terça-feira, 13 de julho de 2010

Status: 'Invisível'!

por katia maia

Se eu estou invisível e você também, como vamos saber se estamos online? Este dilema a menina vivia todos os dias. Sempre que ligava o seu computador, corria para a lista de amigos e procurava o nome dele. Infrutiferamente, porque ele nunca estava ‘on’.

Não estava ‘on’ mas vira e mexe a chamava para conversar sem que seu nome aparecesse na lista. Foi daí que ela começou a perceber que ele não queria ficar visível e queria ter o privilégio – ou seria prequisito de ter o beneficio da escolha – do momento mais adequado para conversarem.

Dessa forma, ficava sempre num vôo no escuro, a espera da benevolência do ser virtualmente amado.

Foi a partir daquele dia que decidiu: iria se tornar um ser virtual invisível para a comunidade web. Clicou no ícone ‘status’ e sem pestanejar escolheu a opção ‘invisível’.

- Pronto! Pensou. Agora, você não saberá mais se eu realmente sumi da rede de computadores ou se decidi não me mostrar mais para ninguém, ou, melhor, só para você, ou, melhor, eu decido a hora em que iremos conversar.

Achou que tinha encontrado a fórmula da vingança. Estava cansada de diariamente buscá-lo no mundo online e decepcionar-se ao perceber que ele não estava à mostra para ninguém.

- Ou pelo menos, não para mim. Conjecturava.

Ela era assim mesmo. Ficava fantasiando, inventando possibilidades, elaborando silogismos. Pensava:

- Se ele não está sempre ‘visível’. Se ele deixa ser ‘visto’ somente por quem ele quer falar e ele quase nunca está ‘online’ para mim, logo, ele não quer falar comigo.

Sofria, divagava e desterrava-se. Ela era dramática.

- Mas, se eu fico invisível, ele não me saberá por aqui e não me chamará nunca! Vivia o dilema.

De repente, eis que surge um aviso piscando em sua tela. Alguém a chamou para conversar. Imediatamente fecha a janela de estudo e corre para ver de onde vem o aviso.

- É ele! Constatou, sorriu para si mesma, animou-se e ficou feliz.

Parou. Pausa para pensar estrategicamente:

- Se eu responder imediatamente, ele logo deduzirá que eu estava aqui de prontidão esperando o piscar de sua mensagem. Se eu demorar a responder, ele pode achar que eu não estou no computador e desistir de bater-papo. Meu Deus, dúvida cruel! Tenho que agir no ‘time’ certo. Aconselhou a si mesma.

Esperou alguns rápidos segundos e respondeu:

- oi. Td bem?

[Espera... Expectativa... Ansiedade]

Ele, sim, demorou o tempo certo para retornar:

- Td bem e com vc?

Olha só... Estamos progredindo, respondeu e ainda perguntou algo. Estamos entabulando um diálogo. Comemorou

- Estou bem.

[Silencio...]

[Espera...]

Ela tomou a iniciativa:

- Hoje, pensei em te ligar. Passei por perto de sua casa. [enter]

Não! Por que eu digitei isso! Pronto, agora, me entreguei total. ‘Tô’ ferrada!

- Mesmo, que horas (Ele perguntou)

Respondeu! Não foi bola fora!

- pela manhã (Digitou)

- eu não estava em casa. (Ele disse)

- ah... (Murchou)

[Silêncio... Espera... Um minuto, dois, três e nada!]

Ela então decidiu: vou fechar essa caixa de diálogo e me colocar também ‘in-vi-si-vel’. Agora, ele verá. Não nos falamos mais. Quando me procurar, perceberá que já me fui. E eu decidirei a hora em que iremos conversar!

[invisível]

Não se passaram três minutos, decidiu ficar ‘visível’ de novo.

- Vai que ele percebe que eu voltei e me chama novamente para conversar.

Não rolou. Decidiu bloqueá-lo e deletar de vez aquele romance virtual.