sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tempo de comédia: média 5,0 passou!

por katia maia


Termina no dia 08 de agosto, portanto, quem se interessar, corre que está acabando!





Eu fui conferir a peça Tempo de Comédia, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil aqui de Brasília.

Fui na quinta-feira. Portanto num dia que ainda não é fim de semana, mas que já é um indício de que ele está chegando. Por indicação de um amigo, que me ofereceu o ingresso, decidi aproveitar a noite que normalmente termina dentro de casa, assistido a algo na TV (A Grande Família) ou em alguma leitura de revsta ou livro.

Confesso que tenho tido uma certa preguiça para me mexer e aproveitar essas oportunidades culturais. Não sei se tem a ver com a idade, com a correria do dia a dia ou com preguiça mesmo. Mas, enfim, o bom desses convites inesperados no meio da semana é que a gente aceita, sacode a poeira e vai!

Então, fui. Fui para conhecer esse texto que é do inglês Alan Ayckbourn e que é classificado como uma comédia.

É. Realmente é uma comédia. A peça faz uma sátira bem humorada a toda a miscelânea de um set de TV e à ficção científica.

Resumindo, é isso: a história se passa em uma época futura quando os atores poderão ser substituídos por andróides denominados ‘actóides’. Seres que são utilizados em produções de baixo custo, programados e controlados conforme o papel que irão representar.

Jacie (julia Carreira) e Chandler (Luiz Damasceno)

Um diretor decadente está filmando uma novela com audiência em trajetória descendente. Ele filma com actóides que já estão há muito tempo em uso e apresentam problemas de programação – trocam palavras, letras, emoções...

Mas, eis que entre seu elenco andróide, uma das actóides (Julia Carreira) começa a ter vontade própria, emoções próprias. De tanto encenar, participar de novelas, viver papéis, ela cria personalidade e começa a ter reações baseadas em sua ‘vivencia’ e não no papel que está interpretando.

Adams (Eduardo Muniz) e Jacie (Julia Carrera)

Um escritor novato, Adams (Eduardo Muniz) sobrinho do dono da emissora percebe isso, e decide escrever um texto direcionado e personalizado para a tal da actóide que tem o nome JC F31 333 e se autodenomina Jacie – uma alusão à pronuncia das letras ‘J’ e ‘C’ em inglês - (Julia Carreira). O escritor termina se apaixonando pela actóide e é a partir daí que a peça assume momentos realmente legais.

Até esse ponto, a peça me pareceu, um pouco exagerada com o ‘timming’ das cenas fora de sync. Mas, partir do momento em que o escritor começa a viver um romance com a andróide, a gente ri de situações que se aproximam muito de um relacionamento entre ‘humanóides’.

Ela vive conflitos tipicamente humanos da iminência de ‘entrar em parafuso’ por causa do sentimento ‘amor’ para o qual não foi programada. Suas reações imprevisíveis são baseadas em falas encenadas por ela no passado e isso gera um drama pessoal do tipo:

- eu como actoide só repito o que já foi dito ou escrito por outro.

Ao que o escritor responde:

- mas não é assim na vida real?

Bom, a peça é bem simplista em seu cenário, que chega muitas vezes a ser pobre, mas que resolve bem as situações.

Quem se aventurar a assistir, digo que vale a pena se for sem expectativa nenhuma. Aliás, vá preparado para rir bastante de algumas cenas, se sentir indiferente a outras e em alguns momentos pedir para que os atores gritem menos (principalmente o que faz o papel de diretor Chandler, Luiz Damasceno. Um pouco menos de inflexão na voz e ele acertaria o ponto.

Serviço:

Data: 15 de julho a 8 de agosto

Local: CCBB

Ingressos: R$ 15 (inteira) R$ 7,50

Classificação: 12 anos Duração: 105 min.