quinta-feira, 12 de abril de 2012

As margens do Rio

por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes

Pode parecer compicado,
mas com margem sempre se chega.
A gente sempre ouve falar das dificuldades que enfrentamos quando somos pais de adolescentes. E, sempre, invariavelmente, dizemos para si mesmos que saberemos administrar quando chegar o momento.


Afinal, pensamos, já fomos adolescentes e saberemos entender dramas, rompantes, destemperos e oscilações de hormônios. Certo? Errado!

Eles são incrivelmente criativos na arte de tirar a gente do sério e de surpreender. Não é raro a gente olhar para os filhos adolescentes e pensar:

- Onde foi parar aquele menininho doce, divertido e serelepe que tínhamos dentro de casa?

Eu respondo:

- Está escondido por trás de várias camadas de hormônios, dúvidas, certezas e de todo o furacão que habita a cabeça deles.

Ao ler esse post, você certamente dirá:

- Ah, então é só compreender isso que tudo se resolve?

- Nem! Pó parar! A gente não consegue! Não é tão simples assim. A verdade é que, mesmo tendo sido jovens também, nunca seremos compreensíveis ao ponto de entender SEMPRE o que se passa na cabeça de um adolescente.

Eles são pós-graduados em tirar a gente do sério e enxergar muitas vezes o mundo pelo lado avesso, do avesso, do avesso. ‘A pain in the ass”, como diriam os ingleses mais nobres e eu diria também com folga e sem medo de errar.

Claro que amo meus filhos e tento ser psicologicamente estável. Mas, não dá. Eles vivem a vida na tecla do “como se nada...”

Pode ser um rio caudaloso
Agem como se nada fosse acontecer. E, muitas vezes surpreendem: para o bem e para o mal! E digo mais: eles pedem limites.

Certa vez, fui fazer uma matéria em Alto Paraíso de Goiás. Uma cidade a 230km de Brasília. É uma região alternativa, cheia de energia e de pessoas que ali chegaram e ficaram na onda da era de Aquários. Foi um lugar que freqüentei durante muito tempo.

Já fui a Alto paraíso para pedalar – mountain bike -, para tomar banho de cachoeira, para tentar sentir um pouco o espírito ‘sociedade alternativa’ de rauzito, para falar de óvnis ou, simplesmente, para fazer matéria.

Numa dessas reportagens, encontrei um psicólogo que havia se mudado para lá ainda na década de 70, se não me falha a memória, e que ainda estava por aquelas bandas bem nessa onda ‘paz e amor’.

Na época em que o conheci, meu meninos ainda eram criancinhas. O psicólogo – do qual eu não me recordo o nome – tinha três filhos homens já adulto e bem criados. E, conversa vai, conversa vem, eu perguntei para ele, qual era o segredo para se atravessar a fase da adolescência sem traumas. Qual o conselho que ele me daria para essa etapa conturbada da vida de nossos filhos.

Ele, com um ar filosófico, me disse:

- Você já observou um rio?

- Já. Respondi encafifada.

- Então, (ele continuou) um rio tem o seu curso e corre para o mar, certo?

- Certo.

- Então, (repetiu) para correr para o mar o rio precisa de margem. Experimente retirar as margens dele para ver o que acontece: o rio se espalha e não vai para lugar nenhum. Se perde...

Pode ser um rio calmo...
- Ah... Resmunguei já visualizando a cena de um rio todo esparramado em uma poça sem suas margens para lhe dar rumo.

- Pois bem, nossos filhos são esse rio. Temos que dar margens para que andem para algum lugar e cheguem a algum ponto. E as margens são justamente os limites.

- É mesmo! Exclamei, como quem pronuncia “eureca!”

Ele continuou:

- Sabe Katia, às vezes tememos dizer não, ou apenas achamos mais fácil não enfrentar situações difíceis e limite. Mas, lhe garanto que nossos filhos gostam e até pedem por limites. Se você deixá-los soltos não vão chegar a canto nenhum. Serão como um rio sem margens que não alcançará jamais o mar.

Poético? Sim, poético, mas verdadeiro. E conto essa história aqui porque hoje mesmo enfrentei um desses momentos em que temos que impor o limite. Mas, isso, eu conto no próximo post.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dilema 4.4 - Energético ou Energia?

por katia maia

#mulheres4_4

Uma das coisas boas de ter motor 4.4 é descobrir que ter tração nas quatro rodas significa acima de tudo ter calma, paciência, sabedoria e equilíbrio. Esse último é resultado dos três primeiros bem dosados.

Dessa forma, o tempo nos ensina a aprender a dosar e planejar, Tudo que era urgente, para ontem e imprescindível, de repente, pode ser pensado, calculado e feito no devido momento. É como descobrir o significado do: 'não se avexe não que nada é para já'.

Outro dia, eu estava assistindo ao documentário “Coração Vagabundo”, com Caetano Veloso - que, claro, traz toda a dose de polêmica, chatice e genialidade do artista – e me identifiquei com um trecho em que ele fala sobre essa coisa chamada ‘envelhecer’.

Lá, Caetano diz algo como: quando eu era jovem achava que não tinha tempo para nada. Tudo era urgente, para agora, imediato. Hoje, percebo que tenho todo o tempo do mundo, para fazer tudo.
Não é louco? quando temos toda a vida pela frente, achamo s que não vai dar tempo. Quando percorremos um bom trecho dessa estrada, percebemos que temos tempo para tudo. Para mim é bem por aí.

Hoje, não sinto a necessidade urgente de sair para beber e beber todas, por exemplo. A gente aprende que a moderação permite ter tudo sempre em doses que não nos tiram do ar.

É mais ou menos como entender quando minha mãe dizia que não trocava uma boa noite de sono por nada. É isso! Eu também não troco uma noite bem dormida pela farra. Claro que isso não pode e nem deve significar que viramos pessoas ‘dormentes’, que só pensam em dormir. Não!

Agora, a questão é pesar os prós e contras: o que eu quero e vale mais a pena: sair, beber e amanhã passar o dia meia boca, ou ficar em casa, ler um livro legal e acordar amanhã cedo e ir correr.

De repente, comecei a valorizar mais o dia e aproveitá-lo cada vez mais cedo. Eu que era uma notívaga assumida, que virava a noite na esbórnia, ia para casa, apenas tomava um banho gelado e corria para o trabalho, onde passava o dia inteiro ralando como se nada me abalasse.

Hoje, abala. Mas, não sofro por isso. Sendo assim, decido quando quero barbarizar e quando desejo calmaria e, confesso sem drama algum, tenho optado muito mais pelas manhãs ensolaradas no Parque da Cidade, correndo e me encharcando de energia em vez das noites intermináveis me entupindo de birita e energético.

Mas, claro, não dispenso uma taça de um bom vinho. Afinal, isso faz parte das boas coisas da vida.

Blade Runner para bebês?

por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...