sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Momento bigbang


por katia maia

#memórias_de_uma_mãe_de_dolescente


Nunca tinha imaginado com seria, mas aconteceu: um encontro da minha fase TPM com a explosão de hormônios da adolescencia. Foi algo como (quase) o big bang, uma explosão do universo.

Pois bem, aconteceu comigo e não foi fácil. Asseguro que é bem complicado lidar com esse estado bipolar dos filhos adolescentes quando eles nos pegam na tal da TPM. E, claro, explodia ele de um lado, explodia eu do outro. Um verdadeiro vulcão de emoções.

A situação e o dia seria dos mais normais do dia a dia das minhas #memórias_de_uma_mãe_de_adolescentes, não fosse a conjunção dos astros, o alinhamento dos planetas, o eclipse solar e o meu humor TPM em confluência com o espírito bipolar adolescente.

Cena um:

Chego na academia e percebo que o meu IPhone está em pane. A maçãzinha congelada na tela e um circulo de tracinhos girando em volta dela. Falo para meu filho mais velho:

- ih, deu pau!

Nesse momento, me lembrei que o caçula tinha ficado em casa sozinho e pensei: se ele quiser falar comigo, estou com o rádio nextel, ele me liga. E fui além: se ele não souber o numero do nextel decorado, ele liga para o irmão, se ele não lembrar o do irmão, liga para o pai. Bom, tudo acertado na minha cabeça, relaxei: não há por que me preocupar.

Cena dois:

Faço minha aula de pilates alegre feliz e satisfeita. Sofro um bocado com aquelas posições e alongamentos de uma lado para o outro, agora com a bola, agora sobe a perna direita, agora vira para o lado, agora gira o quadril, agora segura por dez segundo. Como assim, dez segundos? Suando aos montes para manter os comandos do professor, enfrento com dignidade a aula inteira.

O filho mais velho que deveria estar na aula comigo, fez o início até a metade, depois, pediu para sair. Disse que estava com dor de cabeça. Ah, sei, desistiu. Ok. Sigo em frente.

Terminou a aula, eu toda feliz por mais essa etapa cumprida, chamo meu filhote e vamos para o carro. Pergunto:

- seu irmão ligou?

- não.

- ok.

Cena três:

Chego em casa e ao chegar à porta, vejo que ela está aberta, sem a tranca. Entro já perguntando por que estava tudo escancarado e, mais, todas as luzes acesas?

- Bonito, parece até que somos sócios da light! Digo.

-Mãe, a light não existe mais, resmunga o filhote que acabou de chegar comigo.

Foi nesse momento que vi o caçula sair bufando do quarto:

- você não atende celular? To ligando há horas para você,depois reclama quando eu não atendo!

*detalhe: ele nunca está com o celular e sempre quebra o aparelho que lhe damos. A coisa mais difícil é o celular dele e ele estarem no mesmo local. Sempre esqueceu, está desligado, perdi, quebrei!

Ainda de bom humor respondi:

- uai, como assim: você é o cara para reclamar de alguém que está sem celular.

Foi então que veio ele, todo cheio de razão e sem nenhuma razão bufando:

- eu tentei ligar, você vive cobrando e não cumpre. Precisei falar e não consegui bla bla bla.

-Ãh? Perdi alguma coisa? Você está me pagando moral? Meu celular deu pane, mas eu estava com o rádio, por que não ligou para o nextel? Falei já um tom bem acima

- Eu não sei o numero do nextel! Disse ele irritado.

- Então que culpa tenho eu? Respondi e emendei: por que não ligou para o seu pai e pegou o meu número.

- Eu ia fazer isso agora! Disse ele quase gritando.

- ah? (de novo) e a culpa é minha? Como assim cara pálida (já gritando): eu sou culpada por você não ter conseguido falar no IPhone que deu pau à revelia, por você não saber o n8umero do meu nextel e por você não ligar para o seu pai?

- ah, ta, eu agora, quando você não conseguir falar comifgo, vou dizer que o meu telefone está dando pau. Disse com ironia.

