domingo, 27 de dezembro de 2009

A hora e a vez da classe C.

Classe C descobre o turismo e dá fôlego ao crescimento do setor
Novos viajantes conseguem encaixar viagens no orçamento graças ao dólar baixo e facilidade de financiamento

Andrea Vialli do Estado de São Paulo

O brasileiro está viajando mais. A entrada da classe média emergente no mercado de turismo foi um dos sustentáculos do setor em 2009 e dará fôlego ao crescimento dessa indústria em 2010. Os novos turistas da classe C conseguem encaixar as viagens em seu orçamento graças à recuperação econômica e ao aumento da confiança do consumidor, ao dólar baixo, que barateia os pacotes turísticos, e sobretudo às facilidades de financiamento. Hoje já é possível comprar uma passagem aérea em até 48 prestações.

"Nos próximos dez anos, 50 milhões de brasileiros que nunca viajaram serão incorporados ao mercado de turismo. É um quarto da população brasileira", afirma Guilherme Paulus, presidente do Conselho de Administração da CVC. Fundada por ele há 37 anos, a CVC é hoje o maior grupo empresarial de turismo da América Latina. "Depois da troca da geladeira e do fogão, a viagem com a família é o novo sonho possível do brasileiro", diz Paulus.

A mais recente pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo, divulgada em novembro, corrobora a percepção do fundador da CVC. Segundo o levantamento, com 2.514 entrevistados, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007. Entre 2007 e 2009, 58,8% dos brasileiros viajaram ao menos uma vez. Na pesquisa anterior, eram 32%.

Os números se mostram ainda mais expressivos quando se observa a estratificação por faixa de renda. Hoje, 38,9% dos viajantes têm renda superior a 10 salários mínimos, mas cresce a participação das faixas de rendimentos mais baixos. Segundo o estudo, 15,8% das pessoas que ganham entre um e três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Entre os que recebem entre três e cinco salários, o porcentual sobe para 19,7%. E há crescimento à vista: segundo o estudo do Ministério do Turismo, 34,8% das pessoas com interesse em viajar até 2011 ganham entre 1 e 3 salários mínimos.

"Houve um alargamento do mercado de consumo do País com a entrada de mais de 20 milhões de brasileiros na classe média e isso refletiu no aumento do número de viagens nos últimos dois anos", diz o ministro do Turismo, Luiz Barreto. Segundo ele, antes as viagens se concentravam apenas nas classes A e B. "A classe C tem entrado nesse mercado e contribuído para o alargamento da base de viajantes."

O ano de 2009 começou mal para a indústria do turismo, com os efeitos da crise econômica internacional influenciando diretamente a venda de pacotes de viagem. Depois, no meio do ano, os surtos da gripe H1N1 em países da América Latina como Chile e Argentina tolheu as vendas de roteiros de inverno como Bariloche e Buenos Aires, que chegaram a cair 50% em relação aos meses de junho e julho de 2008. A recuperação começou só no segundo semestre e, ao que parece, veio para ficar.

Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), houve aumento de 20% nas vendas de pacotes turísticas no quarto trimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. As promoções feitas pelas empresas aéreas e operadoras de turismo, aliadas ao dólar no patamar de R$ 1,70 a R$ 1,80 estão dando fôlego a essa retomada.

"O turismo ficou mais acessível e os brasileiros estão atentos a isso. O dólar a R$ 1,70 estimula e a competição entre as companhias aéreas estimulam o turismo", diz Alex Todres. Junto com o sócio Bob Rossato ele criou a ViajaNet, empresa de vendas de pacotes e passagens pela Internet, que opera desde novembro.

O mercado está tão atraente que a empresa recebeu um aporte de capital semente de R$ 4 milhões do fundo de investimentos americano Travel Investiment Technology (TIT). A meta dos sócios é faturar R$ 12 milhões no primeiro ano de atuação.

A CVC deve fechar este ano com 2 milhões de passageiros embarcados, um crescimento de 12% em relação a 2008. Segundo Guilherme Paulus, destinos mais baratos, como Porto Seguro estão indo de vento em popa. Uma viagem de uma semana para o destino na Bahia custa a partir de R$ 500 e pode ser parcelada em até dez prestações.

"São 60 voos fretados por semana", informa ele. O dólar barato também impulsiona roteiros como Buenos Aires, em torno de US$ 500 para um pacote de cinco noites, e os cruzeiros marítimos, a partir de US$ 530. (leia texto ao lado).

Para 2010, a expectativa é ainda mais ambiciosa: a companhia espera crescer entre 18% a 20% e chegar a 3 milhões de passageiros. Se depender da disposição do brasileiro para viajar e das previsões de crescimento da economia no ano que vem, a meta será alcançada com facilidade, aposta a CVC.

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