quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Momento Mastercard

por Katia Maia


#Memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Adolescentes são egoístas, certo? Não, nem tanto, nem sempre. Acho que tudo depende, tudo é relativo, como diria um professor de... Física... (talvez) que eu tive? Não sei.

Bom, a verdade é que conviver diariamente com adolescentes é uma viagem sempre surpreendente. Claro que temos os famigerados hormônios que sempre atrapalham qualquer possibilidade de mantermos uma conversa razoável quando esses se manifestam no corpo em ebulição dos nossos queridos filhos genuinamente aborrecentes.

Mas, olha, não me canso de me surpreender com o lado bom da vida. Outro dia, estava eu triste, "me sentindo Tristinha! Mais sem graça. Que a top-model magrela. Na passarela. Eu tava só. Sozinha!" como driria Zeca Baleiro em sua canção Telegrama. Me sentia a última das últimas...

Sabe aqueles dias em que você pensa: #caráiVéi, nada vai dar certo? Tipo de momento de nossa existência em que achamos que o mundo conspira contra a gente e que dificilmente acreditamos no velho e bom incentivo de que tudo vai dar certo!

Pois foi num dia como esses, num momento desses, que eu encontrei nos meus filhos adolescentes palavras de incentivo e de apoio. Quando eles me viram bem deprimidinha, triste e chorona, começaram a me animar.

- Liga não, mãe. O que você prefere? Ser essa pessoa que trabalha e dá conta da vida, que paga as suas contas sozinha, trabalha num emprego legal, não depende da ajuda de ninguém para fazer a sua reforma no nosso apê e se organiza para que tudo dê certo; ou prefere ser alguém que não consegue se bancar, depende do dinheiro dos pais para pagar as contas e não dá um passo sozinho? Perguntou-me o mais velho.

O caçula emendou:

- É mãe, o que você prefere? Você já viajou para caramba, já foi para a Europa, a gente foi junto, depois viajamos para os Estados Unidos, você já foi para a Argentina, Chile e um monte de lugares legais. Você pedala, corre, já fez um monte de meia maratona, e tudo o mais. O que você prefere? Ficar se lamentando porque queria uma ajudinha daqui e outra dali não vai te levar a lugar nenhum. Você pode fazer acontecer! Arrematou.

Nesse momento, eu parei para pensar e comecei a senti um pouco mais feliz. Feliz por perceber tudo aquilo que eles estavam me dizendo (certo), mas mais feliz por ver que o que a gente passa para os filhos é o exemplo. E eles estavam me admirando pelo que eu sou e pelo o que eu construo no meu dia a dia, procurando dar conta de tudo da melhor forma possível.

Tá certo que um 'colinho' não faz mal a ninguém e que tem momentos em que a gente quer que alguém segure na nossa mão e diga, vai lá, descansa. Deixa que eu cuido de tudo.

Mas, olha, ter visto que meus filhos naquele momento estavam sendo maduros o suficiente para me dizer e mostrar o que vale a pena na vida, não tem preço. É puro momento mastercard.

Claro que há horas em que eu me desentendo (feio) com meus filhotes aborrecentes. A gente briga e grita (e isso acontece muito na difícil tarefa de criar adolescentes, creiam-me), mas o valor e os conceitos é que formam o caráter de nossos filhos. E eles não são bobos: sabem disso.

Quanto a rebeldia... Ah, a rebeldia faz parte do pacote.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não fui eu que mudei de lado!

Só me resta rir desse movimento que divulga e escreve sobre as Marchas contra a Corrupção e as denomina como movimento de mauricinhos e patricinhas sem foco e sem conteúdo!!!!

Como assim, basicamente? Explique melhor, porque não estou entendendo. O movimento perde valor porque leva às ruas jovens que estudam em escolas particulares e que tem acesso a condições melhores de vida? Como assim? Basicamente?

Agora, é preciso ser desempregado, sem terra, sem teto e sem alguma coisa para protestar? Pois bem, participei das Marcha contra a Corrupção neste feriado e me acho perfeitamente habilitada a falar e me indignar com essa M... toda “que já vem malhada antes de eu nascer”, como diria o poeta Cazuza.

