quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E assim se passaram 30 anos!

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolestentes

Na época em que essa canção fazia sucesso eu estava na posição de “filha”. Confesso que não entendia muito bem essa de “Minha dor é perceber/ Que apesar de termos feito tudo o que fizemos/ Ainda somos os mesmos/ E vivemos como os nossos pais...”. eu adorava a canção, mas não introspectava o que a letra dizia.

Tá bom,corta, edita! Trinta anos depois, no 30º aniversários de morte de Elis Regina, me vejo do lado de cá da cena. Desempenhando o papel de mãe e enfrentando os dramas, a dor, a alegria, de ter em casa dois rapazes (lindos), 14 e 16 anos. E é no dia a dia que percebo que termino fazendo muito, muito mesmo, como os meus pais.

Apesar de tudo o que vivi, de toda a minha rebeldia adolescente, de toda a minha sede por liberdade na juventude, de todos os sonhos mirabolantes que eu tinha para “quando eu crescer, ficar adulto e ser dona do meu nariz”, terminei exatamente como diz a canção: “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

Agora, eu pergunto: tudo isso por que? Simples: porque é o modelo que funciona. Não dá para inventar em educação de filhos e não dá para abrir mão de conceitos básicos como respeito, solidariedade, amizade, autoridade.

Esse era o visual que eu mais gostava de Elis.
Claro que em muitas situações a forma como eu me relaciono com os meus jovens filhotes jovens é bem diferente os meus pais faziam comigo, mas há momentos em que não tem outra receita: é a autoridade que delimita o espaço e faz os jovens bons jovens.
Não dá para pensar que a gente morria de vontade de ir em todas as festas e, por isso, permitir que nossos filhos façam o mesmo. E é engraçado porque eu sempre fui a ‘dona festeira’. Adoraaaaava uma balada. (que meus filhos não me ouçam e não leiam esse post).

Mas, não é porque eu era ‘da rua’, que eu vou permitir que meus filhos (o meu melhor projeto) fiquem soltos na noite, livres e serelepes. Nesses momentos, sou realmente igual ‘aos nossos pais’. Não tem negociação: tem hora para chegar e tem a forma como chega.

Aliás, implantei em casa uma regra: a próxima festa depende sempre do estado em que chegarem da anterior. Não pode bebida, não pode armação, não pode mentir, não pode sumir. Se eu descubro, perde o ‘vale’ para a próxima balada. É chato? É! Mas agora, estou no lado de cá da cena e desempenho o papel de mãe e “apesar de tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nosso pais...”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Um detetive famoso e uma história real

por katia maia

#culturalmente_falando


Nesse fim de semana me dediquei a assistir dois filmes. Um deles, claro, foi o lançamento da nova aventura de Sherlock Holmes: o jogo de sombras. O outro, O Contador de Historias, uma produção nacional. Gostei dos dois e indico ambos para quem quer uma opcao recém lançada ou assistir a um DVD no conforto de casa.

Serlock Homes, confesso, sou suspeita para falar. Gosto das historias do detective inglês e gosto mais ainda do ator Robert Downey Jr que interpreta Sherlock. Isso sem contar que o filme tem um bom roteiro com cenas bem trabalhadas, cenário bem cuidado e cheio de detalhes.

Mas o que prende mesmo são as situações criadas pelos diálogos. Esses trazem sempre uma dose de ironia, comédia e sarcasmo. Imperdivel é a cena em que Downey Jr. se disfarça de mulher. Essa passagem está no trailer e, acredito, é uma das que nos fazem querer de ver o filme. E por ai vai...

Sherlock Holme e seu fiel companheiro Watson
Os diálogos entre Holmes e o parceiro Watson são um espetáculo a parte e os efeito especiais, com super câmeras completam o pacote para um filme divertido, ultra bem feito e que nao tem o compromisso de ser denso.

Bom, resultado: vale a pena o preço da entrada. Tempo e dinheiro bem empregados.




O segundo filme, 'O contador de Historias' é nacional e vi em DVD.  Esse filme, na verdade, já estava na minha prateleira há bastante tempo mas justamente a falta de tempo me impediu de assisti-lo antes.

Roberto e Marguerite
O filme conta a historia de Roberto, um menino pobre que foi levado pela mãe para a antiga FEBEM. Ela acreditava que aquele era o melhor lugar para deixar o filho pois ali teria a oportunidade de ser alguém.

