quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Para Kassab, dia de caos teve seu 'lado positivo'




Com Imagem da Petria chaves tirada hoje pela manhã do helicóptero da CBN.
''Não foi o caos'', afirma Kassab
Autor(es): Diego Zanchetta
O Estado de S. Paulo - 09/12/2009

Segundo prefeito, chuva 'foi muito intensa' e obras nas bacias do Aricanduva e do Pirajuçara já surtiram efeito

No primeiro pronunciamento oficial sobre os estragos causados pela chuva em São Paulo, por volta das 11h15, quando a Marginal do Tietê ainda estava alagada e o número de desalojados na zona leste chegava a 800, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou que "não foi o caos, a chuva foi é muito intensa". Kassab disse que "o aspecto positivo da chuva" foi que as obras realizadas nas bacias dos Rios Aricanduva e Pirajuçara já surtiram efeito. Ao lado de secretários e de integrantes da Defesa Civil, ele declarou que os investimentos feitos no combate às enchentes mostraram bom resultado, são suficientes e a cidade tem se preparado adequadamente para enfrentar os alagamentos. Como ação emergencial, disse que abriria um pregão para permitir que os 31 subprefeitos sobrevoassem suas regiões para mapear novas áreas de risco a cada 20 dias, até o fim da temporada de chuvas.

"Com o volume de chuvas que caiu, o Aricanduva e o Pirajuçara teriam transbordado. Isso não ocorreu graças às obras realizadas pela Prefeitura. As obras já estão dando resultado. Na Marginal do Tietê houve alagamentos porque a chuva foi muito forte na cabeceira (do rio)." Ao lado de Kassab, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, questionado sobre o que poderia ser feito para evitar que a cidade voltasse a enfrentar o caos durante os temporais, declarou que, diante do volume de água que caiu, o resultado foi bom.

"Os piscinões e as bocas- de-lobo estão funcionando próximo do ideal. Choveu nesses primeiros dias do mês o equivalente a 70% do previsto para dezembro inteiro", disse o secretário que, na segunda-feira, havia afirmado que a cidade estava preparada para as chuvas.

O discurso que tentou amenizar os problemas vividos por milhares de paulistanos foi feito pela cúpula governista sobre um ponto da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na Ponte das Bandeiras, acima de um alagamento que impedia o tráfego de centenas de carros e de caminhões, parados desde às 5h40. O tráfego só foi liberado por volta das 12h20, quando uma árvore que caiu na madrugada foi removida.

"Ele falou do Aricanduva, só que lá também houve transbordamento no temporal da semana passada. Falar que as obras são suficientes é tirar um sarro da nossa cara", criticou o enfermeiro Aguinaldo Formiga, de 34 anos. Morador de Taipas, na zona norte, ele parou no trânsito da Marginal por volta das 6h, quando ia para o trabalho, na zona leste. "Já é quase meio-dia e estou aqui ainda", lamentou.

As filas de carros parados na Marginal iam da Ponte da Casa Verde à saída para a Avenida Santos Dumont, em um trecho de 3,5 quilômetros. "Já dormi, acordei. Estou pensando em fechar meu carro e procurar um banheiro no posto do outro lado", se queixava o caminhoneiro Orivaldo Mazonni, de Ourinhos, interior paulista. Motoboys tentavam cruzar os pontos de alagamento, mas paravam nos trechos onde a água ultrapassava a cintura de funcionários da Defesa Civil.

Apesar de o prefeito ter citado as obras nas bacias do Aricanduva e do Pirajuçara como pontos positivos, a verba para a canalização de córregos, de R$ 92 milhões, teve até agora empenhados R$ 71 milhões, ou 77% do previsto, a 20 dias de acabar o ano. Na Câmara, a oposição criticou o fato de, para 2010, o Executivo prever R$ 126 milhões para publicidade e apenas R$ 25 milhões para obras e serviços em áreas de risco. Este ano, contudo, somando as verbas de obras emergenciais contra enchentes e nas áreas de risco, Kassab gastou R$ 130 milhões, 40% a mais do que em 2008, argumenta o governo.