quarta-feira, 21 de maio de 2014

Réquiem de uma metamorfose

por katia maia



E então foi vendo tudo ficar pelo caminho, foi se desfazendo de coisas, de momentos, de pessoas, da própria pele, da vontade de agir, do sonho de tudo se resolver.

Quando percebeu já tinha se encasulado. Envolta numa couraça, já não conseguia sair dela.

Já não olhava para os lados, já não via o mundo.

Fechou os olhos, acalmou os pensamentos e naturalmente se deixou ficar. Tinha virado casulo.

Envolta em suas próprias mágoas, rodeada pelas tristezas, enrolada em desesperança, afundada em solidão.
 
Decidiu respirar o mínimo possível, virar quase uma estátua, imóvel, fria, pálida.

Resolveu que a espera era a parte que lhe cabia naquele recolhimento, na sua solitária particular.

É isso: esperar! Apesar do silencio e da falta de vontade de viver, tinha no fundo uma faísca de luz em seus pensamentos. Uma esperança, até.

Acreditava na metamorfose e apostava na sua fase borboleta. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pratiquer le français et l'amitié


#friendselfie
On commence ce texte en français parce que hier, j'ai eu l'occasion de pratiquer la langue et, encore mieux, avec un ami très cher. Ceux qui, n’importe pas combien de temps sans voir, l'affection, le respect et les histoires continuent à faire de nous de très bons amis.

O filme: Itinéraires
E foi assim que marcamos de assistir a um filme na Embaixada da França e depois ir tomar um café para colocar o papo em dia. Escolhi o filme da embaixada por acaso e descobri que a minha amiga também tinha estudado francês  por bastante tempo. Pronto, estava feita a conexão.

O filme escolhido: Itinéraires. Um filme de Christophe Otzenberger, de 2006. Infelizmente, não conseguimos ver o filme todo. Um problema no projetor impediu a projeção até o fim. Embora, tenhamos visto parte dele e gostado muito. A embaixada informou que irá remarcar a projeção do filme. Aguardemos.

O Quadro!
Até lá, nada melhor do que bater um bom papo e na linha de conhecer novos lugares em Brasília, resolvemos ir a uma Casa de Chá que me foi indicada por outra amiga (essa, uma amizade feita por meio da tecnologia. Conheci a Márcia Chang por meio da internet, quando ela me procurou para participar do meu site de brechó).

O lugar: Vincent!
O lugar indicado: Vincent, na 409 norte. Um lugar super fofura, meio escondidinho, fica virado para a quadra, mas cheio de charme. Bom, tinha tudo para dar certo e ser uma noite hiper agradável. O cardápio traz opções bem legais de quiche (eu escolhi um quiche de alho porró com salada) e para beber um chá mate gelado com gengibre e citrus (uma delícia!). A noite estava agradável e a bebida refrescante caiu bem.

O nome da Casa de Chá é uma homenagem ao pintor Vincent Van Gogh, artista que a proprietária do estabelecimento adora. Tem até um quadro lá que foi pintado par ela e que foi feito por um processo mediúnico. O traço é perfeito! Lindo.

A amiga: Angélica
A Angélica é uma amiga querida do tempo de faculdade. Sabe aquelas amizades que a gente passa anos sem se ver nem se falar, mas quando se reencontra percebe que o papo flui como se a gente tivesse se visto ontem? Pois é, nos divertimos a beça.  Falamos de família, filhos, vida e rimos muito. Afinal, é isso que vale na vida: saber que tem pessoas legais que, apesar da distancia, sabemos, fica feliz com a nossa presença.

Do encontro, fica a dica: Vincent, casa de chá, na 409 sul. E se eu puder dar outra dica: reencontrar velhas e verdadeiras amizades faz muito bem para a gente. O melhor de tudo é estar com pessoas que a gente sabe que, n’importe pas combien de temps sans voir, l'amitié
O menu: quiche
com chá gelado
continue. 

Marcamos, então de pratiquer notre français et profiter de rencontrer à nouveau pour pratiquer notre amitié.

Vincent Chás e CafésSHCN 409, Bloco A – Asa NorteBrasília/DFTel: (61) 3201-1214

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Hora Zero para começar

Filme de Pascal Thomas

Então, tem pequenos momentos que a gente tem que investir e sair um pouco de nossa zona de conforto para que possam sair do imaginário para o real. 

A vida tem andado muito corrida, não temos mais tempo para nada, falta disposição, não conseguimos um minuto sequer de lazer. Essa ladainha é recorrente nesse mundo em que o tempo deu uma acelerada e suprimiu de alguma forma bons bocados do nosso dia.

