quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"DEL" neles!

por katia maia


De tudo que há no mundo virtual, o que ela mais gostava era da tecla ‘DEL’. Ferramenta útil e diria até necessária na vida de qualquer um independentemente do plano ser real ou digital.

Ficou olhando para as seis letras escritas naquele curto espaço de teclado - D-E-L-E-T-E - e com a determinação de quem quebra uma dieta e come um brigadeiro sem culpa, feliz da vida clicou ‘DEL’.

Estava apagando as mensagens arquivadas, acumuladas e guardadas em sua caixa de e-mail há séculos. Todos os passos de uma história que de real não tinha mais nada e que ela precisava limpar, fazer a faxina geral.

- Por que ainda mantinha aquelas malditas falas arquivadas? Indagou-se.

Agora, pensando bem, percebera que o mundo virtual permitia a ela fazer o que sempre tivera vontade de realizar na vida real: ‘apagar’ alguém de sua hitória e nunca mais ouvir falar dela. Pessoas próximas ou distantes, não importa. Tinha sempre uma ou outra que merecia o carimbo DEL!

Naquele momento, estava riscando do mapa (de sua vida) aquela pessoa especificamente. Não queria mais ser incomodada e todas as mensagens daquele ser estariam a partir daquele exato momento bloqueadas – outra ferramenta super útil. Bloquear alguém!

- Bloquear alguém! Falou em voz alta, com um ar de felicidade.

- Nada como bloquear alguém! Repetiu.

Quantas vezes sonhara criar uma barreira e se proteger do assédio de pessoas ‘non gratas’. Já praticava a atitude ‘bloqueadora’ - um pouco - na vida real. Bloqueara algumas pessoas em sua vida e a lembrança delas passara a uma remota fagulha num passado distante.

Quando decidia, deixava de atender os telefonemas, parava de perguntar pela pessoa aos amigos próximos e deixava de freqüentar espaços onde (tinha certeza) encontraria a tal ‘persona non grata’. Simples assim.

Mas, o mundo real é menos generoso do que o virtual quando se trata de bloqueios pessoais e há sempre a chance do cruzamento de vias, avenidas e caminhos. Por isso, amava o virtual.

A tecla DEL resolvia tudo e a partir daquele gesto simples e indolor, sem precisar explicar nada, apagava de vez a existência do outro: nada de e-mails, redes sociais, menssegers ou talks. Simplesmente o vazio, o vácuo, a ausência. Yes!

- Tchau boçal, talvez no Natal eu (não) pinte de novo. Cantou, adaptando a letra da Blitz.