quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Arruda diz ter recebido dinheiro só uma vez

Entrevista do Governador do DF à Folha de São Paulo.
Segundo governador, episódio em que Barbosa lhe entregou dinheiro diretamente ocorreu antes de ele assumir o Distrito Federal

Arruda afirma não ter visto R$ 400 mil que ex-secretário carregava em mala quando se encontrou com ele no último dia 21 de outubro

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), disse ontem que só recebeu dinheiro uma vez diretamente de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais -no vídeo já mostrado amplamente na mídia. Recebeu outras contribuições de Barbosa, mas por meio de "outras pessoas". Arruda faz sempre questão de mencionar que os vídeos agora divulgados foram gravados quando ele ainda não era governador de Brasília. Ele considera tudo uma trama engendrada por seu adversário político local, Joaquim Roriz (PSC).
Em 21 de outubro, quando recebeu Barbosa portando uma mala com R$ 400 mil, disse não ter visto o dinheiro. Recusa-se a explicar o conteúdo do diálogo, gravado em áudio e monitorado pela Polícia Federal.




FOLHA - O episódio gravado em vídeo em que o sr. recebe R$ 50 mil de Durval foi o único no qual o sr. recebeu dinheiro diretamente dele?
JOSÉ ROBERTO ARRUDA - Não sei se foram R$ 50 mil. Acho que foram R$ 20 mil ou R$ 30 mil. Não sei. Que recebi diretamente, foi [a única vez]. Nos outros anos -2003, 2004, 2005 e 2006- ele também ajudou.

FOLHA - E como ele dava o dinheiro?
ARRUDA - A outras pessoas. Não diretamente a mim.

FOLHA - Como o sr. declarava esses recursos?
ARRUDA - Não declarava. Eu pegava apenas os recibos das instituições. Fazia a festa, distribuía os cartões de Natal.

FOLHA - Não teria sido mais prudente registrar obedecendo o que manda a Receita Federal?
ARRUDA - Eu nunca me perguntei isso. Não sei te dizer. A verdade é que fiz uns dez anos. Mas nunca teve nada escondido. O Carrefour, por exemplo, me doava oficialmente.

FOLHA - Como um político, governador do Distrito Federal, sabendo com quem tratava, manteve Durval Barbosa no cargo de secretário de Relações Institucionais?
ARRUDA - Respondo em duas partes. Primeiro, grande parte, se não todos esses vídeos que estão sendo divulgados dele dando dinheiro para quem quer que seja, referem-se ao período do governo anterior ao meu. Inclusive o meu próprio [vídeo], que foi em 2004 ou 2005. Eu não sei precisar. Segundo, até próximo à minha posse nem eu nem ninguém em Brasília tinha essa imagem. Ele foi útil na campanha.

FOLHA - No encontro do dia 21 de outubro entre o sr. e Barbosa ele portava uma mala com dinheiro...
ARRUDA - Eu não sei. Ele estava com uma pasta.

FOLHA - Ele mostrou o dinheiro para o sr.?
ARRUDA - Não. Nem disse que estava com ele. Disse que o empresário queria fazer doação. Eu disse que não estava em campanha. O ano que vem eu vou ver isso. Agora, tem várias pessoas em campanha. Ajude os aliados. Isso eu falei.

FOLHA - O sr. está seguro que ele não mostrou o dinheiro?
ARRUDA - Estou seguro. Mas está no inquérito que o equipamento de filmagem superaqueceu. Eu me pergunto, se ele tivesse aberto a mala de dinheiro, será que teria dado o mesmo defeito no equipamento?

FOLHA - O que o sr. está sugerindo?
ARRUDA - Nada. Acho esquisito.

FOLHA - Mas, nesse diálogo do dia 21 de outubro, o sr. fala várias vezes despesas mensais com políticos, diz ser necessário unificar. O que é isso?
ARRUDA - Tem coisas misturadas. Tem pedaços que tenho certeza de que a gente falava de um sujeito que indicou cargos numa administração e estava duplicando cargos numa outra.

FOLHA - Como assim?
ARRUDA - Há um exemplo do deputado Pedro do Ovo [PRP], que tinha indicado pessoas para 12 cargos, num valor total de R$ 15 mil de salários somados. E pedia outros 15. Aí disse não.

FOLHA - Nesse diálogo do dia 21 há outros trechos que indicam sua participação numa conversa sobre divisão de dinheiro...
ARRUDA - Sobre esse diálogo eu não vou mais fazer comentários por uma razão: os meus advogados estão estudando isso. Essas supostas falhas técnicas precisam ser estudadas. Filme de bandido e mocinho, muitas vezes, no meio a gente acha que o bandido é o mocinho. No final, as coisas ficam claras.

FOLHA - Apesar de todos os indícios o sr. está dizendo que não cometeu erros?
ARRUDA - Posso ter me equivocado ao manter no governo pessoas como essa [Barbosa].

FOLHA - Mas governador, são tantos vídeos com Barbosa dando dinheiro para tanta gente, inclusive para o sr., e mesmo assim o sr. está dizendo que nunca soube de nada?
ARRUDA - Sinceramente, não. Nos últimos meses, começaram a surgir esses boatos. Coincidiu com a saída de Roriz do PMDB. Roriz saiu no dia 16 de setembro. No dia 15, ele [Barbosa] recebeu uma condenação. No dia 17, fez a denúncia.

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