quarta-feira, 21 de maio de 2014

Réquiem de uma metamorfose

por katia maia



E então foi vendo tudo ficar pelo caminho, foi se desfazendo de coisas, de momentos, de pessoas, da própria pele, da vontade de agir, do sonho de tudo se resolver.

Quando percebeu já tinha se encasulado. Envolta numa couraça, já não conseguia sair dela.

Já não olhava para os lados, já não via o mundo.

Fechou os olhos, acalmou os pensamentos e naturalmente se deixou ficar. Tinha virado casulo.

Envolta em suas próprias mágoas, rodeada pelas tristezas, enrolada em desesperança, afundada em solidão.
 
Decidiu respirar o mínimo possível, virar quase uma estátua, imóvel, fria, pálida.

Resolveu que a espera era a parte que lhe cabia naquele recolhimento, na sua solitária particular.

É isso: esperar! Apesar do silencio e da falta de vontade de viver, tinha no fundo uma faísca de luz em seus pensamentos. Uma esperança, até.

Acreditava na metamorfose e apostava na sua fase borboleta.