A questão aqui, caso ainda não tenham percebido os ‘bonitos’ que falam da falta de foco do movimento, é que todo e qualquer brasileiro que paga suas contas, paga os impostos (altíssimos), rala diariamente para dar conta desse absurdo que é a nossa carga tributária e, fundamental, É HONESTO, tem todo o direito de ir para frente das casas legislativas e protestar contra essa corja.


Meus filhos foram.
Eu me deito toda noite e só não durmo tranquilamente porque o alto custo de ser classe média nesse país me perturba. Mas, no quesito ‘sono dos justos’, eu posso me declarar tranqüila. Não roubei, não desviei dinheiro público, sequer comprei produtos piratas – embora muitas vezes tenha ficado tentada devido aos altos preços dos originais. Mas, nesse caso, prefiro declinar.
Eu fui!
Existe uma propaganda que ‘rola’ no rádio e que acho bem apropriada. Ela fala sobre ser ÉTICO e diz: para ser ético basta dizer não participo, não compartilho não aceito. Pois bem, estou nessa e me considero uma pessoa – embora de classe média e com filhos estudando em escolas particulares – absolutamente apta a protestar e gritar na porta do Congresso Nacional frases como : Sarney safado, fora do senado. Ou, Ordem e progresso dentro do congresso!
Pizza gigante.
Portanto, não venham me dizer que somos patricinhas fora de foco. Eu, na juventude, fui às ruas e também protestei. Na época, eu estava lado a lado com um Partido dos Trabalhadores chamado PT. Coloquei estrelinha no peito e gritei que não concordava com a situação da época.

Pois bem, preciso esclarecer um detalhe: nessa história, não fui eu que mudei de LADO. Think about it!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Não vou de bike (infelizmente)

Eu, sinceramente, amaria ir para o trabalho de bike. #Amobike, mas isso é algo impossível pelo menos aqui em Bsb. O transito e os motoristas são muito irascíveis e o respeito ao ciclista beira o ódio.

Já fui atropelada andando de bike (há três anos) em plena manhã de sábado, numa via super larga e com pouco transito. Naquele dia, um gol prata, vindo sei lá de onde, me atingiu pelas costas e me jogou no asfalto como um ‘pacote flácido’, parodiando Chico Buarque.


Eu e meu filhote mais velho em um Pedal Noturno de 2009

Só não atrapalhei o transito porque era sábado e porque fiz o que todo mundo diz para não fazer em casos de acidentes: me levantei! Quando vi que estava consciente e que podia sentir todos os membros do meu corpo. Levantei-me e fui para a margem da avenida antes que algum carro me pegasse e o estrago fosse maior.

Bom, posso até dizer que ganhei na mega sena naqueles dia. Tive apenas uma vértebra fraturada e hoje sigo a vida normalmente, com alguma dor nas costas de vez em quando, mas nada que uma bela esticada numa bola de Pilates não resolva.

Eu e meus dois filhotes em uma trilha de mountain bike tm em 2009
Pois bem, desde aquele dia, fiquei temerosa do transito de Brasília. Eu frequentemente participava do #PedalnoturnoDF, um grupo que se permite pedalar pelas avenidas de Brasília todos os dias de semana, sempre a partir das 20h30.

O Pedal Noturno era uma terapia para mim. Tornou-se uma tortura. Parei um tempo de pedalar com o grupo e retornei há um ano, para me dar a chance de novamente desfrutar daquele hobby tão prazeroso.

Mas, para minha surpresa, no dia em que eu retornava – e ainda levava uma amiga para experimentar a aventura – o grupo foi desrespeitado por um motorista do Correio Braziliense e um dos ciclistas atingidos.

Percebi (então) que o motorista de Brasília não evolui nunca. Pelo contrário, ele está cada vez mais de mal com a vida, de mal com os ciclistas. Infelizmente, não me aventurei mais no Pedal Noturno (sinto falta) e não acredito em transito consciente até que se abram ciclovias descentes nas avenidas da cidade.

Aliás, só um comentário: o governador Agnelo pegar uma bike hoje para dizer que foi ao trabalho de bike e, para isso, montar uma estrutura de batedores, fechando o transito para ele... Tenha santa paciência: MICO TOTAL!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Reforma - the beginning

por katia maia

Hoje, começa a minha jornada pelo imprevisível mundo das reformas. Nunca estive a frente de qualquer coisa que se parecesse com uma reforma e me confesso assustada e apreensiva.


