terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Famílias de menor renda consomem mais supérfluos

Levantamento da LatinPanel mostra que lista de compras das classes D e E se diversificou neste ano

da Folha de São Paulo/VERENA FORNETTI
DA REDAÇÃO

Amaciante, leite condensado, cereal e maionese passaram a fazer parte da lista de compras dos mais pobres neste ano, segundo pesquisa divulgada pela consultoria LatinPanel, especializada em varejo.
De janeiro a setembro de 2008, as classes D e E (com renda de até quatro salários mínimos) consumiam 30 itens não duráveis ao mês. Até o terceiro trimestre deste ano, houve incorporação dos quatro produtos citados, o que indica incremento do gasto com alimentos e do acesso a bens supérfluos.
O levantamento mostra que os mais pobres foram os principais responsáveis pelo crescimento do desembolso médio com alimentos, bebidas, higiene pessoal e produtos de limpeza até setembro. O avanço nessa faixa de renda foi de 18%, ante 13% das classes A, B e C.
No terceiro trimestre, o crescimento médio dos gastos de todas as classes sociais com esses produtos foi de 10,7%. Nesse período, o volume médio consumido cresceu 9,7%.
Christine Pereira, diretora comercial da LatinPanel, afirma que o crescimento da renda e as ações sociais do governo aumentaram o poder de compra das famílias de baixa renda. A queda da inflação, principalmente a dos alimentos, que têm peso significativo no orçamento dos que ganham menos, contribuiu para o aumento dos gastos e do volume consumido.
Pereira aponta o desenvolvimento de produtos específicos para baixa renda como outro propulsor do consumo de supérfluos. " A indústria começa a desenvolver, por exemplo, embalagens menores, que exigem um gasto menor e passam a caber no bolso da baixa renda."

Apelo à vida saudável
A diversificação do consumo ocorreu também nas classes mais abastadas. De acordo com a pesquisa, cresceu a venda de itens com maior valor agregado e com apelo à vida saudável, como margarinas que prometem ajudar a combater problemas do coração, iogurtes funcionais e bebidas à base de soja.
Apesar do incremento do consumo de bens não duráveis em todos os segmentos, famílias das classe AB têm gasto per capita 52% maior que as dos estratos de renda inferiores.
A pesquisa da LatinPanel também detectou que os brasileiros estão comprando mais em hipermercados e lojas de atacados. As compras para abastecer a casa -portanto, feitas em quantidade- crescem mais que os desembolsos que apenas repõem as mercadorias consumidas. O crescimento é de 19% e 17%, respectivamente.
O gasto médio nos hipermercados, levando em conta todas as faixas de renda, passou de R$ 29,05 de janeiro a setembro de 2008 para R$ 31,77 em iguais meses deste ano. Nos atacadistas, os valores oscilaram de R$ 35,95 para R$ 43,41.
Segundo a LatinPanel, a manutenção dos juros, o aumento do crédito e o crescimento econômico devem melhorar os resultados do varejo em 2010.

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