Mas, o menino estava fadado a ter o mesmo fim de milhares de outras crianças que passaram pela FEBEM e que ainda hoje passam pelas instituições de recuperação do Estado, não fosse uma pedagoga, a francesa Marguerite.

O verdadeiro Roberto, hoje um dos melhores contadores de história do mundo
Ela se encantou pela historia de Roberto, na época com 13 anos. Margherite insiste em se aproximar do menor apesar do jeito arredio dele, aos poucos, ela vai conquistando o jovem e a historia dele passa a ter outro destino. Emocionante!




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

#Culturalmente_falando

Inauguro aqui, nessa segunda, o espaço #culturalmente_falando. Todas as segundas-feiras, falarei sobre um filme, uma exposição, um show, uma manifestação cultural ou algo que tenha me chamado a atenção durante a semana no universo cultural.

Deixo isso para as segundonas porque no fim de semana tenho sempre um bom motivo para freqüentar locais e conhecer pessoas e espaços #culturalmente_interessantes. Vou falar o que achei, o que vi, o que significou a experiência vivida e se isso for bom ou ruim, vai depender do que me for apresentado, claro.

Claro, também, que tudo não passa de uma percepção minha e cabe a quem quiser descordar, rebater e criticar as minhas críticas. Pois bem, para inaugurar esse espaço, infelizmente, começo com um filme que fui assistir e, sinceramente, significou, para mim uma perda de tempo. 

Fui ver o filme “As Aventuras de Agamenon, o repórter” e sinceramente só fiquei até o final porque sou do tipo que insisto numa história cinematográfica e aposto que tudo pode melhorar. Mas, confesso que foi torturante ficar até os créditos finais.


Luana Piovanni e Hubert

O filme é muito ruim. Recheado de piadas chulas e batidas, creio eu, que é muito bom para quem não tem mais o que fazer. Algo como um Casseta e Planeta sem graça. Umas piadas absolutamente óbvias e uma completa falta de compromisso total com o bom gosto.

Ok, roteirizar a história do repórter de O Globo, que desde 1989 escreve em O Globo aos domingos não iria fugir ao tom de seus criadores Marcelo Madureira e Hubert. Mas, eu achei que seria mais engraçado. Só isso.


Marcelo Adnet faz Agamenon jovem

Aliás, acredito que o filme deve ter agradado a muitos espectadores em todo o Brasil. Mas, confesso que eu esperava algo mais inteligente do roteiro e saí com a sensação de que o melhor do filme você já conhece quando assiste ao trailer. Ponto com. Ponto BR. Bom, para quem gosta, é um prato cheio. Para mim, foi indigesto.

Sinopse
AS AVENTURAS DE AGAMENON – O REPÓRTER – Direção de Victor Lopes (Brasil, 2011). A comédia revela a louca e misteriosa vida do jornalista Agamenon Mendes Pedreira, personagem criado por Marcelo Madureira e Hubert que assinam há mais de 20 anos uma coluna de jornal. A história de amor com a provocante Isaura sobrevive às mais inesperadas viagens do repórter mundo afora, em busca da notícia e da fama. Com Hubert, Marcelo Madureira, Marcelo Adnet, Luana Piovani, Pedro Bial, Ruy Castro, Guilhermina Guinle, Luiz Carlos Miele, Alcione Mazzeo, Claudio Tovar, Leandro Firmino. Depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Coelho, Jô Soares, Caetano Veloso, Nelson Motta e Susana Vieira. 74 minutos. Cor/Plano/Dolby 5.1/

FICHA TÉCNICA



Direção Geral: Agamenon Mendes Pedreira


Diretor: Victor Lopes


Produtores: Flávio Ramos Tambellini, Marcelo Madureira e Hubert


Roteiristas: Marcelo Madureira e Hubert


Produtores Executivos: Flávio Ramos Tambellini e Manfredo G. Barretto


Produtor Associado: Alexandre Coutinho


Diretora de Produção: Paola Vieira


Diretor de Fotografia: Jaques Cheuiche


Diretor de Arte: Clovis Bueno


Figurinista: Bia Salgado


Caracterização: Neuma Caldas


Som Direto: Valeria Ferro e Renato Calaça


Produtor de Finalização: Juca Diaz


Edição de Som: Waldir Xavier


Efeitos Especiais: Tribbo


Edição de Imagem: Sergio Mekler


Trilha Sonora: Berna Ceppas


Produtora de Elenco: Cibele Santa Cruz


Produção: Tambellini Filmes


Coprodução: Globo Filmes e Madureira Redatores e Aranha Redatores


Distribuição: Downtown Filmes, RioFilme e Paris Filmes






ELENCO


Hubert - Agamenon


Marcelo Madureira - Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo, psicoproctologista


