz a estreia mundial de seu primeiro longa, Amores Urbanos, viaja pelo mundo para promover o filme e fala, à coluna, da luta por mais mulheres numa área dominada pelos ‘brothers’. 
 Depois de ter sido apresentada em Cannes como “jovem talento promissor” – em 2009, com dois curtas-metragens –, Vera Egito começa agora a correr o mundo para divulgar seu primeiro longa, Amores Urbanos. A estreia mundial aconteceu, ontem, no Miami International Film Festival e o filme desembarca em telas brasileiras a partir de maio.

 Com orçamento enxuto, o longa conta a história de três amigos que moram no mesmo prédio, vivendo conflitos da classe média paulistana. “Foi um processo bem intenso, porque tinha muitas referências pessoais. E a equipe foi toda de amigos. Estávamos em casa falando da nossa própria vida”, relatou a diretora em entrevista à repórter Marilia Neustein. Além da escolha pela participação de amigos, como Thiago Petit e Ana Cañas, a cineasta se deu conta, ao longo do processo, de que toda sua equipe criativa era formada de mulheres.
Nesta véspera do Dia Internacional da Mulher, a militante da causa faz uma comparação oportuna: “Aconteceu o mesmo que se dá com os diretores: eles chamam os brothers deles. Eu fiz o mesmo. Só que no meu caso são “manas”, as minhas parceiras e amigas. Que também são grandes profissionais”, diz.
A questão de gênero no audiovisual, aliás, é uma grande preocupação da cineasta, que participa de movimentos a favor de maior representatividade das mulheres no mercado. “Quando uma mulher lidera ou escreve um projeto, há personagens femininas fortes e questões que não são só sobre homens”, afirma. “É por isso que batemos o pé sobre a liderança do projeto. Porque é a liderança que vai trazer essa multiplicidade”. A seguir, os principais trechos de entrevista.
Por que contar essa história, uma história de amizade, e como surgiu a ideia do filme? 
Acho que a resposta vem da contemporaneidade. Creio que os filmes, assim como os livros, têm o mérito de ser um retrato do tempo. Talvez o Amores Urbanos seja o retrato dessa geração urbana. Até arrisco dizer que é o retrato de um estilo de vida das grandes cidades brasileiras. O filme fala sobre libertação na forma de se relacionar. Os personagens brigam muito mas estão sempre juntos. Acho que isso é o reflexo também de uma certa latinidade. As vidas urbanas se conectam mundo afora, mas eu vejo essa turma que é retratada no filme em muitas cidades latino-americanas. Agora, por que contar essa história? Acho que tem algo de autoficção. O filme não é autobiográfico, mas algumas falas foram literalmente extraídas da minha vida e da vida dos meus amigos.
Muito se fala da falta de filmes brasileiros que retratem a classe média. Amores Urbanos mostra a complexidade desse universo? 
Acho que sim. O filme foi pré-selecionado para alguns festivais que disseram que o longa não representava o Brasil, porque não é isso que eles esperam do universo latino-americano. Eu entendi. Penso que temos que retratar o Brasil inteiro em todos os seus aspectos: a vida rural brasileira, a periferia, e todos os grupos que não têm voz. O que me dói ainda é que o filme retratado na periferia não seja feito por um autor periférico, por exemplo. Eu ainda acho que é um discurso muito paternal, porque quem faz cinema, quem vai ao cinema, quem escreve sobre cinema, é a turma que está no Amores Urbanos. É essa turma.
Acha que a produção deveria ser mais democratizada? 
Existem mil movimentos, o cinema na periferia, o cinema negro, as mulheres negras autoras. Eu acho que vai ser legal quando os filmes brasileiros retratarem um Brasil e forem feitos e produzidos, idealizados por esse Brasil múltiplo, e não um cenário onde 84% dos longas é escrito e dirigido por homens héteros brancos.
Como diretora, você teve alguma transformação durante o filme? Alguma reflexão?
O processo que seguimos foi, desde o começo do roteiro, muito intenso porque tinha muitas referências pessoais. E a equipe era toda composta de amigos. Estávamos em casa falando da nossa própria vida. O mais desafiador, na verdade, foi filmar em 17 dias com um orçamento muito enxuto.
São Paulo tem um papel importante no filme, não é?
