terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Você sabe o que é 's2'? Nem eu (sabia)

Sempre foi uma pessoa antenada. Não se sentia fora de contexto quando se unia aos mais novos e os ouvia falando das novas tecnologias. Claro que não entendia de tudo, mas sempre tinha uma referência sobre isso ou aquilo e nunca boiara completamente.

Gostava, aliás, de se atualizar e ler sobre o que ‘rolava’ de mais novo no ‘front’. Mas foi uma besteira que estava escrita no Orkut do filho que lhe chamou para a realidade e ela percebeu que essa ‘garotada’ está sempre inventando moda e por mais que os pais tentem, eles estão anos-luz à frente de qualquer um.

Ela sempre dera umas investidas nas contas de Orkut do filho: não é invasão, é proteção! Explicava aos filhos e a todos aqueles que vinham cheios de argumentos para tentar provar que aquilo podava a liberdade dos filhos.

- Não me importo, Podem me chamar do que for – ditadora, insensível, mãe dominadora etc – mas não abro mão de acompanhar de perto o que meus filhos fazem. Não estou desconfiando deles, mas sei bem como é a maldade humana e sei melhor ainda como é a ingenuidade da juventude. Repetia.

Na sua concepção, os jovens são uns idealistas. Por mais que se achem, se digam e até comprovem que são mais espertos, eles sofrem de um mal que só tem cura com o passar do tempo: a falta de maturidade. Por isso, adorava aprender com os filhos e ensinar coisas novas, mas sabia que – assim como acontecera com ela – nada vem antes do tempo necessário para se aprender. E a experiência é um bem valioso para o aprendizado que, infelizmente, só vem com o passar do tempo.

Pois bem. Entrou na conta do filho mais velho, de 15 anos. Começou a ver os ‘scraps’ e analisar as mensagens enviadas por suas amigas e amigos e as respostas dadas por ele. Foi aí que percebeu que, ao final de cada mensagem, vinha sempre um código: 'S2'.

Preocupou-se! O que seria esse tal de 'S2'? Em sua mente, de quem já viveu e sabe o que rola de mal pelo mundo, veio logo um monte de suposição. Inicialmente, pensou que o filho assinava suas mensagens com aquele código para diferenciá-lo da alguma forma: seria porque participava de uma gangue? Seria um tipo de droga? Seria uma forma de dizer algo errado que ninguém pode descobrir – leia-se os pais?

Claro que sua mente viu o que há de pior naquela letra e número juntos. Seria um tipo novo de posição sexual , do tipo 69? Ficou com aquela idéia fixa até o dia seguinte, já que vasculhara a conta do filho no fim do dia quando todos já dormiam.

No dia seguinte, não perdeu tempo. Na primeira oportunidade abordou o filho:

- Aliás, eu gostaria de saber do senhor o que significa aquele código que aparece no fim das suas mensagens do Orkut. Quer dizer: das suas e das mensagens que suas amiguinhas mandam para você? Falou em tom já ameaçador.

- Como assim, mãe, do que você está falando. Respondeu o filho surpreso.
- Não se faça de desentendido. Reagiu
- Qual? O quê? Insistiu o filho.
- Aquele 'S2'! Bradou.
- O que? Você está falando do 'S2'? Repetiu o filho
- Isso mesmo!

Foi nesse momento que o filho caiu na risada. O que de certa forma a irritou.
- Tá rindo de que? Perguntou.
- Mãe, o ‘S’ e o ‘2’ querem dizer um coração! Olha só, nesse momento, ele pegou um papel e começou a desenha o ‘s’ e o ‘2’ juntos. Veja, olha aqui, forma um coração. É apenas uma forma carinhosa de terminar as frases, disse rindo.

Sentindo-se uma espécie de ignorante , ela desarmou o espirito e nao viu outra opção a não ser também rir de sua situação. Riu de sua mente imunda que já começara a desenvolver teses, histórias, tratados. Sentiu-se um pouco envergonhada de sua desconfiança. E declarou-se uma ignorante digital que não conseguiu ver num simples ‘S2’ o coração da juventude que se corresponde e se 'mima' por meio da rede mundial. Recolheu-se a sua insignificância e saiu rindo da sua maturidade pervertida.