quarta-feira, 18 de agosto de 2010

300 pela aventura!

por katia maia
O que faz 300 pessoas saírem de casa de madrugada para pegar um ônibus, se deslocar até uma cidade a
50 km da sua e montar numa bike para enfrentar pelo menos oito horas pedalando? É esse pergunta que muitas pessoas me fazem quando eu digo que fiz parte desse grupo e mais: não é a primeira vez!

Sou reincidente! Incorro nesse erro maravilhoso de me permitir superar todos os meus limites e enfrentar muito sol, poeira, secura do ar, cascalho, subidas e descidas. Havia dois anos que eu não sabia o que era encarar uma cicloviagem.


O frio das 5h da matina: todo mundo agasalhado


A última vez que me permitir sair de Brasília com destino a Pirenópolis, em Goiás, foi em 2008. Depois disso as condições ideais de querer e poder não se alinharam e não pude enfrentar o Superando Limites – prova promovida pelo grupo de mountain bike Rebas do Cerrado - do ano passado.


Pois bem, 2010 veio com tudo o que o número ‘dez’ nos permite ousar. Botei na cabeça que iria retomar meus pedais, meus desafios e meus objetivos. No sábado passado, me juntei ao grupo Rebas do Cerrado – do qual faço parte há quase cinco anos – e não olhei para trás.


Em Santo Antonio à espera da partida


Só me interessava seguir em frete. Bem ao estilo trilha. Não há marcha ré. É sempre em frente. Confesso que tive um pouco de medo. Não sabia exatamente como estava a minha condição física, mas, logo no início da aventura, às 5h da manhã, quando entramos no ônibus para embarcar para Santo Antonio do Descoberto, cidade a 50km de Brasília, já pude perceber o astral, a energia e a coragem de todos.

Nessa prova, não importa ser o primeiro, o último... O que importa é encarar.

Ao chegar em Santo Antonio do Descoberto, hora de pegar a bike, se aquecer (o frio estava imensamente cortante), comer algo – levei castanha, passas e queijo polenguinho -. Hora de confraternizar, dividir a energia, ansiedade e vontade de que tudo dê certo.



Sol do início da manhã: maravilhoso!


Partimos de Santo Antonio às 7h da manhã. Pronto, foi dada a largada. A viagem foi cheia de emoções. Muita gente se ajudando – se o pneu furava tinha sempre outro participante para arrumar uma câmera de ar, um kit remendo ou algo que ajudasse a seguir em frente.


Foi dada a largada!



Se faltava água, havia sempre uma garrafinha a mais na bike do outro para dividir o precioso liquido, se faltava ânimo, tinha sempre um incentivo a mais de quem passava pela gente.

Muita subida, muita poeira!

A aventura durou, pelo menos para mim, oito horas. E aí eu pergunto: para quê pagar terapeuta? Para receitar prozac? Meu prazer vem de todos os trancos e barrancos que enfrentamos no superando Limites. Estou zerada. Cabeça limpa, alma lavada!


Depois da chegada a Piri: só alegria!


Daí eu pergunto: é preciso responder o que faz uma penca de 300 pessoas acordarem de madrugada, num sábado, pegar uma bicicleta e dedicar oito horas do seu dia em cima dela, pedalando no meio do barro, debaixo de um sol escaldante e com um ar tão seco que, em alguns momentos dava a impressão de estarmos respirando pó?

*todas as fotos estão disponpiveis no site katiamaia.multiply.com