Marcelo Adnet – Agamenon jovem


Luana Piovani - Isaura


Pedro Bial - Pedro Bial


Ruy Castro - Ruy Castro


Guilhermina Guinle - Eva Braun


Luiz Carlos Miele - pai da Isaura


Alcione Mazzeo - mãe da Isaura


Dayse Lucide - Isaura coroa


Claudio Tovar ¬- Tom Gilberto


Paulo Coelho - Paulo Coelho


Susana Vieira - Susana Vieira


Fernando Henrique Cardoso - FHC


Caetano Veloso - Caetano Veloso


Nelson Motta - Nelson Motta


Jô Soares – Jô Soares


Narração - Fernanda Montenegro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O tempo não pára

Por katia maia
#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Responda rápido: quanto tempo tem? Se a resposta vier de um adolescente, será difícil chegar a um consenso. É incrível a percepção que possuem do tempo. Uma hora tem-se todo tempo do mundo, em outra, o mundo está para acabar ainda hoje.


Vira e mexe ouço meus filhos falando sobre o que pretendem da vida. Claro que são planos mirabolantes, coisas que a fértil e criativa mente adolescente consegue produzir. O futuro que existe para eles é fantástico, cheio de realizações, com muita coisa boa e muito dinheiro. Óbvio, eu concordo. Se for para sonhar, que seja alto e com coisas muito boas.

Mas, é incrível a falta de paciência diária que possuem e fico imaginando como esperam alcançar e percorrer todo o percurso que eles tem pela frente até conquistar tudo que está em seus sonhos. Aliás, impaciência, acredito, é uma característica inerente ao adolescente. E mais: totalmente inerente ao jovem dos tempos modernos, que está acostumado com o mundo online.

Aliás, o mundo em tempo real só veio para prejudicar, e muito (na minha opinião) a chance que os adolescentes tinham de aproveitar os momentos na hora em que estão acontecendo. Tudo tem que ser para agora e online, porém, ficam tão preocupador em relatar o agora nas redes sociais que esquecem de viver cada instante.

Eles estão num shopping e postam no Facebook, no Twitter, entram no menssenger etc. Eles encontram alguém na loja e pronto, a foto já foi publicada, eles pensam em falar com um amigo e já entram no msn e mandam mensagem. E incrível é que o amigo está lá, do outro lado, conectado e pronto para responder. Não é demais?

Os jovens são, por natureza, mestres em achar que o aqui e agora é o que importa. Ainda mais nesses tempos em que o tempo real dita o andar da carruagem e a velocidade dos fatos. As redes sociais transformaram nossos jovens em pobres prisioneiros do ‘now’.

É assim o tempo todo. E, com isso, claro, a tão curta e imperceptível paciência dos adolescentes vira poeira. Ah, mas isso somente quando eles querem estar em outro lugar (o que acontece muito frequentemente quando estão com pais ou avós do lado) porque quando estão no ambiente deles, se divertindo, o tempo pode parar.

Quando estão com os amigos, o jogo vira e a paciência tem que ser nossa. Perdi a conta de quantas vezes fui pegá-los em shopping centers depois de uma sessão de cinema e a festas, marquei um horário, e na hora de buscar veio aquela frase:

- Posso ficar mais um pouco?

- Como assim, cara pálida? Eu estou aqui, saí de casa, o horário combinado foi esse e você quer ficar um pouco mais? Não! Claro que não!

Pronto, Virei a insensível, mãe que não colabora, que não entende... Pode? Não, não pode.

- Entra no carro agora, que eu estou com sono e já está na hora. Pronto, encerrei a discussão.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Radiotaxi Mãetorista

por katia maia

memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Quantas vezes ouvi minha mãe reclamar que ficara a noite acordada porque eu estava na rua, na noite, curtindo a balada. Naquela época eu não entendia. Achava exagero e rebatia que era tudo coisa da cabeça dela. Minha mãe frequentemente rebatia com um ditado:

- Trás de ti virá quem me vingará!

