quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dilema 4.4 - Energético ou Energia?

por katia maia

#mulheres4_4

Uma das coisas boas de ter motor 4.4 é descobrir que ter tração nas quatro rodas significa acima de tudo ter calma, paciência, sabedoria e equilíbrio. Esse último é resultado dos três primeiros bem dosados.

Dessa forma, o tempo nos ensina a aprender a dosar e planejar, Tudo que era urgente, para ontem e imprescindível, de repente, pode ser pensado, calculado e feito no devido momento. É como descobrir o significado do: 'não se avexe não que nada é para já'.

Outro dia, eu estava assistindo ao documentário “Coração Vagabundo”, com Caetano Veloso - que, claro, traz toda a dose de polêmica, chatice e genialidade do artista – e me identifiquei com um trecho em que ele fala sobre essa coisa chamada ‘envelhecer’.

Lá, Caetano diz algo como: quando eu era jovem achava que não tinha tempo para nada. Tudo era urgente, para agora, imediato. Hoje, percebo que tenho todo o tempo do mundo, para fazer tudo.
Não é louco? quando temos toda a vida pela frente, achamo s que não vai dar tempo. Quando percorremos um bom trecho dessa estrada, percebemos que temos tempo para tudo. Para mim é bem por aí.

Hoje, não sinto a necessidade urgente de sair para beber e beber todas, por exemplo. A gente aprende que a moderação permite ter tudo sempre em doses que não nos tiram do ar.

É mais ou menos como entender quando minha mãe dizia que não trocava uma boa noite de sono por nada. É isso! Eu também não troco uma noite bem dormida pela farra. Claro que isso não pode e nem deve significar que viramos pessoas ‘dormentes’, que só pensam em dormir. Não!

Agora, a questão é pesar os prós e contras: o que eu quero e vale mais a pena: sair, beber e amanhã passar o dia meia boca, ou ficar em casa, ler um livro legal e acordar amanhã cedo e ir correr.

De repente, comecei a valorizar mais o dia e aproveitá-lo cada vez mais cedo. Eu que era uma notívaga assumida, que virava a noite na esbórnia, ia para casa, apenas tomava um banho gelado e corria para o trabalho, onde passava o dia inteiro ralando como se nada me abalasse.

Hoje, abala. Mas, não sofro por isso. Sendo assim, decido quando quero barbarizar e quando desejo calmaria e, confesso sem drama algum, tenho optado muito mais pelas manhãs ensolaradas no Parque da Cidade, correndo e me encharcando de energia em vez das noites intermináveis me entupindo de birita e energético.

Mas, claro, não dispenso uma taça de um bom vinho. Afinal, isso faz parte das boas coisas da vida.