sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como Esquecer?

por katia maia

Como esquecer um grande amor? E mais: a perda desse grande amor? O novo filme de Ana Paula Arósio, que leva justamente o nome “Como Esquecer" fala sobre o sofrimento de uma professora universitária de literatura inglesa em superar o fim de uma intensa relação amorosa.

Júlia, personagem de Ana Paula Arósio é homossexual e foi abandonada por sua companheira, Antônia, depois de dez anos de relacionamento. Este blog conversou com a diretora de “Como Esquecer”, Malu di Martino.

Malu explica que o filme conta uma história que mais do que a homossexualidade, trata de vidas e seus conflitos. “Falamos de perdas na vida adulta” e que são tão comuns entre as pessoas.

O filme entre em circuito nacional no dia 15 de outubro, depois de estrear, em 30 de setembro, no Festival de Cinema do Rio. Mas, este blog adianta para você, telespectador, o que encontrará nas telas e as emoções que virão a partir dessa história de amor intenso.

Confira abaixo o nosso bate-papo com Malu di Martino

Blog: o que o telespectador encontrará nas telas quando for assistir ao Como Esquecer?

Malu: o “como esquecer” é um filme baseado em um livro chamado Como Esquecer, Anotações quase inglesas, de Miriam Campelo. Basicamente, o assunto principal dele são as perdas que sofremos na nossa vida adulta. A gente fala sobre a perda de um amor... De uma criança – tem um dos personagens que faz um aborto, que é a Lisa, interpretada por Natalia Lage...

O diferencial sobre o “Como Esquecer” é que dois dos personagens principais: o Hugo e a Júlia – vividos pelo Murilo Rosa e Ana Paul Arósio – são homossexuais e isso faz uma diferença no cinema atual porque você tem poucos filmes que passam por essa temática.

Blog: temática que a gente pouco vê nos cinemas e mais, o homossexualismo feminino. Como você vê a repercussão do filme?

Malu: espero que na verdade as pessoas gostem do filme, primeiro e principalmente como filme. Uma boa história a ser contada. Com relação a sexualidade, ela no filme não traz nenhum conflito. Não há conflito desses personagens por serem homossexuais. O que eu acho importante é que justamente isso possa parecer para o telespectador uma coisa comum. Não há diferença entre o sentimento de homossexuais e heterossexuais em minha opinião.

Ana Paula Arósio (Júlia), Murilo Rosa (Hugo) e Natália Lage (Lisa)


O que não há no cinema é que na maior parte dos filmes, os personagens homossexuais tem conflitos ou são estereótipos do que na verdade as pessoas pensam ou imaginam o que seja o homossexual.

O “Como Esquecer” não trabalha com isso. Ele na verdade tem personagens comuns, pessoas comuns que você vê todo o dia passando de um lado a outro e por acaso são homossexuais.

Eu espero é que tanto os heterossexuais como os homossexuais gostem do filme como um filme em si. Agora, de qualquer forma, o que eu imagino é que a comunidade GLBT é muito carente em se ver no cinema.

Blog: ainda mais de uma forma tão tranqüila...

Malu: exatamente. Eu acho que isso é muito bom para o filme e também para essa comunidade. Eu imagino que essas pessoas vão gostar de se ver retratada no cinema dessa forma: tranqüila, natural, sem conflitos e vivendo suas vidas como qualquer outro cidadão.

Blog: como você definiria a Júlia?

Malu: a Júlia é uma mulher comum, uma professora universitária de literatura inglesa que esta vivendo um momento muito triste da sua vida que é o da separação. O filme começa a partir da separação dela da companheira com quem vivia há mais de dez anos que é a Antonia.

Na verdade, Antonia não é uma personagem no filme. Ela é uma ausência e isso é importante. O que está acontecendo com a Júlia é a vivência dessa ausência. Então, a Julia é uma mulher ‘conflituada’ nesse momento em função dessa perda que tem sido para ela um motivo de grande sofrimento.

Cena do filme Como Esquecer (foto: Celso Pereira)

Blog: o filme é denso ou segue de uma forma leve?

Malu: ele não é denso nem leve. Quando você trata de um assunto como esse - que é a perda de um grande amor. Coisa que quase todo adulto ou se não viveu vai viver em algum momento de suas vidas - ele passa a ser um filme mais denso no interior das pessoas, no pensamento, do sentimento: está se passando dentro de uma dor, de algo que está acontecendo interiormente.

Porém, ele é um filme leve a partir do momento em que não tem nenhum conflito grande em relação à sexualidade e questões ligadas a ela. Eu diria que é um filme forte, mas não é triste. Ele mostra que a gente tem que superar as tristeza de alguma forma e que essa superação está dentro da gente e não vem de fora. Vem de dentro para fora e não o contrário.

Blog: como foi trabalhar com Ana Paula Arosio?

Malu: foi maravilhoso. Ela é a atriz dos sonhos. Eu costumo dizer que nem nos meus melhores dos sonhos eu teria escolhido uma atriz melhor ara fazer a Julia.

Ana Paula é uma pessoa super dedicada, super aplicada no sentido mais trabalhador da palavra. Ela realmente entra no personagem, compra de forma veemente. Nós trabalhamos muito, ensaiamos muito, para compor esse personagem e ela foi incansável para fazer o que eu tinha planejado.

Blog: O filme estréia em outubro?

Malu: o Filme estréia 15 de outubro nos cinemas, mas passa no dia 30 de setembro no festival do rio e em seguida entra em cartaz em circuito nacional.


áudio da entrevista:



Teaser do filme: