quinta-feira, 10 de março de 2011

IR - Pura Revolta!

por katia maia

Passado o carnaval, os festejos de momo e toda aquela alegria incluída no pacote, o brasileiro finalmente encara o que divertidamente denominamos de “início oficial do ano”. Pois bem, o meu está começando da forma mais ‘boring’ possível. Pelo menos no que se refere a toda a minha estima pelo país e esperança em dias melhores – politicamente falando.

 A revolta (minha) é inevitável e eu explico porquê.

Resolvi usar meus momentos de descanso no feriadão para, pela primeira vez na vida, ajustar minhas contas com o Leão antecipadamente. Já era certo e liquido de que esse ano eu pagaria muito imposto no ajuste com o  fisco, mas confesso que a mordida veio acima do esperado e muito além do que possa compreender minha vã filosofia cidadã.

Como brasileira comum e mortal, que nunca esteve envolvida em falcatruas, que preza pelo nome limpo e que cumpre com as obrigações fiscais ano a ano resignadamente, desta vez sinto-me ultrajada.

Posso dizer que sou do tipo que não compra DVD pirata, não tira carteirinha de estudante fria para pagar metade do preço (em entradas de shows ou cinema) e que aceita pagar o imposto tal qual o fisco semrpe determinou. Mas, dessa vez, me sinto passada para trás.

Digo isso porque ajustei minhas contas e percebi que além dos 120 dias, ou 4 meses, que anulamos do nosso ano somente para pagar imposto, o Leão, este ano resolveu me tomar mais um.


Hospitais públicos lamentáveis

A minha declaração de Imposto de Renda me impôs nada mais nada menos do que o pagamento de um mês inteiro de salário. É como se agora, além dos quatro meses que jogamos no lixo pagando imposto, eu tenha que dar mais um para o leão.

Usei a expressão 'jogamos no lixo' porque para mim é exatamente isso que me parece quando vejo o uso dos recursos públicos em nosso país.

Mas, antes de falar disso, quero fazer mais um protesto. Na dita DIRPF, eu sou obrigada a declarar que, no ano passado o meu apartamento (próprio) esteve alugado o ano inteiro.

- Ok, até aí tudo bem.


Escolas públicas de 'dar pena'

Quer dizer, tudo bem não cara pálida.

Eu recebi o aluguel e na outra ponta paguei o aluguel. Tentei recuperar meu imóvel para morar e a Lei do Inquilinato me disse que contratos com 30 meses não permitem que eu , a dona, recupere minha casa para morar. Dessa forma, fui obrigada a pagar, em 2010, um aluguel acima do que eu recebia pelo meu. A Receita Federal viu isso?

Claro que não! Para o fisco, o que importa é que eu recebi grana e aumentei meus rendimentos. Se eu paguei aluguel na outra ponta não faz diferença. Portanto, 'Ferro' no acerto de contas.

Depois desse meu momento, pura revolta, vamos a outro. Quando eu falei em ‘jogar meu dinheiro no lixo”, digo isso com a decepção corrente entre os brasileiros quando avaliamos a aplicação do nosso dinheiro em benefícios e benfeitorias para a população.

Não consigo enxergar aonde está indo o meu imposto: hospitais lamentáveis, escolas de dar nojo, ensino público semi-analfabeto, estradas deploráveis e segurança inexistente.

Dessa forma, tenho a plena convicção de que o meu dinheiro está sendo mal empregado e só me resta concluir que não sou eu que tenho que pagar mais imposto, mas o Estado é que me deve e nesse acerto de contas, a Receita Federal é que tem Imposto a me restituir pelo mal uso do que arrecada.