quarta-feira, 2 de março de 2011

Brasília em transe! Cronica de uma tranquilidade perdida.

A resposta já vinha pronta na ponta da língua:


- Não quero sair de Brasília. Vou criar meus filhos aqui porque é mais seguro e tranqüilo.

Fazia anos que ouvia isso e fazia (também0 anos que passara a repetir tal ‘mantra’. Sim, porque isso era quase um ‘mantra’ para quem chegava á capital do país e se deparava com um local absolutamente ‘suis generis’. Nada no país – ousava dizer que:’no mundo’ comparava-se àquele lugar.

Aprendera a gostar de Brasília. Quando chegara, ainda criança, acostumara-se a brincar debaixo dos pilotis dos prédios. ‘Pulava elástico’, descia nos gramados em cima de papelões, simulando ‘escorregas’, jogava ‘betz’ (é assim que se escreve?) e freqüentemente ia para a quadra central da ‘quadra’ onde morava para jogar vôlei. Era tudo muito tranqüilo e sua mãe raramente se preocupava com o paradeiro das crianças. Tinha sempre a sensação que estavam por perto e seguras, assim como todas as outras crianças daquele lugar encantado chamado Brasília.

Mas, nessa quarta-feira, do mês de março, do ano 2011, percebeu o que já observava e sentia há muito tempo: A terra encantada já não era mais feita de locais seguros e agradáveis.

A ficha caiu quando assistiu ao telejornal nacional logo pela manhã e percebeu que as noticias que saíam de Brasília não eram mais prioritariamente sobre política ou economia. A capital agora dominava a ‘rede’ com reportagens policiais com caso do empresário Nenê Constantino, dono da gol, mãe que entrega filho e amigos á polícia porque o adolescente estava roubando e usando drogas e a morte misteriosa de um engenheiro vítima de uma pedra que caiu de uma ponte sobre seu carro.

- Céus, cadê aquela capital pacata e longe da realidade cruel e massacrante dos grandes centros? Perguntara-se.

De repente, Brasília virou uma ‘cidade grande’. De repente, engarrafamentos. De repente “assaltos”. De repente tudo e nada!

Ficou triste. Ainda sonhava com Brasília como aquela cidade “boa para criar os filhos’, lembrara-se de sua mãe repetindo o mantra que adotara para si, mas que (aos poucos) sucumbia à pressão da realidade.

Blade Runner para bebês?

por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...