segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A situação sempre pode piorar

HAITI EM RUÍNAS

Tremor pode reerguer gangues, diz coronel
Após terremoto, muitos bandidos escaparam de presídio e ainda roubaram armas da polícia haitiana, que sofreu baixas

"Situação está pior do que em 2004, virou terra arrasada", afirma Ajax Pinheiro, que vai assumir o comando de batalhão brasileiro no país

LUIS KAWAGUTI
DO "AGORA"

O terremoto no Haiti criou o ambiente ideal para o ressurgimento de grupos rebeldes e gangues criminosas, segundo o coronel Ajax Porto Pinheiro, que deve chegar ao país na quarta-feira para assumir o comando do Brabatt (Batalhão de Infantaria da Força de Paz), no qual está lotada a maioria dos 1.266 militares brasileiros que hoje servem no país caribenho.
As tropas da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) chegaram ao país em 2004 e em três anos conseguiram desarticular todos os grupos armados e pacificar o país. Contudo, segundo o coronel Ajax, há muitos indícios de que, embora desmobilizados, os grupos rebeldes ainda mantêm estoques de armamentos escondidos.
O maior desses indícios é o de que o número de armas apreendidas em cinco anos e meio de missão é muito inferior ao armamento usado em combates contra as tropas entre 2004 e 2007.
"O ambiente está ideal para eles [grupos armados]. O presídio ruiu, muitos líderes de gangues escaparam e, na fuga, ainda roubaram as armas da Polícia Nacional do Haiti", disse o coronel.
Além disso, na hora do terremoto, policiais haitianos abriram as celas de diversas delegacias de polícia por razões humanitárias, libertando ainda mais criminosos.
Os militares brasileiros temem agora que, mesmo que prendam criminosos, tenham dificuldades para entregá-los à polícia, cuja organização foi prejudicada.
Também agrava o cenário o fato de o Brabatt ter perdido a base Tebo e o ponto forte 22, duas fortificações que asseguravam o domínio da favela de Cité Soleil -historicamente o principal foco de insurgência no país. A região ainda é guardada por uma fortificação chamada ponto forte 16, que não foi abalada pelo terremoto.
Fora isso, outra base, o Forte Nacional, também teve a estrutura abalada. Era a partir dele que os brasileiros vigiavam Bel Air, outro antigo reduto rebelde. O palácio presidencial, que também servia de base aos brasileiros, ruiu complemente.

Pontos positivos
Os aspectos favoráveis à Minustah, segundo Ajax, são o melhor treinamento e a superioridade bélica dos capacetes azuis e o fato de o Campo Charlie, principal base da ONU no Haiti não ter sido abalado pelo terremoto. "Além disso, a tropa que chega do Brasil está mais descansada", disse.
Segundo Ajax, as duas prioridades de seu comando serão retirar corpos das ruas -para evitar a proliferação de doenças- e evitar a reorganização das gangues. Ele acredita que o comando militar da missão deve transferir tropas de outras nacionalidades que atuam no interior do país para ajudar no patrulhamento da capital. O reforço maior deve vir de militares que hoje estão na fronteira com a República Dominicana.
"Hoje a situação está pior que em 2004. Naquela época, as ruas eram precárias e tinham barricadas de lixo. Hoje praticamente não tem rua, virou terra arrasada", disse.
O coronel deve assumir o comando do Brabatt pelos próximos seis meses com uma tropa composta por membros da Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, de uma brigada de infantaria motorizada e de outra especializada em combate em montanhas. Somados a fuzileiros navais e engenheiros, o efetivo total será de 1.360 homens.
Ajax também disse que esses homens foram treinados para garantir a segurança das eleições legislativas marcadas para fevereiro. Após o terremoto, porém, o pleito não deve acontecer mais.

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