Cena quatro - Aí eu explodi:

- escuta aqui, não venha com ironia para cima de mim. Eu não admito. Você erra e quer colocar a culpa no outro. Não quero mais papo. Eu faço tudo certo, to sempre com a M... do celular à mão, nunca deixo de estar online e é isso que eu levo. Escuta aqui bla bla bla...

Eu sei que comecei a vociferar, babei, gritei, falei. Falei,. Falei até ficar com dó de mim.

Ele correu para o quarto, também vociferando e disse que ia dormir.

- vá, vá dormir, porque eu faço, aconteço, corro, vou, volto, tudo para dar conta de tudo e é isso que eu recebo. Inferno de vida, inferno de vida! Gritei.

Ele se deitou no quarto. O filhote que chegou comigo ia esquentar uma pizza no forno e desistiu. Foi dormir com fome. Eu entrei num banho para esfriar a cabeça e depois, com a casa toda calma, fiz uma sopa para acalmar o turbilhão de adrenalina que eu tinha jogado no sangue.

Depois, com a cara mais limpa, ele, o caçula, chega e me diz: posso dormir com você na sua cama. Meu irmão ligou o ar condicionado e o nosso quarto está muito gelado. Eu, mãe que sou, com o perdão incluído no pacote, e admitindo a minha dose de culpa no destempero quase nuclear, respondo:

- pode!


Fade - fim





terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Nem tanto para mais"

por @katiamaia

memorias_de_uma_mae_de_adolescentes

Claro que eu sei que existem casas onde essa fase chamada adolescência passa super tranqüila, outras nem tanto e outras são realmente punk. Acho que posso enquadrar a minha experiência com meus filhotes naquela ‘nem tanto para mais’.


A vida ao lado desses seres viventes denominados adolescentes não é propriamente fácil. Os altos e baixos é que matam. São espécies bem “convivíveis”, eu diria, mas só se a gente souber administrar. Por que eu digo isso? Porque tem momentos em que a gente quer atirá-los pela janela de tão chatos que se tornam.

Mas, tem momentos doces e agradáveis quando a gente pensa que estava louca quando pensou em mandar tudo para o inferno. Nesse fim de semana, posso dizer, foi (mais) uma prova de fogo, para mim. Foi um daqueles sábados e domingos em que eles programam na cabeça (deles) todo um esquema de saídas, encontros e festas e que na realidade o fim de semana estava mesmo programado para ser ‘pianinho’.

Sabe um daqueles famosos castigos que eles nos obrigam a impor? Sim, digo obrigam, porque nenhum pai ou mãe fica feliz em dar castigos. Mas, eles simplesmente pedem por isso, insistem e ficam na fila quantas vezes for preciso para conseguir – involuntariamente, claro. Mas, como dizer e fazer com que entendam que o castigo “é para o bem deles”? Impossível, eu diria.

Lembro-me de todo o ódio que eu destilava de meus pais quando me impediam de sair, ir a uma festa ou fazer algo que eu gostava em nome do famigerado ‘castigo’. “Ô trem difícil de engolir!”. Mas, hoje sei que foi tudo realmente para o meu bem e é nisso que eu me fio: um dia eles me agradecerão.

A vida e a obra ‘adolescenística’ lá em casa não está sendo propriamente fácil e se enquadra na categoria ‘nem tanto para mais’ por causa de alguns detalhes básicos que eu esperava que seriam mais digeríveis e fáceis de enfrentar: os estudos, por exemplo. Esse é o foco maior de atrito. E aí, quando vem o castigo por causa das notas insatisfatórias, vem a revolta. E eu rebato: e a minha tristeza em ver um boletim ruim, não conta?

Eles acham que a tristeza e o sofrimento são privilégio deles. Aliás, adolescentes adora pensar que tudo em torno deles (sentimentos, frustrações, sonhos, decepções, vitórias, perdas etc) é único no mundo e só acontece com eles. É incrível, quando eu dou um castigo parece que só ele é o injustiçado.

Outro dia lembrei: vem cá, os seus amigos, quando chegam com notas baixas, os pais deles comemoram, dão uma festa, soltam fogos? Sim, porque parece que eu sou completamente desconectada da realidade.

