sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Agora, sou uma estatística.

por katia maia

Eu fui recenseada! Essa semana, tive o prazer de receber em minha casa a recenseadora do IBGE. Ela chegou por volta das 22h e me causou espanto alguém tocar a minha campainha àquela hora. Já me preparava para dormir.

Mas, quando a moça se identificou, confesso que fiquei até emocionada. Por diversas vezes já havia visto no elevador a foto da recenseadora. Num daqueles avisos que dizem:

"Esta é fulana e ela é a recenseadora do IBGE nesta área".

Bom, admito que não lembrei da fisionomia dela, quando tocou a campainha, mas logo identifiquei o colete azul do Instituto e percebi que finalmente eu iria entrar para a estatística do censo.

A moça começou perguntando se eu morava num imóvel próprio ou alugado, perguntou alguma coisa sobre a infraestrutura do local e se alguém mais morava comigo, ao que respondi:

- Bom agora você me pegou. Tenho uma situação que (acredito) o IBGE ainda não prevê na estrutura das famílias modernas.

E expliquei...

Eu e meu ex-marido temos uma situação de guarda compartilhada dos nossos filhos. Nesse caso, os meus filhos dormem comigo às 2ª, 4ª e 6ª, dependendo do fim-de-semana. Se os dois forem ficar com o pai no sábado e domingo, então, eles dormem na 6ª com ele. Portanto, se você fizer essa mesma pergunta ao pai deles, certamente ele dirá que os meninos moram com ele.

A moça me olhou intrigada e disse: e agora?

- Agora, eu é que pergunto.

Ela indagou se eles passam mais tempo comigo ou com o pai. Eu disse que normalmente, eles terminam dormindo mais comigo e aí ela sugeriu:

- então, podemos colocar que eles moram com você.

-ok. Mas, eu vou ter que falar para o pai deles que a resposta foi essa porque senão aparece dois brasileiros a mais morando em locais diferentes (rs).

Bom, a recenseadora que se chamava Creusiane (eu descobri) fez mais meia dúzia de perguntas do tipo, cor, data de nascimento minha e de meus filhos e pronto.

- Terminou? Perguntei.

- Terminou. Ela respondeu.

- Mas, já?


- Já!

- Você não vai me perguntar o estado civil, quantos eletromésticos eu tenho, se tenho carro etc?

- Não.

- Uai, mas é pouco assim? Digo, o questionário é pequeno desse jeito?

E aí, ela me explicou que existem dois tipos de questionários, um básico e outro mais longo e que a maquinhinha do censo é que escolhe qual será aplicado e em que momento – deve seguir algum critério estatístico para isso (pensei).

Fiquei um pouco frustrada, confesso. Queria falar mais. Foi aí que comecei a fazer perguntas para a Creusiane e descobri que ela estava passando àquela hora porque naquela área, a maioria das pessoas só está em casa no fim do dia e que a jornada de trabalho dela começava ás 19h e terminava por volta das 23h.

Ela explicou ainda que nem sempre é bem recebida e muita gente tem (até) má vontade na hora de responder às perguntas do questionário. O que é lamentável. Essa falta de espírito cívico, essa má vontade generalizada na população me entedia.

Pois eu digo e repito: fiquei muito feliz em receber o censo na minha casa e, olha, responder às perguntas, ser gentil e agradável não tira pedaço de ninguém.

O censo deveria medir (sugiro) o nível de humor da população e a falta de disposição para ser gentil e prestativo. Acho que é isso que está faltando (e muito) na percepção da população brasileira.


///~..~\\\

Blade Runner para bebês?

por katia maia Com meus filhos crescidos, adultos e já homens feitos, não preciso mais pautar minhas idas ao cinema aos horários, ses...