sexta-feira, 18 de junho de 2010

As Simple as That

por Katia Maia

Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo é assim que as coisas se processam: eu tenho uma antipatia natural por burocracia, papéis, formulários etc., aliás, não é apenas antipatia, mas certa dificuldade em lidar com os tais processos burocráticos.

Pois bem, apenas para dar uma leve idéia da forma como lido com esse setor em minha vida, há quatro anos comprei o meu apartamento.

O imóvel, um dois quartos charmosinho em um bairro legal de Brasília, foi comprado de uma amiga minha, jornalista também. Na época, fomos ao cartório, paguei o que tinha que pagar – acho que despesas de transferência mais o ITBI – e eles me passaram uma pasta cheia de documentos do imóvel.

O cartório me passou um papelzinho dizendo que em poucos dias eu poderia ir até lá para retirar a escritura. Pois bem, passaram-se quatro anos e eu ainda não havia ido pegar o tal papel. Pode? Claro que pode. Em se tratando de Katia Maia é bem possível.

Mas, num dia, assim sem fazer nada, com um pouco de tempo, eu resolvi ir atrás do tal papel para saber se eu ainda tinha direito à tal escritura. Imaginei que teria que pagar de novo trilhões e ribilhões de dinheiro para recuperar o documento.

Entrei no cartório, levei o papelzinho que me deram há quatro anos. A mulher do cartório se espantou. Olhou para minha cara e foi sincera: - mas isso foi em 2006!
É cara pálida, foi! Não respondi, mas deu vontade.

Mas, o melhor de tudo, foi ela me dizer:
- pode ir até aquele balcão e pedir a segunda via da sua escritura.
Em cinco minutos, sem pagar nada, o documento que levei quatro anos para retirar estava na minha mão! As simple as that! Pode?

Agora, é o caso refletir: por que demorei tanto para fazer algo tão simples? Porque eu imaginava que seria difícil? Por isso me dava o direito de adiar o tal momento de encarar a verdade e ver que tinha uma estrada de burocracia pela frente?

É... A vida poderia ser bem mais simples se a gente encarasse logo os fatos e não adiasse tanto o que tem que ser feito.

Isso aconteceu com a burocracia, que detesto e evito. Mas, se repete freqüentemente com situações tolas do dia a dia como dar um telefonema para ter aquela conversa ou dar aquela notícia ou anunciar a decisão que sabemos: vai incomodar.

Pois bem: adianta adiar? Não vai ter que encarar mais cedo ou mais tarde?

Racionalmente sabemos que a melhor atitude a tomar é agir logo e acabar com isso.
Mas, adiamos... Adiamos... E adiamos. E muitas vezes a coisa só aumenta feito uma bola de neve.

Bem, não sei se aprendi a lição, mas asseguro que estou bem mais feliz hoje, não só com a escritura, mas com o registro do meu apartamento na minha mão também. Porque, claro, assim que peguei o documento, corri no cartório ao lado e dei entrada nos papéis para fazer o registro. Acabei de ligar para o cartório e me informaram que está pronto. Yes! O meu apartamento agora é meu e ninguém tasca!

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