Tem. Mesmo sem ter nenhum plano geral, revelamos a cidade. São Paulo está na forma como as pessoas falam. Nessa lógica louca na qual se você não tem um bom emprego, está fracassado. Se namora “uma gata” tem que mostrar para os outros. Acho que têm muitas coisas negativas na lógica de São Paulo. De outro lado, a cidade dá essa possibilidade de ser anônimo. Você pode viver em uma cidade ultraconservadora ou em uma das cidades mais libertárias. Tudo isso na mesma SP. Amores Urbanos está nessa variedade de pessoas…
A equipe de criação do filme é quase toda composta por mulheres. Foi uma opção sua? 
Não fiz questão. E isso é que foi bonito. Só me dei conta quando a equipe já estava formada. Aconteceu o mesmo que acontece com os homens diretores: eles chamam os brothers deles. Eu fiz o mesmo, só que no meu caso são “manas”, não são brothers. Chamei as minhas parceiras, minhas amigas. Que também são grandes profissionais. Quando olhei em volta era diretora de fotografia, técnica de som, montadora, diretora de arte, figurinista. Era só “a mulherada”. No meu set de criação tinha um único homem – o diretor de produção – e isso gerava muita piada (risos). É claro que eu tenho amigos homens. Mas existe também uma associação, essa afinidade de gênero – que no movimento feminista chamamos de sororidade. Todos os amigos diretores que conheço escolhem sempre uma equipe só de homens e nunca foram questionados por isso.
Você participa de um grupo em prol das mulheres no audiovisual.
Sim. A SPCine convocou uma reunião das mulheres do audiovisual de SP e disso surgiu um grupo no Facebook. Hoje são mais de duas mil mulheres no Brasil. Somos uma rede de contatos, estamos levantando pesquisa sobre a situação da mulher no audiovisual, um banco de dados com todos os nossos nomes e funções, etc. Mas é um grupo apolítico, bem heterogêneo.
Nesse contexto, como você vê a representatividade da mulher nesse mercado?
Questiono o porquê de 84% dos filmes brasileiros serem liderados, escritos e dirigidos por homens brancos. Existem muitas mulheres, diretoras consagradas, produtoras consagradas que não entram nessas estatísticas. Acho muitíssimo grave que não haja filmes lançados por mulheres negras no Brasil, por exemplo. Não está certo. Isso não é um problema só das mulheres negras, isso é um problema de todos nós. E eu ouvi de um amigo: “Não sei por que você está tão preocupada, você é mulher e dirige filmes”. Eu respondi: “Talvez porque o mundo não gira em torno do meu umbiguinho”.
Estamos vivendo essa primavera do feminismo. O que acha disso? 
É engraçado porque fui criada por uma mãe feminista, eu vivi isso. Ela sempre me falou da Frida Khalo, Rosa Luxemburgo, Olga Benário, Simone de Beauvoir. As mulheres fortes sempre povoaram a minha construção como pessoa. E acho maravilhoso que essa reflexão esteja voltando. Sempre digo aos ativistas do movimento LGBT e do movimento negro que, às vezes, há uma impressão de que o mundo está muito reacionário. Entretanto, o reacionário só existe porque é uma reação à nossa atitude de estarmos botando as asinhas de fora.
Outra questão importante levantada pelas mulheres no cinema não é apenas o número de lideranças no audiovisual, mas também a forma como as personagens mulheres são retratadas nos filmes. 
Existe até um teste que indaga, nos filmes dirigidos por homens, quantas personagens mulheres existem e dessas quantas têm fala, e quantas falas não são sobre homens. O resultado é realmente impressionante. Quando uma mulher lidera ou escreve um projeto audiovisual, existem personagens femininas fortes e existem questões na vida delas que não são só sobre homens. E é natural escrever sobre elas. Por isso eu sempre repito que o autor periférico precisa ter voz. A autora negra precisa ter voz. Porque automaticamente o retrato aparece na tela. É por isso que batemos o pé sobre a liderança do projeto. Porque é a liderança que vai trazer essa multiplicidade.
A atriz Viola Davis falou sobre isso no seu discurso do Emmy. Sobre a oportunidade da mulher negra no audiovisual americano.
Achei muito interessante, no discurso dela, quando ela disse que você não pode ganhar um prêmio por um papel que não existe. Essa é a grande questão. Você não pode atuar em um filme que não existe, ou dirigir um roteiro que não existe. É importante ter mais mulheres escrevendo, mais mulheres negras escrevendo.
Você é mãe de uma menina. Pensa nisso ao criar sua filha também?
Muito. Penso nisso tudo. Eu acho que é como eu fui criada, na verdade – que é não colocar o gênero como um empecilho.


Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....