quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Investidor externo tira US$ 1,5 bi em 2 dias

Após alta de 145% em dólares em 2009, Bolsa brasileira já perdeu 11% em 2010, a maior desvalorização depois da Venezuela

Para analistas, reversão está ligada a fatores externos como restrição ao crédito na China, retirada de estímulos e regulação maior nos bancos

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL da Folha DE BRASÍLIA

Depois de terminar o ano como "queridinho" do mercado global, o Brasil desponta em janeiro como um dos países que mais perdem recursos dos investidores internacionais.
A piora nas condições do mercado no final da semana passada provocou uma saída de quase US$ 1,5 bilhão do país em apenas dois dias -quarta e quinta-feira da semana passada-, segundo o Banco Central. No ano passado, o país teve um saldo positivo de US$ 19 bilhões na sua conta financeira.
A Bolsa brasileira, que subiu em dólares 145% no ano passado, já teve uma baixa de 11% (5,13% em reais) em 2010, após cinco dias seguidos de perdas. Foi a maior baixa do mundo depois da Venezuela, que recuou 49,3%, já contando o impacto da desvalorização do bolívar.
A maior parte dessa perda da Bolsa está ligada a uma desvalorização do real, que segue um movimento internacional de alta do dólar e da busca por aplicações de menor risco.
Só neste ano, o real já perdeu 5,88% diante do dólar, indo de R$ 1,743 para R$ 1,859. No mundo, o real é também a moeda com a maior depreciação após a divisa venezuelana.
Segundo analistas, a reversão está mais ligada a fatores externos do que a brasileiros. Entre os motivos, estão a restrição ao crédito na China, a revisão da avaliação de risco na Europa e no Japão, regras mais apertadas para os bancos nos EUA fazerem apostas no mercado de capitais, a queda no preço de commodities e dúvidas sobre a recuperação da economia global com a retirada de estímulos e aumento nos juros.
Para Ajay Kapur, estrategista da Mirae Investments de Hong Kong, o Brasil está agora sendo punido porque os grandes fundos de investimento estão "superexpostos" ao real e a ativos brasileiros, após a procura de oportunidades de alto retorno no país até 2009. "O mercado brasileiro está agora caro, apesar de haver razões fortes para justificar essa alta. Uma reversão é bastante provável."
Segundo o economista Alkimar Moura, ex-diretor do BC, o momento atual ainda não representa uma reversão completa do otimismo, mas exige cautela dos investidores. "Pouco depende do Brasil; depende mais da economia mundial. Há também uma má vontade dos banqueiros com a tentativa de regulação no setor financeiro, que afeta o fluxo de dinheiro para o Brasil", disse.
Para Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO, há, sim, um "cheiro de reversão" do quadro otimista no ar, mas nada ainda que aponte para um caminho de histeria como o visto dias após a quebra do Lehman Brothers, em 2008.
Além da saída de estrangeiros, Nehme afirma que a taxa de câmbio está pressionada porque algumas empresas e investidores tiveram de comprar dólar para desmontar operações com derivativos que apostavam na continuidade da baixa da moeda americana, como ocorreu no final de 2008. "Mas isso deve ter acontecido em uma escala muito menor. Até porque está fresca a memória do estrago dos derivativos para os bancos."

Fluxo cambial
Durante toda a última semana, o fluxo de dólares ficou negativo em US$ 85 milhões. Ou seja, houve mais dinheiro saindo que entrando na economia brasileira. O resultado só não foi pior devido a um fluxo positivo no comércio exterior, já que os contratos de exportação superaram as operações de importação.
Com a piora da semana passada, no acumulado de janeiro, o fluxo cambial ficou positivo em apenas US$ 10 milhões. Na área financeira, entraram US$ 671 milhões. Nas operações comerciais, as importações ainda superam os contratos de exportação em US$ 660 milhões.
Se a queda da Bolsa e a alta do dólar, verificados nos últimos dias, provocarem nova saída de recursos nesta semana, janeiro pode fechar com o primeiro resultado negativo em dez meses.
Segundo relatório da NGO, os números da próxima semana devem mostrar um movimento mais forte de saída de dólares. Para a corretora, há um "afastamento de especuladores estrangeiros", já que a moeda nacional perdeu a atratividade para esse fim, o que acentua a "tendência gradual de depreciação do real".
Com a alta do dólar, o BC reduziu, pela segunda semana seguida, o volume das suas intervenções no mercado de câmbio. As compras somaram US$ 425 milhões. No ano, já foi adquirido US$ 1,7 bilhão, 50% a menos do que foi comprado em dezembro passado. As reservas internacionais do Brasil estão hoje no patamar recorde de US$ 241,5 bilhões.

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