sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tudo para ontem!

por katia maia

De repente foi invadida por uma urgência incontrolável. Queria tudo para agora, nesse momento imediatamente. Guardava muitos planos em sua vida. Tinha muito que a conquistar e, aproveitando o inicio do ano, traçara metas. Mas, tudo, naquele instante parecia inadiável!

Parecia que o tempo era pouco e a necessidade de agir era a única saída para que sua existência tivesse alguma solução.
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Se pudesse, levantaria agora da cadeira e sairia correndo. Tinha tanta coisa para fazer, agir, resolver...

Estudar para um concurso público, ler o livro da Ingrid Bittencourt que está na sua mesa de cabeceira, retomar a leitura em francês, ligar para sua amiga que estava sumida, retomar os treinos de corrida, pedalar, requisitar concessão de visto na embaixada americana, escrever as matérias dos freelas, os roteiros, os contos...

Por onde começar? Como fazer? Como se organizar?

A organização, admitia, nunca tinha sido o seu forte. Sempre conseguira trabalhar sob pressão e em ambiente inóspito, atrapalhado e bagunçado. Sua cabeça era uma revolução. Isso sempre a atrapalhara e agora, já nos seus mais de 40 idos anos não sabia se havia solução para esses pequenos detalhes.

A verdade é que estava ardendo em urgência. Queria ver os filhos, falar sobre todos aqueles temas que tem que ser conversados e que deixamos para depois (sempre). Queria abraçá-los, dizer que os ama, queria orientá-los, educá-los, estar junto.

Olhou para orelógio: quase cinco da tarde. Às seis ela saía do trabalho.

- Até lá, pensou, tenho pouco mais de uma hora para me organizar e traçar, esquematizar meus planos. Ah... tem o carro, (lembrou) que está muito sujo (precisa de uma boa lavagem) e está com os faróis queimados (tem usado o farol de milha para compensar)... Pensou.


Olhou para a tela do computador, abriu o Le Monde, em outra janela abriu sites voltados para concursos e enquanto lia noticas da França (para treinar o idioma) se inscrevia nos sites de concurseiros.

Saiu de um, foi para o outro. Pensou, organizou, planejou, ardeu em urgência e viu que era coisa demais para tempo de menos. Refletiu, baixou a bola e incorporou o espírito de Scarlet O'hara: "Amanhã eu penso nisso...amanhã é outro dia.

Desligou tudo e foi para casa.