Mas, olha, acho até que a culpa não é somente do tempo, do eixo da terra que está mudando, do segundo a menos que perdemos a cada ano, da corredeira de tarefas que nos predispomos a realizar num único segundo e nos atropela... 

Sim, porque não dá simplesmente para digitar esse texto. Temos que estar com outras páginas abertas no computador, o celular do lado online e a mente (des)focada em mil e uma outras obrigações que não podem esperar de forma alguma e que, inexplicavelmente, terminam ficando sem solução e para o dia seguinte porque (adivinha?) não deu tempo!

Viu? Só no paragrafo anterior eu escrevi sobre mil coisas e (até) perdi o foco. É assim que acontece: tudo junto e misturado e ao mesmo tempo. E o resultado? Falta de Tempo!

Pois, estou declarando que vou ter que arrumar (ainda não sei como) um tempo para fazer o que mais falta na vida de todos nós hoje em dia: o prazer de não fazer nada ou, se fizer, investir em algo que não signifique obrigação, mas sim lazer e prazer!

Cena do Filme L'Heure Zero
Digo que já comecei. Todos os dias minha rotina é o retrato da canção: ela faz tudo sempre igual. Trabalho, almoço com os filhos, trabalho, casa , arrumar casa, cozinhar, ver um pouco de TV, ler, rezar, dormir. Todo o santo dia! AFF!!!

Então, ontem, piscou na tela do meu Facebook o convite: L’HeureZero, filme de Pascal Thomas será exibido na Embaixada da França, às 29 horas. O próprio nome já me inspirou. Afinal, eu precisava mesmo de uma Hora zero para dar o ponta pé inicial.

E assim aconteceu: saí do trabalho e me mandei para l’Ambassade de France, espaço Le Corbusier. Ainda me dei o luxo de pedir ao meu filho que tirou recentemente carteira de motorista, para me levar. Nem dirigir eu queria, pode? Um luxo só!

Filme baseado em Agatha Christie
Ele me deixou na Embaixada, eu entrei, me sentei e pacientemente esperei o flme começar. Nem o celular eu usei nessa espera. Providencialmente, estava com pouquíssima bateria. Fui, então, obrigada a ficar ali, focada na situação, vivendo o momento.

O filme começou! Uma hora e meia. Ali, dedicada a me sentir bem comigo mesma, reservar um tempo para o lazer e ainda treinar o meu francês! Parfait.








P.S. quando cheguei em casa, ao ligar a TV, no canal GNT, estava passando o programa Saia Justa e um dos temas que as meninas debatiam era, (guess!) FOCO! Falavam do livro de Daniel Goleman de mesmo nome. O livro trata justamente do tema: dedicar atenção a... Bom, quem acredita que nada é por acaso...  Fica a dica!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Reconstruiu com os pés...


por katia maia

Quando eu era criança, até adolescente mesmo, eu não me conformava com o fim do ano. Era meio uma birra com o “tempo”. Essa coisa que avança inexoravelmente e não nos dá a chance de pará-lo um pouquinho para curtir melhor os momentos.
Esse tal de tempo que ultimamente tem andado tão escasso e tão apressado. Eu não me conformava com o fato do ano acabar independentemente da nossa vontade. Quando chegava o dia 31/12 eu pensava: amanhã esse ano já terá acabado e a gente não pode fazer nada a respeito disso. Confesso que me deixava meio baixo astral. Mas, era um  sentimento de tristeza que pouco a pouco ia se transformando.
O ultimo dia de dezembro era um momento em que eu via que o fim, apesar de angustiar, levava as pessoas a renovarem e se animarem com novas perspectivas e esperanças.  Na verdade, acho que é assim com muita coisa em nossa vida. O fim, que muitas vezes parece exatamente isso: o fim, muitas vezes é o começo de novas história.
Nesse fim de 2013, eu me pergunto: como eu definiria esse ano e toda vez que penso isso, só me vem à cabeça um ditado que falava mais ou menos assim: estragou com os pés o que construiu com as mãos. Pois bem, em 2013, penso, foi justamente o contrário. O ano reconstruiu com os pés o que havia destruído com as mãos.
O ano foi muito difícil. Um ano de muito trabalho, um tanto de sofrimento, um monte de dramas e um bocado de tristeza. Mas, eu diria, um ano de aprendizado que no fim “se pagou”. Que na reta final soube me dar discernimento para digerir tudo que há muito estava sendo depurado e nesse decantador, creio eu, o resultado foi positivo. 2013 foi um ano que me ensinou a ver as coisas como elas realmente são e me deu força e coragem para enfrentar o que é para ser meu. Em contrapartida, me fez perceber que o que não é meu, não é meu e pronto. E ponto!!!
Foi um ano que me deixou mais leve e pronta para ser mais e sempre melhor no que for possível. Ahora, que venga 2014!!!!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tem que ralar!