Por isso, me proponho a descarregar aqui no meu blog todas as minhas dúvidas e ansiedades em relação a tão polêmica reforma em casa.
levei os filhotes para conferir o primeiro dia de demolição

Começo pelo aspecto mais difícil e doloroso, no meu ponto de vista: os custos. Meu Deus é tudo muito, mas muito mesmo, caro! O que eu imaginava que seria uma coisinha simples, de repente (antes mesmo de começar) foi crescendo, crescendo, me absorvendo as finanças e quando eu percebi já estava completamente tomada por números e cifras.

Contratei um arquiteto para agilizar o processo. Sempre soube que a consultoria de um profissional ajuda (e muito) nessas horas. Bom, posso dizer que tem me sido bem útil ‘so far’...
Parede da sala/varanda que foi demolida

Bom, o arquiteto ao apresentar o projeto – que inicialmente era apenas para cozinha e quarto dos filhos, mas terminou sendo feito para todo o apartamento - isso aqui a gente faz a bom custo, aquilo ali é simples, aquilo lá é fácil.

Qual o quê! Nada é simples e barato quando se trata de derrubar paredes e mudar a cara de sua casa. Uma reforma, eu definiria, como um emaranhado de fios. Uma coisa puxa a outra e na hora de desenrolar, você termina enrascada num emaranhado de detalhes que nem imaginava que existisse.

Parede do quarto dos meninos para varanda em processo de demolição
È a pedra da pia, a iluminação da sala, a parede customizada, o piso flutuante, etc etc etc! Quase enlouquecendo, eu gritei:

- Pára tudo! Não vou dar conta. Precisamos rever esses orçamentos. Está tudo muito caro. Vou ter que eleger prioridades e não vou conseguir fazer tudo de uma só vez. Não adianta dizer que dá, quando na verdade não dá!

Meu arquiteto, Beto Carril, concordou. Ele percebeu que eu estava a beira de uma ataque de nervos e compreensivamente assentiu. Ficou acertado que farei o que é mais urgente.

- O restante, você faz mais para frente. Vamos por partes. Disse ele e eu, claro, concordei.

Uma pequena parte do entulho que começa a se formar
Vou abrir minha cozinha para a sala com um janelão para que ela possa ‘respirar’ dentro do minúsculo espaço designado para a gastronomia e aumentarei o quarto dos meus filhotes, aproveitando a varanda.
- OK? Então? Diminuímos custos assim? Perguntei ansiosa

Resposta: sim e não. O custo cai, obviamente, porque cortei um monte de coisa mas. Reforma é assim mesmo. Você entra e só depois que termina saberá em que condições conseguiu sair. Let’s see.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa...


por katia maia

Esse fim de semana, me surpreendi com o bate papo que ouvi entre dois frentistas no posto de combustíveis perto de minha casa. Eles falavam, sem perceber, da importância da educação na vida de uma pessoa.

Sem querer, me vi prestando atenção na conversa alheia (que coisa feia), mas era por uma boa causa. Ali, eu constatei que nem tudo está perdido e num país onde 54% das crianças com 8 anos de idade mal sabem ver as horas em relógios de ponteiros, não conseguem interpretar um texto, entender a pontuação e sequer perceber a ironia de pequenas histórias... Nem tudo está perdido.

Não ouvi a conversa toda, foi apenas um fragmento, mas pude perceber que um deles contava a história de um amigo que fez um teste para entrar em uma empresa, com nível técnico, e tinha sido admitido:

- Ele entrou com o curso técnico médio e logo melhorou de situação dentro da empresa.

- Sério? Retrucou o outro, interessado na história.

- É. Ele entrou, ficou um tempo e decidiu fazer uma faculdade. Se inscreveu no ProUni.

- Sério? Novamente retrucou.

- Sério! E quando ele entrou para a faculdade já melhorou de situação e sabe mais? Ele estudou e logo já tinha passado para uma função melhor. Ele melhorou tanto que o cara que fez o teste dele, e ficou parado no ensino médio, hoje é subordinado dele!

- Como assim? O cara que aplicou o teste para ele entrar na empresa agora está abaixo dele? Espantou-se o outro.

- É! Já pensou? Para você ver a diferença que um curso superior faz na vida de uma pessoa! Disse o contador da história.