Eu confesso que na época, não entendia. Mas ela fazia questão de explicar:

- Simples, não desejo a você nada mais do que filhos idênticos à você.

- Como assim? Eu pensava e ficava imaginando que seria (até) legal ter filhos iguais a mim.

Qual o quê! Hoje entendo que minha mãe sofria com meu jeito, digamos, apaixonado por rua. Hoje eu entendo (também) que praga de mãe funciona!

Tenho filhos que adoram festa. A sorte é que ainda dependem de mim para ir e vir aos lugares - e gosto disso. Mas, sofro, ah, se sofro, nas madrugadas esperando a hora de buscá-los. Se tem uma coisa que é certeza, batata mesmo, na vida de uma mãe é o fato de que, depois que eles nascem perdemos definitivamente o controle sobre o nosso sono.

Essa é uma verdade para qualquer fase da vida de nossos filhotes e eu nem preciso explicar muito. Lembro-me deles pequeninos, bebês. O meu mais novo, então, foi uma coisa! Ele simplesmente trocava o dia pela noite. Cheguei até a ser personagem de uma matéria que falava dos horários nada convencionais dos bebês.

Na época, ele tinha três meses e eu só me lembro da minha cara na reportagem de mãe alucinada que não dormia nunca e desabafava para a repórter:

- Eu não durmo nunca! Quando o dia amanhece, ele (que passou a noite acordado) parece falar para o irmão (que dormiu a noite toda): pronto, fica com a minha mãe que agora eu vou dormir. E assim, eles se revezavam!

Bom, agora não se revezam mais. Agora, eles tem outro acordo: um vai para uma festa num ponto da cidade e o outro para o lado oposto. Para quem conhece Brasília, é mais ou menos assim: um vai para o final do Lago Sul e o outro para a ponta do Lago Norte. E eu...

Bom, eu tenho uma nova profissão: ‘mãetorista’. Levo um num canto, o outro no outro e vou para casa esperar a hora desse radiotaxi que vos escreve pegá-los em suas devidas festas.

Já assisti a muito filme no Telecine durante as madrugadas. Outro dia, vi o Vôo United 93, que trata do atentado de 11 de setembro. Na seqüência, passou um filme com o Dustin Hoffman e a Emma Tompson (Tinha que ser Você) e estava começando um filme nacional (De pernas para o ar), quando o meu celular anunciou que era hora de buscá-los.

Sim, porque coloco o despertador para me avisar exatamente o horário de sair de casa, vai que eu caio no sono e aí como fica?

Aliás, tenho uma regra com os meninos: na hora em que eu ligar, quero que atendam o celular para saberem que eu estou indo buscá-los. Se não atenderem já sabem que perdem pontos e o direito de ficar até mais tarde na próxima festa.

Aviso sempre que por volta da uma da manhã vou ligar e quero que esteja atentos ao celular porque não pretendo esperar na porta da festa até a hora em que decidirem dar o ar da graça.

Bom, tem funcionado. Até porque eles não querem voltar mais cedo na festa seguinte. Vamos ver até quando eu consigo controlar o horário deles.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Que travesseiro?

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Imagine só a cena: dois rapazes entram em casa e começam o ritual de ‘desprendimento’ das vestimentas que utilizam. É quase um balé bufão. Primeiro, os sapatos, que ficam logo no hall de entrada da casa.


Depois, as meias, em seguida, a camisa – que fica em cima do sofá - e muitas vezes a bermuda que consegue avançar pela casa e chegar até o chão do quarto. Isso mesmo: o chão! Porque é complicado pegar uma camisa e colocar pelo menos em cima da cadeira.

Quantas vezes eles entrarem em casa, a cena se repete. Coisas de adolescentes? Sim, coisas de adolescentes. A percepção que eles tem de arrumação é um aspecto a parte dessa fase da vida. Talvez estejam com o olhar e o pensamento em questões essenciais para a existência de cada um nesse planeta.

Não conseguimos saber exatamente em quê estão pensando, mas percebemos que tudo é altamente fundamental para o aqui e agora. Tudo é para ontem e para o sempre. O imediatismo das coisas é impressionante quando estão avaliando a eternidade, e, a tranqüilidade é básica quando refletem e concluem que tudo vai durar para sempre e terão todo o futuro do mundo para se preocupar quando chegar a hora.