por katia maia


Medalha de conclusão da prova
Não tem jeito, na vida não existe colheita sem o esforço de se plantar. Por mais que a gente queira, sonhe e peça para que as coisas aconteçam de forma fácil, não dá! Tem que haver um mínimo de esforço e a recompensa vem sempre proporcional ao empenho que dispensamos para tal.
Por que estou tão filosófica? Simplesmente porque nesse fim de semana enfrentei uma prova de resistência e superação pessoal que me mostrou o exato tamanho do toma lá da cá em nossas vidas.
Há pouco mais de três anos, me aventurei no mundo das corridas e sempre tive como meta realizar pelo menos uma maratona. Esse objetivo eu ainda não consegui alcançar, mas não desisti ainda. Enquanto isso, vou me aventurando em caminhos muitos, aumentando cada vez mais a ambição.
Em 2010, eu consegui concluir a minha primeira meia por inteiro. Foi uma alegria, uma felicidade, uma sensação de que a partir dali ninguém me segurava, era só focar e treinar mais e mais.
Acontece que, no meio do caminho, me apareceu uma lesão, um rompimento de sei lá o que no meu tornozelo e fui obrigada a passar o ano de 2012 quase completamente de molho. Resignei-me e segui as orientações médicas para não ter mais tarde que enfrentar as conseqüências de um problema mal curado.
No inicio do ano, voltei a treinar e, claro, tinha a certeza de que esse ano faria pelos menos umas duas ou três meias. Agora, quase no fim de 2013, percebo que nosso sucesso está diretamente ligado à nossa dedicação, empenho e foco. O ano todo, eu passei tentando retomar os treinos, mas vários obstáculos – trabalho, viagem, preguiça, sono – me tiravam dos treinos.
Quando chegamos ao segundo semestre, me inscrevi numa meia maratona e me forcei a focar nela. Mas, novamente, me distanciei dos treinos, não foquei, fui atropelada pelo trabalho, pela rotina, pelo dia a dia e quando chegou a véspera da corrida, eu sabia que não tinha me dedicado o suficiente àquela tarefa.
Mesmo assim, decidi que iria. Pensei: vou de mansinho, aos poucos, devagar e sempre e dessa forma consigo terminar e no pior das hipóteses faço a maior parte do percurso andando.
Qual o quê! Comecei bem, enfrentei os dez primeiros quilômetros bem, mas, isso foi tudo! A partir do décimo segundo, décimo quarto, décimo sexto quilometro, meu corpo foi quebrando, cedendo, minguando. Comecei a sentir o peso da falta de treino, condicionamento, empenho.
Eu, que achava que tudo era uma questão de chegar na hora do ´pega pra capa’ e dar o melhor de mim, percebi que isso conta, sim, mas não é nada perto do que chamamos de treino e dedicação.
Isso vale para tudo na vida. Um simples prêmio de loteria só vem se lembrarmos de jogar. Uma nota boa num concurso só acontece se estudarmos, uma viagem só se realiza se juntarmos dinheiro, a vida só é boa se a gente investe nisso.
Eu achei que tudo era uma questão de (repito) dar o melhor de mim. E eu fiz isso, mas o meu melhor naquele momento era diretamente proporcional ao que eu tinha investido e dedicado do meu tempo nos treinos.
Superei? Superei sim, mas me quebrei. Terminei a prova acabada, num tempo infinitamente maior do que o que eu fiz há três anos, com muita dor no pé direito. Passei o domingo inteiro na cama, com o pé para cima enrolado em compressa de gelo.
A vida é assim: a gente pode superar provas difíceis de uma forma quase intransponível, difícil, amena ou fácil. Depende da nossa disposição para nos dedicarmos àquilo que realmente queremos. É simples: sucesso é diretamente proporcional ao esforço e dedicação.Vou continuar nas minhas meias e quero pelo menos uma Maratona inteira em minha vida, mas, asseguro: vou treinar e me dedicar com afinco para não sofrer tanto. Porqu
e a gente até consegue, mas sofre!

Calo-me...(da série #resgates)

*A partir de hj, sempre que eu resgatar algum texto meu escrito e não publicado, vou postar aqui. O que é escrito é para ser publicado....