Pronto, ouvi a conversa até esse ponto porque já havia pagado o abastecimento e era hora de partir. E, asseguro, parti um pouco mais feliz nessa tarde de domingo seca do Planalto Central.

Claro que não me iludo com programas como o ProUni. Sei que é um arremedo para colocar gente na faculdade, e mais, nessas instituições de ensino superior que sabe Deus a qualidade que possuem.

Mas, olha, confesso que fiquei feliz por ver dois frentistas conversando e reconhecendo o valor que a educação tem na vida das pessoas. Ali, talvez, estejam duas pessoas que vão correr atrás de mudar suas vidas por meio da educação. Porque, isso sim, para mim é uma verdade: só com educação a gente muda um país e se livra dessa corja de políticos que se aproveitam da ignorância do povo e roubam. Desviam, desfazem e desmancham a perspectiva de futuro de cada brasileiro que depende do estado para ter acesso à saúde, segurança e, claro, educação.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pobre é uma M...

da série #comprascoletivas

Por Katia Maia

Não sei, mas estou com a estranha sensação de que o maravilhoso mundo das compras coletivas nada mais é do que uma maravilhosa forma de pegar o dinheiro de quem se empolga, age por impulso e em contrapartida tem acesso à mais impossível disponibilidade de datas e horários para resgatar a compra.

Eu explico.

Animei-me toda com essa vida de compras coletivas, mas, confesso que, num total de quase dez cupons comprados, apenas um me satisfez por completo no dia, hora e prestação de serviços conforme o acordado.

Foi quando comprei um tratamento completo para os pés. Um daqueles momentos em que a gente se permite parar para deixar que alguém cuide (mesmo que pagando) de nossos tão maltratados pés. Pelo menos os meus (coitadinhos) o são.

Raramente tenho tempo para eles e nesse dia, com o cupom em mãos, num horário de almoço, eu deixei o estomago de lado – já que ele é sempre o atendido naquela hora – e me dediquei aos ‘pobrezitos’ dos meus ‘pezitos’.

Foi a única vez que a compra coletiva deu 10% certo, porque depois, nas minhas aquisições seguintes, sempre houve um ‘porém’. A verdade é que, quando compramos o cupom, vemos escrito nele – válido até... E a data é algo fora do comum. Sempre são três quatro meses de prazo para utilizá-los.

Talvez, esse prazo tão longo já seja uma pegadinha...

Falo isso, porque, no meu entendimento e pela minha experiência de compra coletiva dois pensamentos vêem à mente na hora da compra: adiantar ou atrasar o uso do cupom.

Se adiantamos e queremos usa-lo o mais breve possível, nunca há disponibilidade para a data que desejamos. E aí vem a atendente e informa:

- Me desculpe senhora, mas é que a promoção começou agora e estamos com os horários todos lotados. Fim de semana, então, não há uma só vaga. Mas, temos horário às 10h ou às 16h no meio da semana.

- Como assim só temos horário no meio da manhã, no meio da tarde, no meio da semana?

A menos que eu esteja errada - e salvo a vida de uma pequeníssima parcela da população - das mulheres economicamente ativas, é impossível parar para fazer um curso de maquiagem rápida, ou se entregar a uma manhã num SPA no meio do dia, ou depilar-se, ou fazer aula de pilates no meio do dia e da semana!

Perdoem meus maus pensamentos e minha falta de humor, mas, para mim, tudo não passa de uma jogada para não atender quem comprou os cupons com (segundo eles) 70% a 80% de desconto.

Fica difícil acreditar que a indisponibilidade existe também para quem quer pagar a tarifa cheia. Pobre é uma M... Parece até Plano de Saúde, quando ligamos para marcar consulta e os horários são sempre para três, quatro meses adiante.

Acho que é assim mesmo que funciona: vendem cupons baratíssimos com descontos inimagináveis e alijam do processo os consumidores pobres que correram atrás da liquidação. Para esses, as condições são tão absurdas que é o famoso: é pegar ou largar! E, não reclama e não chateia! Você já está pagando barato e ainda quer escolher!

Se a opção for marcar o horário de atendimento no fim do prazo do cupom, a resposta também é semelhante a do início:

- Como a promoção acaba no fim deste mês, senhora, estamos com todos os horários lotados. Temos apenas as 10h30 de terça-feira ou às 16h45 da quarta-feira.
- Sim, mas ainda faltam onze dias para o mês acabar!