Entenderam? Nem eu! Difícil imaginar por onde andam os pensamentos desses seres espetaculares chamados adolescentes. Muitas vezes me surpreendo com um comentário absolutamente pertinente e maduro, do tipo “Mãe, a vida não é só trabalho. Você precisa aproveitar mais e se preocupar menos”, ou, com outro absolutamente infantil (dito e repetido inúmeras vezes, quando tive que viajar a trabalho ou dar plantão) como: “mãe, você prefere seu trabalho a ficar com os filhos”. Pode?

Não pode, mas é assim! É isso que faz o turbilhão de pensamentos que habita a mente adolescente. Acho que é por isso que a bagunça que promovem passa ao largo de tantas questões fundamentais para a existência deles na terra.

Outro dia (voltando à arrumação da casa) vi o meu caçula sair da sala, chegar até a cama (no quarto) e no trajeto naturalmente passar por cima do travesseiro que estava no chão junto a cama. Não agüentei:

- Por que você não pegou o travesseiro? Perguntei.

- Que travesseiro? Ele rebateu.

- Olhe para o chão, eu disse.

- Ah, não tinha visto. Disse ele, com a mesma naturalidade que usou para passar por cima do dito sem perceber. É incrível! Mas é assim.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pronto, fiquei nervosa!

por Katia Maia

#Memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Quem nunca ouviu a expressão: Mãe, relaxa! Eu, pelo menos escuto isso diariamente, inúmeras vezes, sem parar. É algo espontâneo e natural quando se convive com adolescentes. A frase simplesmente sai no momento em que você menos espera e nem se percebe nervosa. No momento em que o diálogo está apenas começando.

Aí eu me pergunto: sou eu? O erro está em mim? Estou realmente nervosa o tempo todo, todo dia? Tá certo que eu não sou uma das pessoas mais calmas do mundo. A rotina diária de corre daqui para lá, de lá para cá. Pega menino, leva na escola, corre para o supermercado, passa no banco e pára para abastecer o carro, me estressa naturalmente. Mas, o tal do ‘Relaxa, mãe!’, distribuído sem nenhum critério é uma injustiça comigo e que (confesso) me irrita! (rs)

Fiz o teste para tentar entender o que se passa na hora em que eles me mandam ficar calma. Sim, porque a frase: calma, mãe! É também um hit de sucesso.

A última vez em que ouvi uma dessas duas expressões típicas do mundo adolescente aconteceu quando os meus dois filhotes adolescentes começaram a ‘gentilmente’ se provocar. Algo totalmente inusitado no universo 'aborrecente'. chego a ter a certeza de que 'provocar-se' é quase uma necessidade deles - mas isso é assunto para outro post.

Pois bem, tudo aconteceu dentro do carro, num dia de semana, num transito daqueles de hora do almoço, com o sol a pino e o rádio ligado nas alturas numa das estações que eles gostam e que alternam freneticamente para encontrar a música predileta.

#Para entender: a gente tem uma regra justamente para tentar evitar conflitos dentro do carro. Como os dois gostam de ir na frente e ambos querem definir a estação e a música que deve tocar no rádio, fizemos um acordo: quem preferir ir na frente cede ao outro, que vai no banco de trás, o direito de escolher a estação e a música. ‘OK’? Nem tanto.

A regra sistematicamente vai por água abaixo porque o que está atrás pede para o 'DJ' da frente passar por todas as estações da moda (Jovem Pan, Mix, Transamérica etc) para que ele possa escolher a que mais lhe agrada. E aí, eu nem preciso descrever e explicar que a coisa termina em briga.

então, antes que chegue a esse estágio, eu falo calmamente (ainda):

- Parem vocês dois! Num tom amigável.

E aí, quase que automaticamente, eu ouço:

- Mãe, relaxa!

- Mas eu não estou nervosa! Retruco.

E eles:

- Mas calma assim mesmo!

- Como assim, cara pálida! Não estou nervosa, mas posso ficar. Aliás, já estou começando a ficar com esse seu relaxa! Falei já um tom acima.

- Viu? Viu como você está nervosa? Disse um deles.

- Pronto, fiquei nervosa! Não quero ouvir nenhuma palavra mais! Respondi já gritando.

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Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....