Ele me olhou, (com ódio, claro) e ficou mudo.

- Eu, que pago um dobrado para que tudo saia a contento na vida, no trabalho, nas finanças etc também termino tendo minhas frustrações e me sentindo tão injustiçada quanto você quando chega o boletim insuficiente, sabia? Continuei.

Não, mas a dor deles de não poder sair é maior do que a minha de não poder comemorar notas altas! (aff!)

Bom, dizem que a coisa muda de figura e que, com o passar do tempo, eles melhoram, a ficha cai, a vida apruma e eles (enfim) nos agradecerão. ‘Tá’ bom, eu espero, mas fica a pergunta: quanto tempo tenho pra matar essa (falta de) saudade dessa fase, que eu sei que vai passar mas ta durando tanto?





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

É ouro!


por @katiamaia


Parabéns ao nosso ouro olímpico.
O mérito é dele!

Não sou expert em ginástica olímpica, mas gosto de assistir às provas e me surpreendo sempre com a superação de cada ginasta e suas façanhas naqueles aparelhos. Não sou expert em treinamentos, não acompanho programas de financiamento do esporte no Brasil, não sei direito como os nossos atletas conseguem os índices olímpicos para estarem ali representando o nosso país.


O que eu sei é que sou brasileira e como tantos nessa época de olimpíadas fico do lado de cá, sempre na expectativa e torcendo para que nossos atletas se transformem em verdadeiros heróis. Sim, porque é isso que são. A gente jamais pode esperar uma desempenho brilhante de nossos competidores frente às condições que enfrentam.

Muitos deles, eu sei, já tem uma estrutura boa e um suporte coerente com atletas de alto desempenho, mas, e os milhares de talentos que ficam pelo meio do caminho porque não conseguem sequer chegar a canto nenhum.

Tem ainda os que conseguem, mas tem que ser encarados como heróis porque ralaram tanto para chegar ali que só o fato de participarem de uma olimpíada já é um feito. Quando vem medalha, então, nem se fala.

Não conheço a história desse menino, o Arthur Zanetti, que acabou de conquistar a medalha de ouro nas argolas, nas olimpíadas de Londres. Na verdade, confesso, nunca tinha ouvido falar nele. A gente só conhece uma família Hipólito que há pelo menos três olimpíadas (que eu me lembre) está ali disputando e pelo menos há duas, vi o Diego dizer que se preparara para aquele momento no solo e ‘pá’ caiu. Pode acontecer? Pode, claro. Mas, é sempre assim: Como assim cara pálida?

‘Tá’ faltando, isso sim, estrutura. Para treinar quem já chegou lá e para dar oportunidade para novos talentos. Mas, isso, a gente já sabe há muito tempo e fica até chato ficar repetindo sempre a mesma coisa. Parecemos 9até) aqueles rabugentos mala que não muda o discurso. Mas, o que fazer? Se não muda o cenário? O Brasil ‘does not give a shit’ para o esporte e quer ouro?

A gente não pode querer um bom desempenho de atletas numa competição como as olimpíadas se nem as escolas particulares incentivam o esporte entre os alunos. Nossos jovens passam bem longe de dois detalhes básicos para se tornarem atletas de alto desempenho: educação e esporte. E agente ainda quer ouro?

Bom, o #zanetti_arthur é bolsista do Ministério dos Esportes. Resta saber o peso dessa ajuda em seu treinamento. Porque, sinceramente, para mim, a impressão é que a gente vai ter que continuar tratando nossos atletas como heróis que venceram por méritos pessoais, determinação em superar obstáculos mais da vida do que do esporte.

Uma bolsa atleta de 700,00, mil ou 1,5 mil reais é suficiente para um atleta que para treinar e se destacar precisa pagar as contas da família, pegar um transporte coletivo precário e se alimentar mal com todo esse dinheiro na mão?

A gente vai continuar vendo atletas começando a se interessar pelo esporte, treinando em pistas de chão batido, quadras destruídas e apoio zero?

