segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Briga pelo comando

HAITI EM RUÍNAS
Da Folha de São Paulo

Países lutam para definir papel em socorro
Comunicado divulgado ontem e reunião do Conselho de Segurança da ONU, hoje, tentam esclarecer quem faz o quê Brasília e Washington reivindicam protagonismo que corre o risco de ser prejudicial ao objetivo final, que é ajudar os haitianos

SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON

Visando pôr fim a uma disputa por liderança que pode atrapalhar os esforços de ajuda humanitária, EUA, Brasil e outros países tentam definir o papel dos envolvidos na condução dos esforços de resgate, segurança e reconstrução do Haiti. Brasília e Washington reivindicam um protagonismo que, segundo assessores de ambos os lados, pode prejudicar o objetivo final da ação, que é ajudar os haitianos atingidos pelo terremoto. Por pressão do Brasil e a pedido do México, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas se reúne hoje para tratar do assunto.
A reunião da instância principal da ONU, na qual o Brasil tem assento temporário desde 1º de janeiro, segue outra tentativa de esclarecer as funções de cada um, um memorando conjunto que seria divulgado na noite de ontem mas não foi tornado público até a conclusão desta edição. O Brasil chefia a Minustah, a força de paz da ONU, hoje com 7.000 homens no Haiti, mas na semana que começa os EUA terão enviado 10 mil soldados ao país.
"Está sendo negociado memorando para que fiquem claras quais são as responsabilidades", disse Antônio Patriota, secretário-geral do Itamaraty, em entrevista ontem, na base militar brasileira na capital haitiana. "O meu entendimento é que essas tropas americanas estão exclusivamente para dar apoio à ajuda humanitária, não terão função de segurança pública, que é a função da Minustah. E, aqui em Porto Príncipe, muito especificamente das tropas brasileiras."
Em visita a Porto Príncipe no sábado, Hillary Clinton sugeriu que o governo de Barack Obama buscava mais poder de ação no país para poder atuar sem amarras inclusive em questões de segurança. A secretária de Estado americana disse que esperava que o Legislativo local aprovasse decreto de emergência aumentando os poderes do presidente haitiano, René Préval, a exemplo do que ocorreu após os furacões de 2008.
Segundo Hillary, o decreto dá ao governo haitiano "uma quantidade enorme de autoridade, que eles podem exercer eles mesmos ou, mais provável nessa situação, delegar". De acordo com a chanceler, as forças americanas não correm o risco de entrar em em choque com as brasileiras. "Estamos trabalhando para auxiliá-los, mas não para suplantá-los", disse, sobre as forças da ONU, ressaltando que "eles estão aqui há anos, têm um comando e um controle estabelecidos".
Como parte das manobras diplomáticas para esfriar a tensão em campo, o comandante da força-tarefa dos EUA para o Haiti, general Ken Keen, elogiou seu colega brasileiro, o general Floriano Peixoto, à frente da Minustah, em dois programas de TV ontem. Indagado sobre quem estava no comando no país, ele primeiro disse que era um esforço conjunto entre Haiti, ONU, EUA e comunidade internacional.
"Eu quero parabenizar a nação do Brasil, em particular o comandante das forças multinacionais aqui, o general brasileiro Floriano Peixoto", disse Keen. "Eu o conheço há 30 anos, nós trabalhamos juntos antes e estamos coordenando os esforços para fazer tudo o que pudermos para levar os suprimentos ao povo haitiano."
Em outro programa, respondendo a pergunta semelhante, o americano foi mais direto. Depois de dizer que definir o comando numa situação dessas era o maior desafio, ele confirmou que os EUA já estavam trabalhando em questões táticas e operacionais com Peixoto. "Mas nós vamos elevar isso, e vai ser aí que teremos de coordenar e sincronizar esses esforços para assegurar que estamos colocando o que precisamos em solo, tão rápido quanto possível e usando todas as habilidades à disposição."

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Restaurante Bla´s, na Asa Norte por katia maia Então, fui conferir uma das opções do Restaurante Week dessa leva. O escolhido foi...