domingo, 17 de junho de 2012

A insustentável leveza do "curti"

De repente, em meio a toda modernidade, o mundo começou a confundir atenção e carinho com o simples fato de clicar em uma mãosinha com o dedo levantado indicando que “curti”.

Impressão minha ou está havendo um esvaziamento do relacionamento? Uma inversão nossentimentos? Parece que as pessoas acreditam que clicar em “curti” e deixar recados de ‘bom dia’ e/ou comentários vagos em publicações soltas em redes sociais substituem o famoso afeto, atenção e cuidado.

Claro, que a internet e suas facilidades nos deixou bem mais próximos de pessoas que há muito tempo não víamos, ouvíamos falar ou encontrávamos. Essa é realmente uma das façanhas das redes sociais e ela é bem eficiente em de repente sabermos de um amigo que já havia se perdido nos caminhos do passado.
Desde que entrei no mundo do twitter e do facebook reencontrei velhos amigos, pessoas que povoaram minhas brincadeiras na infância, que estudaram comigo no ginásio (sim, eu sou da época do ginásio) ou que freqüentaram minhas farras na adolescência. Muitos, inclusive, que eu tinha muita vontade de rever e não sabia por onde começar. Tudo isso, eu devo à internet.

Claro que boa parte dos que reencontrei continua no universo virtual. A vida corrida, a distância, e a rotina nos impedem de avançar na vontade de marcar algo e realmente nos rever. Mas, isso é compreensível e claro que nesse caso aceitamos (já) o presente de ter a oportunidade de saber por onde andam, o que fazem, como anda a família década um.

As ferramentas das redes sociais são (sem sombra de dúvida) valiosas e digo mais: quando curto algo de alguém é para valer. Só que, os mais próximos a mim tem a atenção extra de nos encontrarmos, ligarmos para falar um ‘oi’ que seja. O facebook pode (até) ser um meio ótimo para marcarmos algum ‘hapenning’. Ele é eficiente nisso também.

Agora, a minha tristeza é ver que pessoas próximas, de repente, embarcaram na cômoda situação de apenas curtir e deixar recadinhos sem que isso valha pelo menos um telefonema.

Apesar da internet, um velho e bom telefonema para bater papo e um encontro pessoalmente, em cores a ao vivo, para ver realmente como andam as coisas e para sentir como está o outro, ainda são atitudes insubstituíveis.

Infelizmente, para alguns é mais confortável, sentar à frente do computador, rolar a timeline e sair curtindo e compartilhando. Dessa forma, o outro verá o que você ‘de alguma forma viu e leu, pensa ou faz da vida. Isso até serve e é legal, mas não substitui o cuidado de perto, o olhar, o toque, o dizer: eu me preocupo com você.

Desculpem-me, mas o “curti” e “compartilhar” em redes sociais, quando se trata de amigos de verdade, pessoas próximas ou que se amam e se preocupam umas com as outras, me soam mais como desprezo e descaso. #prontofalei!