quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Crônica de uma twittada mal dada

por katia maia

Não teve dúvida. Clicou com o cursor em cima do espaço escrito ‘tweet’ e mandou ver. Estava orgulhosa de repassar aquela informação. Tinha acabado de ouvir pelos corredores dos órgãos públicos daquela república incrustada no meio do oceano de politicagem e ‘maracutaias’.


Não se sentia mais isolada em sua baia, ou seria baía? Estava interagindo. Ironicamente, estava repassando o que ouvia, via e sentia. Não se calara. Tinha, ainda, a certeza de que falava o que todo mundo queria ouvir.

Mas foi no momento em que deu o clique e viu a publicação na rede social que percebeu o erro (fatal para a web – no mercy): falou o que devia no lugar errado!

- Meu Deus! Pensou. Ficou nervosa, coração disparou, buscou imediatamente o espaço ‘delete’ para desfazer o descuido. Olhou, clicou, excluiu e rezou:

- Tomara que ninguém tinha visto.

Tarde demais. No mundo virtual ‘tudo é tarde demais’. Nada passa despercebido, por um segundo sequer. A mensagem já havia sido replicada. O incidente já estava instalado, divulgado, publicado, distribuído e repassado. Tudo na velocidade do pensamento e da ânsia cibernética de dar tudo primeiro antes de todo mundo.

A culpa é da moça do cafezinho

A mensagem fora publicada, na verdade, no perfil do trabalho e não no pessoal dela.
E agora? Pensou. Ficou quietinha e esperou. Segurou a respiração para não ser notada por ninguém. Ledo engano. Na web ninguém passa incólume.

O erro foi comentado, discutido, refletido e virou até tese de mestrado. Tudo pelos internautas de plantão que adoram um fuxico.

Claro que a pobre funcionária foi punida. Disse o que todo mundo queria dizer. Mas disse no lugar errado.

Pelas ruas da capital comentava-se: a culpa é do mordomo ou do estagiário? Do estagiário, claro. Ele sempre tem culpa. Pior, a culpa era da terceirizada.

- Ah, pode ter sido a moça do cafezinho.

Hipótese: ao passar pela mesa, viu a tela do computador aberta naquela página bonitinha, com um passarinho azul no alto. Acabara de ouvi no corredor comentários sobre um jogador famoso, suas chuteiras penduradas e sua relação com um político também famoso mas que o talento definitivamente era fazer belas jogadas em outro campo - mais nebuloso e menos transparente. Arriscou-se.

Dançou. A moça do cafezinho dançou!

E uma máquina substituiu a moça do cafezinho

O político menos transparente até tentou fazer gracinha da história e com alguma tentativa de humor (que lhe falta ao extremo) brincou pateticamente.

Resultado: adeus cafezinho. A república amanheceu como dantes no país de Abrantes e a moça perdeu o emprego. Uma máquina de café foi providenciada.

Descuido virtual é não perdoa. Deleta!

E aí bla... bla... bla eu gostei

Restaurante Bla´s, na Asa Norte por katia maia Então, fui conferir uma das opções do Restaurante Week dessa leva. O escolhido foi...