Está na hora de dar espaço para muitos outros novos talentos. E quando digo dar espaço, digo abrir oportunidade. Abrir centros de treinamento, de incentivo ao esporte. Cadê a estrutura para formar atletas para as próximas olimpíadas que serão... ah, aqui, no Brasil!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estragou com os pés o que construiu com as mãos


#dia_a_dica

Não sei quanto aos outros, mas para mim, a partir de agora existe uma regrinha básica para compras coletivas: jamais comprar essas promoções que envolvem comida.

Digo isso porque já levei vários ‘passa fora’ dessa s promoções que, na hora de comprar parecem super vantajosas e depois viram um mico em nossas mãos. Tudo isso, simplesmente porque nunca podemos ir nos dias e horários estabelecidos ou, como já aconteceu, no dia que escolhi para resgatar o cupom, o restaurante estava tão cheio que havia acabado o prato relacionado à promoção. Pode?

A última que me fez decidir que compras coletivas no terreno gastronômico são simplesmente uma roubada, aconteceu com o restaurante Oliver, aqui em Brasília. A promoção dizia – bruschetas e duas caipirinhas por R$ 8,90. Pensei: olha, que legal! NO impulso comprei.

A data indicava que poderia resgatar o cupom e utilizá-lo até o dia 30 de julho de 2012.

Beleza, pensei. Tenho um prazo legal, e me programo para ir. Outro ledo engano: a gente pensa sempre que tem muito temnpo para ir e termina percebendo que o prazo é curto quando vai checar a data limite e vê que acaba naquele fim de semana (nesse caso, numa segunda-feira).

Ok! Liguei para uma amiga e comuniquei:

- Nesse sábado, vamos ao Oliver tomar umas caipirinhas. É por minha conta. Fechado?

- Fechado.

No sábado, fomos ao Oliver, na hora do Happy Hour (18h) e pedimo:

- Queremos um carpaccio e as caipirinhas dessa promoção...

Quando mostrei i cupom, o garçom me sai com a pérola:

- Vou ter que verificar, mas essa propomção só vale de 2ª a 5ª!

- Como assim?

- É senhora, vou verificar com meu gerente.

Esperamos e aproveitamos para checar no cupom. Vi que havia uma restrição de horário (somente das 17 às 20h), mas me passou batido a limitação de dias da semana! Céus, como incorri nesse erro crasso? Me odiei por isso. De qualquer forma, esperei o garçom retornar.

Enquanto ele checava, olhei em nossa volta: restaurante absolutamente vazio! Um mesa alem da nossa ocupada. Pensei, ele vai fazer uma gentileza e dizer que, apesar de estarmos fora das condições estabelecidas pela promoção, nós seríamos atendidas. Uma gentileza, pensei.

#Volta o garçom, corta e edita:

- É senhora, não vai dar mesmo para atender às senhoras. Está fora dos dias da promoção.

Nós já tínhamos pedido uma água. Me enchi de fúria, me controlei e falei educadamente:

- Então, pode nos trazer a conta.

Quando o garçom voltou com a conta, falei (não me contive):

- Olha só, na boa, eu e minha amiga viemos aqui para utilizar esse (malfadado) cupom que comprei, mas na verdade estamos aqui para jantar, conversar, consumir mais do que esse infeliz cupom diz. Então, vou pagar essa água que está aqui como R$4,00 e pode ficar certo que estarei pagando R$12,90 por ela. Porque esse cupom não servirá mais para mim. Agora, o restaurante está vazio, nós iríamos consumir muito mais do que esses míseros oito reais do cupom e vocês na incapacidade de fazer uma gentileza para o cliente, estão me dizendo que não é possível atender à promoção. Ok. Perderam duas clientes hoje e sempre, porque aqui não volto mais. É isso!

Eu estava certa? Não, certamente, que não, pois não li as famigeradas regras da promoção. Mas, eu pergunto: qual a finalidade dessas compras coletivas em restaurantes senão atrair novos ou antigos consumidores. Ir a um estabelecimento para desfrutar de uma promoção é uma oportunidade de a gente conhecer os seus serviços, gostar e voltar.

Não foi o caso do Oliver: primeiro porque eu já conhecia, segundo porque esles estragaram com os pés o que construíram com as mãos. #prontofalei!

Blade Runner para bebês?

por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...