quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Real é a moeda mais sobrevalorizada no mundo, diz estudo


Divisa está 50,6% mais "cara" do que o dólar e 23,5% do que o euro, afirma banco Goldman Sachs

Da Folha de São Paulo

Não é apenas em relação ao dólar que o real é a moeda mais sobrevalorizada do mundo. A divisa brasileira também é a mais "cara" na comparação com o euro, diz estudo do banco americano Goldman Sachs.
Segundo a instituição financeira, o real é a moeda mais sobrevalorizada no mundo.
De acordo com o levantamento do Goldman, o real está sobrevalorizado em 23,5% em relação à moeda do bloco europeu -a diferença ante o dólar é mais que o dobro: 50,6%.
A taxa de câmbio apreciada dificulta a exportação, ao mesmo tempo em que facilita a entrada de produtos do exterior.
O Goldman Sachs diz que a valorização do real é reflexo do momento vivido pela economia brasileira e que o movimento de alta da moeda deve persistir no ano que vem. "Essa retomada da demanda em um país quando comparado a outro é perfeitamente compatível e se pode dizer que seria estranho se o real não tivesse significativamente sobrevalorizado dada a forte diferenciação cíclica."
Essa "forte diferenciação cíclica" se refere ao momento das duas economias. Enquanto o PIB brasileiro avançou 1,1% e 1,3% no segundo e no terceiro trimestres, respectivamente, o dos Estados Unidos, na mesma comparação, contraiu-se em 0,2% e cresceu 0,7%.
"Em outras palavras, o Brasil se recuperou significativamente mais cedo e mais forte que os EUA. Isso é muito importante para a moeda", diz o Goldman.
Segundo o banco, não há sinais no curto prazo de que o real vai deixar de se apreciar, especialmente em relação ao dólar. Para ele, o real só deve sofrer pressões "consideráveis" da moeda americana no segundo semestre de 2011 -isso na previsão mais otimista.
O Goldman Sachs afirma ainda que o dólar, cotado hoje a R$ 1,75, deve cair em três meses para R$ 1,60. Daqui a seis meses, ele deve estar cotado a R$ 1,65 -retornando aos R$ 1,75 em 12 meses. "Não esperamos que o real retorne ao valor justo no horizonte previsto e, na verdade, o risco permanece em direção a um novo ciclo de apreciação." (ÁLVARO FAGUNDES)