- Sinto muito senhora, é que todos correram para marcar no fim da promoção.

Ah, ok, então está explicado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não há saída a não ser perder o dinheiro.

Isso vale também para os restaurantes que vendem cupons coletivos. Quando você chega lá, o prato da promoção acabou!

- Como assim acabou (cara pálida)? Vocês não têm o controle de vendas de cupom?

- Temos, senhora, mas é que não esperávamos que viessem tantas pessoas da promoção no dia de hoje. Se a senhora quiser passar amanhã...

- Como assim passar amanhã (cara pálida, de novo)? Se eu paguei e no cupom diz, promoção válida até tal dia, eu agora preciso ficar indo e vindo para saber quando o prato está disponível? Vou ter que disputar a tapas?

Sei não, talvez eu não tenha dado sorte, mas para mim, a moral da história das compras coletivas é: nada é dado de bom grado. Os descontos só são possíveis por algumas razões e fazer caridade com o consumidor, certamente é a última delas.

Certamente, vender com 80% de descontos e dificultar o resgate do cupom é bastante apropriado para o comerciante. Assim, o lucro fica por conta daqueles que pagaram e não quiseram ou puderam resgatar. Saquei!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Se fosse uma cobra...

Da Série #aborrecências

Por katia maia

Fico realmente surpresa com a capacidade dos adolescentes em se desconectar do mundo real e viver num universo só deles. Já li a respeito, ouvi falar e me disseram que tudo tem a ver com o amadurecimento de uma tal massa cinzenta do cérebro. Algo que acontece (o amadurecimento) aos poucos e só se concretiza lá pelos 17, 18 anos.


Ok, tudo bem, aceito, mas...

Mas acontece que no dia a dia fica difícil imaginar tanta situação surreal que eles produzem. Falo isso, porque tenho dois adolescentes dentro de casa e diariamente sou surpreendida.

Um exemplo, par ficar mais claro.

Hoje, pela manhã, ao sair de casa, vejo o meu filhote mais novo (14 anos) anunciar da porta de casa:

- Eita, minha mochila! Esqueci lá dentro. E voltar para pegá-la.

Eu, já impaciente – porque eles nunca conseguem sair no horário com alguma folga para que eu possa dirigir tranqüilamente até a escola sem me preocupar com o tempo, transito etc – respondi: vou esperar no carro.

Imaginem a minha surpresa quando, alguns minutos depois (o tempo correndo e eu impaciente) ele volta e revela:

- Não achei a mochila.

- Você procurou na casa toda?

- Procurei.

- Tem certeza que você a trouxe da casa do seu pai, ontem a noite?

- Tenho! Quer dizer, eu achava que sim. Ela não está aqui no carro? Rebateu.

- Não, aqui no carro não estÁAAA! Falei já com a irritação na velocidade mil

E engatei...

- Vocês, vão me desculpar (e aí o sermão já virou coletivo), mas vocês pedem para a gente falar e reclamar. Esquecer a mochila, sabe Deus onde, é algo inconcebível. É de uma falta de responsabilidade tamanha!

Ele ouvia calado e só resmungava...

- Mas foi a primeira vez que esqueci a mochila toda.

Ah, bom, Agora tudo bem. A mochila toda foi a primeira vez. Normalmente é só um caderno, um livro, um uniforme etc.

A situação era tão absurda que eu nem tive forças para vociferar. Para mim, aquilo era algo do tipo “além da imaginação”, “universo paralelo” etc.

Mandei que ele ligasse para o pai e verificar se a mochila tinha ficado na casa dele. Ligou, o pai atendeu, procurou e nada! A mochila simplesmente foi abduzida, pode? Claro que não pode!

A verdade é que, não satisfeita, eu deixei os dois na escola e voltei em casa para procurar melhor. Bom, para procurar melhor é uma maneira de falar. E quando eu digo ‘maneira de falar’ é maneira meeeeesmo!

Assim que entrei em casa, olhei para o sofá (que fica de frente para a porta de entrada) e adivinhe o que estava lá, debaixo de uma almofada?

- Ela, a mochila!

Foi tão absurdo que me senti até fraca diante da falta de senso e de conexão do meu filhote. Sabe aquela história de “se fosse uma cobra, lhe morderia?”. Ainda bem que não era.

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....